{"id":12794,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-eucaristia-fonte-e-cume-da-vida-e-da-missao-da-igreja\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-eucaristia-fonte-e-cume-da-vida-e-da-missao-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-eucaristia-fonte-e-cume-da-vida-e-da-missao-da-igreja\/","title":{"rendered":"A Eucaristia: Fonte e Cume da vida e da miss\u00e3o da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>S\u00ednodo dos Bispos, XI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria &#8211; <i>Instrumentum Laboris<\/i> <!--more--> <b>\u00cdndice<\/b> PREF\u00c1CIO INTRODU\u00c7\u00c3O A Assembleia sinodal no Ano da Eucaristia O Instrumentum laboris e o seu uso  I PARTE A EUCARISTIA E O MUNDO DE HOJE Cap\u00edtulo I : FOME DO P\u00c3O DE DEUS P\u00e3o para o homem no mundo Alguns dados estat\u00edsticos essenciais A Eucaristia nos diversos contextos da Igreja A Eucaristia e o sentido crist\u00e3o da vida  Cap\u00edtulo II : A EUCARISTIA E A COMUNH\u00c3O ECLESIAL O mist\u00e9rio eucar\u00edstico, express\u00e3o de unidade eclesial A rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e a Igreja, \u2018Esposa e Corpo de Cristo\u2019 A rela\u00e7\u00e3o entra a Eucaristia e os outros sacramentos A estreita liga\u00e7\u00e3o da Eucaristia com a Penit\u00eancia A rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e os fi\u00e9is Sombras na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia  II PARTE A F\u00c9 DA IGREJA NO MIST\u00c9RIO DA EUCARISTIA  Cap\u00edtulo I : A EUCARISTIA, DOM DE DEUS AO SEU POVO A Eucaristia, mist\u00e9rio da f\u00e9 A Eucaristia, nova e eterna alian\u00e7a A f\u00e9 e a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia A f\u00e9 pessoal e eclesial A percep\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio eucar\u00edstico entre os fi\u00e9is O sentido do sagrado na Eucaristia  Cap\u00edtulo II : O MIST\u00c9RIO PASCAL E A EUCARISTIA A centralidade do mist\u00e9rio pascal Os nomes da Eucaristia Sacrif\u00edcio, memorial e banquete A consagra\u00e7\u00e3o A presen\u00e7a real  III PARTE A EUCARISTIA NA VIDA DA IGREJA Cap\u00edtulo I : CELEBRAR A EUCARISTIA DO SENHOR \u201cN\u00f3s Vos damos gra\u00e7as porque nos admitistes \u00e0 vossa presen\u00e7a\u201d Os ritos de introdu\u00e7\u00e3o A Liturgia da Palavra A liturgia eucar\u00edstica A Comunh\u00e3o Os ritos de conclus\u00e3o A <i>ars celebrandi<\/i> A Palavra e o P\u00e3o de vida O significado das normas Urg\u00eancias pastorais O canto lit\u00fargico O decoro do lugar sagrado  Cap\u00edtulo II : ADORAR O MIST\u00c9RIO DO SENHOR Da celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 adora\u00e7\u00e3o Atitudes de adora\u00e7\u00e3o \u00c0 espera do Senhor A Eucaristia dominical  IV PARTE A EUCARISTIA NA MISS\u00c3O DA IGREJA  Cap\u00edtulo I : A ESPIRITUALIDADE EUCAR\u00cdSTICA  A Eucaristia, fonte da moral crist\u00e3 Pessoas e comunidades eucar\u00edsticas Maria, mulher eucar\u00edstica  Cap\u00edtulo II : A EUCARISTIA E A MISS\u00c3O DE EVANGELIZA\u00c7\u00c3O Atitude eucar\u00edstica As implica\u00e7\u00f5es sociais da Eucaristia A Eucaristia e a incultura\u00e7\u00e3o A Eucaristia e a paz A Eucaristia e a unidade A Eucaristia e o ecumenismo A Eucaristia e a inter-comunh\u00e3o <i>Ite missa est<\/i> CONCLUS\u00c3O  <b>PREF\u00c1CIO<\/b> A Igreja vive da Eucaristia desde as suas origens. Nela, encontra a raz\u00e3o da sua exist\u00eancia, a fonte inesgot\u00e1vel da sua santidade, a for\u00e7a da unidade e o v\u00ednculo da comunh\u00e3o, o vigor da sua vitalidade evang\u00e9lica, o princ\u00edpio da sua ac\u00e7\u00e3o de evangeliza\u00e7\u00e3o, a fonte da caridade e o impulso da promo\u00e7\u00e3o humana, a antecipa\u00e7\u00e3o da sua gl\u00f3ria no banquete eterno das N\u00fapcias do Cordeiro (cf. Ap 19,7-9). Entre os diversos graus de presen\u00e7a do Senhor ressuscitado na sua Igreja, ocupa lugar de destaque o sacramento da Eucaristia, em que, pela gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo e as palavras da consagra\u00e7\u00e3o, o p\u00e3o e o vinho se tornam corpo e sangue de Jesus Cristo para gl\u00f3ria e louvor de Deus Pai. Esse inestim\u00e1vel dom e grande mist\u00e9rio realizou-se na \u00daltima Ceia e, por ordem expl\u00edcita do Senhor Jesus \u2013 \u201cFazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u201d (Lc 22,19) \u2013, foi-nos transmitido pelos Ap\u00f3stolos e seus sucessores. A esse respeito, escreve S\u00e3o Paulo em refer\u00eancia ao p\u00e3o e ao c\u00e1lice da nova Alian\u00e7a: \u201cEu pr\u00f3prio recebi do Senhor o que por minha vez vos transmiti\u201d (1 Cor 11,23). Trata-se de Tradi\u00e7\u00e3o sagrada, que se transmite fielmente de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o at\u00e9 aos nossos dias. O dep\u00f3sito da f\u00e9 eucar\u00edstica, n\u00e3o obstante diversas controv\u00e9rsias doutrinais e disciplinares, chegou at\u00e9 n\u00f3s, por gra\u00e7a da Divina Provid\u00eancia, na sua pureza original, em virtude sobretudo da doutrina de dois Conc\u00edlios ecum\u00e9nicos: o de Trento (1545-1563) e o do Vaticano II (1962-1965). Muito contribu\u00edram para uma melhor compreens\u00e3o do mist\u00e9rio eucar\u00edstico diversos Sumos Pont\u00edfices, entre os quais merecem particular men\u00e7\u00e3o os Papas Paulo VI e Jo\u00e3o Paulo II, de veneranda mem\u00f3ria, ambos empenhados em aplicar a n\u00edvel da Igreja universal as delibera\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II. Durante o Pontificado de Jo\u00e3o Paulo II, a Igreja Cat\u00f3lica foi enriquecida com grandes documentos sobre o sacramento da Eucaristia. Basta recordar o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, a Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia e a Carta Apost\u00f3lica Mane nobiscum Domine. Tamb\u00e9m o actual Santo Padre Bento XVI entende colocar o seu Pontificado na mesma perspectiva de actua\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II e em fiel continuidade com a bimilen\u00e1ria tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, ao anunciar, j\u00e1 na primeira alocu\u00e7\u00e3o dirigida atrav\u00e9s do Col\u00e9gio dos Cardeais \u00e0 Igreja inteira, que a Eucaristia \u00e9 o centro permanente e a fonte do servi\u00e7o petrino que lhe foi confiado. Os referidos documentos cont\u00eam uma densa reflex\u00e3o sobre o sacramento da Eucaristia com incid\u00eancias significativas tanto espirituais como pastorais. Verificar, no in\u00edcio do Terceiro mil\u00e9nio do cristianismo, de que modo t\u00e3o rico patrim\u00f3nio da f\u00e9 \u00e9 posto em pr\u00e1tica na realidade da Igreja Cat\u00f3lica espalhada pelos cinco continentes, \u00e9 uma quest\u00e3o de sensibilidade pastoral, de responsabilidade episcopal e de vis\u00e3o prof\u00e9tica. N\u00e3o foi, portanto, uma surpresa a proposta das Confer\u00eancias Episcopais de todo o inteiro e de outros organismos eclesiais, consultados pela Secretaria Geral do S\u00ednodo dos Bispos e de acordo com o Conselho Ordin\u00e1rio, de apresentar \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do Santo Padre o tema da Eucaristia para a XI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos. Dada a import\u00e2ncia da mat\u00e9ria, Sua Santidade acolheu de bom grado a sugest\u00e3o, estabelecendo o tema: \u201cA Eucaristia, fonte e \u00e1pice da vida e da miss\u00e3o da Igreja\u201d, e o tempo da assembleia: 2-23 de Outubro de 2005. \u00c9 claro para todos como na escolha do tema exista uma expl\u00edcita refer\u00eancia ao ensinamento do Conc\u00edlio Vaticano II sobre a Eucaristia, nomeadamente da Constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica Lumen gentium (n. 11), retomado mais tarde na Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia (nn. 1 e 13). N\u00e3o se trata de uma refer\u00eancia casual, mas program\u00e1tica, procurando reavivar o entusiasmo do Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II e ver de que forma o ensinamento sobre o sacramento da Eucaristia foi posto em pr\u00e1tica \u00e0 luz do sucessivo Magist\u00e9rio da Igreja. Com a ajuda dos Membros do Conselho Ordin\u00e1rio, a Secretaria Geral do S\u00ednodo dos Bispos come\u00e7ou a prepara\u00e7\u00e3o da XI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria, com a elabora\u00e7\u00e3o dos Lineamenta. Tal documento foi publicado no in\u00edcio do ano de 2004 com a inten\u00e7\u00e3o de suscitar uma ampla reflex\u00e3o eclesial sobre o mist\u00e9rio da Eucaristia, celebrado e adorado nas dioceses e nas comunidades da Igreja Cat\u00f3lica e anunciado ao mundo inteiro. O documento foi, com efeito, enviado \u00e0s Confer\u00eancias Episcopais, \u00e0s Igrejas Orientais Cat\u00f3licas sui iuris, aos Dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana e \u00e0 Uni\u00e3o dos Superiores Gerais, com o expresso pedido de responderem, ap\u00f3s reflex\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o, a um Question\u00e1rio sobre diversas quest\u00f5es pastorais relativas \u00e0 Eucaristia. O mesmo documento foi tamb\u00e9m objecto de larga difus\u00e3o na Igreja e no mundo atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. O Povo de Deus, guiado pelos Pastores, deu uma boa resposta \u00e0 consulta, oferecendo v\u00e1lidos contributos sobre o tema em ordem \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o da assembleia sinodal. Em diversos pa\u00edses foram promovidos debates a n\u00edvel de dioceses, par\u00f3quias e outras comunidades eclesiais. Conseguiu-se realizar, assim, uma an\u00e1lise sobre a f\u00e9 e a pr\u00e1tica eucar\u00edsticas a n\u00edvel da Igreja universal. As reac\u00e7\u00f5es chegaram \u00e0 Secretaria Geral: em forma de \u201crespostas\u201d, as dos organismos acima referidos com not\u00e1vel