{"id":12807,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/caritas-pede-igualdade-para-as-mulheres-no-mundo-do-trabalho\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"caritas-pede-igualdade-para-as-mulheres-no-mundo-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/caritas-pede-igualdade-para-as-mulheres-no-mundo-do-trabalho\/","title":{"rendered":"C\u00e1ritas pede igualdade para as mulheres no mundo do trabalho"},"content":{"rendered":"<p>A C\u00e1ritas Portuguesa considera que \u201ch\u00e1 muito caminho a percorrer no que concerne \u00e0 igualdade\u201d das mulheres no mundo do trabalho. O tema foi abordado no primeiro m\u00f3dulo das II Oficinas de Ver\u00e3o promovidas pela organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, entre os dias 4 e 6 de Julho, intitulado \u201cMulher: Fam\u00edlia e Trabalho\u201d. No in\u00edcio desta iniciativa, o presidente da C\u00e1ritas Portuguesa, Eug\u00e9nio da Fonseca, referira \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que os agentes pastorais da Igreja devem estar atentos \u201c\u00e0s novidades decorrentes da evolu\u00e7\u00e3o dos tempos\u201d, nomeadamente na quest\u00e3o do trabalho, para a\u00ed aplicarem os conceitos da Doutrina Social. Sobre a tem\u00e1tica escolhida, este respons\u00e1vel destaca o papel das mulheres na ac\u00e7\u00e3o social em Portugal, sublinhando a sua \u201ccompet\u00eancia e generosidade\u201d. Eug\u00e9nio da Fonseca lamenta, ainda, que as mulheres n\u00e3o estejam mais presentes \u201cnos centros de decis\u00e3o\u201d.  <b>Partilha de tarefas<\/b> Os participantes foram convidados a reflectir sobre as realidades do nosso tempo relacionadas com a Fam\u00edlia. Foram referidos diversos factores, cuja conjuga\u00e7\u00e3o, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, determinaram mudan\u00e7as profundas, no plano demogr\u00e1fico, familiar e mesmo dos valores: as baixas taxas de natalidade; o aumento de esperan\u00e7a de vida; os surtos migrat\u00f3rios para os grandes centros urbanos; a participa\u00e7\u00e3o crescente das mulheres na actividade econ\u00f3mica; o aumento das taxas de div\u00f3rcio; o aparecimento de outros modos de viver a conjugalidade; a diversidade de formas familiares. Foi referida a import\u00e2ncia da partilha da vida, come\u00e7ando pela partilha equilibrada das responsabilidades familiares. Estudos recentes dizem que foram as mulheres a adaptar-se ao exerc\u00edcio cumulativo de uma profiss\u00e3o e da presta\u00e7\u00e3o de cuidados \u00e0 fam\u00edlia. Segundo dados do INE, dos homens empregados, mais de 80% nunca trata das roupas, mais de 70% nunca limpa a casa, perto de 50% nunca prepara refei\u00e7\u00f5es. Quanto ao acompanhamento das crian\u00e7as em actividades de lazer e entretenimento, \u00e9 equivalente, mas j\u00e1 nos cuidados com a higiene di\u00e1ria, alimenta\u00e7\u00e3o e vida escolar, s\u00e3o asseguradas, quase na totalidade, por mulheres. As mulheres representam, ainda, 88% do conjunto das pessoas com emprego que prestam cuidados a adultos dependentes. A partilha de responsabilidades familiares \u00e9 profundamente influenciada pela cultura e pelos h\u00e1bitos instalados. A Mulher \u00e9 sobrecarregada com o peso da dupla tarefa, o que significa menos tempo para o lazer e limita\u00e7\u00e3o do seu acesso a  outras formas de participa\u00e7\u00e3o social e c\u00edvica. Urge, por isso, a Educa\u00e7\u00e3o para a Igualdade para homens e para mulheres. As atitudes, os comportamentos e a linguagem, das velhas mas tamb\u00e9m das novas gera\u00e7\u00f5es, reproduzindo modelos, reflectem, ainda, uma vis\u00e3o de um mundo fechado, onde a discrimina\u00e7\u00e3o dos sexos \u00e9 bem patente, quer no seio da fam\u00edlia, quer no espa\u00e7o p\u00fablico, que a mulher, pouco a pouco, tem conquistado.  