{"id":127467,"date":"2019-02-08T17:55:00","date_gmt":"2019-02-08T17:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=127467"},"modified":"2025-03-14T16:48:54","modified_gmt":"2025-03-14T16:48:54","slug":"do-bairro-da-jamaica-a-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/do-bairro-da-jamaica-a-venezuela\/","title":{"rendered":"Do Bairro da Jamaica \u00e0 Venezuela"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ag\u00eancia ECCLESIA)<br \/>\n<em>Imagem<\/em> In\u00eas Rocha (Renascen\u00e7a) |\u00a0<em>Edi\u00e7\u00e3o v\u00eddeo <\/em>Lu\u00eds Costa (Ag\u00eancia ECCLESIA)<br \/>\n<em>Edi\u00e7\u00e3o web<\/em> Manuel Costa (Ag\u00eancia ECCLESIA)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/jose_ornelas_rr.jpg\" \/><\/p>\n<p><em>A diocese de Set\u00fabal vai fazer este 44 anos em julho. Foi criada em 1975, no per\u00edodo da p\u00f3s revolu\u00e7\u00e3o de Abril, numa zona socialmente complicada e desfavorecida. A situa\u00e7\u00e3o melhorou, mas permanecem algumas bolsas de pobreza e de tens\u00e3o social, e h\u00e1 por toda a regi\u00e3o muitos bairros problem\u00e1ticos. Ultimamente tem-se falado muito do bairro da Jamaica. J\u00e1 l\u00e1 foi?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 l\u00e1 fui, sim, e tenho seguido a situa\u00e7\u00e3o pela presen\u00e7a da par\u00f3quia da Amora, a que pertence o bairro da Jamaica. Era uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 era preocupante antes e sabemos tamb\u00e9m que era uma preocupa\u00e7\u00e3o da autarquia do Seixal, de resolver o programa habitacional, porque aquilo nunca foi um bairro acabado, e foi sempre sendo ocupado por fam\u00edlias com dificuldades. N\u00e3o \u00e9 que tenha sido um bairro dram\u00e1tico, do ponto de vista de ordem, mas as condi\u00e7\u00f5es de habitabilidade daqueles edif\u00edcios suscitam preocupa\u00e7\u00e3o a toda a gente. Ali\u00e1s, \u00e9 nesse processo que muitas pessoas come\u00e7aram a ser deslocadas para outras situa\u00e7\u00f5es habitacionais. E espero que isso possa concluir-se o mais cedo poss\u00edvel.<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_67296\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7iVm5MniLJo?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Precisamente a par\u00f3quia da Amora foi sugerindo que a estrat\u00e9gia n\u00e3o seria tanto trabalhar no bairro, mas fazer com que o bairro se inserisse na par\u00f3quia.<\/em><\/p>\n<p>A par\u00f3quia da Amora \u00e9 uma par\u00f3quia diversificada, com bairros de diversa natureza, e alguns tamb\u00e9m de habita\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e de popula\u00e7\u00f5es imigrantes recentes, que apresentam dificuldades pr\u00f3prias. N\u00e3o \u00e9 a \u00fanica esta, h\u00e1 outras situa\u00e7\u00f5es, concretamente no concelho do Seixal, que precisam de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Penso que hoje em dia toda a gente concorda<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">que n\u00e3o se pode transplantar uma situa\u00e7\u00e3o de um bairro<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">desta natureza para um bairro id\u00eantico noutro lado<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E essa estrat\u00e9gia de integra\u00e7\u00e3o \u00e9 a acertada?<\/em><\/p>\n<p>Penso que hoje em dia toda a gente concorda que n\u00e3o se pode transplantar uma situa\u00e7\u00e3o de um bairro desta natureza para um bairro id\u00eantico noutro lado, mas de integrar estas pessoas, sobretudo as que s\u00e3o imigrantes recentes, dentro de uma popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 residente, de tal maneira que n\u00e3o se concentrem problem\u00e1ticas de natureza econ\u00f3mica e cultural que criem conflitos ou pelo menos dificuldade de inser\u00e7\u00e3o dentro do tecido social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E \u00e9 preciso ajudar as popula\u00e7\u00f5es a refazer a vida, a encontrar trabalho, projetos na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 a\u00ed que a Igreja tem atuado, atrav\u00e9s das suas institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Eu digo sempre que a Igreja tem uma fun\u00e7\u00e3o que n\u00e3o substitui a do Estado, mas que pode ser de uma validade importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Complementar?