dimens\u00e3o colegial; em forma de \u201cobserva\u00e7\u00f5es\u201d, as dos que espontaneamente quiseram contribuir para o processo sinodal. Os resultados foram recolhidos no presente Instrumentum laboris, que \u00e9 uma s\u00edntese fiel dos contributos recebidos. Reflectindo sobre o teor das respostas, n\u00e3o se quis, com o documento, apresentar mais uma s\u00edntese teol\u00f3gica sistem\u00e1tica e completa do sacramento da Eucaristia, ali\u00e1s j\u00e1 existente na Igreja, mas t\u00e3o s\u00f3 recordar algumas verdades doutrinais de grande repercuss\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o desse mist\u00e9rio sublime da nossa f\u00e9, real\u00e7ando a sua grande riqueza pastoral. Da\u00ed que o documento se tenha concentrado sobretudo nos aspectos positivos da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, que congrega os fi\u00e9is e faz deles comunidade, n\u00e3o obstante as diferen\u00e7as de ra\u00e7a, l\u00edngua, na\u00e7\u00e3o e cultura. No documento, passa-se a mencionar tamb\u00e9m algumas omiss\u00f5es ou neglig\u00eancias na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, felizmente bastante marginais, mas que servem para tomar uma maior consci\u00eancia do respeito e piedade com que os membros do clero e todos os fi\u00e9is deveriam abeirar-se da Eucaristia para celebrar o seu sagrado mist\u00e9rio. O documento cont\u00e9m, por fim, uma s\u00e9rie de propostas, sugeridas pelas numerosas respostas, e que s\u00e3o fruto de aprofundadas reflex\u00f5es pastorais das Igrejas particulares e de outros organismos consultados. \u00c9 \u00f3bvio que a celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da Eucaristia se exprima nos diversos pa\u00edses e continentes de forma muita variada, o que \u00e9 evidente, se se consideram as diferentes tradi\u00e7\u00f5es espirituais ou ritos da Igreja Cat\u00f3lica. A diversidade, longe de enfraquecer a sua unidade, mostra a riqueza da Igreja na comunh\u00e3o cat\u00f3lica, caracterizada pela troca dos dons e das experi\u00eancias. Os cat\u00f3licos de tradi\u00e7\u00e3o latina descobrem essa riqueza na insigne espiritualidade das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas, como resulta quer dos Lineamenta quer do Instrumentum laboris. Por sua vez, os crist\u00e3os das tradi\u00e7\u00f5es orientais descobrem o not\u00e1vel patrim\u00f3nio teol\u00f3gico e espiritual da tradi\u00e7\u00e3o latina. Semelhante atitude tem tamb\u00e9m uma finalidade ecum\u00e9nica, pois, se a Igreja Cat\u00f3lica respira por dois pulm\u00f5es, e disso \u00e9 grata \u00e0 Divina Provid\u00eancia, por outro lado, aguarda o feliz dia em que essa riqueza espiritual possa ser reavivada por uma unidade plena e vis\u00edvel com as Igrejas Orientais que, embora na falta de uma plena comunh\u00e3o, em boa parte professam a mesma f\u00e9 no mist\u00e9rio de Jesus Cristo Eucaristia. O Instrumentum laboris destina-se aos Padres sinodais como documento de trabalho e de ulterior reflex\u00e3o sobre a Eucaristia, que, como cora\u00e7\u00e3o da Igreja, a impele, na comunh\u00e3o, para um renovado esfor\u00e7o mission\u00e1rio. A reflex\u00e3o ser\u00e1 certamente frutuosa, porque o esp\u00edrito de colegialidade, pr\u00f3prio das reuni\u00f5es sinodais, favorecer\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de consensos sobre as propostas destinadas ao Santo Padre. Conseguir-se-\u00e3o tamb\u00e9m abundantes frutos da reforma lit\u00fargica, da investiga\u00e7\u00e3o exeg\u00e9tica e do aprofundamento teol\u00f3gico que marcaram o per\u00edodo a seguir ao Conc\u00edlio Vaticano II. Das respostas sintetizadas no Instrumentum laboris emerge o voto do Povo de Deus para que os trabalhos dos Padres sinodais, reunidos com o Bispo de Roma, Chefe do Col\u00e9gio episcopal e Presidente do S\u00ednodo, e com outros representantes da comunidade eclesial, ajudem a redescobrir a beleza da Eucaristia, que \u00e9 sacrif\u00edcio, memorial e banquete de Jesus Cristo, Salvador e Redentor do mundo. Os fi\u00e9is aguardam orienta\u00e7\u00f5es adequadas para celebrar mais dignamente o sacramento da Eucaristia, p\u00e3o descido do c\u00e9u (cf. Jo 6,58) e oferecido a Deus Pai no seu Filho Unig\u00e9nito; para adorar mais devotamente o Senhor nas esp\u00e9cies do p\u00e3o e do vinho e para refor\u00e7ar os la\u00e7os de unidade e comunh\u00e3o entre os que se nutrem do Corpo e Sangue do Senhor. Tal expectativa n\u00e3o surpreende, uma vez que os crist\u00e3os que tomam parte na mesa do Senhor, iluminados pela gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, s\u00e3o parte viva da Igreja, corpo m\u00edstico de Jesus Cristo; s\u00e3o suas testemunhas no ambiente de vida e de trabalho, atentos \u00e0s necessidades espirituais e materiais do homem de hoje, e activos na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, onde n\u00e3o falte a ningu\u00e9m o p\u00e3o nosso de cada dia. Os Padres do S\u00ednodo cumprir\u00e3o as suas tarefas sinodais seguindo o exemplo da Bem-aventurada Virgem Maria, Mulher eucar\u00edstica, na sua disponibilidade a fazer a vontade de Deus Pai e em esp\u00edrito de abertura \u00e0s inspira\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito Santo. Num trabalho t\u00e3o importante, confiam no apoio dos v\u00ednculos da comunh\u00e3o com o clero e com os fi\u00e9is, que neste Ano da Eucaristia e com renovado zelo n\u00e3o cessam de rezar, celebrar, adorar e testemunhar com a vida crist\u00e3 e a caridade fraterna a fecundidade do mist\u00e9rio eucar\u00edstico, anunciando com novo vigor apost\u00f3lico aos de perto e aos de longe a beleza do grande mist\u00e9rio da f\u00e9 contido no sacramento da Eucaristia, fonte e \u00e1pice da vida e da miss\u00e3o da Igreja para o Terceiro mil\u00e9nio do cristianismo.   <I>Nikola Eterovi&#263;<\/i>, Arcebispo tit. de Sisak, Secret\u00e1rio Geral    <b>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/b> A Assembleia sinodal no Ano da Eucaristia 1. A pr\u00f3xima Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, que se realizar\u00e1 de 2 a 23 de Outubro de 2005 sobre o tema A Eucaristia, fonte e \u00e1pice da vida e da miss\u00e3o da Igreja, \u00e9 precedida de uma fase preparat\u00f3ria que empenha toda a Igreja espalhada no mundo, gra\u00e7as tamb\u00e9m ao magist\u00e9rio de Jo\u00e3o Paulo II, que promulgou a Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia e a Carta Apost\u00f3lica Mane nobiscum Domine, e dos bispos e te\u00f3logos do 48\u00b0 Congresso Eucar\u00edstico Internacional de Guadalajara no M\u00e9xico.[1] Tamb\u00e9m se consideram de certa forma relacionados com o tema sinodal a Instru\u00e7\u00e3o Redemptionis sacramentum e o subs\u00eddio Ano da Eucaristia. Sugest\u00f5es e propostas, documentos da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, este \u00faltimo publicado por ocasi\u00e3o da abertura do Ano da Eucaristia que, aberto a 17 de Outubro de 2004, encerrar\u00e1 precisamente com o S\u00ednodo. Para orientar a prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, foram preparados os Lineamenta, n\u00e3o para oferecer um tratado completo sobre a Eucaristia nem para simplesmente repropor os ensinamentos doutrinais contidos nos documentos acima referidos, quanto para delinear as quest\u00f5es mais salientes no quadro dos pontos essenciais da doutrina eucar\u00edstica da Igreja \u00e0 luz da Sagrada Escritura e da Tradi\u00e7\u00e3o. Sobre os Lineamenta e respectivo Question\u00e1rio, receberam-se respostas das Confer\u00eancias Episcopais, das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas sui iuris, da C\u00faria Romana e da Uni\u00e3o dos Superiores Gerais, bem como observa\u00e7\u00f5es de bispos, sacerdotes, religiosos, te\u00f3logos e fi\u00e9is leigos, que depois foram recolhidas no Instrumentum laboris. Este documento de trabalho da futura assembleia serve para informar sobre a realidade da f\u00e9, do culto e da vida eucar\u00edstica das Igrejas particulares espalhadas pelo mundo e para confront\u00e1-la com a da Igreja universal.  O Instrumentum laboris e o seu uso 2. Para favorecer a reflex\u00e3o e a discuss\u00e3o preparat\u00f3rias, bem como as interven\u00e7\u00f5es e o debate na sala sinodal, o Instrumentum laboris enuncia os dados doutrinal e pastoral. Nesses dois campos, de facto, se encontram constantemente empenhados os bispos no exerc\u00edcio do seu tr\u00edplice m\u00fanus episcopal de ensinar, santificar e governar o povo de Deus. Com efeito, a praxis da Igreja no mundo deve continuamente confrontar-se com a doutrina perene alimentada pela Sagrada Escritura e pela Tradi\u00e7\u00e3o. Aplicando o m\u00e9todo ao tema do S\u00ednodo, h\u00e1 que verificar se a lei da ora\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 lei da f\u00e9; ou seja, perguntar em que cr\u00ea e como vive o povo de Deus para que a Eucaristia possa ser cada vez mais a fonte e o \u00e1pice da vida e da miss\u00e3o da Igreja e de cada fiel, atrav\u00e9s da liturgia, da espiritualidade e da catequese, nos \u00e2mbitos culturais, sociais e pol\u00edticos. Das respostas aos Lineamenta emerge a necessidade de compreender a Eucaristia \u00e0 luz da sua d\u00faplice qualidade de fons et culmen na Igreja. O Sacrif\u00edcio sacramental \u00e9 fonte, enquanto, em virtude das palavras do Senhor e por obra do Esp\u00edrito Santo, cont\u00e9m a efic\u00e1cia da paix\u00e3o de Jesus Cristo e a for\u00e7a da sua ressurrei\u00e7\u00e3o. A Eucaristia \u00e9 tamb\u00e9m \u00e1pice da vida da Igreja, enquanto leva \u00e0 comunh\u00e3o com o Senhor para a santifica\u00e7\u00e3o e diviniza\u00e7\u00e3o do homem, membro de uma comunidade congregada \u00e0 volta da mesa do Senhor. Desta verdade, fons et culmen, nasce o empenho de transformar as realidades temporais. Tal \u00e9 o tema geral do S\u00ednodo. Pode dizer-se que na Eucaristia est\u00e1 contido o sentido do sacrif\u00edcio de Jesus: Deus doa-se total e gratuitamente, e o homem entrega-se completamente ao Pai que o ama. Trata-se de uma dupla express\u00e3o de amor, que de certa maneira corresponde \u00e0 Eucaristia como sacrif\u00edcio e como banquete. As respostas em geral apreciaram o facto de os Lineamenta terem convidado a olhar, n\u00e3o s\u00f3 para a Eucaristia da liturgia de tradi\u00e7\u00e3o latina, mas tamb\u00e9m para a das liturgias das tradi\u00e7\u00f5es orientais. A osmose \u00e9 considerada enriquecedora e ben\u00e9fica, at\u00e9 para real\u00e7ar as luzes e dissipar as sombras que se verificam em n\u00e3o poucos lugares. O texto do Instrumentum laboris procura fazer o mesmo, abarcando a inteira tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, e n\u00e3o s\u00f3 a perspectiva do rito latino, embora n\u00e3o se possa ignorar que alguns fen\u00f3menos s\u00e3o pr\u00f3prios deste \u00faltimo. Este Instrumentum laboris \u00e9 agora apresentado \u00e0 reflex\u00e3o dos Pastores das Igrejas particulares, para que, juntamente com o povo de Deus, se preparem para o S\u00ednodo, onde os Padres oferecer\u00e3o ao Bispo de Roma propostas \u00fateis para a renova\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica da vida eclesial.   <b>I PARTE<\/b> A EUCARISTIA E O MUNDO DE HOJE  Cap\u00edtulo I FOME DO P\u00c3O DE DEUS \u201cO p\u00e3o de Deus \u00e9 o que desce do c\u00e9u  para dar a vida ao mundo. Disseram-Lhe eles: Senhor, d\u00e1-nos sempre desse p\u00e3o\u201d (Jo 6, 33-34)  P\u00e3o para o homem no mundo 3. \u00c0 multid\u00e3o que Lhe pedia um sinal para poder acreditar, Jesus apresentou-Se Ele pr\u00f3prio como o verdadeiro p\u00e3o que sacia o homem (cf. Jo 6,35), o P\u00e3o que desce do c\u00e9u para dar a vida ao mundo. Tamb\u00e9m o mundo de hoje precisa desse p\u00e3o para ter a vida. No di\u00e1logo com Jesus, que Se apresentava como o P\u00e3o para a vida do mundo, a multid\u00e3o espontaneamente pediu-Lhe: \u201cSenhor, d\u00e1-nos sempre desse p\u00e3o\u201d. \u00c9 um pedido significativo, express\u00e3o do profundo desejo radicado no cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 dos fi\u00e9is, mas de todo o homem que aspira \u00e0 felicidade simbolizada no p\u00e3o da vida eterna. Tamb\u00e9m o mundo, neste ano do Senhor de 2005, apesar das dificuldades e contradi\u00e7\u00f5es de v\u00e1ria esp\u00e9cie, aspira \u00e0 felicidade e deseja o p\u00e3o da vida, da alma e do corpo. Para dar uma resposta a esse anseio humano, o Papa fez um vivo apelo a toda a Igreja para que o Ano da Eucaristia fosse tamb\u00e9m ocasi\u00e3o de um empenho s\u00e9rio e profundo na luta contra o drama da fome, o flagelo das doen\u00e7as, a solid\u00e3o dos anci\u00e3os, as dificuldades dos desempregados e as desloca\u00e7\u00f5es dos migrantes. Os frutos desse empenho ser\u00e3o a prova da autenticidade das celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas.[2] N\u00e3o s\u00f3 o homem, mas toda a cria\u00e7\u00e3o espera novos c\u00e9us e nova terra (cf. 2 Pe 3,13) e a recapitula\u00e7\u00e3o de todas as coisas em Cristo, inclusive as terrenas (cf. Ef 1,10). Por isso, a Eucaristia, sendo o \u00e1pice para que tende toda a cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 a resposta \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o do mundo contempor\u00e2neo, mesmo em vista do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico. De facto, o p\u00e3o e o vinho, mat\u00e9ria que Jesus Cristo escolheu para toda a Santa Missa, unem a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e0 realidade do mundo criado e confiado ao homem (cf. Gen 1,28), no respeito das leis que o Criador imprimiu nas obras das suas m\u00e3os. O p\u00e3o, que se torna Corpo de Cristo, seja produzido por uma terra f\u00e9rtil, pura e incontaminada. O vinho, que se transforma no Sangue do Senhor Jesus, seja sinal de um trabalho de transforma\u00e7\u00e3o do criado segundo as necessidades dos homens, preocupados tamb\u00e9m em salvaguardar os recursos necess\u00e1rios para as gera\u00e7\u00f5es futuras. A \u00e1gua, que unida ao vinho simboliza a uni\u00e3o da natureza humana com a divina no Senhor Jesus, conserve as suas qualidades salutares para os homens sedentos de Deus, \u201cnascente de \u00e1gua que jorra para a vida eterna\u201d (Jo 4,14).  Alguns dados estat\u00edsticos essenciais 4. O tema do S\u00ednodo, A Eucaristia: fonte e \u00e1pice da vida e da miss\u00e3o da Igreja, exige, portanto, que se olhe tamb\u00e9m para alguns dados significativos do mundo, em que a Igreja vive e actua. Na impossibilidade de dar um quadro completo e exaustivo, fazem-se algumas notas e considera\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter geral. Alguns dados mostram claramente a rela\u00e7\u00e3o estat\u00edstica entre a popula\u00e7\u00e3o em geral e os fi\u00e9is que professam a f\u00e9 cat\u00f3lica. Note-se, a prop\u00f3sito, que os cat\u00f3licos em 2003 eram cerca de 1.086.000.000, com um aumento de 15.000.000 em rela\u00e7\u00e3o ao ano precedente, assim distribu\u00eddo por continentes: + 4,5% na \u00c1frica, +1,2%; na Am\u00e9rica, + 2,2% na \u00c1sia e +1,3% na Oce\u00e2nia. Na Europa existe uma situa\u00e7\u00e3o praticamente de estabilidade. A leitura dos dados sobre a distribui\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos nas diferentes \u00e1reas geogr\u00e1ficas mostra como 49,8% dos cat\u00f3licos do mundo se encontre na Am\u00e9rica, 25,8% na Europa, 13,2% na \u00c1frica, 10,4% na \u00c1sia e 0,8% na Oce\u00e2nia.[3] Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o total, a percentagem dos cat\u00f3licos por continente \u00e9 a seguinte: 62,46%, na Am\u00e9rica, 39,59% na Europa, 26,39% na Oce\u00e2nia, 16,89% na \u00c1frica e 2,93% na \u00c1sia.[4] Do ponto de vista da distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da Igreja, note-se que em 2003 as circunscri\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas eram 2.893, mais 10 que no ano precedente, e com um aumento em todos os continentes.[5] O n\u00famero de bispos no mundo cresceu 27,68%, passando dos 3.714 de 1978 aos 4.742 de 2003, enquanto os sacerdotes em 2003 eram 405.450 (268.041 diocesanos e 137.409 religiosos) e em 1978 eram 420.971 (262.485 diocesanos e 158.486 religiosos), portanto com uma quebra de 3,69%; devida a uma diminui\u00e7\u00e3o dos sacerdotes religiosos na ordem dos 13,30% e um correspondente aumento de 2,12% dos sacerdotes diocesanos. Tamb\u00e9m diminuiu de 27,94% o n\u00famero de religiosos professos n\u00e3o sacerdotes (75.802 em 1978 e 54.620 em 2003). Verifica-se igualmente uma quebra de 21,65% no n\u00famero das religiosas professas (990.768 em 1978 e 776.269 em 2003).[6] Sendo a celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da Eucaristia essencialmente ligada ao sacramento da Ordem, h\u00e1 que ter presente tamb\u00e9m o aumento de cat\u00f3licos por cada sacerdote no mesmo per\u00edodo 1978-2003. Passou-se, com efeito, dos 1.797 cat\u00f3licos por sacerdote do in\u00edcio do per\u00edodo para os 2.677 do fim. A propor\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante diversificada de continente para continente. Por exemplo, aos cerca de 1.386 cat\u00f3licos por sacerdote da Europa, a \u00c1frica apresenta cerca de 4.723, a Am\u00e9rica 4.453, a \u00c1sia 2.407 e a Oce\u00e2nia 1.746.[7] Note-se, por outro lado, que, no mesmo per\u00edodo, os di\u00e1conos permanentes constituem o grupo que mais cresceu: no conjunto dos cinco continentes, mais que quintuplicaram, com um incremento da ordem dos 466,7%. Tem o seu interesse o facto de essa figura religiosa ter larga difus\u00e3o na Am\u00e9rica, sobretudo na do Norte, onde se encontra 65,7% de todos os di\u00e1conos do mundo; vem a seguir a Europa com 32%. \u00c9, do mesmo modo, relevante o papel que, em todo o mundo, desempenham na evangeliza\u00e7\u00e3o os mission\u00e1rios leigos (172.331) e os catequistas (2.847.673).[8]  5. O S\u00ednodo realiza-se num momento marcado por fortes contrastes na fam\u00edlia humana. A globaliza\u00e7\u00e3o facilita a percep\u00e7\u00e3o da unidade do g\u00e9nero humano, tamb\u00e9m gra\u00e7as aos meios de comunica\u00e7\u00e3o social que informam do que acontece em qualquer canto do mundo. \u00c9 um dado importante do progresso da t\u00e9cnica, que nas \u00faltimas d\u00e9cadas conheceu avan\u00e7os excepcionais. Infelizmente, por\u00e9m, a globaliza\u00e7\u00e3o e o progresso t\u00e9cnico n\u00e3o favoreceram a paz e uma maior justi\u00e7a entre as na\u00e7\u00f5es ricas e as na\u00e7\u00f5es pobres do terceiro e quarto mundos. Tudo leva a crer que, infelizmente, enquanto os Padres sinodais estiverem reunidos, em v\u00e1rias partes do mundo continuar\u00e3o a perpetrar-se actos de viol\u00eancia, terrorismo e guerras. Ao mesmo tempo, muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s ser\u00e3o v\u00edtimas de diversas doen\u00e7as, como por exemplo a sida, que semear\u00e3o desola\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias camadas da popula\u00e7\u00e3o, sobretudo nos pa\u00edses pobres. Persistir\u00e1, infelizmente, o esc\u00e2ndalo da fome, fen\u00f3meno que se tem agravado nos \u00faltimos anos, uma vez que mais de um bili\u00e3o de pessoas vive na mis\u00e9ria. Devem, portanto, ter-se em conta alguns fen\u00f3menos relativos \u00e0 realidade social, nomeadamente a fome, que n\u00e3o podem ser neglicenciados ao tratar da rela\u00e7\u00e3o da Igreja com o mundo em termos de evangeliza\u00e7\u00e3o. A Igreja, de facto, desde sempre associou o an\u00fancio do Evangelho e a transmiss\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos sacramentos \u00e0s obras da promo\u00e7\u00e3o humana em tantos campos da vida social, como a sa\u00fade, a assist\u00eancia humanit\u00e1ria e a educa\u00e7\u00e3o. Da\u00ed que n\u00e3o se possa esquecer, entre outras coisas, o facto de, entre 1999 e 2001, ter havido no mundo 842 milh\u00f5es de pessoas subalimentadas, 798 milh\u00f5es das quais nos pa\u00edses em vias de desenvolvimento, sobretudo na \u00c1frica a Sul do Sahara, na \u00c1sia e no Pac\u00edfico.