{"id":12795,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-eucaristia-fonte-e-cume-da-vida-e-da-missao-da-igreja-continuacao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-eucaristia-fonte-e-cume-da-vida-e-da-missao-da-igreja-continuacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-eucaristia-fonte-e-cume-da-vida-e-da-missao-da-igreja-continuacao\/","title":{"rendered":"A Eucaristia: Fonte e Cume da vida e da miss\u00e3o da Igreja  (continua\u00e7\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>S\u00ednodo dos Bispos, XI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria &#8211; Instrumentum Laboris <!--more--> <i>(Continua\u00e7\u00e3o)<\/i>  Os ritos de conclus\u00e3o 51. Recebida a Comunh\u00e3o, deve rezar-se para se obterem os frutos do mist\u00e9rio celebrado. Um dos primeiros \u00e9 o ant\u00eddoto contra as ca\u00eddas quotidianas e os pecados mortais.[79] Deve-se rezar sobretudo para que a nossa f\u00e9 e comunh\u00e3o com Cristo nos permitam levar o seu Evangelho em miss\u00e3o ao mundo, em todos os ambientes em que vivemos, com o testemunho das obras, para que os homens acreditem e d\u00eaem gl\u00f3ria ao Pai. A despedida da Missa inclui um convite \u00e0 miss\u00e3o, que a Igreja, fortalecida com a Eucaristia, precedida e acompanhada do exemplo e intercess\u00e3o de Maria, realiza na evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo de hoje. A Eucaristia tem a finalidade de fazer-nos crescer no amor de Cristo e no seu desejo de levar o Evangelho a todos.  A ars celebrandi 52. \u00c9 necess\u00e1rio cuidar da ars celebrandi para levar os fi\u00e9is ao verdadeiro culto, \u00e0 rever\u00eancia e \u00e0 adora\u00e7\u00e3o. As m\u00e3os que o sacerdote ergue ao alto indicam a s\u00faplica do pobre e humilde: Humildemente Vos pedimos \u2013 diz-se na Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica.[80] A humildade da atitude e da palavra condiz com o pr\u00f3prio Cristo manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o. Ele tem que crescer e n\u00f3s diminuir. Para que a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia exprima a f\u00e9 cat\u00f3lica, recomenda-se que seja presidida pelo sacerdote com humildade; s\u00f3 assim poder\u00e1 ser verdadeiramente mistag\u00f3gica e contribuir para a evangeliza\u00e7\u00e3o. Nas ora\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas normalmente n\u00e3o se diz \u201ceu\u201d, mas \u201cn\u00f3s\u201d; j\u00e1 nas f\u00f3rmulas sacramentais se usa a primeira pessoa, falando o ministro na pessoa de Cristo e n\u00e3o em nome pr\u00f3prio. Algumas respostas aos Lineamenta acenam ao tema da mistagogia, entendendo-a como introdu\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio da presen\u00e7a do Senhor e acentuando a necessidade de levar o homem de hoje a uma mais profunda aproxima\u00e7\u00e3o a Deus, j\u00e1 que vive em ambientes onde parece negar-se a exist\u00eancia do mist\u00e9rio. A linha mestra deu-a o pr\u00f3prio Senhor: \u201cA v\u00f3s, chamei-vos amigos, porque tudo o que ouvi a meu Pai vo-lo dei a conhecer\u201d (Jo 15,15). O Senhor quer que nos aproximemos d\u2019Ele para nos revelar o mist\u00e9rio da vida divina. Emerge a primazia da responsabilidade do bispo no que se refere \u00e0 Eucaristia, como primeiro mistagogo. O empenho em favor de uma \u201cparticipa\u00e7\u00e3o plena, consciente e activa\u201d[81] dos fi\u00e9is na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica est\u00e1 em estreita rela\u00e7\u00e3o com a especial responsabilidade que o bispo tem pelo Sant\u00edssimo Sacramento e que prov\u00e9m do facto de o Senhor t\u00ea-lo confiado aos Ap\u00f3stolos e de a Igreja o transmitir com a mesma fidelidade. Toda a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica numa diocese realiza-se em comunh\u00e3o com o bispo e na depend\u00eancia da sua autoridade.[82] Pertence-lhe velar para que os fi\u00e9is possam participar na Missa e o Sacramento seja celebrado digna e decorosamente, eliminando eventuais abusos. \u00c9 o sensus ecclesi\u00e6 na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica que transcende as situa\u00e7\u00f5es particulares, os grupos e as culturas. Como primus mysteriorum Dei dispensator, o bispo celebra frequentemente a Santa Missa na catedral, igreja m\u00e3e e cora\u00e7\u00e3o da diocese, cuja liturgia tem de ser exemplar para toda a diocese.  53. Mant\u00e9m-se a obriga\u00e7\u00e3o da Missa pro populo por parte do bispo diocesano e do p\u00e1roco, aplicada por vivos e defuntos.[83] Por raz\u00f5es teol\u00f3gicas e espirituais, tamb\u00e9m se recomenda que os sacerdotes celebrem diariamente a Santa Eucaristia. \u00c9 particularmente importante celebrar pelos defuntos, cujas almas se encontram no Purgat\u00f3rio \u00e0 espera do feliz dia de poderem ver a Deus face a face. Rezar pelos defuntos \u00e9 um dever de caridade para com eles. Quanto \u00e0s inten\u00e7\u00f5es, diversas respostas acenam a abusos, o mais frequente dos quais seria a sua acumula\u00e7\u00e3o nas chamadas Missas plurintencionais. A prop\u00f3sito, sugere-se que se esclare\u00e7a a pr\u00e1tica relativa \u00e0 inten\u00e7\u00e3o das Missas. Tamb\u00e9m se constata que, nalguns pa\u00edses, essa pr\u00e1tica diminuiu bastante ou desapareceu quase por completo, ao passo que, em muitos outros, as inten\u00e7\u00f5es de Missas s\u00e3o a forma tradicional, e muitas vezes \u00fanica, de prover ao sustentamento do clero. Existem tamb\u00e9m na\u00e7\u00f5es, onde se nota uma falta de inten\u00e7\u00f5es, que antes provinham de outros pa\u00edses e eram uma v\u00e1lida express\u00e3o de comunh\u00e3o eclesial e de participa\u00e7\u00e3o concreta na actividade mission\u00e1ria. N\u00e3o menos importante, do ponto de vista pastoral, \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is sobre o sentido da aplica\u00e7\u00e3o de Missas em sufr\u00e1gio dos defuntos, que, pelos m\u00e9ritos da reden\u00e7\u00e3o de Cristo e pela ora\u00e7\u00e3o de toda a Igreja, podem assim ser admitidos rapidamente ao banquete da vida eterna. Assim, as inten\u00e7\u00f5es de Missas pelos defuntos tornam-se tamb\u00e9m uma express\u00e3o da f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos, verdade solenemente professada no Credo.  A Palavra e o P\u00e3o de vida 54. Sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a Santa Missa e as celebra\u00e7\u00f5es da Palavra, muitas respostas aos Lineamenta observam que, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, os fi\u00e9is correm o risco de perder aos poucos o sentido da diferen\u00e7a entre a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia e as outras celebra\u00e7\u00f5es. Tal problema pastoral verifica-se, por exemplo, onde s\u00e3o frequentes as liturgias de Comunh\u00e3o presididos por di\u00e1conos ou ministros extraordin\u00e1rios. Igual risco correm os fi\u00e9is que, algures, s\u00e3o convidados a participar na liturgia da Palavra em vez de ir \u00e0 Missa a uma par\u00f3quia vizinha. Encontram-se, por outro lado, respostas que testemunham o precioso servi\u00e7o prestado pelos leigos, devidamente preparados, nas celebra\u00e7\u00f5es da Palavra, com ou sem distribui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, onde as comunidades, \u00e0 espera de poder ter um sacerdote est\u00e1vel, se encontram temporariamente na impossibilidade de contar com ele para as celebra\u00e7\u00f5es dominicais. Nesses casos, sob a guia do bispo diocesano e dos sacerdotes, \u00e9 poss\u00edvel, com a colabora\u00e7\u00e3o dos leigos, ir ao encontro das necessidades pastorais de tantas comunidades com fome da Palavra de vida e do P\u00e3o de vida. Quando essa actividade se desenrola na observ\u00e2ncia das orienta\u00e7\u00f5es do Magist\u00e9rio em mat\u00e9ria,[84] os resultados s\u00e3o animadores e podem at\u00e9 fazer brotar voca\u00e7\u00f5es sacerdotais nas fam\u00edlias dos leigos empenhados em tais servi\u00e7os, bem como nas respectivas comunidades, que sabem apreciar o servi\u00e7o precioso do sacerdote, ministro ordin\u00e1rio da Eucaristia.  55. Num tal contexto, p\u00f5e-se a quest\u00e3o do excesso de celebra\u00e7\u00f5es da Palavra em substitui\u00e7\u00e3o da Santa Missa e que comporta o risco de fazer regredir o culto crist\u00e3o a um servi\u00e7o de assembleia. Teria, ao contr\u00e1rio, mais sentido, como nas esta\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias, a catequese dada enquanto se espera a oportunidade de o sacerdote vir celebrar a Eucaristia. Seria melhor, a esse respeito, falar de liturgias \u00e0 espera do sacerdote, em vez de na sua aus\u00eancia. Para sublinhar essa realidade, nalgumas regi\u00f5es coloca-se a estola sobre o altar ou sobre a cadeira da presid\u00eancia. A ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es mant\u00e9m vivo o desejo de ter um celebrante permanente da Eucaristia. A falta de sacerdotes, que nalgumas regi\u00f5es atinge dimens\u00f5es preocupantes, deveria ser um v\u00e1lido est\u00edmulo para o despertar da actividade mission\u00e1ria e para uma troca de dons entre as Igrejas particulares. Diversas respostas aos Lineamenta sugerem que os fi\u00e9is designados como ministros extraordin\u00e1rios da Comunh\u00e3o participem em especiais sess\u00f5es de estudo para aprofundar a doutrina eucar\u00edstica e as normas lit\u00fargicas. Semelhante programa deveria ser inserido tamb\u00e9m na forma\u00e7\u00e3o permanente dos catequistas. Das mesmas respostas emerge ainda a necessidade de explicar claramente a tr\u00edplice dimens\u00e3o \u2013 sacerdotal, prof\u00e9tica e real \u2013 na distin\u00e7\u00e3o entre minist\u00e9rio ordenado e mist\u00e9rio n\u00e3o ordenado. Assim, se real\u00e7a a identidade do sacerdote ministro dos divinos mist\u00e9rios, de que tamb\u00e9m \u00e9 int\u00e9rprete, mistagogo e testemunha. Finalmente, para superar uma certa confus\u00e3o sobre o mist\u00e9rio ordenado na Igreja, recomenda-se, entre o mais, que se promova o estudo dos apropriados documentos do Magist\u00e9rio, como a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Post-sinodal Pastores dabo vobis sobre o sacerdote, sinal de Cristo chefe, esposo e pastor.  