<\/em><\/p>\n<p>Complementar, mas que serve de base a outro tipo de integra\u00e7\u00f5es. Quando eu me sento numa igreja ao lado de outras pessoas de outra nacionalidade, ra\u00e7a ou cultura, estou criando um la\u00e7o novo e um tipo de integra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 absorvente nem assimilante, mas que \u00e9 integrante com os valores que eu trago. E n\u00f3s temos na nossa diocese par\u00f3quias muito diversificadas, com muita gente que chegou das ex-col\u00f3nias, do Brasil, mas cada vez mais tamb\u00e9m dos pa\u00edses de leste e agora da \u00c1sia, mais recentemente da ainda, e que nos apresentam desafios, mas tamb\u00e9m possibilidades novas. O facto de n\u00f3s n\u00e3o sermos uma entidade oficial, que muitas vezes causa algum receio a quem chega, porque n\u00e3o est\u00e3o totalmente legalizados, d\u00e1-nos tamb\u00e9m uma possibilidade de agir do ponto de vista mais humano, ligando \u00e0s fam\u00edlias, \u00e0s necessidades locais, do que do ponto de vista oficial, burocr\u00e1tico e legal, que isso deixamos para as inst\u00e2ncias competentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nalgumas zonas, como na Caparica-Pragal, por exemplo, os Leigos para o Desenvolvimento decidiram abrir l\u00e1 a sua primeira miss\u00e3o em Portugal, eles que t\u00eam trabalhado sobretudo em \u00c1frica. Acompanha estas interven\u00e7\u00f5es, estes projetos?<\/em><\/p>\n<p>Sim, ainda ontem estive com representantes da par\u00f3quia, e com eles tamb\u00e9m j\u00e1 estive v\u00e1rias vezes. \u00c9 uma iniciativa que est\u00e1 a iniciar, que vejo com muito bons olhos, porque este bairro, concretamente do Pragal, tem uma grande maioria de imigrantes recentes. E na par\u00f3quia est\u00e3o muito ativos. S\u00e3o na maioria de Cabo Verde, gente que tem um fundo religioso muito grande e isto significa tamb\u00e9m para a diocese um desafio enorme, que \u00e9 este: as pessoas chegam, muitas trabalham por turnos na restaura\u00e7\u00e3o, nas obras, o que significa que n\u00e3o t\u00eam uma vida muito normal, que lhes permita, por exemplo, participaram da vida de uma comunidade ao domingo.\u00a0 Portanto, temos de ir ao encontro destas pessoas de outro modo. Por outro lado, o facto destas pessoas serem crist\u00e3s, e encontrarem aqui uma comunidade crist\u00e3, constitui para eles um fator de integra\u00e7\u00e3o determinante. Mas, por exemplo, as escolas s\u00e3o um outro fator de integra\u00e7\u00e3o importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fundamental, porque s\u00e3o comunidades com muitas crian\u00e7as e jovens?<\/em><\/p>\n<p>Fundamental. Para j\u00e1 d\u00e3o um contributo de juventude nova, depois t\u00eam gente com capacidades grandes, e sobretudo estas fam\u00edlias fazem da educa\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios filhos uma prioridade enorme. Normalmente este jovens querem inserir-se com compet\u00eancia no mercado do trabalho e social, e por isso mesmo \u00e9 muito importante dar respostas a esta sede de serem cidad\u00e3os de pleno direito dentro da nossa sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os problemas sociais, sobretudo quando s\u00e3o mediatizados, acha que h\u00e1 algum aproveitamento pol\u00edtico dessas situa\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Mais um aproveitamento medi\u00e1tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Houve no caso do Bairro da Jamaica?