[9] Uma realidade t\u00e3o dram\u00e1tica n\u00e3o pode ficar alheia \u00e0 reflex\u00e3o dos Padres sinodais, que, como todos os crist\u00e3os, v\u00e1rias vezes ao dia rezam ao Senhor: \u201co p\u00e3o nosso de cada dia nos dai hoje\u201d.  A Eucaristia nos diversos contextos da Igreja 6. Das respostas aos Lineamenta emerge o facto de a frequ\u00eancia \u00e0 Missa dominical ser bastante elevada nas diversas Igrejas particulares das na\u00e7\u00f5es africanas e nalgumas da \u00c1sia. D\u00e1-se o fen\u00f3meno oposto na maior parte dos pa\u00edses europeus e americanos e nalguns da Oce\u00e2nia, atingindo m\u00ednimos percentuais de 5%. Os fi\u00e9is que neglicenciam o preceito dominical, n\u00e3o d\u00e3o, na maior parte das vezes, grande import\u00e2ncia \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na Missa. No fundo, at\u00e9 nem sabem o que seja verdadeiramente o Sacrif\u00edcio e banquete eucar\u00edsticos, que juntam os fi\u00e9is \u00e0 volta do altar. A Missa pr\u00e9-festiva d\u00e1 a muitos a possibilidade de satisfazer o preceito, embora se aproveite, em certos casos, para realizar actividades laborais no Domingo. Em muitos lugares, a Missa nos dias de semana \u00e9 frequentada por poucas pessoas, quem de forma habitual, quem ocasionalmente e quem por andar envolvido na vida eclesial. Deveria encorajar-se uma mais constante e intensa actividade de catequese sobre a import\u00e2ncia e o dever de participar na Santa Missa aos Domingos e dias de preceito. Por vezes, desvaloriza-se o preceito, ao afirmar que \u00e9 suficiente observ\u00e1-lo quando o estado de \u00e2nimo o sugerir.  7. \u00c9 poss\u00edvel individuar, nas Igrejas particulares, alguns fen\u00f3menos significativos. Assiste-se a um decl\u00ednio na pr\u00e1tica da f\u00e9 e na frequ\u00eancia da Missa, sobretudo da parte dos jovens. Da\u00ed a necessidade de reflectir sobre quanto tempo os pastores e os catequistas dedicam \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos jovens e das crian\u00e7as \u00e0 f\u00e9 e quanto dedicam a outras actividades, como as sociais. Assiste-se, nas sociedades secularizadas, a uma quebra do sentido do mist\u00e9rio, em parte tamb\u00e9m devido a interpreta\u00e7\u00f5es e comportamentos contr\u00e1rios ao sentido da reforma lit\u00fargica conciliar e que levam a ritos banais e pobres de sentido espiritual. Noutros lugares, as comunidades crist\u00e3s conservaram um profundo sentido do mist\u00e9rio, e a\u00ed a liturgia continua a ter um grande significado. Exprime-se a satisfa\u00e7\u00e3o por uma liturgia inculturada que permite obter uma melhor participa\u00e7\u00e3o activa na mesma. O resultado \u00e9 uma maior participa\u00e7\u00e3o na Missa, com muitos jovens e adultos a participar na vida e miss\u00e3o da Igreja. Quando, nas \u00e1reas rurais, por falta de clero, a Missa \u00e9 celebrada uma ou outra vez por m\u00eas, se n\u00e3o por ano, \u00e9 inevit\u00e1vel que o servi\u00e7o dominical seja confiado a leigos.  8. Deve esclarecer-se que o acesso ao mist\u00e9rio depende de uma digna celebra\u00e7\u00e3o da liturgia, da sua esmerada prepara\u00e7\u00e3o e sobretudo da f\u00e9 no pr\u00f3prio mist\u00e9rio. Para o efeito, \u00e9 de grande ajuda a Enc\u00edclica Redemptoris missio, que p\u00f4s em evid\u00eancia os dois aspectos da falta de f\u00e9 que est\u00e3o a incidir negativamente no fervor mission\u00e1rio: a seculariza\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o e o relativismo religioso. A primeira leva certamente a empenhar-se em favor do homem, mas de um homem limitado \u00e0 sua dimens\u00e3o horizontal.[10] H\u00e1 quem d\u00ea a impress\u00e3o de vincular a voca\u00e7\u00e3o de ministro dos mist\u00e9rios de Deus \u00e0 de um promotor da justi\u00e7a social. O segundo leva a eliminar a verdade do cristianismo, ao considerar que uma religi\u00e3o vale tanto como a outra.[11] Em vez de ficar em lamenta\u00e7\u00f5es, Jo\u00e3o Paulo II, na Carta Apost\u00f3lica Novo millennio ineunte, exorta a refor\u00e7ar a ac\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja.[12] O tema do S\u00ednodo pode ser tratado de forma correcta se se tem em conta semelhante contexto e se n\u00e3o se esquece que, para os Ap\u00f3stolos e para os Santos Padres \u2013 basta pensar em S\u00e3o Justino\u2013,[13] a Eucaristia \u00e9 a ac\u00e7\u00e3o mais santa da Igreja, que acredita firmemente que nela est\u00e1 presente o Senhor Jesus Ressuscitado. Essa presen\u00e7a \u00e9 o efeito fundamental do sacramento. \u00c9 precisamente esse acontecimento, resultante da transforma\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies do p\u00e3o e do vinho, que leva a Igreja a aproximar-se, sempre com temor e tremor e, ao mesmo tempo, com confian\u00e7a ao mist\u00e9rio que constitui a ess\u00eancia da liturgia. Hoje sente-se a necessidade de reafirmar o respeito para com o mist\u00e9rio da Eucaristia e a consci\u00eancia da sua intangibilidade. Da\u00ed que se deva seguir um programa articulado de forma\u00e7\u00e3o. Muito por\u00e9m depender\u00e1 da exist\u00eancia de lugares exemplares, onde se acredite verdadeiramente na Eucaristia, se a celebre de maneira correcta e se possa viver pessoalmente o que ela \u00e9: a \u00fanica verdadeira resposta \u00e0 busca do sentido da vida, que caracteriza o homem de todas as latitudes.  A Eucaristia e o sentido crist\u00e3o da vida 9. O homem interroga-se sobre o sentido da vida: para que serve a minha vida? O que \u00e9 a liberdade? Porque existe o sofrimento e a morte? Existe algo para al\u00e9m da morte? Numa palavra, a vida do homem tem ou n\u00e3o um sentido?[14] A interroga\u00e7\u00e3o persiste, mesmo quando o homem se ilude de ter alcan\u00e7ado a auto-sufici\u00eancia ou se deixa dominar do medo e incerteza. A religi\u00e3o \u00e9 a resposta definitiva \u00e0 pergunta sobre o sentido da vida, porque leva o homem \u00e0 verdade sobre si mesmo na rela\u00e7\u00e3o com o verdadeiro Deus. A Eucaristia, que revela o sentido crist\u00e3o da vida,[15] responde a essa pergunta, anunciando a ressurrei\u00e7\u00e3o e a presen\u00e7a verdadeira, plena e duradoura do Senhor, como penhor da gl\u00f3ria futura. Isso implica que o homem ponha a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus na base de tudo, porque Ele \u00e9 a fonte de liberdade que lhe permite entrar no mais profundo de si mesmo para gratuitamente se entregar. Isso acontece no mist\u00e9rio pascal, onde a verdade e o amor se encontram, mostrando serem eles os distintivos da verdadeira religi\u00e3o. Assim, a Eucaristia confirma a verdade da Palavra de Deus: nihil hoc verbo veritatis verius, como canta o hino Adoro Te devote.  O sentido da Eucaristia \u00e9 integralmente explicado pelas palavras de Jesus: \u201cFazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u201d (Lc 22,19). Em primeiro lugar, estas palavras anunciam que Jesus Cristo introduziu no tempo a eternidade, dando ao mesmo a orienta\u00e7\u00e3o definitiva e eliminando o seu poder de aniquilamento. Em segundo lugar, com essas palavras, p\u00f5e-se em evid\u00eancia que a liberdade de Deus e a do homem se encontram em Jesus, criando uma comunh\u00e3o que permite derrotar o maligno. Por fim, essas palavras est\u00e3o a significar que Jesus Cristo \u00e9 a fonte inesgot\u00e1vel de renova\u00e7\u00e3o do homem e do mundo, n\u00e3o obstante os limites e o pecado dos homens.  10. As respostas aos Lineamenta denunciam um certo afastamento da vida pastoral em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Eucaristia. Por isso, se espera do S\u00ednodo um encorajamento a refor\u00e7ar a liga\u00e7\u00e3o entre a vida e a miss\u00e3o. A Eucaristia \u00e9 a resposta aos sinais dos tempos da cultura contempor\u00e2nea. \u00c0 cultura da morte, a Eucaristia responde com a cultura da vida. Contra o ego\u00edsmo individual e social, a Eucaristia afirma a doa\u00e7\u00e3o total. Ao \u00f3dio e ao terrorismo, a Eucaristia contrap\u00f5e o amor. Perante o positivismo cient\u00edfico, a Eucaristia proclama o mist\u00e9rio. Opondo-se ao desespero, a Eucaristia ensina a esperan\u00e7a segura da eternidade feliz. A Eucaristia mostra que a Igreja e o futuro do g\u00e9nero humano est\u00e3o ligados a Cristo, \u00fanica rocha verdadeiramente duradoura, e n\u00e3o a qualquer outra realidade. Por isso, a vit\u00f3ria de Cristo \u00e9 o povo crist\u00e3o que cr\u00ea, celebra e vive o mist\u00e9rio eucar\u00edstico.  <i>Cap\u00edtulo II<\/i> A EUCARISTIA E A COMUNH\u00c3O ECLESIAL \u201cUma vez que existe um s\u00f3 p\u00e3o, n\u00f3s, que somos muitos,  formamos um s\u00f3 corpo,  visto participarmos todos desse \u00fanico p\u00e3o\u201d (1 Cor 10,17)  O mist\u00e9rio eucar\u00edstico, express\u00e3o de unidade eclesial 11. Ao exortar os fi\u00e9is a fugir da idolatria, abstendo-se de comer a carne imolada aos \u00eddolos, S\u00e3o Paulo real\u00e7a o estreito v\u00ednculo de comunh\u00e3o dos crist\u00e3os com o sangue de Cristo e com o seu corpo, capaz de formar da multid\u00e3o dos fi\u00e9is uma s\u00f3 comunidade, uma s\u00f3 Igreja (cf. 1 Cor 8,1-10). O tema da comunh\u00e3o eclesial foi objecto de particular aten\u00e7\u00e3o por parte do Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II.