56. S\u00e3o merecedores de gratid\u00e3o os fi\u00e9is leigos, sobretudo os catequistas, que t\u00eam \u00e0 sua responsabilidade a prepara\u00e7\u00e3o para a ora\u00e7\u00e3o e para a Comunh\u00e3o, especialmente onde a escassez de clero impede os fi\u00e9is de participarem na Eucaristia. Em todo o caso, em n\u00e3o poucas respostas aos Lineamenta se assinalam pr\u00e1ticas que tendem a ofuscar nos fi\u00e9is a distin\u00e7\u00e3o essencial entre o sacerd\u00f3cio ministerial e o sacerd\u00f3cio comum. S\u00e3o exemplos disso a atitude de alguns assistentes pastorais que assumem a direc\u00e7\u00e3o efectiva de par\u00f3quias e exercem de facto uma quase presid\u00eancia da Eucaristia, deixando ao sacerdote o m\u00ednimo para garantir a validade da mesma; a homilia proferida na Santa Missa por leigos; o costume de dar preced\u00eancia aos ministros extraordin\u00e1rios da Comunh\u00e3o na distribui\u00e7\u00e3o do Sacramento, ficando sentados os ministros ordin\u00e1rios, nomeadamente o sacerdote celebrante e os concelebrantes; o costume de alguns ministros extraordin\u00e1rios conservarem o Sant\u00edssimo Sacramento nas pr\u00f3prias casas antes de lev\u00e1-l\u2019O aos enfermos, ou a autoriza\u00e7\u00e3o dada pelo p\u00e1roco a algum parente do doente para levar-lhe o Vi\u00e1tico. As disposi\u00e7\u00f5es da Instru\u00e7\u00e3o Ecclesia de mysterio, bem como as normas can\u00f3nicas sobre o tema,[85] deveriam ser tidas em considera\u00e7\u00e3o para instruir de forma adequada os respons\u00e1veis e assegurar uma celebra\u00e7\u00e3o eclesial da Eucaristia.  O significado das normas 57. Relacionadas com a quest\u00e3o da instauratio da liturgia s\u00e3o as respostas aos Lineamenta sobre o novo Ordo Miss\u00e6 e a Instru\u00e7\u00e3o geral do Missal Romano, que apresentam as linhas da liturgia da Igreja universal. As normas lit\u00fargicas podem ser vistas como algo que leva ao mist\u00e9rio. Os Padres apost\u00f3licos foram os primeiros a estabelecer as normas e os c\u00e2nones, com as c\u00e9lebres Constitutiones e Didascali\u00e6. Sentiam ent\u00e3o a necessidade de anunciar o mist\u00e9rio revelado e de, ao mesmo tempo, contrastar as concep\u00e7\u00f5es mist\u00e9ricas, aleg\u00f3ricas e esot\u00e9ricas dos pag\u00e3os. Se, por um lado, as normas reconduzem \u00e0 apostolicidade da Eucaristia, por outro \u00e9 sobretudo a sua santidade a exigi-las: o Sant\u00edssimo pede que nos aproximemos d\u2019Ele com a m\u00e1xima rever\u00eancia. Pode dizer-se que \u00e9 por isso que os presb\u00edteros s\u00e3o consagrados, como recorda a alocu\u00e7\u00e3o do bispo antes da Ordena\u00e7\u00e3o: \u201cPelo vosso minist\u00e9rio se realiza plenamente o sacrif\u00edcio espiritual dos fi\u00e9is, unido ao sacrif\u00edcio de Cristo, que, juntamente com eles, \u00e9 oferecido pelas vossas m\u00e3os sobre o altar, de modo sacramental, na celebra\u00e7\u00e3o dos santos mist\u00e9rios. Tomai, pois, consci\u00eancia do que fazeis, imitai o que realizais, celebrando o mist\u00e9rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, esfor\u00e7ai-vos por fazer morrer em v\u00f3s todo o mal e caminhai na vida nova\u201d.[86] Algumas respostas indicam que a norma basilar a ser observada pelo bispo e pelo sacerdote \u00e9 ajudar os fi\u00e9is a penetrar no mist\u00e9rio da presen\u00e7a do Senhor.  58. V\u00e1rias respostas aos Lineamenta indicam algumas causas da n\u00e3o observ\u00e2ncia das normas: o pouco conhecimento da hist\u00f3ria e do significado teol\u00f3gico dos ritos, o desejo de novidade e a desconfian\u00e7a na capacidade do rito de falar ao homem com a linguagem dos sinais. Algumas respostas insinuam que o desrespeito pelas normas dever-se-ia a supostos defeitos intr\u00ednsecos da Instru\u00e7\u00e3o geral do Missal Romano, dando como exemplo o defeito das tradu\u00e7\u00f5es dos textos lit\u00fargicos e a imprecis\u00e3o das rubricas, que deixam ao celebrante a liberdade de improvisar certas partes. Concretamente, apontam para a necessidade de dar grande aten\u00e7\u00e3o \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es dos textos lit\u00fargicos, confiando essa delicada tarefa a especialistas sob a supervis\u00e3o dos bispos e com a aprova\u00e7\u00e3o da competente Congrega\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9. Quando se d\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es doutrinais ou normas, h\u00e1 que ter presente este princ\u00edpio fundamental: como uma excessiva valoriza\u00e7\u00e3o da maturidade dos fi\u00e9is pode ter contribu\u00eddo para criar dificuldades pr\u00e1ticas na introdu\u00e7\u00e3o da reforma, assim n\u00e3o se deve subvalorizar a psicologia popular ou a capacidade dos fi\u00e9is de aceitar o apelo \u00e0s verdades basilares.   Urg\u00eancias pastorais 59. Do conjunto das respostas aos Lineamenta pode delinear-se o seguinte quadro, no que se refere \u00e0s sombras na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. Ao mesmo tempo que se nota uma atitude de desconfian\u00e7a para com as rubricas lit\u00fargicas, inventam-se outras com o intuito de promover mudan\u00e7as inspiradas em ideologias ou desvios teol\u00f3gicos. Nesse campo, n\u00e3o poucas iniciativas prov\u00eam de movimentos e grupos que se prop\u00f5em renovar a liturgia. \u00c9 frequente a observa\u00e7\u00e3o de que a insist\u00eancia nas normas universais, geralmente defendida pela Igreja como express\u00e3o da catolicidade, contrasta com as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas particulares de certos movimentos eclesiais. A esse respeito, pede-se uma maior clareza por parte das autoridades competentes da Igreja a fim de evitar confus\u00f5es. Uma vez introduzidas as l\u00ednguas vern\u00e1culas, h\u00e1 que respeitar a estrutura do rito, \u00fanico modo de sublinhar visivelmente a unidade da Igreja cat\u00f3lica de tradi\u00e7\u00e3o ocidental. Os fi\u00e9is s\u00e3o muito sens\u00edveis a eventuais mudan\u00e7as arbitr\u00e1rias do rito. Observa-se, em certos casos, que o excesso de iniciativa leva a manipular a Missa, chegando por vezes a substituir os textos lit\u00fargicos com outros estranhos. Tal comportamento cria frequentes conflitos entre o clero e os leigos, e mesmo no seio do pr\u00f3prio presbit\u00e9rio.  60. Para dissipar tais sombras, as respostas aos Lineamenta prop\u00f5em algumas orienta\u00e7\u00f5es. \u00c9 necess\u00e1rio promover um renovado esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o, aliado a um maior esfor\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o permanente do clero, para refor\u00e7ar a atitude de humilde ades\u00e3o ao esp\u00edrito e \u00e0 letra das normas lit\u00fargicas, e assim poder prestar um verdadeiro servi\u00e7o ao povo de Deus, chamado a dar gra\u00e7as e a elevar preces ao seu Senhor no Esp\u00edrito Santo atrav\u00e9s da divina liturgia. Imp\u00f5e-se um estudo aprofundado dos j\u00e1 conhecidos princ\u00edpios sobre a maneira de integrar, nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, elementos das culturas locais, e eventualmente publicar novas instru\u00e7\u00f5es mais claras e mais precisas, \u00e0 luz da recente revis\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o geral do Missal Romano, das instru\u00e7\u00f5es Redemptionis sacramentum e Varietates legitim\u00e6 da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Dever\u00e1 explicar-se aos fi\u00e9is o alcance da f\u00e9 eucar\u00edstica. Na Eucaristia, os fi\u00e9is alimentam-se do Corpo de Cristo ressuscitado. O Senhor ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, ultrapassa as dimens\u00f5es do espa\u00e7o e do tempo, e est\u00e1 realmente presente sob as esp\u00e9cies do p\u00e3o e do vinho em cada celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica do mundo inteiro. Trata-se, portanto, do corpo do Senhor glorificado, transformado, p\u00e3o dos anjos e de todos os homens chamados a partilhar da vis\u00e3o beat\u00edfica, na comunh\u00e3o dos santos, na adora\u00e7\u00e3o eterna de Deus Uno e Trino. Devem eliminar-se, com uma catequese apropriada, as poss\u00edveis concep\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas, supersticiosas ou espiritistas da Eucaristia. Semelhante catequese \u00e9 extremamente \u00fatil nas Missas de cura, que se fazem nalguns pa\u00edses. \u00c9 urgente precaver-se contra os sacril\u00e9gios com h\u00f3stias consagradas, que se cometem nos ritos sat\u00e2nicos e nas chamadas missas negras.  O canto lit\u00fargico 61. O povo de Deus, reunido na casa do Senhor, exprime a ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e de louvor com as palavras, a escuta, o sil\u00eancio e o canto. Diversas respostas aos Lineamenta pedem que o canto na Missa e na adora\u00e7\u00e3o seja verdadeiramente digno. Sente-se a necessidade de fazer com que o povo conhe\u00e7a o repert\u00f3rio essencial do canto gregoriano. Foi composto \u00e0 medida do homem de todos os tempos e lugares, gra\u00e7as \u00e0 sua transpar\u00eancia, discri\u00e7\u00e3o e agilidade de formas e ritmos. Portanto, h\u00e1 que rever os cantos actualmente em uso.