<\/em><\/p>\n<p>Da Jamaica e da Bela Vista. Chega-se como se estiv\u00e9ssemos numa guerra civil e n\u00e3o tem nada disso. Houve um incidente deplor\u00e1vel, mas deixem as entidades competentes investigarem essas coisas. O empolamento disto, que tamb\u00e9m houve no bairro da Bela Vista, em Set\u00fabal, onde se queimaram algumas coisas. Sei que uma parte, pelo menos, das pessoas que intervieram nisso n\u00e3o eram sequer dali, mas depois as televis\u00f5es assentaram arraiais \u00e0 frente da esquadra da pol\u00edcia, como se estivessem perante um ass\u00e9dio ou uma emerg\u00eancia nacional. As pessoas de l\u00e1, tanto na Jamaica como na Bela Vista, sentem-se altamente incomodadas por esse ass\u00e9dio. Depois v\u00e3o entrevistar as pessoas, e aparecem sempre aqueles \u2018carapaus de corrida\u2019, que gostam de dar voz, e que fazem daquilo um cen\u00e1rio que vai muito para al\u00e9m da realidade das coisas. Como vivemos numa \u00e9poca medi\u00e1tica, aquilo que passa na televis\u00e3o \u00e9 que \u00e9 a verdade e tantas vezes foi altamente empolado. Temos problemas? Temos, mas n\u00e3o \u00e9 propriamente&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">As televis\u00f5es assentaram arraiais \u00e0 frente da esquadra da pol\u00edcia,<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">como se estivessem perante um ass\u00e9dio ou uma emerg\u00eancia nacional<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o h\u00e1 conflitos entre grupos \u00e9tnicos?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o digo que n\u00e3o existam, mas onde \u00e9 que n\u00e3o existem? Eu acho que n\u00e3o h\u00e1 para se falar do territ\u00f3rio de Set\u00fabal como sendo um caso nacional de conflito cultural e \u00e9tnico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Venezuela: uma hist\u00f3ria com consequ\u00eancias dram\u00e1ticas<\/strong><\/h4>\n<p><em>A atualidade informativa tem passado por estes dias pela Venezuela. \u00c9 um pa\u00eds onde j\u00e1 esteve quando foi Superior Geral dos Mission\u00e1rios Dehonianos, e a que penso que tamb\u00e9m tem liga\u00e7\u00f5es, por ser madeirense, tem l\u00e1 fam\u00edlia. Como \u00e9 que tem seguido as not\u00edcias da instabilidade que se vive no pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>Com grande preocupa\u00e7\u00e3o, desde h\u00e1 muito, porque eu visitei a Venezuela como Superior Geral dos Dehonianos v\u00e1rias vezes, vi o surgir e o evoluir desta situa\u00e7\u00e3o, e acho que foi-se criando uma situa\u00e7\u00e3o com elementos de que hoje se veem as consequ\u00eancias e consequ\u00eancias dram\u00e1ticas.<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_43789\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/71R5_lhAz7E?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E que desfecho prev\u00ea?<\/em><\/p>\n<p>Gostaria de prever e sonhar um desfecho pac\u00edfico, mas que ao mesmo tempo resolva os problemas, porque h\u00e1 muito tempo que se vem falando de solu\u00e7\u00f5es, sucessivas elei\u00e7\u00f5es, mas, enquanto n\u00e3o mudar o sistema, n\u00e3o d\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portugal fez bem em reconhecer a legitimidade de Juan Guaid\u00f3 em assumir a presid\u00eancia interinamente, at\u00e9 haver um processo eleitoral?