[16] Tanto \u00e9 que o tema foi particularmente evidenciado na rela\u00e7\u00e3o final da II Assembleia Geral Extraordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, celebrada para comemorar o 25\u00b0 anivers\u00e1rio de dito Conc\u00edlio,[17] bem como num documento que a Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 enviou aos Bispos da Igreja Cat\u00f3lica.[18] O tema foi tamb\u00e9m amplamente tratado no cap\u00edtulo VI da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica post-sinodal Pastores gregis, promulgada pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II a seguir \u00e0 X Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos. Nesse documento pontif\u00edcio, que recolhe a reflex\u00e3o sinodal sobre o tema, \u00e9 posto em evid\u00eancia como a comunh\u00e3o dos Bispos com o Sucessor de Pedro, sinal da unidade entre a Igreja universal e as Igrejas particulares, tem um ponto culminante na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica dos Bispos com o Papa durante as visitas ad limina. A Eucaristia presidida pelo Santo Padre e concelebrada pelos Pastores das Igrejas particulares exprime de forma excelente a unidade da Igreja. Essa concelebra\u00e7\u00e3o ajuda a compreender mais claramente que \u201ctoda a Eucaristia [\u2026] \u00e9 celebrada em comunh\u00e3o com o Bispo pr\u00f3prio, com o Romano Pont\u00edfice e com o Col\u00e9gio Episcopal e, atrav\u00e9s destes, com os fi\u00e9is da Igreja particular e da Igreja inteira, de modo que a Igreja universal est\u00e1 presente na Igreja particular e esta est\u00e1 inserida, com as demais Igrejas particulares, na comunh\u00e3o da Igreja universal\u201d.[19] Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tem\u00e1tica da Eucaristia como express\u00e3o da comunh\u00e3o eclesial, emergem das respostas aos Lineamenta os seguintes temas, que merecem um tratamento especial: rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e a Igreja; rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e os outros sacramentos, em especial a Penit\u00eancia; rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e os fi\u00e9is; sombras na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia.  A rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e a Igreja, \u2018Esposa e Corpo de Cristo\u2019 12. A Eucaristia \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o eclesial. O Conc\u00edlio, entre tantas imagens da Igreja, privilegiou uma que exprime toda a sua realidade: a de mist\u00e9rio. Antes de mais, a Igreja \u00e9 mist\u00e9rio do encontro entre Deus e a humanidade; por isso, a Igreja \u00e9 Esposa e Corpo de Cristo, Povo de Deus e M\u00e3e. A m\u00fatua rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e a Igreja permite aplicar a ambas as notas do Credo: una, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica, que a Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia veio explicar ulteriormente.[20] A Eucaristia edifica a Igreja e a Igreja \u00e9 o lugar onde se realiza a comunh\u00e3o com Deus e com os homens. A Igreja \u00e9 consciente que a Eucaristia \u00e9 o sacramento da unidade e da santidade, da apostolicidade e da catolicidade, sacramento essencial para a Igreja, esposa de Cristo e seu corpo. As notas da Igreja s\u00e3o, ao mesmo tempo, os v\u00ednculos da comunh\u00e3o cat\u00f3lica, que d\u00e3o legitimidade \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. Jo\u00e3o Paulo II recordava que \u201ca Igreja \u00e9 o corpo de Cristo: caminha-se \u2018com Cristo\u2019 na medida em que se est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u2018com o seu corpo\u2019\u201d.[21] \u00c9 aqui onde encontram o seu verdadeiro sentido o cumprimento das normas e o decoro da celebra\u00e7\u00e3o: trata-se da obedi\u00eancia a Cristo por parte da Igreja, sua esposa.  13. A Igreja faz a Eucaristia e a Eucaristia faz a Igreja. Embora tenham sido ambas institu\u00eddas por Cristo, uma em vista da outra, os dois termos da conhecida m\u00e1xima n\u00e3o s\u00e3o equivalentes. Se a Eucaristia faz crescer a Igreja, porque no sacramento se encontra Cristo vivo, ainda antes Ele quis a Igreja para que esta celebre a Eucaristia. Os crist\u00e3os do Oriente d\u00e3o especial realce ao facto que, desde a cria\u00e7\u00e3o, a Igreja preexiste \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o terrena. A perten\u00e7a \u00e0 Igreja \u00e9 priorit\u00e1ria, para se poder ter acesso aos sacramentos: n\u00e3o se pode aceder \u00e0 Eucaristia, sem antes ter recebido o Baptismo, ou n\u00e3o se pode voltar \u00e0 Eucaristia, sem antes ter recebido a Penit\u00eancia, o chamado baptismo \u2018laboriosus\u2019 para os pecados graves. Desde as suas origens e para exprimir essa urg\u00eancia proped\u00eautica, a Igreja instituiu, respectivamente, o catecumenato para a inicia\u00e7\u00e3o e o itiner\u00e1rio penitencial para a reconcilia\u00e7\u00e3o. Por outro lado, n\u00e3o h\u00e1 Eucaristia v\u00e1lida e leg\u00edtima sem o sacramento da Ordem. \u00c9 por isso que a Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia fala de \u201cinfluxo causal da Eucaristia na pr\u00f3pria origem da Igreja\u201d,[22] e de uma estreita liga\u00e7\u00e3o entre uma e outra.[23] Com tais premissas, compreende-se melhor a afirma\u00e7\u00e3o de que \u201ca celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia n\u00e3o pode ser o ponto de partida da comunh\u00e3o, cuja exist\u00eancia ela pressup\u00f5e e a cuja consolida\u00e7\u00e3o e perfei\u00e7\u00e3o se destina. O sacramento exprime esse v\u00ednculo de comunh\u00e3o, tanto na dimens\u00e3o invis\u00edvel [\u2026] como na vis\u00edvel [\u2026] A rela\u00e7\u00e3o \u00edntima entre os elementos invis\u00edveis e os elementos vis\u00edveis da comunh\u00e3o eclesial \u00e9 constitutiva da Igreja, enquanto sacramento de salva\u00e7\u00e3o. S\u00f3 neste contexto t\u00eam lugar a celebra\u00e7\u00e3o leg\u00edtima da Eucaristia e a aut\u00eantica participa\u00e7\u00e3o nela\u201c.[24] Falar de eclesiologia eucar\u00edstica n\u00e3o significa que, na Igreja, tudo se possa deduzir da Eucaristia, que todavia n\u00e3o deixa de ser fonte e \u00e1pice da vida eclesial. Diz, com efeito, o Conc\u00edlio Vaticano II que \u201ca Sagrada Liturgia n\u00e3o esgota toda a ac\u00e7\u00e3o da Igreja, porque os homens, antes de poderem participar na Liturgia, t\u00eam de escutar o apelo \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 convers\u00e3o\u201d.[25] O espa\u00e7o onde naturalmente se desenrola a vida eclesial \u00e9 a par\u00f3quia. Devidamente renovada e animada, deveria ser ela o lugar pr\u00f3prio para a forma\u00e7\u00e3o e o culto eucar\u00edstico, uma vez que, como ensinava o Papa Jo\u00e3o Paulo II, a par\u00f3quia \u00e9 \u201ca comunidade de baptizados que exprime e afirma a sua identidade sobretudo atrav\u00e9s da celebra\u00e7\u00e3o do Sacrif\u00edcio eucar\u00edstico\u201d.[26] Por outro lado, ela tamb\u00e9m ter\u00e1 de servir-se da experi\u00eancia e do contributo dos movimentos e das novas comunidades que, sob o impulso do Esp\u00edrito Santo, souberam valorizar, segundo os pr\u00f3prios carismas, os elementos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, ajudando assim muitos fi\u00e9is a descobrir a beleza da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, cujo centro, \u00e9 para todos os membros da comunidade paroquial, o sacramento da Eucaristia.   14. A express\u00e3o lit\u00fargica da eclesiologia cat\u00f3lica encontra-se na an\u00e1fora, atrav\u00e9s dos chamados d\u00edticos, que lembram a dimens\u00e3o eucar\u00edstica do primado do Papa, Bispo de Roma, qual elemento interior para a Igreja universal, an\u00e1logo ao do Bispo para a Igreja particular.[27] \u00c9 a \u00fanica Eucaristia que congrega na unidade a Igreja contra toda a fragmenta\u00e7\u00e3o. A \u00fanica Igreja querida por Cristo aponta sempre para uma Eucaristia, que se realiza em comunh\u00e3o com o col\u00e9gio apost\u00f3lico, cujo Chefe \u00e9 o Sucessor de Pedro. \u00c9 esse o v\u00ednculo que d\u00e1 legitimidade \u00e0 Eucaristia. N\u00e3o \u00e9 conforme com a unidade eucar\u00edstica querida por Cristo limitar-se a uma comunh\u00e3o transversal entre as Igrejas chamadas irm\u00e3s. \u00c9 elemento intr\u00ednseco ao sacramento a comunh\u00e3o com o Sucessor de Pedro, princ\u00edpio de unidade na Igreja, deposit\u00e1rio do carisma de unidade e universalidade, que \u00e9 o carisma petrino. Portanto, a unidade eclesial manifesta-se na unidade sacramental e eucar\u00edstica dos crist\u00e3os.  A rela\u00e7\u00e3o entra a Eucaristia e os outros sacramentos 15. Existe uma rela\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da Eucaristia com os demais sacramentos. A tal respeito, h\u00e1 que ter presente, por um lado, que, segundo o Conc\u00edlio de Trento, os sacramentos \u201ccont\u00eam a gra\u00e7a que significam\u201d e conferem-na em for\u00e7a da sua celebra\u00e7\u00e3o.[28] Por outro lado, todos os sacramentos, ali\u00e1s como todos os minist\u00e9rios eclesi\u00e1sticos e obras de apostolado, est\u00e3o estreitamente unidos \u00e0 sagrada Eucaristia e a ela se ordenam.[29] Portanto, o sacramento da Eucaristia \u00e9 \u201ca perfei\u00e7\u00e3o das perfei\u00e7\u00f5es\u201d.