[87] A m\u00fasica instrumental e vocal, se n\u00e3o possuir simultaneamente o sentido da ora\u00e7\u00e3o, da dignidade e da beleza, impede por si mesma de entrar na esfera do sagrado e do religioso. Da\u00ed as exig\u00eancias da bondade das formas, qual express\u00e3o de arte verdadeira, da conson\u00e2ncia com os diversos ritos e da capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s leg\u00edtimas exig\u00eancias, tanto da incultura\u00e7\u00e3o como da universalidade. O canto gregoriano responde a essas exig\u00eancias, por isso \u00e9 o modelo onde inspirar-se, como disse Jo\u00e3o Paulo II.[88] \u00c9, pois, necess\u00e1rio favorecer, entre os compositores de m\u00fasica e os poetas, a composi\u00e7\u00e3o de novos cantos, que possuam um verdadeiro conte\u00fado de catequese sobre o mist\u00e9rio pascal, sobre o Domingo e sobre a Eucaristia, e sejam redigidos com crit\u00e9rios lit\u00fargicos.  62. A utiliza\u00e7\u00e3o dos instrumentos musicais tamb\u00e9m foi objecto de especial aten\u00e7\u00e3o em diversas respostas, que se refazem \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es da Constitui\u00e7\u00e3o Sacrosanctum Concilium em mat\u00e9ria.89 A esse respeito, \u00e9 frequente a refer\u00eancia, na tradi\u00e7\u00e3o latina, ao valor do \u00f3rg\u00e3o, cujo som \u00e9 capaz de aumentar a solenidade do culto e favorecer a contempla\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia do recurso a outros instrumentos musicais tamb\u00e9m foi comentada nalgumas respostas, que a consideram positiva, quando, com o aval da autoridade eclesi\u00e1stica competente, tais instrumentos s\u00e3o considerados aptos para serem usados nos actos sagrados, est\u00e3o em harmonia com a dignidade do templo e s\u00e3o eficazes para a edifica\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is. Noutras respostas, ao contr\u00e1rio, lamenta-se a pobreza das tradu\u00e7\u00f5es dos textos lit\u00fargicos em l\u00edngua corrente e de muitos textos musicais, destitu\u00eddos de beleza e por vezes teologicamente amb\u00edguos, podendo levar a um enfraquecimento da doutrina e da compreens\u00e3o do sentido da ora\u00e7\u00e3o. Particular aten\u00e7\u00e3o \u00e9 dada, nalgumas respostas, \u00e0 m\u00fasica e ao canto nas Missas dos jovens. A prop\u00f3sito, v\u00ea-se a import\u00e2ncia de evitar formas musicais que n\u00e3o favore\u00e7am a ora\u00e7\u00e3o, por estarem condicionadas \u00e0s exig\u00eancias do uso profano. H\u00e1 quem mostre um desejo excessivo de compor novos cantos, como se fosse imbu\u00eddo de uma mentalidade consumista, sem se preocupar com a qualidade da m\u00fasica e do texto, mas abandonando facilmente um insigne patrim\u00f3nio art\u00edstico que deu provas de validade teol\u00f3gica e musical na liturgia da Igreja. Recomenda-se, igualmente, que nas reuni\u00f5es internacionais, pelo menos a Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica seja proclamada em latim, para facilitar uma adequada participa\u00e7\u00e3o dos concelebrantes e de quantos n\u00e3o conhecem a l\u00edngua local, como oportunamente sugere a Constitui\u00e7\u00e3o sobre a sagrada liturgia, Sacrosanctum Concilium.90 \u00c9, todavia, motivo de satisfa\u00e7\u00e3o constatar que nalgumas na\u00e7\u00f5es existe uma s\u00f3lida tradi\u00e7\u00e3o de cantos religiosos, pr\u00f3prios para cada per\u00edodo do ano lit\u00fargico: Advento, Natal, Quaresma, P\u00e1scoa. Esses cantos, conhecidos e cantados pelo povo, favorecem o recolhimento e ajudam a viver com not\u00e1vel participa\u00e7\u00e3o espiritual as celebra\u00e7\u00f5es do mist\u00e9rio da f\u00e9 em cada per\u00edodo lit\u00fargico. Deseja-se que essa experi\u00eancia positiva se estenda a outras na\u00e7\u00f5es e d\u00ea tonalidade aos per\u00edodos fortes do ano lit\u00fargico, ajudando os fi\u00e9is a compreender a mensagem atrav\u00e9s da m\u00fasica e das palavras.  O decoro do lugar sagrado 63. Os Lineamenta tamb\u00e9m acenam \u00e0 fun\u00e7\u00e3o da arte. O decoro de quanto se relaciona com a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia manifesta a f\u00e9 no mist\u00e9rio e contribui eficazmente para mant\u00ea-la viva, tanto nos ministros sagrados como nos fi\u00e9is. Tal capacidade pode expressar-se na conveniente disposi\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o sagrado, bem como na apropriada coloca\u00e7\u00e3o do sacr\u00e1rio e da presid\u00eancia, e mesmo na aten\u00e7\u00e3o a certos pormenores, como a limpeza, as ornamenta\u00e7\u00f5es e o uso de flores frescas. De facto, muito contribui para a forma\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is em mat\u00e9ria de doutrina eucar\u00edstica, n\u00e3o s\u00f3 o que eles ouvem, mas tamb\u00e9m o que eles v\u00eaem. Pelo contr\u00e1rio, o desleixo mostra que a f\u00e9 \u00e9 d\u00e9bil. A tradi\u00e7\u00e3o da Igreja recebeu da B\u00edblia a distin\u00e7\u00e3o da \u00e1rea reservada aos ministros sagrados: esta \u00e9 sinal eloquente de que \u00e9 o Senhor que admite ao servi\u00e7o e escolhe os seus ministros. As igrejas orientais mantiveram essa distin\u00e7\u00e3o com a delimita\u00e7\u00e3o do santu\u00e1rio, e as ocidentais com a \u00e1rea do presbit\u00e9rio. A distin\u00e7\u00e3o atesta que, na liturgia, o povo de Deus se manifesta hierarquicamente ordenado e devidamente colocado para participar activamente nela. O altar \u00e9 a parte mais santa do templo e est\u00e1 elevado para indicar a obra de Deus, que \u00e9 superior a qualquer obra humana. As toalhas brancas que o cobrem indicam a pureza necess\u00e1ria para acolher a Deus. O altar, ali\u00e1s como o pr\u00f3prio templo, s\u00f3 a Ele \u00e9 dedicado, n\u00e3o podendo ser utilizado para outros fins.  64. Nas respostas emerge a preocupa\u00e7\u00e3o de as igrejas serem frequentemente usadas para fins profanos, como concertos e actividades teatrais, nem sempre de \u00edndole religiosa. A liturgia da dedica\u00e7\u00e3o da Igreja recorda que a comunidade oferece o templo totalmente ao Senhor e que, portanto, n\u00e3o se pode destin\u00e1-lo a uma finalidade diferente daquela para que foi consagrado. Foram assinalados outros fen\u00f3menos contr\u00e1rios a dita tradi\u00e7\u00e3o da Igreja e que obscurecem o sentido do sagrado e a transcend\u00eancia do mist\u00e9rio. Por exemplo, muitas igrejas novas e tamb\u00e9m algumas antigas reestruturadas mostram como o crit\u00e9rio fundamental do projecto arquitect\u00f3nico seja a proximidade dos fi\u00e9is ao altar, com a finalidade de assegurar uma boa visual e uma maior comunica\u00e7\u00e3o entre o celebrante e a assembleia. A pr\u00f3pria tend\u00eancia a deslocar o altar para o espa\u00e7o destinado aos fi\u00e9is, eliminando praticamente a \u00e1rea do presbit\u00e9rio, deriva dessa concep\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que assim se ganha em termos de comunica\u00e7\u00e3o, mas nem sempre se salvaguarda suficientemente o sentido do sagrado, que tamb\u00e9m \u00e9 elemento essencial das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas.  Outras respostas apresentam alguns sinais animadores. Seguindo as linhas da Instru\u00e7\u00e3o geral do Missal Romano, tomaram-se diversas iniciativas para que o espa\u00e7o sagrado das igrejas j\u00e1 existentes ou das que est\u00e3o em fase de constru\u00e7\u00e3o seja um verdadeiro lugar de ora\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o, onde a arte e a iconografia se tornem instrumentos ao servi\u00e7o da liturgia. Assim, por exemplo, voltou a colocar-se nalgumas igrejas os genuflex\u00f3rios e recuperou-se entre os fi\u00e9is a pr\u00e1tica de se ajoelhar durante a Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica; onde o sacr\u00e1rio n\u00e3o era claramente vis\u00edvel, foi recolocado no santu\u00e1rio ou em lugar proeminente; os novos projectos das igrejas d\u00e3o mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 arte, \u00e0 decora\u00e7\u00e3o, \u00e0s alfaias e paramentos sagrados. Assim, procura-se harmonizar a proximidade do celebrante ao povo e a sacralidade do mist\u00e9rio de Deus, ao mesmo tempo presente e transcendente.   <i>Cap\u00edtulo II<\/i> ADORAR O MIST\u00c9RIO DO SENHOR \u201cAdorai Cristo Senhor em vossos cora\u00e7\u00f5es, prontos sempre a responder a quem quer que seja, sobre a raz\u00e3o da esperan\u00e7a que h\u00e1 em v\u00f3s\u201d (1 Pe 3, 15)  Da celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 adora\u00e7\u00e3o 65. A adora\u00e7\u00e3o \u00e9 a atitude que mais conv\u00e9m ao celebrante e \u00e0 assembleia lit\u00fargica diante de Deus todo-poderoso que se torna realmente presente no sacramento da Eucaristia. Muitas vezes, esse comportamento prolonga-se para al\u00e9m da Santa Missa em modalidades pr\u00f3prias da Igreja Cat\u00f3lica. Deus procura o homem e este deseja v\u00ea-l\u2019O. \u201cSegredou-me o cora\u00e7\u00e3o: procura a sua face. \u00c9, Senhor, o vosso rosto que eu persigo. N\u00e3o escondais de mim o vosso rosto\u201d (Salmo 26,8-9). O cristianismo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a religi\u00e3o do escutar, mas tamb\u00e9m do ver. Vendo Jesus, v\u00ea-se a Deus Pai (cf. Jo 14,9). Deus assume a natureza humana para compartilhar a nossa vida. A carta de S\u00e3o Paulo aos Filipenses levanta um pouco o v\u00e9u desse mist\u00e9rio, a que damos o nome de k\u00e9nose, isto \u00e9: o Filho despoja-Se da gl\u00f3ria que Lhe \u00e9 devida, para participar da natureza humana: \u201cCristo Jesus, que era de condi\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o quis ter a exig\u00eancia de ser posto ao n\u00edvel de Deus\u2026\u201d (Fil 2,6). Essa k\u00e9nose em certo sentido continua na Eucaristia, se bem que nesta esteja presente o corpo ressuscitado e glorioso do Senhor. Mas o paradoxo \u00e9 que Jesus de Nazar\u00e9 revela Deus na plenitude da sua humanidade: \u201cQuem Me v\u00ea v\u00ea Aquele que Me enviou\u201d (Jo 12,45), como disse aos judeus, resumindo numa frase a verdade profunda da f\u00e9 crist\u00e3. O Deus que Se faz homem provoca reac\u00e7\u00f5es