<\/em><\/p>\n<p>Olhe, n\u00e3o sei. \u00c9 uma pergunta que fa\u00e7o a mim mesmo, se \u00e9 o caminho melhor. Certamente \u00e9 preciso exercer uma press\u00e3o internacional sobre esta situa\u00e7\u00e3o e sobre o atual governo, que foi criando as condi\u00e7\u00f5es do conflito que agora se verifica de uma forma&#8230; Bem, eu assemelho-a a muitos dos populismos que hoje nos causam tantos problemas em tantos quadrantes do mundo. Porque querer solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis, acusando simplesmente parte do sistema, n\u00e3o funciona. Ali o que aconteceu claramente foi que foram-se atacando sistematicamente as fontes produtivas da Venezuela. A nacionaliza\u00e7\u00e3o do sistema produtivo agr\u00edcola, por exemplo, o sistema de autossustenta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Venezuela, para n\u00e3o repousar apenas do petr\u00f3leo, esse sistema produtivo foi completamente desmantelado, em nome de ir \u00e0 procura dos exploradores do povo, e o resultado foi este, \u00e9 a fome que agora se vive. Faltam produtos que a Venezuela tem toda a capacidade de produzir a n\u00edvel agr\u00edcola e a outro n\u00edvel. Agora, o que acho que \u00e9 significativo \u00e9 que se diga que este governo n\u00e3o est\u00e1 resolvendo os problemas da Venezuela, absolutamente n\u00e3o est\u00e1, que \u00e9 preciso haver mudan\u00e7as radicais. \u00c9 preciso. Penso que n\u00e3o nos compete a n\u00f3s indicar quem \u00e9 o sucessor. Temos de dizer, isso sim, da parte da Uni\u00e3o Europeia, a que Portugal est\u00e1 intimamente ligado, \u00e9 que devem ter lugar elei\u00e7\u00f5es livres, que possam ser controladas, para que a popula\u00e7\u00e3o se possa realmente sentir identificada com quem os governa. Neste momento \u00e9 uma empola\u00e7\u00e3o completa da situa\u00e7\u00e3o. A\u00ed os militares v\u00e3o jogar um papel determinante. Em muitas partes do mundo os militares t\u00eam uma no\u00e7\u00e3o mais realista do que muitos dos governantes sobre a situa\u00e7\u00e3o e eu espero que possam ter um papel ponderado, n\u00e3o de uma ditadura militar, mas algo do g\u00e9nero da nossa revolu\u00e7\u00e3o dos cravos, que possa dizer se h\u00e1 que utilizar a for\u00e7a, tem de ser para defender o direito e a justi\u00e7a, que neste momento falta na Venezuela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Em muitas partes do mundo os militares t\u00eam uma no\u00e7\u00e3o mais realista do que muitos dos governantes sobre a situa\u00e7\u00e3o e eu espero que possam ter um papel ponderado, n\u00e3o de uma ditadura militar, mas algo do g\u00e9nero da nossa revolu\u00e7\u00e3o dos cravos<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em rela\u00e7\u00e3o aos militares ainda n\u00e3o se percebeu muito bem, no caso da Venezuela, como vai ser&#8230; Mas, pode ser esse o caminho para se conseguirem elei\u00e7\u00f5es livres, atrav\u00e9s dos militares?<\/em><\/p>\n<p>Sem, pelo menos, a concord\u00e2ncia dos militares vai ser dif\u00edcil, porque o pior \u00e9 que est\u00e3o-se a disseminar armas por todo o povo, por toda a Venezuela, o que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nada de recente, isso j\u00e1 vem do passado, e isso \u00e9 que acabar\u00e1 por ter consequ\u00eancias graves.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Temos de falar tamb\u00e9m na crise social e na pobreza na Venezuela, e nas ajudas internacionais que \u00e9 poss\u00edvel fazer chegar, ou n\u00e3o. A\u00ed h\u00e1 dificuldades, at\u00e9 ao n\u00edvel diplom\u00e1tico de fazer chegar ajudas&#8230;<\/em><\/p>\n<p>A todo o n\u00edvel. A televis\u00e3o neste aspeto tem transmitido situa\u00e7\u00f5es concretas de fam\u00edlias, sobretudo de pessoas que t\u00eam doen\u00e7as, ou que precisam de um tratamento especial\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">[A comunidade internacional ] n\u00e3o fa\u00e7a san\u00e7\u00f5es e obst\u00e1culos, pretendendo condicionar o governo venezuelano a mudan\u00e7as, que acabem por penalizar ainda mais uma popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 no extremo da sobreviv\u00eancia em muitos lugares<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O problema \u00e9 fazer l\u00e1 chegar medicamentos e bens&#8230;<\/em><\/p>\n<p>A\u00ed entra a comunidade internacional, que n\u00e3o fa\u00e7a san\u00e7\u00f5es e obst\u00e1culos, pretendendo condicionar o governo venezuelano a mudan\u00e7as, que acabem por penalizar ainda mais uma popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 no extremo da sobreviv\u00eancia em muitos lugares.