Para haver efectiva mudan\u00e7a de comportamentos, \u00e9 necess\u00e1rio mudar mentalidades e para tal a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 decisiva. Uma educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o discriminat\u00f3ria que motive raparigas e rapazes a participar nas tarefas mais diversificadas e a desenvolver trabalho comum em \u00e1reas diferenciadas. As quest\u00f5es relacionadas com a viol\u00eancia dom\u00e9stica como problema social e o papel da comunica\u00e7\u00e3o social na forma\u00e7\u00e3o de mentalidades, tamb\u00e9m foram objecto de an\u00e1lise no debate que se seguiu.  <b>Mais justi\u00e7a no mundo do Trabalho<\/b> As mulheres constituem 52% da popula\u00e7\u00e3o portuguesa, ultrapassando os 5,4 milh\u00f5es. Em 1960, a taxa de actividade feminina era de 13,1%, tendo passado para 46,7% quarenta anos mais tarde, um valor pr\u00f3ximo da taxa de actividade masculina.  Estudos recentes mostram-nos que quanto mais elevado \u00e9 o n\u00edvel de escolaridade da mulher, maior \u00e9 a desigualdade das remunera\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres. O Economista Eug\u00e9nio Rosa refere que, por exemplo, \u201cem 2002 ( e este \u00e9 o \u00faltimo ano em que existem dados dispon\u00edveis ) para o n\u00edvel de escolaridade mais baixo \u2013 \u2018Inferior ao Ensino B\u00e1sico\u2019 \u2013 o ganho m\u00e9dio mensal das mulheres, que inclui tudo o que recebem, correspondia a 80,8% do ganho m\u00e9dio mensal dos homens, enquanto em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de escolaridade mais elevado \u2013 \u201cLicenciatura\u201d \u2013 o ganho m\u00e9dio mensal das mulheres correspondia a apenas 66,7% do ganho m\u00e9dio dos homens\u201d.  O mesmo economista refere ainda que \u201cos dados dos quadros de pessoal das empresas tamb\u00e9m revelam que quanto mais elevado \u00e9 o n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o das mulheres, maior \u00e9 a desigualdade de ganhos (remunera\u00e7\u00f5es) entre homens e mulheres. Assim, em 2002, o  ganho m\u00e9dio mensal das mulheres do grupo \u2018Praticantes e Aprendizes\u2019 (o n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o mais baixo) correspondia a 94,1% do ganho m\u00e9dio mensal dos homens do mesmo grupo, enquanto o ganho m\u00e9dio mensal das mulheres do grupo \u201cQuadros Superiores\u201d (o n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o mais elevado) correspondia apenas a 70% do ganho m\u00e9dio mensal dos homens do mesmo grupo de qualifica\u00e7\u00e3o\u201d. Outro dado importante revelado pelo Instituto de Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional \u00e9 o seguinte: quanto mais elevado \u00e9 o n\u00edvel de escolaridade, maior \u00e9 a percentagem de desemprego das mulheres relativamente ao desemprego verificado entre os homens. No que concerne \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho, estiveram em an\u00e1lise a precariedade de trabalho, as discrimina\u00e7\u00f5es salariais, as doen\u00e7as profissionais, os hor\u00e1rios de trabalho e a vida pessoal e familiar, o exerc\u00edcio dos direitos de maternidade e paternidade, a falta de equipamentos sociais para apoio a crian\u00e7as e outros dependentes, a pre\u00e7os comport\u00e1veis bem como o acesso \u00e0 justi\u00e7a.  Estas quest\u00f5es foram analisadas \u00e0 luz da Doutrina Social da Igreja, nomeadamente, da Nota Pastoral \u201cO trabalho na sociedade em transforma\u00e7\u00e3o\u201d, da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa de 2002.  <i>Redac\u00e7\u00e3o\/C\u00e1ritas Portuguesa<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A C\u00e1ritas Portuguesa considera que \u201ch\u00e1 muito caminho a percorrer no que concerne \u00e0 igualdade\u201d das mulheres no mundo do trabalho. 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