na esfera do conhecer, tais como o ver, o tocar, o ouvir, o contemplar (cf. 1 Jo 1,1-2). Numa palavra, a revela\u00e7\u00e3o de Jesus p\u00f5e em acto uma rela\u00e7\u00e3o que envolve os sentidos como faculdades de media\u00e7\u00e3o do conhecimento. O ver e o escutar tornam-se um bin\u00f3mio essencial para a religi\u00e3o crist\u00e3. Jesus de Nazar\u00e9 n\u00e3o pode ser s\u00f3 escutado; tamb\u00e9m deve ser visto. Jesus \u00e9 imagem do Deus invis\u00edvel (cf. Col 1,15). A palavra eikon est\u00e1 cheia do seu sentido hist\u00f3rico, porque n\u00e3o reduz a mero s\u00edmbolo o que representa. Na cultura grega em geral, eikon significava retrato. Acredita-se num retrato s\u00f3 quando representa o rosto real, concreto e hist\u00f3rico, sem lugar para a fantasia. Volta-se ao tema do rosto, ou seja, \u00e0 express\u00e3o pessoal, que, melhor do que qualquer outra, exprime a identidade. O rosto de Jesus, que deixa entrever Deus, torna-se no mesmo instante \u00edcone de toda a humanidade redimida e salvada, \u201ctendo Ele passado por todas as prova\u00e7\u00f5es, tal como n\u00f3s\u201d (He 4,15). J\u00e1 isto explica como o cristianismo n\u00e3o seja uma simples religi\u00e3o do livro. A Eucaristia produz um culto completo, sendo ao mesmo tempo sacrif\u00edcio, memorial e banquete, e pede a contempla\u00e7\u00e3o. H\u00e1 que, portanto, superar a dificuldade psicol\u00f3gica que leva a interpretar falsamente a adora\u00e7\u00e3o e a rever\u00eancia como uma forma an\u00f3mala da liturgia e, por conseguinte, a depreciar actos de culto eucar\u00edstico, como a exposi\u00e7\u00e3o e a b\u00ean\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo.  Atitudes de adora\u00e7\u00e3o 66. Entre os problemas mais graves e comuns nos pa\u00edses ocidentais e noutros continentes, onde por vezes foram importados por certos agentes pastorais, sobressaem a crise da ora\u00e7\u00e3o e a redu\u00e7\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia a um preceito ou a um simples acto de assembleia. As respostas aos Lineamenta pedem que se relance a ora\u00e7\u00e3o no sentido pleno e completo, como dom, alian\u00e7a e comunh\u00e3o,[91] com as suas modalidades de b\u00ean\u00e7\u00e3o, adora\u00e7\u00e3o, louvor, agradecimento, pedido, expia\u00e7\u00e3o e intercess\u00e3o. Sem a necess\u00e1ria catequese nesta mat\u00e9ria, os fi\u00e9is n\u00e3o poder\u00e3o tirar proveito dessa linfa que emana da liturgia, regula fidei atrav\u00e9s dos santos sinais. A iniciativa de dedicar uma igreja ou um espa\u00e7o \u00e0 adora\u00e7\u00e3o e \u00e0 medita\u00e7\u00e3o \u00e9 muito frequente nas respostas. De facto, os homens de hoje, levados pelo ritmo fren\u00e9tico da vida moderna, sentem a necessidade de parar, pensar e rezar. Diversas religi\u00f5es, sobretudo do Oriente, prop\u00f5em a medita\u00e7\u00e3o segundo as caracter\u00edsticas da pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o religiosa peculiar. At\u00e9 para fazer frente a esse desafio, os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a redescobrir a beleza da adora\u00e7\u00e3o, da ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, do sil\u00eancio e da medita\u00e7\u00e3o, que no cristianismo \u00e9 encontro pessoal do homem com Deus, Trindade Sant\u00edssima, com Jesus Cristo ressuscitado presente na Eucaristia, pelo poder do Esp\u00edrito Santo, em louvor de Deus Pai. Pede-se uma nova apresenta\u00e7\u00e3o dos motivos teol\u00f3gicos e espirituais da adora\u00e7\u00e3o, entendida como prepara\u00e7\u00e3o \u00e0 Santa Missa, como atitude celebrativa dos santos mist\u00e9rios e como agradecimento pelo dom da Eucaristia. Nessa linha, foi proposto que se favorecesse a recupera\u00e7\u00e3o das confrarias do Sant\u00edssimo Sacramento, adaptando-as \u00e0s expectativas e necessidades do homem contempor\u00e2neo em busca de Deus. Al\u00e9m disso, sugere-se que se promova entre os sacerdotes a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Cada par\u00f3quia poderia, depois, organizar um dia de exposi\u00e7\u00e3o solene do Sant\u00edssimo Sacramento, de modo que nas dioceses, sobretudo de certa dimens\u00e3o, o povo de Deus possa todas as semanas adorar o Senhor Eucaristia numa das par\u00f3quias da mesma. Um regresso \u00e0 B\u00ean\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo, sobretudo nas tardes de Domingo, onde essa pr\u00e1tica tiver sido abandonada, poderia ajudar a incrementar a devo\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Podem recitar-se as V\u00e9speras ou as Laudes diante do Sant\u00edssimo exposto. Onde se celebram diversas Santas Missas, por exemplo de tarde nalgumas par\u00f3quias de cidade, poderia introduzir-se uma hora de adora\u00e7\u00e3o entre duas Missas. Igualmente, h\u00e1 que apoiar outras formas de devo\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, como a adora\u00e7\u00e3o da Quinta-Feira, as prociss\u00f5es com o Sant\u00edssimo, sobretudo na solenidade do Corpo de Deus, a visita ao Sant\u00edssimo, as Quarenta Horas, a ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria diante do Sant\u00edssimo exposto. Tais actos, segundo as indica\u00e7\u00f5es do Magist\u00e9rio, introduzem os fi\u00e9is na ora\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o pelas ofensas feitas sobretudo ao Sant\u00edssimo Sacramento.[92] Conviria ainda valorizar na justa medida as express\u00f5es da piedade popular relacionadas com a Eucaristia, como os cantos, os arranjos florais, os enfeites.  67. A ora\u00e7\u00e3o come\u00e7a no sil\u00eancio que leva \u00e0 consci\u00eancia de estar na presen\u00e7a do Senhor, que fala ao cora\u00e7\u00e3o e provoca uma resposta na grande ora\u00e7\u00e3o da liturgia ou na adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica fora dela. Nesse di\u00e1logo, realizam-se actos exteriores que s\u00e3o gestos religiosos: o sinal da cruz, os movimentos das m\u00e3os, as genuflex\u00f5es, as inclina\u00e7\u00f5es, o estar de p\u00e9 ou sentado, a prociss\u00e3o e outros.[93] V\u00e1rias respostas aos Lineamenta exortam que se fa\u00e7a uma catequese sobre esses comportamentos exteriores, tornando-os aut\u00eanticos, gra\u00e7as a uma maior compreens\u00e3o dos mesmos.  Os sacerdotes e os fi\u00e9is manifestam a f\u00e9 e a adora\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de comportamentos do corpo, segundo as indica\u00e7\u00f5es dos livros lit\u00fargicos ou segundo a tradi\u00e7\u00e3o. Atendendo \u00e0s culturas, prev\u00eaem-se adapta\u00e7\u00f5es nesses gestos, uma vez que se tornem expressivos da venera\u00e7\u00e3o e do amor para com o mist\u00e9rio da Eucaristia.  \u00c0 espera do Senhor 68. Jesus ressuscitado \u00e9 \u201co primog\u00e9nito dos que ressuscitam dos mortos\u201d (Col 1,18). Estas palavras do Ap\u00f3stolo Paulo exprimem a verdade revelada, segundo a qual, a morte n\u00e3o \u00e9 para o crist\u00e3o o fim de tudo, mas antes a porta de entrada para uma vida nova e misteriosa, caracterizada por uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima e directa com o Senhor e, portanto, por uma felicidade que supera radicalmente toda a nossa expectativa. N\u00e3o se pode, por\u00e9m, esquecer que certos factores culturais tendem a eliminar toda a perspectiva para al\u00e9m da morte, enquanto a reivindica\u00e7\u00e3o da total autonomia \u00e9tica do homem torna inaceit\u00e1vel, ou pelo menos irrelevante, qualquer ideia de pr\u00e9mio ou de castigo pelos nossos comportamentos morais, que nos esperariam depois da morte. Em v\u00e1rias respostas, considera-se inadequada a catequese que hoje se d\u00e1 sobre a verdade escatol\u00f3gica da Eucaristia. O Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica[94] dedica-lhe um t\u00edtulo: \u201cA Eucaristia, penhor da gl\u00f3ria futura, pregusta\u00e7\u00e3o do banquete do reino de Deus e manifesta\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o dos Santos\u201d. Naturalmente, tal antecipa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 alheia \u00e0 vida do mundo, como se exprime na seguinte ora\u00e7\u00e3o: \u201cFazei, Senhor, que os vossos sacramentos realizem em n\u00f3s o que significam, para alcan\u00e7armos um dia em plenitude o que celebramos nestes santos mist\u00e9rios\u201d.[95]  69. A tens\u00e3o escatol\u00f3gica pode ser explicada como sendo a irrup\u00e7\u00e3o no hoje lit\u00fargico d\u2019Aquele que \u00e9, que era e que vem. Ele, o Ressuscitado e o Vivente, est\u00e1 sempre presente. Por isso, a Eucaristia \u00e9 o sacramento da presen\u00e7a d\u2019Aquele que disse: \u201cEu estou sempre convosco at\u00e9 ao fim dos tempos\u201d (Mt 28,20). Algumas respostas aos Lineamenta reconhecem que esse aspecto n\u00e3o \u00e9 suficientemente evidenciado, a n\u00e3o ser, para a liturgia latina, nas Missas exequiais e nas do dia 1 e 2 de Novembro ou nalgumas ora\u00e7\u00f5es pelos defuntos nos textos da Missa. Muitos t\u00eam a no\u00e7\u00e3o que a Eucaristia seja fonte de comunh\u00e3o com os defuntos e com os santos, n\u00e3o j\u00e1 que seja pregusta\u00e7\u00e3o do banquete celeste. Por isso, seria conveniente ter presente que, embora a comunh\u00e3o dos santos seja celebrada durante todo o ano lit\u00fargico, o inteiro m\u00eas de Novembro \u00e9 uma \u00f3ptima ocasi\u00e3o para celebr\u00e1-la com a intercess\u00e3o pelos defuntos. Quanto \u00e0 men\u00e7\u00e3o do nome dos defuntos na Missa, embora haja normas precisas em mat\u00e9ria, n\u00e3o poucas respostas acenam a abusos, que v\u00e3o desde a recusa de qualquer men\u00e7\u00e3o a uma sua repeti\u00e7\u00e3o despropositada. Por outro lado, as mesmas respostas prop\u00f5em que se d\u00ea alguma orienta\u00e7\u00e3o para melhor real\u00e7ar a dimens\u00e3o escatol\u00f3gica do mist\u00e9rio eucar\u00edstico: a ora\u00e7\u00e3o virada, por quanto poss\u00edvel, para Oriente, e uma adequada apresenta\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre a presen\u00e7a real de Cristo na Eucaristia e a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, com que se pede para chegar \u00e0 plenitude da sua presen\u00e7a, quando Ele, no fim dos tempos, nos admitir no banquete escatol\u00f3gico, como recordam as an\u00e1foras: \u201cesperando a sua vinda gloriosa\u201d.