<\/p>\n<p>Agora, acho que \u00e9 importante que haja uma mobiliza\u00e7\u00e3o. A nossa diocese (Set\u00fabal) j\u00e1 instituiu como uma das finalidades da ren\u00fancia de Quaresma precisamente a ajuda \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da Venezuela. Vamos procurar faz\u00ea-lo atrav\u00e9s dos canais eclesi\u00e1sticos, da Igreja, de tal maneira que se assegure que aquilo que damos chegue, de facto, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o seja desviado pelo caminho, o que acontece tantas vezes \u00e0s ajudas oficiais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No terreno, na Venezuela, as pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es sociais da igreja est\u00e3o a tentar organizar-se, para ver como \u00e9 que essa ajuda que chega do exterior pode ser distribu\u00edda.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. N\u00f3s privilegiaremos essa organiza\u00e7\u00e3o da Igreja no local, porque \u00e9 aquela que nos parece mais segura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O \u00eaxodo dos venezuelanos n\u00e3o est\u00e1 a gerar problemas tamb\u00e9m nos pa\u00edses onde est\u00e3o a chegar, nomeadamente a Portugal, \u00e0 Madeira?<\/em><\/p>\n<p>Olhe, eu n\u00e3o sei. Eu at\u00e9 tenho visto coisas interessantes. Eu convivi com imigrantes portugueses em todo lado, veja o que aconteceu por exemplo com os nossos retornados, uma dimens\u00e3o sem compara\u00e7\u00e3o com aquilo que est\u00e1 agora. E os retornados foram um motor de desenvolvimento de tantas coisas em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>S\u00e3o esses os ecos que lhe chegam da Madeira tamb\u00e9m?<\/em><\/p>\n<p>Na Madeira \u00e9 um ambiente mais pequeno, \u00e9 complicado, porque j\u00e1 tem as suas dificuldades, mas n\u00e3o quer dizer que tenham de ficar na Madeira, esta gente j\u00e1 est\u00e1 habituada a horizontes mais amplos. Era importante \u00e9 que num pa\u00eds que tem tanta falta de natalidade, que estes que ainda s\u00e3o verdadeiramente ligados ou \u00e0 primeira gera\u00e7\u00e3o, nascidos fora, mas ligados ao nosso pa\u00eds, que possam ser devidamente enquadrados para darem um contributo e sentirem-se assim parte integrante de um processo de desenvolvimento, e n\u00e3o um peso a obstacul\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Pedofilia: toler\u00e2ncia zero<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_66197\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jI9TVEDvawE?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p><em>O Papa convocou para este m\u00eas no Vaticano uma cimeira com os presidentes das Confer\u00eancias Episcopais todo o mundo para falar de pedofilia e prote\u00e7\u00e3o de menores. Como \u00e9 que v\u00ea esta iniciativa do Papa, e o que \u00e9 que pode mudar depois desta cimeira?<\/em><\/p>\n<p>A Igreja est\u00e1 a fazer um processo de purifica\u00e7\u00e3o que \u00e9 fundamental. N\u00f3s queremos ser, e \u00e9 isso que \u00e9 chamada a Igreja a ser, cuidadora. Aquilo que mais contradiz o cuidar das debilidades \u00e9 aproveitar ou ser predador dessa mesma debilidade. E que isto aconte\u00e7a particularmente naqueles que deviam ser os maiores e mais evidentes representantes desta atitude de cuidar, \u00e9 particularmente dram\u00e1tico. E aqui n\u00e3o pode haver d\u00favidas, aquilo que o Papa Francisco diz, \u00e9 \u2018toler\u00e2ncia zero\u2019, e tem de ser. Agora, n\u00e3o vou dizer que com isto vamos resolver o problema, e nunca mais vai haver situa\u00e7\u00f5es de pedofilia. Gostaria de dizer isso a respeito todas as fam\u00edlias, de todas as institui\u00e7\u00f5es de qualquer lado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Igreja j\u00e1 criou regras, h\u00e1 uma s\u00e9rie de diretrizes de preven\u00e7\u00e3o, mas quando h\u00e1 not\u00edcia dos casos &#8211; e nalguns pa\u00edses tem sido chocante o n\u00famero de casos &#8211; h\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o do encobrimento que tem sido dado pelos respons\u00e1veis da Igreja.