[30]  A rela\u00e7\u00e3o com a Eucaristia n\u00e3o se limita \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, mas toca de modo especial a ess\u00eancia de cada sacramento. O sacramento do Baptismo \u00e9 indispens\u00e1vel para entrar na comunh\u00e3o eclesial, que \u00e9 refor\u00e7ada pelos outros sacramentos, oferecendo ao crente \u201cgra\u00e7a sobre gra\u00e7a\u201d (Jo 1,16). \u00c9 conhecida a rela\u00e7\u00e3o fundamental entre o Baptismo e a Eucaristia, enquanto fonte da vida crist\u00e3. Nas Igrejas de tradi\u00e7\u00e3o oriental, recebe-se com o Baptismo tamb\u00e9m a Sagrada Comunh\u00e3o, enquanto nas Igrejas de tradi\u00e7\u00e3o latina acede-se \u00e0 Eucaristia na idade da raz\u00e3o, e s\u00f3 depois de ter recebido o Baptismo. As respostas aos Lineamenta recomendam que se explicite a rela\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica entre o Baptismo e a Eucaristia como \u00e1pice da inicia\u00e7\u00e3o, mesmo que isso n\u00e3o deva levar necessariamente a celebrar o Baptismo sempre na Missa. N\u00e3o faltam preocupa\u00e7\u00f5es sobre a qualidade de uma adequada catequese em mat\u00e9ria.  16. Existe uma liga\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica entre a Confirma\u00e7\u00e3o e a Eucaristia, porque o Esp\u00edrito Santo leva o homem a acreditar no Senhor Jesus Cristo. Para melhor evidenciar essa liga\u00e7\u00e3o, nalgumas Igrejas particulares voltou-se \u00e0 pr\u00e1tica de administrar a Confirma\u00e7\u00e3o entes da Comunh\u00e3o.  A Eucaristia \u00e9 o \u00e1pice de um verdadeiro itiner\u00e1rio da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Viver como crist\u00e3o significa tornar actual o dom do Baptismo, reavivado pelo Crisma e alimentado com uma participa\u00e7\u00e3o regular na Santa Missa nos Domingos e dias de preceito. Constata-se que, com frequ\u00eancia, se delega nos sacerdotes a administra\u00e7\u00e3o do Crisma, com o consequente risco de p\u00f4r em segundo plano o facto de o Bispo ser o seu ministro origin\u00e1rio. Assim se tira aos novos crismados a oportunidade de se encontrarem com o pai e chefe vis\u00edvel da Igreja particular.  17. Algumas respostas levantam a quest\u00e3o da idade ideal de receber o sacramento do Crisma na Igreja de tradi\u00e7\u00e3o latina, considerados os bons resultados espirituais e pastorais de uma administra\u00e7\u00e3o da Sagrada Comunh\u00e3o nos primeiros anos da inf\u00e2ncia. Seria o caso de recordar, a prop\u00f3sito, a constata\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II no seu livro \u201cAlzatevi, andiamo!\u201d,[31] que mais recentemente observava que \u201cas crian\u00e7as s\u00e3o o presente e o futuro da Igreja. Desempenham um papel activo na evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo, e com as suas ora\u00e7\u00f5es contribuem para salv\u00e1-lo e melhor\u00e1-lo\u201d.[32]  No passado e em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo tema, com o Decreto Quam singulari, passou-se a admitir as crian\u00e7as \u00e0 Eucaristia a partir dos sete anos, idade considerada do uso da raz\u00e3o, quando j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel distinguir o p\u00e3o eucar\u00edstico do p\u00e3o comum, fazendo-a preceder da confiss\u00e3o sacramental.[33] Tal orienta\u00e7\u00e3o parece ser hoje mais necess\u00e1ria, quando se alcan\u00e7a com maior precocidade o uso da raz\u00e3o, com os seus perigos e tenta\u00e7\u00f5es. Semelhante pr\u00e1tica evidencia o primado da gra\u00e7a, com grandes benef\u00edcios para a Igreja, inclusive em termos de promo\u00e7\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es sacerdotais.  18. A rela\u00e7\u00e3o entre a Sagrada Ordem e a Eucaristia \u00e9 vis\u00edvel precisamente na Missa presidida pelo bispo ou pelo sacerdote in persona Christi capitis. A doutrina da Igreja faz da Ordem a condi\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel para a validade da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia.  Da\u00ed a insistente recomenda\u00e7\u00e3o de se evidenciar \u201ca fun\u00e7\u00e3o sacerdotal do sacerd\u00f3cio ministerial na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, diferente do sacerd\u00f3cio comum dos fi\u00e9is na ess\u00eancia e n\u00e3o apenas no grau\u201d.[34] At\u00e9 por isso, se deve recomendar que os presb\u00edteros participem na Eucaristia como celebrantes, desempenhando a fun\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da sua ordem.[35]  19. \u00c9 costume, nas Igrejas de tradi\u00e7\u00e3o latina, celebrar o Matrim\u00f3nio durante a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, contrariamente ao que acontece nas Igrejas orientais. Quando o Matrim\u00f3nio for celebrado na Missa, aproveite-se para indicar como modelo do amor crist\u00e3o o amor com que Jesus Cristo, na Eucaristia, ama a sua Igreja como sua esposa, a ponto de dar a vida por ela. Deve acenar-se a esse amor esponsal, tamb\u00e9m quando o sacramento do Matrim\u00f3nio for celebrado fora da Missa.[36] A Eucaristia \u00e9, portanto, a fonte inesgot\u00e1vel da unidade e do amor indissol\u00favel do Matrim\u00f3nio e torna-se o alimento de toda a fam\u00edlia na constru\u00e7\u00e3o de um lar crist\u00e3o.  20. A rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e a Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos tem a sua origem \u2018institutiva\u2019, ali\u00e1s como todos os sacramentos, na pessoa de Cristo, que manifestava na solicitude para com os enfermos de toda a esp\u00e9cie o sentido da sua miss\u00e3o de curar e salvar o homem. Nas respostas aos Lineamenta recomenda-se que se apresente a rela\u00e7\u00e3o entre a Un\u00e7\u00e3o e a Eucaristia como consola\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a na doen\u00e7a, mais que como \u00faltimo Vi\u00e1tico. Convidam-se os ministros extraordin\u00e1rios da Comunh\u00e3o a serem sol\u00edcitos com os doentes graves e com as pessoas anci\u00e3s impedidas de participar fisicamente na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica na igreja. Para bem destes, seria muito oportuno, como sugerem algumas respostas, potenciar o uso dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social na transmiss\u00e3o de Santas Missas e de outras celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. Ao utilizar essa moderna tecnologia, conv\u00e9m que quantos nela se empenham recebam uma adequada forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, pedag\u00f3gica e cultural.  21. Sobre a integra\u00e7\u00e3o dos sacramentos na Missa, as normas lit\u00fargicas das Igrejas orientais n\u00e3o a prev\u00eaem, embora se d\u00eaem, aqui e al\u00e9m, algumas excep\u00e7\u00f5es com o Baptismo e o Matrim\u00f3nio. Cabe a cada Igreja emanar oportunas normas em mat\u00e9ria. Para as Igrejas particulares de Rito latino, as respostas mostram que a integra\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de modo diversificado, conforme os costumes, que variam de pa\u00eds para pa\u00eds. H\u00e1 dioceses que t\u00eam normas para regular a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos e dos sacramentais durante a Missa, sobretudo os Matrim\u00f3nios mistos e os funerais de n\u00e3o praticantes.  Os Rituais normalmente distinguem, como fazem nomeadamente os do Baptismo e da Penit\u00eancia, entre rito individual e rito comunit\u00e1rio. Se bem que do ponto de vista pastoral se prefira este \u00faltimo, n\u00e3o se deve cair numa esp\u00e9cie de comunitarismo, j\u00e1 porque o sacramento \u00e9 sempre um dom ao indiv\u00edduo e tamb\u00e9m porque o fiel tem direito, sob determinadas condi\u00e7\u00f5es, a uma administra\u00e7\u00e3o individual do sacramento.   A estreita liga\u00e7\u00e3o da Eucaristia com a Penit\u00eancia 22. O sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o restabelece os v\u00ednculos de comunh\u00e3o que o pecado mortal rompeu.[37] Merece, portanto, especial aten\u00e7\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o da Eucaristia com o sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. As respostas evidenciam a necessidade de reprop\u00f4-la no contexto da rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e a Igreja, e como condi\u00e7\u00e3o para encontrar e adorar o Senhor, que \u00e9 o Sant\u00edssimo, em esp\u00edrito de santidade e de cora\u00e7\u00e3o puro. Ele lavou os p\u00e9s aos Ap\u00f3stolos para indicar a santidade do mist\u00e9rio. O pecado, como afirma S\u00e3o Paulo, provoca uma profana\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, porque os nossos corpos s\u00e3o membros de Cristo (cf. 1 Cor 6,15-17). Diz, por exemplo, S\u00e3o Ces\u00e1rio de Arles: \u201cTodas as vezes que entramos na igreja, arrumemos as nossas almas como desejar\u00edamos encontrar o templo de Deus. Queres encontrar uma bas\u00edlica toda esplendente? N\u00e3o manches a tua alma com a sujeira do pecado\u201d.[38] A rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e a Penit\u00eancia na sociedade de hoje depende muito do sentido do pecado e do sentido de Deus. A distin\u00e7\u00e3o entre o bem e o mal facilmente se torna subjectiva. O homem moderno, insistindo unilateralmente no ju\u00edzo da pr\u00f3pria consci\u00eancia, corre o risco de alterar profundamente o sentido do pecado.   23. S\u00e3o muitas as respostas aos Lineamenta que fazem refer\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e a Reconcilia\u00e7\u00e3o. Em muitos pa\u00edses perdeu-se ou est\u00e1-se a perder a no\u00e7\u00e3o da necessidade de se converter para receber a Eucaristia A rela\u00e7\u00e3o com a Penit\u00eancia nem sempre \u00e9 entendida como a necessidade de estar em estado de gra\u00e7a no momento de receber a Comunh\u00e3o, e por isso neglicencia-se a obriga\u00e7\u00e3o de confessar os pecados mortais.[39]  A pr\u00f3pria ideia de Comunh\u00e3o como \u201calimento para a viagem\u201d levou a relativizar a necessidade do estado de gra\u00e7a. Ao contr\u00e1rio, como o alimentar-se pressup\u00f5e um organismo vivo e sadio, assim a Eucaristia exige o estado de gra\u00e7a para refor\u00e7ar o compromisso baptismal: n\u00e3o se pode estar em estado de pecado mortal para receber Aquele que \u00e9 o rem\u00e9dio da imortalidade e o ant\u00eddoto para n\u00e3o morrer.