[96] A Eucaristia \u00e9 rem\u00e9dio de imortalidade, porque, precavendo do pecado como seu ant\u00eddoto e libertando dos pecados veniais, infunde na alma a for\u00e7a da gra\u00e7a que santifica e prepara para a vida eterna, com a invoca\u00e7\u00e3o dirigida ao Senhor que vem: Maran\u00e0 th\u00e1 (1 Cor 16,22; cf. Ap 22,20).   A Eucaristia dominical 70. As respostas convidam a dar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia no Dies Domini, dia sagrado para a vida da Igreja, para a comunidade de f\u00e9 e para cada crente. \u00c9 nesse contexto que deve evidenciar-se a import\u00e2ncia da comunidade que se re\u00fane para a celebra\u00e7\u00e3o, porque o Senhor est\u00e1 no meio dela. Sem f\u00e9, por\u00e9m, n\u00e3o se pode falar do Dia do Senhor nem viv\u00ea-lo. O Domingo ajuda a ver o mundo \u00e0 luz da Eucaristia. A Missa \u00e9 o sacrif\u00edcio de Cristo que transforma o mundo e que pede \u00e0 Igreja para se tornar tamb\u00e9m ela oferta, abrindo-se a todos.  A Eucaristia \u00e9, ao mesmo tempo, fonte de uma cultura do perd\u00e3o, t\u00e3o dif\u00edcil nos nossos dias. Durante a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, diversas vezes se pede perd\u00e3o para renovar a vida. O Papa Padre Jo\u00e3o Paulo II convidava tamb\u00e9m a tomar como \u201cconsequ\u00eancia significativa da tens\u00e3o escatol\u00f3gica intr\u00ednseca \u00e0 Eucaristia\u201d[97] o facto de esta lan\u00e7ar uma semente de esperan\u00e7a activa no empenho quotidiano e de criar novos sinais no mundo, para se poder dizer que se vive da Eucaristia. O Dia do Senhor \u00e9 tamb\u00e9m o dia da solidariedade e da partilha com os pobres, j\u00e1 que a Eucaristia \u00e9 v\u00ednculo de fraternidade e fonte de comunh\u00e3o. Com efeito, \u201cda Missa dominical parte uma onda de caridade destinada a estender-se a toda a vida dos fi\u00e9is, come\u00e7ando por animar o pr\u00f3prio modo de viver o resto do Domingo\u201d.[98]   71. Sem Missa dominical n\u00e3o se alimenta a f\u00e9 no encontro com o Senhor, n\u00e3o se ouve a Palavra de Deus nem se vive a realidade comunit\u00e1ria da Igreja. Para muitos, o \u00fanico contacto com a Igreja \u00e9 a Missa dominical, dependendo portanto a sua f\u00e9 desse momento. Se o crist\u00e3o faltar \u00e0 Missa dominical, vir\u00e1 gradualmente a faltar-lhe Cristo. Dever\u00e3o empenhar-se na promo\u00e7\u00e3o do respeito pelo Dia do Senhor todos os membros do Povo de Deus, sobretudo o clero, as pessoas consagradas, os catequistas e os membros dos movimentos eclesiais. A assembleia sinodal deveria contribuir para redescobrir o profundo sentido teol\u00f3gico e espiritual do Domingo como dia do Senhor, favorecendo a sua celebra\u00e7\u00e3o que, por sua vez, ter\u00e1 consequ\u00eancias positivas para os fi\u00e9is e suas fam\u00edlias e para toda a comunidade. De facto, dedicando tempo ao Senhor todos os Domingos e festas de preceito, o homem, como pessoa e membro de uma fam\u00edlia, descobre a hierarquia dos valores, com que deve conformar a sua exist\u00eancia, aproveitando o tempo livre para, em uni\u00e3o com Deus, seu Criador e Redentor, se dar ao cultivo das suas capacidades humanas e crist\u00e3s a bem da sociedade inteira. Por isso, \u00e9 importante manter o Domingo como dia n\u00e3o laboral, sobretudo nos pa\u00edses de tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Diversas respostas aos Lineamenta pedem orienta\u00e7\u00f5es pastorais capazes de motivar os fi\u00e9is a participar na Eucaristia, sobretudo ao Domingo. Na celebra\u00e7\u00e3o do Dia do Senhor, os fi\u00e9is, frequentemente a bra\u00e7os com problemas pessoais, familiares e sociais de v\u00e1ria ordem, inseridos numa assembleia acolhedora, poder\u00e3o receber da Eucaristia, fonte de luz, de paz e consola\u00e7\u00e3o espiritual, a for\u00e7a necess\u00e1ria para transformar a sua via e o mundo segundo os planos de Deus Pai em Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, sente-se a necessidade de garantir a celebra\u00e7\u00e3o da Missa ao maior n\u00famero poss\u00edvel de fi\u00e9is, de insistir sobre as disposi\u00e7\u00f5es essenciais para receber dignamente a Eucaristia, ou seja, o estado de gra\u00e7a e o jejum, de prestar assist\u00eancia pastoral aos que vivem em condi\u00e7\u00f5es morais que n\u00e3o lhes permitam participar na Comunh\u00e3o sacramental. No contexto desta \u00faltima, prop\u00f5e-se que se apresente de forma resumida a doutrina sobre a Comunh\u00e3o espiritual ou de desejo, baseada nos privil\u00e9gios conferidos pelo Baptismo e que \u00e9 a \u00fanica forma de Comunh\u00e3o, a que muitos podem ter acesso por falta objectiva ou subjectiva de condi\u00e7\u00f5es para a Comunh\u00e3o sacramental. Podem fazer sempre a Comunh\u00e3o espiritual, por exemplo, as pessoas idosas e enfermas que nutrem amor pela Eucaristia e que participam na comunh\u00e3o dos santos com grande benef\u00edcio espiritual para elas pr\u00f3prias e para a Igreja, enriquecendo-a com os seus sofrimentos oferecidos a Deus. Assim, se completa o que falta \u00e0 paix\u00e3o de Cristo, em benef\u00edcio do seu Corpo, que \u00e9 a Igreja (cf. Col 1,24), e proclama-se o \u201cEvangelho do sofrimento\u201d,[99] que o Mestre confiou aos seus disc\u00edpulos com o seu sacrif\u00edcio, de que a Eucaristia \u00e9 memorial. Levar a redescobrir o sentido de alegria da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica dominical \u00e9 um dos muitos desafios pastorais lan\u00e7ados \u00e0 Igreja no mundo de hoje, cada vez mais inclinado a conceber a festa apenas como momento de divers\u00e3o superficial e n\u00e3o como momento de comunh\u00e3o e de celebra\u00e7\u00e3o. Outro desafio igualmente exigente \u00e9 suscitar interesse pela participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias na Santa Missa. Assim, a fam\u00edlia \u2013 igreja dom\u00e9stica \u2013 alarga os seus horizontes crist\u00e3os e, na comunh\u00e3o com outras fam\u00edlias, descobre que \u00e9 parte viva da grande fam\u00edlia de Deus, a Igreja Cat\u00f3lica. Por fim, a celebra\u00e7\u00e3o dominical dos cat\u00f3licos torna-se um sinal distintivo para os mesmos, nomeadamente nos pa\u00edses onde s\u00e3o minoria. Rezando juntos e convertendo, depois, essa atitude em obras de caridade, contribui-se eficazmente para melhorar a sociedade, sobretudo nas na\u00e7\u00f5es em que, por tradi\u00e7\u00e3o, domina uma vis\u00e3o individualista da rela\u00e7\u00e3o do homem com a divindade.  <b>IV\u00aa PARTE<\/b> A EUCARISTIA NA MISS\u00c3O DA IGREJA  <i>Cap\u00edtulo I<\/i> A ESPIRITUALIDADE EUCAR\u00cdSTICA \u201cPermanecei em Mim, e Eu permanecerei em v\u00f3s.  Como a vara n\u00e3o pode dar fruto por si mesma,  se n\u00e3o permanecer na cepa, assim v\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o, se n\u00e3o permanecerdes em Mim\u201d (Jo 15, 4)  A Eucaristia, fonte da moral crist\u00e3 72. A met\u00e1fora do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, inserida no discurso da \u00faltima Ceia, adquire um significado, n\u00e3o s\u00f3 eclesial, mas tamb\u00e9m moral, porque a vida da gra\u00e7a recebida atrav\u00e9s da Eucaristia torna-se garantia da verdadeira comunh\u00e3o eclesial e tamb\u00e9m de uma vida moral caracterizada pelas boas obras e por uma rectid\u00e3o no agir, pr\u00f3pria de quem est\u00e1 unido vitalmente a Cristo. N\u00e3o poucas respostas aos Lineamenta insistem no sentido pessoal e eclesial da Eucaristia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida moral, \u00e0 santidade e \u00e0 miss\u00e3o no mundo. A presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o permanentes do Esp\u00edrito Santo, dom do Senhor ressuscitado, recebido atrav\u00e9s da Comunh\u00e3o, s\u00e3o fonte do dinamismo da vida espiritual, da santidade e do testemunho dos fi\u00e9is. Portanto, a Eucaristia e a vida moral s\u00e3o insepar\u00e1veis, j\u00e1 porque, alimentando-se do santo Sacramento, se obt\u00e9m a transforma\u00e7\u00e3o interior, j\u00e1 porque a Eucaristia leva o homem renascido no Baptismo a uma vida segundo o Esp\u00edrito, uma nova vida moral, que n\u00e3o \u00e9 segundo a carne. A Eucaristia refor\u00e7a verdadeiramente o sentido crist\u00e3o da vida, enquanto a sua celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o a Deus e aos irm\u00e3os e leva a um testemunho dos valores evang\u00e9licos no mundo. Assim, as tr\u00eas dimens\u00f5es da vida crist\u00e3, liturgia &#8211; martyria &#8211; diakonia, exprimem a continuidade entre o Sacramento celebrado e adorado, o empenho de testemunhar Cristo no meio das realidades temporais e a comunh\u00e3o constru\u00edda atrav\u00e9s do servi\u00e7o da caridade, sobretudo em favor dos pobres.  73. Diversas respostas insistiram na rela\u00e7\u00e3o entre Eucaristia e vida moral, evidenciando uma not\u00e1vel tomada de consci\u00eancia da import\u00e2ncia do empenho moral derivado da comunh\u00e3o eucar\u00edstica. N\u00e3o faltam refer\u00eancias ao facto de demasiados fi\u00e9is se abeirarem do Sacramento sem reflectir suficientemente sobre a moralidade da sua vida.