<\/em><\/p>\n<p>E isso tem de ser muito claro&#8230; Como dizia, n\u00e3o posso prometer que n\u00e3o vai haver casos desses. O que \u00e9 importante \u00e9 que n\u00f3s saibamos dizer que, se existe uma situa\u00e7\u00e3o dessas, sabemos comportar-nos devidamente.<\/p>\n<p>H\u00e1 que entender que em toda a sociedade, n\u00e3o s\u00f3 na Igreja, isto despoletou-se muito recentemente. Vejam que todos os dias vem acontecendo coisas destas, foi no cinema, \u00e9 no desporto, \u00e9 transversal \u00e0 sociedade, porque as consequ\u00eancias traumatizantes destas atitudes para as v\u00edtimas s\u00f3 agora \u00e9 a gente est\u00e1 tomando verdadeiramente a dimens\u00e3o dram\u00e1tica que isso assume. E n\u00e3o podemos ter d\u00favidas sobre isso! A n\u00edvel da Igreja isto tem de ser uma preocupa\u00e7\u00e3o constante, particularmente para as crian\u00e7as. N\u00e3o se trata simplesmente de uma quest\u00e3o de imagem, mas uma quest\u00e3o de justi\u00e7a e de cuidado para com aqueles que s\u00e3o mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa Francisco, ao convocar os presidentes das Confer\u00eancias Episcopais, parece querer introduzir um novo paradigma no governo da Igreja na resolu\u00e7\u00e3o destes assuntos. O que \u00e9 que estar\u00e1 aqui em causa? Um novo tipo, de facto, de governo na Igreja cat\u00f3lica, que \u00e9 a sinodalidade?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Eu venho de uma congrega\u00e7\u00e3o religiosa e isto para mim n\u00e3o \u00e9 uma novidade, porque essa \u00e9 a forma de estarmos presentes. Na Vida Religiosa, que \u00e9 uma das formas mais antigas da democracia neste planeta &#8211; e que eu sempre defendi, a esse n\u00edvel, com &#8216;unhas e dentes&#8217; &#8211; temos de aprender que aquilo que se chama eclesia, significa &#8216;convoca\u00e7\u00e3o&#8217;, assembleia, e que temos de viver assim, sobretudo quando se trata de decis\u00f5es. E que as grandes decis\u00f5es t\u00eam de ser feitas colegialmente, para fazermos o tal caminho em conjunto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">As Confer\u00eancias Episcopais precisam de se assumir a si pr\u00f3prias<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a rede global a estabelecer h\u00e1-de ser atrav\u00e9s das Confer\u00eancias Episcopais?<\/em><\/p>\n<p>As Confer\u00eancias Episcopais precisam de se assumir a si pr\u00f3prias, e j\u00e1 se desenvolveu, depois do Conc\u00edlio Vaticano II, mas precisam de assumir claramente este papel. E \u00e9 por isso que o Papa ao convocar esta cimeira n\u00e3o \u00e9 simplesmente para ouvir, conhecer a situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 para colher conselho e escutar o parecer das Igrejas. Mas, \u00e9 tamb\u00e9m para faz\u00ea-las participar corresponsavelmente na solu\u00e7\u00e3o, porque se eu n\u00e3o sou capaz de discutir juntamente com os outros, n\u00e3o \u00e9 simplesmente um decreto que vem de cima que vai mudar. Temos de mudar a nossa mentalidade de viver em Igreja e de assumir cada um as suas responsabilidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Viol\u00eancia sobre as mulheres: nas fam\u00edlias e na Igreja Cat\u00f3lica<\/strong><\/h4>\n<p><em>Um \u00faltimo assunto, que tem a ver tamb\u00e9m com a vida religiosa, a viol\u00eancia dom\u00e9stica que o Papa tamb\u00e9m denunciou ainda esta semana, os abusos de religiosas por parte de sacerdotes. Foi um problema escondido no interior da Igreja cat\u00f3lica durante muitos anos?