{"id":12869,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/dioceses-novas-e-novas-dioceses\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"dioceses-novas-e-novas-dioceses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dioceses-novas-e-novas-dioceses\/","title":{"rendered":"Dioceses novas e novas dioceses"},"content":{"rendered":"<p>A comemora\u00e7\u00e3o dos 30 anos das novas Dioceses de Santar\u00e9m e Set\u00fabal, d\u00e3o-nos ensejo a uma reflex\u00e3o serena sobre a natureza eclesial de uma diocese e a raz\u00e3o da sua cria\u00e7\u00e3o. A Diocese \u00e9, primariamente, uma \u201cIgreja particular na qual e da qual existe a una e \u00fanica Igreja Cat\u00f3lica\u201d (cn.368). Pode assim definir-se, como o faz o Vaticano II (CD 11), assumido textualmente no cn. 369, como \u201c A por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus que \u00e9 confiada ao Bispo para ser apascentada com a coopera\u00e7\u00e3o do presbit\u00e9rio, de tal modo que, aderindo ao seu pastor e por este congregada no Esp\u00edrito Santo, mediante o Evangelho e a Eucaristia, constitua a Igreja parti-cular,onde verdadeiramente se encontra e actua a Igreja de Cristo una, santa , cat\u00f3lica e apost\u00f3lica.\u201d  Ter\u00e1 uma delimita\u00e7\u00e3o territorial e ser\u00e1 dividida em par\u00f3quias, as quais t\u00eam a sua exist\u00eancia eclesial na Diocese, a que preside o Bispo, sinal e promotor da unidade e da comunh\u00e3o. No s\u00e9culo XX a geografia eclesi\u00e1stica de Portugal teve altera\u00e7\u00f5es significativas. Nasceram as novas dioceses de Vila Real (1922), Santar\u00e9m e Set\u00fabal (1975), Viana do Castelo (1977). Foram restauradas as dioceses de Leiria( 1918), extinta em 1882, e de Aveiro (1938), extinta em 1881. A Diocese Cas-trense, criada em 1966, adquire autonomia, em 2001, com um bispo pr\u00f3prio. Ainda houve altera\u00e7\u00e3o nos nomes de Portalegre para Portalegre &#8211; Castelo Branco (1956) e de Leiria para Leiria-F\u00e1tima (1984). Bragan\u00e7a, depois de muitas vicissitudes hist\u00f3ricas, em 1980 voltou a ser Bragan\u00e7a &#8211; Miranda.  A necessidade de criar e de restaurar as novas dioceses, se teve algum bairrismo a promover a decis\u00e3o de Roma, foi tamb\u00e9m fruto da lucidez de quem viu que a Igreja cresceria e responderia melhor \u00e0 sua miss\u00e3o. Em alguns casos as coisas fizeram-se com sofrimento, com reac\u00e7\u00e3o menos crist\u00e3 por parte das dioce-ses que perderiam par\u00f3quias, com interven\u00e7\u00f5es pelo meio que, depressa, se viram como negativas e menos razo\u00e1veis. Um dia, quando a hist\u00f3ria se fizer, poder\u00e1 ver-se que, no processo, nem tudo foi edificante e limpo. Hoje, por\u00e9m, uma correcta informa\u00e7\u00e3o da realidade actual, vista em compara\u00e7\u00e3o com o ponto de partida, permite reconhecer que a cria\u00e7\u00e3o das novas dioceses foi altamente positiva e permitiu um renova\u00e7\u00e3o pastoral e apost\u00f3lica, que n\u00e3o se conseguiria de outra maneira. O crescimento demogr\u00e1fico veio tamb\u00e9m a confirmar a justeza da medida, e a dimens\u00e3o humana de todas estas dioceses, m\u00e9dias no seu tamanho e popula\u00e7\u00e3o, mostrou que o caminho estava certo. O despovoamento do interior do pa\u00eds afectou agora todas as dioceses que a\u00ed se situam, algumas a enfrentar no momento presente, problemas que n\u00e3o se previam d\u00e9cadas atr\u00e1s, mas que,  apesar de tudo, s\u00e3o enfrentados com outro esp\u00edrito e dedica\u00e7\u00e3o. As grandes dioceses da Europa, Roma, Paris, Madrid, Mil\u00e3o, Barcelona, tentaram ganhar uma dimens\u00e3o mais humana e deram origem a diversas dioceses \u00e0 sua volta. Apesar de o crescimento demogr\u00e1fico actual esteja trazendo novos problemas, ningu\u00e9m, passados anos, ousa dizer que n\u00e3o tenha sido bem a cria\u00e7\u00e3o das novas dioceses, operada h\u00e1 anos. As raz\u00f5es que, durante anos, se davam para n\u00e3o se enveredar por esse caminho, entre