[40] Muitos fi\u00e9is sabem que n\u00e3o se pode receber a Comunh\u00e3o em pecado mortal, mas falta-lhes uma ideia clara do que seja o pecado mortal. E h\u00e1 quem j\u00e1 nem se interrogue sobre isso. Cria-se com frequ\u00eancia o c\u00edrculo vicioso: \u201cn\u00e3o comungo, porque n\u00e3o me confessei, e n\u00e3o me confesso, porque n\u00e3o cometi pecados\u201d: As causas podem ser v\u00e1rias, mas uma das principais \u00e9 a falta de catequese sobre o tema. Um outro fen\u00f3meno muito comum \u00e9 o de n\u00e3o facilitar com hor\u00e1rios apropriados o acesso ao sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. Em certos pa\u00edses, n\u00e3o se celebra a Penit\u00eancia individual; ao m\u00e1ximo, faz-se duas vezes por ano uma celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, segundo uma modalidade a meio caminho entre a II e a III f\u00f3rmulas previstas no Ritual. N\u00e3o se pode certamente ignorar a grande despropor\u00e7\u00e3o entre os muitos que comungam e os poucos que se confessam. \u00c9 muito frequente os fi\u00e9is receberem a Comunh\u00e3o sem pensar no estado de pecado grave em que possam encontrar-se. Da\u00ed que a ida \u00e0 Comunh\u00e3o da parte de divorciados casados \u00e0 civil com novas n\u00fapcias seja um fen\u00f3meno frequente em v\u00e1rios pa\u00edses. Nas Missas de funerais ou de n\u00fapcias e noutras, muitos se abeiram da Comunh\u00e3o s\u00f3 por uma generalizada convic\u00e7\u00e3o de que a Missa n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida sem a Comunh\u00e3o.  24. Perante tais realidades pastorais, muitas respostas reagem todavia de forma encorajadora. Pedem para ajudar as pessoas a tomarem consci\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es de receber a Comunh\u00e3o e da necessidade da Penit\u00eancia que, precedida do exame de consci\u00eancia, prepara o cora\u00e7\u00e3o, purificando-o do pecado. Para o efeito, conviria que o celebrante falasse com frequ\u00eancia, mesmo na homilia, da rela\u00e7\u00e3o entre os dois sacramentos. Foi expresso o desejo de, em todo o lugar, voltar a dar ao jejum eucar\u00edstico a rigorosa aten\u00e7\u00e3o que as Igrejas do Oriente continuam a dar-lhe.[41] O jejum, com efeito, como auto-dom\u00ednio, empenha a vontade e leva \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o da mente e do cora\u00e7\u00e3o. Diz Santo Atan\u00e1sio: \u201cQueres saber o que o jejum faz? [\u2026] Expulsa os dem\u00f3nios e liberta dos maus pensamentos, alegra a mente e purifica o cora\u00e7\u00e3o\u201d.[42] Na liturgia quaresmal apela-se frequentemente para a purifica\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do jejum e do sil\u00eancio, como recomenda S\u00e3o Bas\u00edlio.[43] Uma ou outra resposta aos Lineamenta pergunta se n\u00e3o conviria voltar \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o das tr\u00eas horas de jejum eucar\u00edstico. Convida-se a envidar esfor\u00e7os para promover a pr\u00e1tica da reconcilia\u00e7\u00e3o individual, atrav\u00e9s da colabora\u00e7\u00e3o inter-paroquial aos S\u00e1bados e Domingos, sobretudo no Advento e Quaresma. Muito mais poderia ser feito a n\u00edvel da prega\u00e7\u00e3o e da catequese para recuperar o sentido do pecado e a pr\u00e1tica penitencial, superando as dificuldades criadas pela mentalidade secularizada. Considera-se necess\u00e1rio dar a possibilidade de se confessar antes da Missa, adaptando os hor\u00e1rios \u00e0 real situa\u00e7\u00e3o dos penitentes, e mesmo durante a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, como recomenda o Motu Pr\u00f3prio Miseric\u00f3rdia Dei.[44] Haver\u00e1 que estimular os sacerdotes a uma maior disponibilidade para o minist\u00e9rio da Confiss\u00e3o, qual ocasi\u00e3o privilegiada de se tornarem sinais e instrumentos da miseric\u00f3rdia de Deus. A Igreja \u00e9, todavia, profundamente grata com os sacerdotes que devotadamente exercem esse minist\u00e9rio, preparando assim os fi\u00e9is a encontrarem e receberem Cristo na Eucaristia. Os fi\u00e9is sentir-se-\u00e3o atra\u00eddos para o sacramento da Penit\u00eancia, sobretudo se virem o sacerdote no confession\u00e1rio, como testemunharam nos nossos dias S\u00e3o Leopoldo Mandi&#263;, S\u00e3o Pio de Pietrelcina e tantos outros santos pastores.  A rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e os fi\u00e9is 25. Os fi\u00e9is leigos, parte essencial da Igreja comunh\u00e3o, hierarquicamente estruturada, como ensinam o Conc\u00edlio Vaticano II e outros documentos do Magist\u00e9rio,[45] s\u00e3o chamados \u00e0 santa assembleia para participar na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. A Incarna\u00e7\u00e3o do Verbo, no Qual Deus Pai Se tornou vis\u00edvel, inaugurou o culto espiritual que se realiza segundo os ditames da raz\u00e3o no Esp\u00edrito Santo. O culto, portanto, j\u00e1 n\u00e3o pode ser um \u201carremedo de usos humanos\u201d (Is 29,13). O culto crist\u00e3o tem uma implica\u00e7\u00e3o cristol\u00f3gica e antropol\u00f3gica; da\u00ed que a participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is na liturgia, sobretudo na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, consista essencialmente em entrar nesse culto, em que Deus desce para o homem e o homem sobe para Deus. A pr\u00f3pria Eucaristia, memorial do Filho, \u00e9 o culto de adora\u00e7\u00e3o que no Esp\u00edrito sobe ao Pai. Tal \u00e9 o fundamento da renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica concebida pelo Conc\u00edlio Vaticano II. S\u00e3o muitos a constatar que a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia frequentemente se reduz aos aspectos exteriores. Nem todos compreendem o seu verdadeiro sentido, que nasce da f\u00e9 em Jesus Cristo, Filho de Deus. A participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia \u00e9 considerada justamente como acto prim\u00e1rio da vida da Igreja, como comunh\u00e3o com a vida trinit\u00e1ria: com o Pai, que \u00e9 fonte de todo o dom; com o Filho incarnado e ressuscitado, e com o Esp\u00edrito Santo, que opera a transforma\u00e7\u00e3o e a diviniza\u00e7\u00e3o da vida humana. As respostas aos Lineamenta convergem na necessidade de ajudar os fi\u00e9is a compreenderem a natureza da Eucaristia e a sua rela\u00e7\u00e3o com a Incarna\u00e7\u00e3o do Verbo; da\u00ed a necessidade de participar no mist\u00e9rio eucar\u00edstico com o cora\u00e7\u00e3o e a mente e sobretudo com a oferta de si pr\u00f3prio, mais que com actos externos. A esse prop\u00f3sito, sugere-se que se explicite a rela\u00e7\u00e3o esponsal da Eucaristia com a Nova Alian\u00e7a, como modelo das voca\u00e7\u00f5es do crist\u00e3o: matrim\u00f3nio, virgindade e sacerd\u00f3cio. Tudo isso tem como objectivo a forma\u00e7\u00e3o de pessoas e comunidades eucar\u00edsticas que amem e sirvam como Jesus na Eucaristia.  26. Conviria igualmente potenciar os meios de comunica\u00e7\u00e3o j\u00e1 existentes, sobretudo para facilitar a participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is que, por v\u00e1rias raz\u00f5es, se encontrem impedidos de participar pessoalmente nas celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas na igreja, como recomenda o Conc\u00edlio Vaticano II.[46] H\u00e1 propostas relativas aos meios de comunica\u00e7\u00e3o social da Santa S\u00e9, que, com a melhor sinergia poss\u00edvel, s\u00e3o capazes de oferecer, com tempestividade e compet\u00eancia, bons servi\u00e7os \u00e0 Igreja universal, at\u00e9 para reagir prontamente \u00e0 difus\u00e3o de princ\u00edpios anti-crist\u00e3os. Nesse empenho, deveriam ter papel relevante todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica. \u00c9 urgente potenci\u00e1-los para se propor de forma equilibrada e positiva a mensagem crist\u00e3, e assim iluminar a consci\u00eancia dos homens de boa vontade sobre temas \u00e9ticos e morais de grande import\u00e2ncia para a vida da Igreja e da sociedade.  Sombras na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia 27. A comunh\u00e3o eclesial \u00e9 gravemente perturbada e ferida por sombras que se verificam na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, e que tamb\u00e9m as respostas aos Lineamenta assinalam. O tema, j\u00e1 abordado pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II na Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia[47] e tratado com mais pormenor na Instru\u00e7\u00e3o Redemptionis sacramentum,[48] \u00e9 um convite a lan\u00e7ar um olhar atento e sereno, mas n\u00e3o menos cr\u00edtico, sobre a maneira como a Igreja celebra este Sacramento, que \u00e9 a fonte e o \u00e1pice da sua vida e miss\u00e3o. O facto de semelhante convite ter sido feito neste momento hist\u00f3rico, em que a Igreja se encontra cada vez mais empenhada no di\u00e1logo com as religi\u00f5es e com o mundo, \u00e9 uma inspira\u00e7\u00e3o providencial do Sucessor de Pedro, que mostra como a Igreja deva sempre olhar para si pr\u00f3pria, a fim de poder relacionar-se com os interlocutores, sem perder a sua identidade de sacramento universal de salva\u00e7\u00e3o. No presente texto, ser\u00e3o indicadas diversas sombras que emergem da an\u00e1lise das respostas aos Lineamenta. Tais relevos devem ser vistos n\u00e3o tanto como simples transgress\u00f5es das rubricas e das pr\u00e1ticas lit\u00fargicas, mas sobretudo como express\u00e3o de comportamentos mais profundos. Verifica-se uma quebra de frequ\u00eancia na celebra\u00e7\u00e3o do Dies Domini nos Domingos e dias de preceito, devida a uma insuficiente no\u00e7\u00e3o do conte\u00fado e significado do mist\u00e9rio eucar\u00edstico e ao indiferentismo, sobretudo nos pa\u00edses em acelerado processo de seculariza\u00e7\u00e3o, onde frequentemente o Domingo se transforma num dia de trabalho. \u00c9 frequente a ideia de que \u00e9 a comunidade que cria a presen\u00e7a de Cristo, em vez de ser Este a fonte e o centro da nossa comunh\u00e3o e a cabe\u00e7a do seu Corpo, que \u00e9 a