[100] H\u00e1 quem receba a Comunh\u00e3o mesmo negando a doutrina da Igreja ou dando p\u00fablico apoio a op\u00e7\u00f5es imorais, como o aborto, sem pensar que est\u00e3o cometendo actos de grave desonestidade pessoal e dando esc\u00e2ndalo. Existem, de facto, cat\u00f3licos que n\u00e3o compreendem porque seja pecado grave apoiar politicamente um candidato abertamente favor\u00e1vel ao aborto ou a outros actos graves contra a vida, a justi\u00e7a e a paz. Desse comportamento deduz-se, entre o mais, que o sentido de perten\u00e7a \u00e0 Igreja est\u00e1 em crise e que n\u00e3o \u00e9 clara a distin\u00e7\u00e3o entre pecado venial e pecado mortal. Muitas respostas observam tamb\u00e9m que alguns cat\u00f3licos n\u00e3o se diferenciam das outras pessoas, cedendo \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, nas suas diversas express\u00f5es e n\u00edveis. \u00c9 frequente separar as exig\u00eancias espec\u00edficas da vida moral da fun\u00e7\u00e3o da Igreja como mestra de vida, pensando que os ensinamentos desta tenham de passar pelo filtro da consci\u00eancia individual. E h\u00e1 \u00e2mbitos, em que os Pastores se viram na necessidade de explicar o porqu\u00ea da contradi\u00e7\u00e3o de invocar a liberdade de consci\u00eancia ou a liberdade religiosa como crit\u00e9rio para n\u00e3o seguir o ensinamento da Igreja. Insiste-se no dever dos fi\u00e9is de procurar a verdade e de formar uma consci\u00eancia recta. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 muitos que se esfor\u00e7am por integrar a Eucaristia na pr\u00f3pria vida e consider\u00e1-la fonte de for\u00e7a para vencer o pecado. \u00c9 o que acontece sobretudo nas par\u00f3quias, onde existe uma forte presen\u00e7a de minist\u00e9rios diversificados, de organiza\u00e7\u00f5es de caridade, grupos de ora\u00e7\u00e3o e associa\u00e7\u00f5es de leigos.  74. As respostas aos Lineamenta d\u00e3o sugest\u00f5es para superar a dicotomia entre o ensinamento da Igreja e o comportamento moral dos fi\u00e9is. Assinala-se, antes de mais, a conveni\u00eancia de dar mais \u00eanfase \u00e0 necessidade da santifica\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o pessoais e de insistir ainda mais na unidade entre o ensinamento da Igreja e a vida moral. Al\u00e9m disso, os fi\u00e9is dever\u00e3o ser constantemente encorajados a se capacitar de que a Eucaristia \u00e9 a fonte da for\u00e7a moral, da santidade e de todo o progresso espiritual. Por fim, considera-se de import\u00e2ncia fundamental sublinhar na catequese a liga\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa, atrav\u00e9s da responsabilidade pessoal de cada um de participar activamente na miss\u00e3o da Igreja no mundo. Nesse sentido, especial responsabilidade cabe aos cat\u00f3licos que ocupam lugares de destaque na pol\u00edtica e nas v\u00e1rias actividades sociais. A Igreja deposita uma grande esperan\u00e7a nos seus jovens, cada vez mais atentos \u00e0 Eucaristia, tesouro precioso, fonte inesgot\u00e1vel para a renova\u00e7\u00e3o da vida da Igreja e para a esperan\u00e7a do mundo. N\u00e3o surpreende, portanto, que o tema escolhido para o Dia Mundial da Juventude, a celebrar em Col\u00f3nia de 16 a 21 de Agosto de 2005, \u201cViemos para ador\u00e1-l\u2019O\u201d (Mt 2,3), tenha um profundo significado eucar\u00edstico. Merece especial aten\u00e7\u00e3o o v\u00e1lido contributo que esse importante acontecimento oferece \u00e0 reflex\u00e3o sinodal. A prop\u00f3sito, o Papa Jo\u00e3o Paulo II afirmava: \u201cA Eucaristia \u00e9 o centro vital, em redor do qual, desejo que os jovens se congreguem para alimentar a sua f\u00e9 e o seu entusiasmo\u201d.[101] Da\u00ed a pertin\u00eancia da sugest\u00e3o de, tamb\u00e9m nas escolas cat\u00f3licas, se dar import\u00e2ncia \u00e0 educa\u00e7\u00e3o das jovens gera\u00e7\u00f5es \u00e0 f\u00e9, especialmente \u00e0 espiritualidade eucar\u00edstica. A Eucaristia, que \u00e9 Presen\u00e7a do Corpo e Sangue de Jesus Cristo ressuscitado, leva \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o e \u00e0 santidade da vida crist\u00e3. Para alcan\u00e7ar esse ideal, s\u00e3o necess\u00e1rias a gra\u00e7a de Deus, a boa disposi\u00e7\u00e3o dos crentes e uma catequese permanente para todas as categorias de pessoas.  Pessoas e comunidades eucar\u00edsticas 75. A Eucaristia mostra a sua efic\u00e1cia nos frutos de vida nova que produz sobre a terra, frutos de santifica\u00e7\u00e3o e diviniza\u00e7\u00e3o, ou seja, de vida eterna. Nesse sentido, a Eucaristia revela-se como Sacramento de alta espiritualidade. Muitas respostas assinalam um avan\u00e7o positivo na espiritualidade eucar\u00edstica. De facto, em muitos lugares assiste-se, neste \u00faltimos anos, a uma reafirma\u00e7\u00e3o da adora\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento. A prop\u00f3sito, acena-se a um crescimento da devo\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica nas igrejas paroquiais e de reitorias, como provam-no o tempo dedicado \u00e0 adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e a cria\u00e7\u00e3o de capelas especiais para esse fim. Continua a ser muito estimada a prociss\u00e3o do Corpo de Deus e promovida a Liturgia das Horas diante do Sant\u00edssimo exposto. \u00c9 igualmente importante, neste aspecto, a devo\u00e7\u00e3o inculcada pelos novos movimentos. Onde existe uma verdadeira forma\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica e lit\u00fargica, os fi\u00e9is compreendem claramente a diferen\u00e7a entre a Missa e as demais celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas ou pr\u00e1ticas devocionais, participando piamente em todas as iniciativas eucar\u00edsticas propostas pelos seus pastores. Em geral, pode dizer-se que em todas estas pr\u00e1ticas a devo\u00e7\u00e3o encontra alimento, que se traduz numa doa\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio \u2013 esp\u00edrito, alma e corpo \u2013 ao Senhor. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 respostas que referem situa\u00e7\u00f5es menos encorajadoras: o abandono da pr\u00e1tica da b\u00ean\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica; o prolongado encerramento diurno das igrejas, talvez com medo de furtos, o que impede a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica privada dos fi\u00e9is; a coloca\u00e7\u00e3o do sacr\u00e1rio em lugares pouco significativos ou afastados, dif\u00edceis de encontrar, pelo que a maioria dos fi\u00e9is, ao entrar na igreja, nem se apercebe da presen\u00e7a do Sant\u00edssimo Sacramento, deixando de rezar; o enfraquecimento do costume da visita ao Sant\u00edssimo para a ora\u00e7\u00e3o pessoal e a medita\u00e7\u00e3o; a falta de uma catequese que ensine a diferen\u00e7a entre a Santa Missa e as outras celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas ou pr\u00e1ticas devocionais; uma vis\u00e3o demasiado individualista da Missa, que n\u00e3o permite apreciar devidamente a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria do sacrif\u00edcio eucar\u00edstico.  76. S\u00e3o diversas as respostas aos Lineamenta que pedem uma maior tomada de consci\u00eancia da dimens\u00e3o eclesial da Eucaristia que supere todo o individualismo, e uma renova\u00e7\u00e3o da espiritualidade eucar\u00edstica que apresente o Sacramento como in\u00edcio da reden\u00e7\u00e3o do mundo, integrando tamb\u00e9m a devo\u00e7\u00e3o a Cristo ressuscitado. Exprime-se a necessidade de promover de forma adequada o conhecimento da vida dos santos e beatos que foram modelos de espiritualidade e de vida eucar\u00edstica, fazendo-se eco da recomenda\u00e7\u00e3o presente na Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia.[102] Eles ensinam-nos a centrar a vida crist\u00e3 no mist\u00e9rio da Eucaristia, a adorar a presen\u00e7a do Senhor no Sant\u00edssimo Sacramento, a alimentar-nos do P\u00e3o de Vida que anima o nosso peregrinar para a P\u00e1tria celeste. Para todos os santos, a Eucaristia \u00e9 o centro e o fulcro da vida espiritual, mas foram muitos os que desenvolveram uma espiritualidade genuinamente eucar\u00edstica, desde Santo In\u00e1cio de Antioquia a S\u00e3o Tarc\u00edsio, de S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo a Santo Agostinho, de Santo Ant\u00e3o a S\u00e3o Bento, de S\u00e3o Francisco de Assis a S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, de Santa Catarina de Sena a Santa Clara de Assis, de S\u00e3o Pascal Bail\u00e3o a S\u00e3o Pedro Juli\u00e3o Eymard, de Santo Afonso de Lig\u00f3rioao Servo de Deus Carlos de Foucauld, de S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney ao Beato J\u00f3zef Bilczewski, do Beato Ivan Mertz \u00e0 Beata Teresa de Calcut\u00e1, para citar apenas alguns exemplos de um nutrido elenco.