outras menos significativas, era a dificuldade de se ter semin\u00e1rio maior, tribunal diocesano, cabido de c\u00f3negos. Hoje, nada disto tem sentido, pois os semin\u00e1rios maiores deram lugar aos centros de estudos teol\u00f3gicos que servem v\u00e1rias dioceses. O mesmo com os tribunais. As dioceses podem recorrer a outras dioceses, para as quest\u00f5es de primeira inst\u00e2ncia. Os col\u00e9gios dos consultores diocesanos vieram a substituir, em v\u00e1rios aspectos com vantagens, por via de uma renova\u00e7\u00e3o c\u00edclica, os tradicionais cabidos. Ali\u00e1s, em muitas dioceses, como acontece com as que foram criadas ou restauradas no s\u00e9culo passado, n\u00e3o existe cabido capitular, nem se sente a sua necessidade.  Justificam-se dioceses novas em Portugal? Este problema foi tabu durante muitos anos. Hoje n\u00e3o o \u00e9, mas tamb\u00e9m n\u00e3o tem constitu\u00eddo problema que motive a Confer\u00eancia Episcopal a pensar na renova\u00e7\u00e3o das suas estruturas territoriais. Por\u00e9m, a revis\u00e3o c\u00edclica das estruturas pastorais \u00e9 uma exig\u00eancia da renova\u00e7\u00e3o, que se pode iludir. Muito menos hoje, como \u00e9 \u00f3bvio. Novas dioceses n\u00e3o s\u00e3o o caminho obrigat\u00f3rio, mas h\u00e1 que provar que da\u00ed n\u00e3o viria nenhuma vantagem para a Igreja e a sua miss\u00e3o neste mundo concreto. O que de novo se nos p\u00f5e como exig\u00eancia do esp\u00edrito conciliar, \u00e9 que as dioceses n\u00e3o t\u00eam que nascer a partir de grupos de base, mais ou menos eivados de bairrismo, mas sim dos respons\u00e1veis das Igrejas, sens\u00edveis ao maior bem do Povo de Deus, que fa\u00e7am o poss\u00edvel para que o bispo esteja mais conhecido e pr\u00f3ximo, o governo diocesano n\u00e3o se fa\u00e7a por intermedi\u00e1rios, o centro da sua igreja diocesana seja acess\u00edvel, os padres tenham uma rela\u00e7\u00e3o normal e pr\u00f3xima com o seu bispo, a realidade humana, social e religiosa, esteja ao alcance de uma reflex\u00e3o alargada e consequente e de uma planifica\u00e7\u00e3o exequ\u00edvel, os leigos, de qualquer ponto da Diocese, sejam conhecidos e apreciados nas suas necessidades e capacidades. Os suced\u00e2neos de solu\u00e7\u00e3o para as grandes dioceses, que se v\u00e3o for\u00e7ando e a que \u00e9 f\u00e1cil recorrer, n\u00e3o t\u00eam, a meu ver e segundo a minha experi\u00eancia pessoal, nem raiz consistente, nem grande futuro. O que fazem, em muitos casos, os bispos auxiliares, podem faz\u00ea-lo os vig\u00e1rios episcopais. N\u00e3o ter\u00edamos bispos que parece n\u00e3o o serem em sentido pleno, nem desequil\u00edbrios num\u00e9ricos, de que se parece agora ter medo, em rela\u00e7\u00e3o aos em\u00e9ritos e auxiliares, frente aos bispos diocesanos.  Novas dioceses em Portugal? Nunca ser\u00e1 determinante uma opini\u00e3o isolada, porque o problema tem a ver com uma reflex\u00e3o alargada e deve obedecer a crit\u00e9rios estritamente pastorais. Ningu\u00e9m na Igreja \u00e9 dono de nada, nem de minguem. O esp\u00edrito de servi\u00e7o traduz-se na preocupa\u00e7\u00e3o de, por todos os meios, fazer com que a Igreja seja sinal e instrumento de salva\u00e7\u00e3o e de comunh\u00e3o para todos, e o bispo seja, efectivamente, um irm\u00e3o pr\u00f3ximo, capaz, por si, de rela\u00e7\u00f5es fraternas e estimulantes.  Nunca se dever\u00e1 ver este problema, como se fez em tempos, a partir do que pode perder a diocese grande que se divide, mas sim a partir da nova por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus, a que se permite fazer uma experi\u00eancia eclesial, v\u00e1lida, verdadeira e consequente.   Ant\u00f3nio Marcelino Bispo de Aveiro <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A comemora\u00e7\u00e3o dos 30 anos das novas Dioceses de Santar\u00e9m e Set\u00fabal, d\u00e3o-nos ensejo a uma reflex\u00e3o serena sobre a natureza eclesial de uma diocese e a raz\u00e3o da sua cria\u00e7\u00e3o. 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