Igreja. Est\u00e1-se a alterar o sentido do sagrado em rela\u00e7\u00e3o a este grande Sacramento, como efeito de um enfraquecimento da ora\u00e7\u00e3o, da contempla\u00e7\u00e3o e da adora\u00e7\u00e3o do Mist\u00e9rio eucar\u00edstico. Corre-se o risco de comprometer a verdade do dogma cat\u00f3lico da transforma\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus Cristo, tradicionalmente chamada transubstancia\u00e7\u00e3o e, por conseguinte, da presen\u00e7a real de Cristo na Eucaristia, num contexto de ideias que pretendem explicar o mist\u00e9rio eucar\u00edstico, n\u00e3o j\u00e1 em si mesmo, mas na perspectiva do sujeito com que se entra em rela\u00e7\u00e3o, por exemplo, com termos como transfinaliza\u00e7\u00e3o e transignifica\u00e7\u00e3o. Verifica-se uma incoer\u00eancia entre a f\u00e9 professada no Sacramento e a dimens\u00e3o moral, tanto na esfera pessoal como na mais vasta da cultura e da vida social. S\u00e3o pouco conhecidos os documentos da Igreja, nomeadamente os do Conc\u00edlio Vaticano II, as grandes enc\u00edclicas sobre a Eucaristia, inclusive a Ecclesia de Eucharistia, a Carta Apost\u00f3lica Mane nobiscum Domine e outros. Deixa de haver um justo equil\u00edbrio na celebra\u00e7\u00e3o: passa-se de um ritualismo passivo a uma criatividade exagerada, que por vezes assume express\u00f5es de protagonismo do celebrante da Eucaristia, caracterizado n\u00e3o raras vezes pela loquacidade e por coment\u00e1rios exagerados e compridos, que n\u00e3o deixam falar o ministro com o rito e as f\u00f3rmulas da liturgia.  <B>II\u00aa PARTE<\/b> A F\u00c9 DA IGREJA NO MIST\u00c9RIO DA EUCARISTIA  Cap\u00edtulo I A EUCARISTIA, DOM DE DEUS AO SEU POVO \u201cMist\u00e9rio da f\u00e9\u201d  A Eucaristia, mist\u00e9rio da f\u00e9 28. Com esta express\u00e3o o sacerdote que preside \u00e0 Eucaristia proclama maravilhado a f\u00e9 da Igreja no Senhor ressuscitado, realmente presente sob as esp\u00e9cies do p\u00e3o e do vinho, transformados pela gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo no Corpo e no Sangue do Senhor Jesus. \u00c9 conhecida a insist\u00eancia do magist\u00e9rio conciliar sobre a Eucaristia como centro e cora\u00e7\u00e3o da vida da Igreja e, antes de mais, como mist\u00e9rio da f\u00e9, des\u00edgnio de Deus revelado em Jesus Cristo. Deus que Se oferece Ele pr\u00f3prio a n\u00f3s, que est\u00e1 connosco, \u00e9 dom e mist\u00e9rio de inef\u00e1vel riqueza, dom e mist\u00e9rio que continuamente se devem descobrir. O Mysterium fidei \u00e9 Deus que Se d\u00e1 a n\u00f3s, o Primeiro, o \u00daltimo e o Vivente que entra no tempo. O Senhor Jesus \u00e9 verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus no meio de n\u00f3s; \u00e9 o Filho de Deus e o Filho do Homem. Um conhecido texto do Conc\u00edlio Vaticano II responde ao interrogativo sobre a f\u00e9 e sobre o mist\u00e9rio: \u201cO mist\u00e9rio do homem s\u00f3 se compreende verdadeiramente no mist\u00e9rio do Verbo Incarnado [\u2026]. Cristo, na mesma revela\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio do Pai e do seu amor, manifesta perfeitamente o homem ao pr\u00f3prio homem e descobre-lhe a sublimidade da sua voca\u00e7\u00e3o\u201d.[49]  A palavra mist\u00e9rio aparece, na citada passagem, tr\u00eas vezes, condensando a verdade sobre Cristo e a verdade sobre o homem. O mist\u00e9rio do Verbo, o mist\u00e9rio do Pai e o mist\u00e9rio do homem deixam de ser um enigma insol\u00favel para encontrarem resposta em Jesus Cristo, que \u00e9 verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Tornando-se \u201cverdadeiramente um de n\u00f3s\u201d e estando unido \u201cde certa maneira a todo o homem\u201d,[50] Ele abriu a quantos o queiram encontrar o caminho que leva ao sentido pleno da exist\u00eancia. N\u00e3o se alheou do humano, mas completou a verdade da cria\u00e7\u00e3o, porque \u201ctrabalhou com m\u00e3os humanas, pensou com uma mente humana, agiu com uma vontade humana, amou com um cora\u00e7\u00e3o humano\u201d.[51] Jo\u00e3o Paulo II havia retomado esse tema na sua primeira Enc\u00edclica, Redemptor hominis,[52] como a querer fazer dele o programa da Igreja, chamada a deduzir da verdade sobre Cristo a verdade sobre o homem, que se encontra no pr\u00f3prio Evangelho.  29. O facto e mist\u00e9rio da incarna\u00e7\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor Jesus Cristo, que permite ao homem participar na vida divina, est\u00e1 presente na Eucaristia, p\u00e3o de vida eterna, porque traz em si a for\u00e7a de vencer a morte. \u201cQuem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no \u00faltimo dia\u201d (Jo 6,54). A ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, a permanente fonte de sentido oferecida \u00e0 humanidade. A Eucaristia \u00e9, por conseguinte, o centro do an\u00fancio que os crist\u00e3os, h\u00e1 dois mil anos, levam ao mundo: Jesus, o crucificado, de morto que era, voltou \u00e0 vida e disso somos testemunhas (cf. 1 Cor 15,3-5). A Eucaristia anuncia a morte de Cristo que, na sua dramaticidade, todos podem compreender, mas, ao mesmo tempo, tamb\u00e9m proclama a sua ressurrei\u00e7\u00e3o, que exige f\u00e9 e abertura para acolher Deus na nossa exist\u00eancia. A f\u00e9 \u00e9 o novo estilo de vida que nasce da Eucaristia e traz em si mesma o sentido \u00faltimo e definitivo do esperar pela vinda do Senhor. Sem a f\u00e9, n\u00e3o se pode celebrar nem viver a Eucaristia, como lembra o trin\u00f3mio f\u00e9-liturgia-vida, t\u00e3o frequente nos planos pastorais. Sem a f\u00e9, n\u00e3o se pode sequer p\u00f4r a quest\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o activa na liturgia.   A Eucaristia, nova e eterna alian\u00e7a 30. Como recorda o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, citando Santo Ireneu: \u201cA Eucaristia \u00e9 o resumo e a suma da nossa f\u00e9: \u2018A nossa maneira de pensar concorda com a Eucaristia e a Eucaristia, por sua vez, confirma a nossa maneira de pensar\u2019\u201d.[53] Como n\u00e3o ver realizada aqui a alian\u00e7a com Deus, de que o homem precisa para viver; a alian\u00e7a da f\u00e9? \u201cSe n\u00e3o acreditardes, n\u00e3o vos mantereis firmes\u201d (Is 7,9b) \u2013 diz o Senhor. A Eucaristia \u00e9 a alian\u00e7a nova e eterna, o pacto e o testamento que Jesus deixou no sacramento do seu corpo e sangue.  Com efeito, a Igreja inteira exprime na Eucaristia a sua f\u00e9: depois de ter escutado a Palavra, professa-se a f\u00e9 no mist\u00e9rio eucar\u00edstico, revela\u00e7\u00e3o e dom do pr\u00f3prio Deus em Jesus, que leva os crist\u00e3os \u00e0 doa\u00e7\u00e3o plena e perfeita de si mesmos. Sobretudo na Eucaristia, f\u00e9 significa reconhecer e acolher Jesus Cristo como num encontro, em que a pessoa do fiel se envolve totalmente, a exemplo de Maria, modelo de f\u00e9 plenamente realizada.  A f\u00e9 e a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia 31. As respostas aos Lineamenta p\u00f5em em realce as caracter\u00edsticas da f\u00e9 como condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para celebrar a Eucaristia. Nela, se manifesta o primado da gra\u00e7a de Deus, que est\u00e1 sempre na origem de tudo e, com o dom do Esp\u00edrito Santo, leva-nos a acolher a sua ac\u00e7\u00e3o misteriosa no sacramento para a transforma\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus e para a nossa santifica\u00e7\u00e3o. Se se vai \u00e0 liturgia eucar\u00edstica sem acreditar na gra\u00e7a e sem, pelo menos, ter o desejo de estar em estado de gra\u00e7a, n\u00e3o se d\u00e1 participa\u00e7\u00e3o adoradora em esp\u00edrito e verdade. Na Eucaristia proclama-se a verdade da Palavra de Deus que Se revelou em Jesus, Verbo feito carne, que traz em Si a realiza\u00e7\u00e3o \u00faltima da hist\u00f3ria humana. Se se vai \u00e0 liturgia da Eucaristia com d\u00favidas, em vez de com a aceita\u00e7\u00e3o da verdade, n\u00e3o se d\u00e1 verdadeira participa\u00e7\u00e3o. O dom da liberdade que o Criador fez \u00e0 sua criatura faz com que a f\u00e9 seja um acto livre de ades\u00e3o \u00e0 pessoa de Jesus, caminho, verdade e vida (cf. Jo 14,6). Na liturgia da Eucaristia, Jesus d\u00e1-Se a conhecer, mas, ao mesmo tempo, permanece oculto para levar a raz\u00e3o e a intelig\u00eancia do crente a procur\u00e1-l\u2019O constantemente e, assim, encontr\u00e1-l\u2019O presente na vida. Tal \u00e9 a ac\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio a que a liturgia conduz, cada vez com mais profundidade. Os Padres chamavam-na mistagogia. O amor actua e completa a f\u00e9, como dizem os ap\u00f3stolos Tiago e Paulo (cf. Tg 2,14 ss; Rom 13,10; Gal 5,6). A f\u00e9 muda o cora\u00e7\u00e3o do crente, converte-o e abre-o ao amor. A f\u00e9 e o amor, juntamente com a esperan\u00e7a, fundam o ser crist\u00e3o. A Eucaristia \u00e9 o sacramento do amor, que abre o homem ao amor e permite-lh<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00ednodo dos Bispos, XI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria &#8211; Instrumentum Laboris<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[100,101,104,108,120,295,127,144,148,154,168,192,193,199,203,206,237,246,261,285,91,294,297,311],"class_list":["post-12794","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-advento","tag-africa","tag-america","tag-ano-da-eucaristia","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-congresso-eucaristico-internacional","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-ecumenismo","tag-educacao","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-missoes","tag-patrimonio","tag-quaresma","tag-sacramentos","tag-santa-se","tag-sinodo-dos-bispos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12794"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12794\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}