[103]  Maria, mulher eucar\u00edstica 77. Entre todos os santos, a Sant\u00edssima Virgem Maria resplandece como modelo de santidade e de espiritualidade eucar\u00edstica. Na tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja, o seu nome \u00e9 recordado com venera\u00e7\u00e3o em todas as an\u00e1foras da Santa Missa e com particular realce nas Igrejas Orientais cat\u00f3licas. S\u00e3o v\u00e1rias as respostas que pedem para especificar melhor o papel da Bem-aventurada Virgem Maria na liturgia eucar\u00edstica. Maria est\u00e1 de tal maneira ligada ao mist\u00e9rio eucar\u00edstico que mereceu que o Papa Jo\u00e3o Paulo II, na Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia, justamente a chamasse \u201cMulher eucar\u00edstica\u201d[104] Na exist\u00eancia de Maria de Nazar\u00e9, exprime-se de forma sublime, n\u00e3o s\u00f3 a rela\u00e7\u00e3o exclusiva entre a M\u00e3e e o Filho de Deus que recebeu Corpo e Sangue do seu corpo e do seu sangue, mas tamb\u00e9m a \u00edntima rela\u00e7\u00e3o que une a Igreja e a Eucaristia, j\u00e1 que a Sant\u00edssima Virgem \u00e9 modelo e figura da Igreja, cuja vida e miss\u00e3o t\u00eam a fonte e o \u00e1pice no Corpo e Sangue do Senhor Jesus Cristo. A orienta\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica de Maria deriva de uma atitude interior que marca toda a sua vida, mais que da participa\u00e7\u00e3o activa no momento da institui\u00e7\u00e3o do sacramento. A sua exist\u00eancia, que tem um profundo sentido eclesial, assume tamb\u00e9m esta nota eucar\u00edstica. Maria viveu em esp\u00edrito eucar\u00edstico, ainda antes de este sacramento ser institu\u00eddo, pelo facto de ter oferecido o seu seio virginal \u00e0 incarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus. Durante nove meses, foi o tabern\u00e1culo vivo de Deus. Depois, realizou um gesto eucar\u00edstico e, ao mesmo tempo, eclesial, quando apresentou o Menino Jesus aos pastores, aos magos e ao Sumo Sacerdote no Templo, enquanto oferecia o Fruto bendito do seu seio ao Povo de Deus e tamb\u00e9m aos gentios para que O adorassem e O reconhecessem como Messias. An\u00e1logo acto foi a sua presen\u00e7a e a sua sol\u00edcita intercess\u00e3o em Can\u00e1, na hora do primeiro sinal que o Filho deu, oferecendo-Se atrav\u00e9s de um milagre. Semelhante gesto teve a Virgem M\u00e3e aos p\u00e9s da cruz, participando nos sofrimentos do seu Filho e, depois, acolhendo nos bra\u00e7os o seu corpo e depondo-o numa sepultura como semente secreta de ressurrei\u00e7\u00e3o e de vida nova para a salva\u00e7\u00e3o do mundo. Foi ainda uma oferta de natureza eucar\u00edstica e eclesial a sua presen\u00e7a na efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, primeiro dom do Senhor ressuscitado \u00e0 Igreja nascente. A Virgem Maria teve consci\u00eancia de ter concebido Cristo para a salva\u00e7\u00e3o de todos os homens. Essa consci\u00eancia tornou-se mais clara na sua participa\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio pascal, quando o seu Filho com as palavras: \u201cMulher, eis o teu filho\u201d (Jo 19,26), lhe confiou, na pessoa do ap\u00f3stolo Jo\u00e3o, todos os fi\u00e9is. Como a Virgem Maria, tamb\u00e9m a Igreja torna presente o Senhor Jesus atrav\u00e9s da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia para d\u00e1-l\u2019O a todos a fim de que tenham a vida em abund\u00e2ncia (cf. Jo 10,10).  <i>Cap\u00edtulo II<\/i> A EUCARISTIA E A MISS\u00c3O DE EVANGELIZA\u00c7\u00c3O \u201cIde pois fazer disc\u00edpulos de todas as na\u00e7\u00f5es, baptizai-os em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo e ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei\u201d (Mt 28, 19-20)  Atitude eucar\u00edstica 78. O mandato mission\u00e1rio de evangelizar todos os povos, confiado por Jesus aos disc\u00edpulos e que est\u00e1 fundado no Baptismo, sacramento que abre o caminho a uma nova vida, marcada pelo car\u00e1cter indel\u00e9vel de filhos de Deus, inclui a forma\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias a um estilo de vida evang\u00e9lica, centrado no an\u00fancio da Boa Not\u00edcia e no mandamento novo do amor, de que a Eucaristia \u00e9 o \u00e1pice e a fonte inesgot\u00e1vel. As respostas aos Lineamenta p\u00f5em em evid\u00eancia como exista em toda a parte a expectativa de um renovado fervor de evangeliza\u00e7\u00e3o, porque o mundo de hoje o pede. Cresce, de facto, o n\u00famero de Baptismos de adultos e de ades\u00e3o \u00e0 Igreja. Mas continuam a ser muitos os que precisam de conhecer Cristo e o seu Evangelho, como existem tantos outros que, embora conhecendo-os, precisam de crescer na f\u00e9 que professam. A todos eles se dirige hoje o esfor\u00e7o da nova evangeliza\u00e7\u00e3o. Foi o Papa Jo\u00e3o Paulo II a usar pela primeira vez essa express\u00e3o, explicando simultaneamente o seu significado. Queria ele dizer que a evangeliza\u00e7\u00e3o deveria ser \u201cnova no seu ardor, nova nos seus m\u00e9todos e nova na sua express\u00e3o\u201d.[105] Assim, enquanto com essa defini\u00e7\u00e3o se entendia uma novidade de testemunho j\u00e1 na atitude entusiasta dos evangelizadores, se afirmava, ao mesmo tempo, o conte\u00fado perene e imut\u00e1vel da Boa Nova, que \u00e9 Jesus Cristo, a apresentar de novo e de forma adequada ao homem contempor\u00e2neo. Este novo impulso da evangeliza\u00e7\u00e3o, que se pode aplicar tamb\u00e9m ao primeiro an\u00fancio do Evangelho, alimenta-se da Eucaristia, que nas mut\u00e1veis vicissitudes da hist\u00f3ria, se mant\u00e9m perenemente fonte e \u00e1pice da vida e miss\u00e3o da Igreja. A Eucaristia corroborou sempre as op\u00e7\u00f5es e os comportamentos \u00e9ticos e morais dos crentes, encontrando aceita\u00e7\u00e3o na filosofia, na arte, na literatura e at\u00e9 nas institui\u00e7\u00f5es civis e nas leis, e contribuindo para modelar o rosto de uma inteira civiliza\u00e7\u00e3o na vida pessoal e familiar, na vida cultural, pol\u00edtica e social. A Eucaristia leva os crist\u00e3os a se empenharem em favor da justi\u00e7a no mundo de hoje: \u201cPara essa miss\u00e3o, a Eucaristia oferece, n\u00e3o s\u00f3 a for\u00e7a interior, mas tamb\u00e9m, em certo sentido, o projecto. Ela \u00e9, na realidade, um modo de ser que passa de Jesus para o crist\u00e3o e, atrav\u00e9s do seu testemunho, tende a irradiar na sociedade e na cultura\u2026 Encarnar o projecto eucar\u00edstico na vida quotidiana, nos lugares onde se trabalha e vive \u2013 na fam\u00edlia, na escola, na f\u00e1brica, nas mais diversas condi\u00e7\u00f5es de vida \u2013 significa, para al\u00e9m do mais, testemunhar que a realidade humana n\u00e3o se justifica sem a refer\u00eancia ao Criador: sem o Criador, \u2018a criatura n\u00e3o subsiste\u2019\u201d.[106] Tudo isto se chama \u201ccomportamento eucar\u00edstico\u201d, que deve levar os crist\u00e3os a testemunhar mais vigorosamente a presen\u00e7a de Deus no mundo, a n\u00e3o ter medo de falar de Deus e de apresentar de cabe\u00e7a erguida os sinais da f\u00e9 no testemunho e no di\u00e1logo com todos. Por isso, a \u201ccultura da Eucaristia\u201d, a promover e difundir, ser\u00e1 o especial compromisso deixado pelo Ano da Eucaristia.[107]  As implica\u00e7\u00f5es sociais da Eucaristia 79. Um efeito essencial da Comunh\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 a caridade que deve penetrar na vida social. O Conc\u00edlio Vaticano II e o Papa Paulo VI falaram da presen\u00e7a diversificada de Cristo:[108] h\u00e1 que ajudar os crist\u00e3os a compreender o que significa para a f\u00e9 a liga\u00e7\u00e3o entre o Cristo da Eucaristia e o Cristo presente nos seus irm\u00e3os e irm\u00e3s, sobretudo nos pobres e marginalizados da sociedade. O amor pelos pobres e marginalizados n\u00e3o foi apenas objecto da prega\u00e7\u00e3o de Jesus, mas deu sentido a toda a sua vida. A solu\u00e7\u00e3o dos problemas grandes e pequenos da humanidade \u00e9 o amor, n\u00e3o o fraco e ret\u00f3rico, mas o que Cristo nos ensina na Eucaristia; amor que se d\u00e1, que irradia e se sacrifica. Devemos rezar para que Cristo ven\u00e7a as nossas resist\u00eancias humanas e fa\u00e7a de cada um de n\u00f3s uma testemunha cred\u00edvel do seu amor. O tema do 48\u00b0 Congresso eucar\u00edstico internacional, A Eucaristia, luz e vida do novo mil\u00e9nio, prop\u00f4s-se afirmar que Cristo, sendo a luz do mundo, deve ilumin\u00e1-lo no novo Mil\u00e9nio com a for\u00e7a de uma vida renovada segundo a l\u00f3gica do Evangelho. No mundo de hoje, assim dito globalizado, pouco solid\u00e1rio e condicionado por uma tecnologia cada vez mais sofisticada, marcado pelo terrorismo internacional e por outras formas de viol\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o, a Eucaristia mant\u00e9m a sua mensagem actual, necess\u00e1ria para construir uma sociedade, onde prevale\u00e7am a comunh\u00e3o, a solidariedade, a liberdade, o respeito pelas pessoas, a esperan\u00e7a e a confian\u00e7a em Deus.  A Eucaristia e a incultura\u00e7\u00e3o 80. A f\u00e9 torna-se cultura e cria cultura. Todos conhecemos o rico tesouro de cultura que, ao longo dos s\u00e9culos, se sedimentou na liturgia do Oriente e do Ocidente: os textos das ora\u00e7\u00f5es, a riqueza dos ritos, as obras da arquitectura, das artes pl\u00e1sticas e da m\u00fasica sacra. Tudo isto mostra como a religi\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 cultura, que \u00e9 o conjunto de tudo o que de bom e de significativo a humanidade cria. A cultura oferece \u00e0 f\u00e9 os instrumentos capazes de exprimir a verdade revelada por Deus e proclamada na liturgia. A incultura\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo que, desde o in\u00edcio, acompanhou a Igreja. Existem muitos e excelentes exemplos de incultura\u00e7\u00e3o. Testemunham-no, por exemplo, as Igrejas Orientais cat\u00f3licas. Merece ser mencionada, a prop\u00f3sito, a obra dos Santos Cirilo e Met\u00f3dio, Ap\u00f3stolos dos povos eslavos.[109] O processo da incultura\u00e7\u00e3o mant\u00e9m-se vivo tamb\u00e9m nas actuais comunidades eclesiais. Para poder p\u00f4-lo em pr\u00e1tica de forma adequada, \u00e9 preciso ter presentes a natureza meramente gratuita do acto redentor de Deus e a sua adequada compreens\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o por parte do homem, na sua responsabilidade plena e na sua realidade, ao mesmo tempo, pessoal e comunit\u00e1ria, reflectidas na sua vida e cultura. Os princ\u00edpios gerais da incultura\u00e7\u00e3o encontram-se claramente expressos no Decreto conciliar Ad gentes,[110] na Instru\u00e7\u00e3o Varietates legitim\u00e6 sobre a liturgia romana e a incultura\u00e7\u00e3o,[111] e em muitas outras interven\u00e7\u00f5es do Magist\u00e9rio em mat\u00e9ria.[112] O tema da incultura\u00e7\u00e3o foi tratado tamb\u00e9m nas v\u00e1rias Assembleias Especiais continentais do S\u00ednodo dos Bispos e nas respectivas Exorta\u00e7\u00f5es Apost\u00f3licas p\u00f3s-sinodais.