<\/em><\/p>\n<p>Isso foi escondido pela sociedade e a Igreja faz parte da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso n\u00e3o desculpa a Igreja, em todo o caso.<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o desculpa nada. Mas quer dizer, n\u00f3s vivemos numa sociedade em que o homem, o &#8216;pater familias&#8217;, vem de tradi\u00e7\u00f5es antigas. A Igreja nunca promoveu coisas dessas. Agora que tantas vezes na forma de figurar o casal humano, e sobretudo a figura da mulher, a Igreja nunca diz que \u00e9 de segunda classe, nunca disse isso, mas que realmente ter o homem como &#8216;cabe\u00e7a&#8217; e como aquele que decide e aquele que representa, foi criando uma ideia, de facto, que era aquela que estava presente na sociedade, de que o homem tinha sempre raz\u00e3o e que tudo lhe era desculpado. O pior era isso, tudo lhe era desculpado, porque os outros tinham de estar submissos a ele. Esta evidentemente n\u00e3o \u00e9 a imagem que vem daquilo que n\u00f3s lemos nas origens da Igreja e nos textos da B\u00edblia e a reflex\u00e3o que n\u00f3s temos. Agora, isto \u00e9 um problema muito s\u00e9rio e nada pode desculpar a viol\u00eancia que se passa no interior das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Igreja devia estar mais atenta? Um dos mais recentes casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, e mais chocante, aconteceu na diocese de Set\u00fabal, no concelho do Seixal.<\/em><\/p>\n<p>Pois, est\u00e1 a ver&#8230; A Igreja estar atenta&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">A mentalidade, a cultura \u00e9 que tem de mudar, e a\u00ed sim, temos de estar muito atentos e temos um papel fundamental, n\u00e3o s\u00f3 na den\u00fancia, mas sobretudo na forma\u00e7\u00e3o de uma mentalidade e de uma cultura de respeito<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Atenta \u00e0s v\u00edtimas, \u00e0 ajuda \u00e0s v\u00edtimas.<\/em><\/p>\n<p>Ajuda, presen\u00e7a, acompanhamento. O que acontece \u00e9 que a Igreja tem uma fun\u00e7\u00e3o, uma fun\u00e7\u00e3o consciencializadora, de presen\u00e7a, de aconselhamento. Mas, por exemplo, quando se trata de problemas graves, a Igreja n\u00e3o tem poder para convocar ningu\u00e9m, nem para ir buscar pessoas. A mentalidade, a cultura \u00e9 que tem de mudar, e a\u00ed sim, temos de estar muito atentos e temos um papel fundamental, n\u00e3o s\u00f3 na den\u00fancia, mas sobretudo na forma\u00e7\u00e3o de uma mentalidade e de uma cultura de respeito, em que o amor n\u00e3o seja o &#8216;eu gosto de ti como quem gosta de chocolate&#8217;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Jos\u00e9 Ornelas \u00e9 bispo de Set\u00fabal, a diocese com bolsas de pobreza e problemas sociais com \u201caproveitamento medi\u00e1tico\u201d. Antes, foi superior-geral dos Sacerdotes do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, Dehonianos, e visitou v\u00e1rias vezes a Venezuela, onde viu nascer um problema dif\u00edcil de resolver sem a concord\u00e2ncia dos militares. Temas para a primeira entrevista conjunta da Ag\u00eancia ECCLESIA e da Renascen\u00e7a, onde se analisa tamb\u00e9m a aplica\u00e7\u00e3o da \u201ctoler\u00e2ncia zero\u201d nos casos de abusos sexuais por parte de membros do clero e a viol\u00eancia sobre as mulheres.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":127478,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[],"class_list":["post-127467","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=127467"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127467\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/127478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=127467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=127467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=127467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}