[113] Todavia, as dificuldades n\u00e3o faltam, quando se procura aplicar esses princ\u00edpios. Os riscos s\u00e3o sobretudo dois: o de cair no arca\u00edsmo e o de uma procura da modernidade a todo o custo. O que n\u00e3o se deve esquecer \u00e9 o fim da miss\u00e3o da Igreja: a evangeliza\u00e7\u00e3o de todos os homens no cora\u00e7\u00e3o das suas culturas. A incultura\u00e7\u00e3o, portanto, n\u00e3o \u00e9 uma simples adapta\u00e7\u00e3o, mas o resultado vivo do encontro vivido entre a cultura de um certo ambiente e a cultura gerada pelo Evangelho. Da\u00ed que, antes de decidir sobre a integra\u00e7\u00e3o de certos elementos de uma cultura local na liturgia, convenha que o Evangelho seja anunciado e se empreenda um grande esfor\u00e7o de educa\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9, ou seja, de catequese e forma\u00e7\u00e3o a todos os n\u00edveis, para fazer nascer uma nova cultura evangelizada. S\u00f3 ent\u00e3o as Confer\u00eancias episcopais e outros organismos competentes dever\u00e3o avaliar se a introdu\u00e7\u00e3o na liturgia de elementos inspirados nos costumes dos povos, embora constituindo parte vida da sua cultura, podem enriquecer a ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica sem repercuss\u00f5es desfavor\u00e1veis para a f\u00e9 e a piedade dos fi\u00e9is.  81. Das respostas aos Lineamenta deduz-se que, nas diversas partes do mundo ocidental, a incultura\u00e7\u00e3o normalmente se restringe a grupos de emigrantes e a par\u00f3quias \u00e9tnicas, sendo v\u00e1rios os esfor\u00e7os realizados nesse campo. Noutras \u00e1reas geogr\u00e1ficas, o tema est\u00e1 a tornar-se uma prioridade pastoral. Em todo o caso, sobre o tema da incultura\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, h\u00e1 que respeitar as normas dos documentos oficiais da Igreja, que d\u00e3o oportunos crit\u00e9rios pastorais, tendo sempre presente que \u00e9 necess\u00e1ria uma grande fidelidade ao Esp\u00edrito Santo para \u201cconservar imut\u00e1vel o dep\u00f3sito da f\u00e9, por mais variadas que se apresentem as formas da ora\u00e7\u00e3o e dos sagrados ritos\u201d.[114] Precisamente por isso, \u00e9 necess\u00e1rio manter um grande equil\u00edbrio entre a tradi\u00e7\u00e3o, que exprime uma f\u00e9 inalterada na Eucaristia, e a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es. Algumas respostas aludem a certos problemas resultantes das tentativas de incultura\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, que, embora feitas em boa f\u00e9, podem projectar sombras sobre a Eucaristia. A esse respeito, observa-se que nem sempre os elementos locais, como cantos, gestos, dan\u00e7as e vestes, s\u00e3o convenientemente submetidos a uma purifica\u00e7\u00e3o para se incorporar na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica apenas o que conv\u00e9m ao culto eucar\u00edstico. N\u00e3o faltaram tamb\u00e9m casos de adapta\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas promovidas em boa f\u00e9, mas sem um adequado conhecimento da cultura local, causando esc\u00e2ndalo entre os fi\u00e9is, que ficam perplexos ao ver atribuir \u00e0 Eucaristia significados impr\u00f3prios, t\u00edpicos de alguns seus ritos. Doutras respostas aos Lineamenta sobressaem, pelo contr\u00e1rio, aspectos positivos em mat\u00e9ria de incultura\u00e7\u00e3o, sobretudo no campo da m\u00fasica sacra. Em todo o caso, recomenda-se que a incultura\u00e7\u00e3o seja feita sob a responsabilidade do Ordin\u00e1rio diocesano, com a supervis\u00e3o da Confer\u00eancia episcopal e a recognitio da Santa S\u00e9. Ao mesmo tempo, pede-se para se observarem fielmente as normas comuns no campo da incultura\u00e7\u00e3o e da inova\u00e7\u00e3o, para evitar que, em nome da incultura\u00e7\u00e3o, se fa\u00e7am mudan\u00e7as inconvenientes. Pede-se para conservar o uso do latim, sobretudo nas celebra\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter internacional, de modo a exprimir a unidade e a universalidade da Igreja relativamente ao rito da Igreja-M\u00e3e de Roma. A prop\u00f3sito, conviria que os crist\u00e3os de todos os pa\u00edses fossem capazes de rezar e cantar em latim alguns textos fundamentais da liturgia, como o Gl\u00f3ria, o Credo, o Pai Nosso.  A Eucaristia e a paz 82. Antes de distribuir a Sagrada Comunh\u00e3o, o bispo ou o presb\u00edtero rezam ao Senhor Jesus Cristo ressuscitado, que disse aos seus disc\u00edpulos \u201cdeixo-vos a paz, dou-vos a minha paz\u201d (Jo 14,27). O celebrante pede ao Senhor Jesus que conceda \u00e0 Igreja uni\u00e3o e paz segundo a sua vontade.[115]  A Eucaristia \u00e9 o Sacramento da paz, consumada na reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus e com o pr\u00f3ximo atrav\u00e9s do sacramento da Penit\u00eancia; ela torna actual a gra\u00e7a que o Senhor ressuscitado exprimiu com as palavras \u201ca paz esteja convosco\u201d (Jo 20,19). O sacramento da Eucaristia, al\u00e9m disso, oferece aos crentes a gra\u00e7a para p\u00f4r em pr\u00e1tica o esp\u00edrito das Bem-aventuran\u00e7as e, de modo especial, a proclama\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo: \u201cFelizes os obreiros da paz\u201d (Mt 5,9). Com o sacrif\u00edcio da cruz, Jesus alcan\u00e7a a vit\u00f3ria sobre o pecado, sobre a morte e sobre todas as divis\u00f5es e \u00f3dios. Ressuscitado, concede a sua paz aos que est\u00e3o perto e aos que est\u00e3o longe (cf. Ef 2,17). A paz dos cora\u00e7\u00f5es, das fam\u00edlias, das comunidades e da Igreja, \u00e9 o dom do Senhor ressuscitado, presente no sacramento da Eucaristia. Quem se aproxima desse sacramento deve j\u00e1 ter em si a paz de Deus, que o pecado destr\u00f3i. Enquanto o acto penitencial no in\u00edcio da Santa Missa purifica dos pecados veniais, para os pecados mortais \u00e9 necess\u00e1ria a absolvi\u00e7\u00e3o sacramental. A Eucaristia refor\u00e7a, j\u00e1 por si, esse dom da paz e oferece a todos os que a recebem a gra\u00e7a de se tornarem, por sua vez, obreiros de paz nos ambientes onde vivem e trabalham.  83. Os fi\u00e9is dever\u00e3o redescobrir a Eucaristia como for\u00e7a de reconcilia\u00e7\u00e3o e de paz com Deus e entre os irm\u00e3os. No mundo actual, em que s\u00e3o tantos os motivos de divis\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o, mesmo leg\u00edtima, conv\u00e9m que os crist\u00e3os, reunidos \u00e0 volta da mesa do Senhor, redescubram as suas ra\u00edzes comuns, que se encontram n\u2019Ele. Na ora\u00e7\u00e3o, na reflex\u00e3o e na adora\u00e7\u00e3o, os fi\u00e9is, ajudados pela Palavra de Deus e pela homilia do celebrante, ser\u00e3o confortados na sua f\u00e9, caridade e esperan\u00e7a, para poderem empenhar-se cada vez mais e melhor no urgente dever de construir um mundo melhor, mais justo e pac\u00edfico. Respeitar\u00e3o as diferentes op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais, uma vez que n\u00e3o estejam em contradi\u00e7\u00e3o com as normas fundamentais do Evangelho que inspiraram a Doutrina social da Igreja. Nem sempre, por\u00e9m, se tem consci\u00eancia dessa dimens\u00e3o da Eucaristia, e assim se tornam contradit\u00f3rias e escandalosas as situa\u00e7\u00f5es de prolongado conflito entre as pessoas e entre as comunidades. Pacificada nos seus fi\u00e9is, a Igreja celebra e adora a Eucaristia como sacramento de piedade, sinal de unidade e v\u00ednculo de caridade.[116]  84. Beneficiando do manancial de gra\u00e7a, que \u00e9 a Eucaristia, a Igreja promove a causa da paz no mundo, dilacerado por conflitos, viol\u00eancias, terrorismo e guerras que ferem a dignidade dos homens e dos povos e dificultam todo o seu progresso. A Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o se cansa de proclamar o Evangelho da paz (cf. Ef 6,15) e, promovendo iniciativas de diversa ordem para fazer cessar toda a guerra, encoraja com o di\u00e1logo e a colabora\u00e7\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o da paz no mundo. A Eucaristia, memorial do sacrif\u00edcio de Jesus Cristo, que \u00e9 \u201ca nossa paz e Aquele que fez de judeus e gentios um s\u00f3 povo e derrubou a barreira que os separava, a inimizade\u201d (Ef 2,14), orienta a Igreja para essa miss\u00e3o urgente e dif\u00edcil, abrindo-a \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o com os homens de boa vontade. A Eucaristia, sacramento dos reconciliados com Deus e com os irm\u00e3os (cf. Col 1,22), torna-se tamb\u00e9m incitamento ao exerc\u00edcio do \u201cminist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d (2 Cor 5,18). Sabendo, pela Palavra de Deus, que todos pecaram (cf. Rom 3,23) e que, portanto, todos precisam de perd\u00e3o, a Igreja convida os homens a sa\u00edrem do c\u00edrculo vicioso da viol\u00eancia e do \u00f3dio, encontrando a for\u00e7a de pedir perd\u00e3o e perdoar. Em nome da Igreja, o Santo Padre e a Santa S\u00e9 est\u00e3o activamente presentes nos foros internacionais, apoiando vigorosamente a c<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00ednodo dos Bispos, XI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria &#8211; Instrumentum Laboris<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,100,108,127,144,148,164,168,193,199,206,237,246,265,267,268,275,285,91,294,297,311,314],"class_list":["post-12795","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-advento","tag-ano-da-eucaristia","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-congresso-eucaristico-internacional","tag-dia-mundial-da-juventude","tag-diocese-da-guarda","tag-educacao","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-musica","tag-natal","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa","tag-patrimonio","tag-quaresma","tag-sacramentos","tag-santa-se","tag-sinodo-dos-bispos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12795"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12795\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}