{"id":127326,"date":"2019-02-07T12:36:41","date_gmt":"2019-02-07T12:36:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=127326"},"modified":"2019-02-12T15:50:32","modified_gmt":"2019-02-12T15:50:32","slug":"a-cruz-escondida-41","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-41\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p>A aventura de levar Deus a terras de ningu\u00e9m no meio das montanhas<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3><strong><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/irma_pickup.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-127327 \" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/irma_pickup-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"549\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/irma_pickup-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/irma_pickup-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/irma_pickup-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/irma_pickup-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/irma_pickup.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 549px) 100vw, 549px\" \/><\/a>A irm\u00e3 da pick-up<\/strong><\/h3>\n<p>Olha-se \u00e0 volta e n\u00e3o se v\u00ea vivalma. Naquela regi\u00e3o do Peru as montanhas s\u00e3o enormes, muitas vezes quase despidas de vegeta\u00e7\u00e3o e praticamente sem ningu\u00e9m. Viver por ali parece castigo. Mas \u00e9 ali, no meio da montanha, que a irm\u00e3 Mari Graciana vive a aventura de levar o sorriso de Deus \u00e0quelas pessoas com vidas t\u00e3o sofridas.<\/p>\n<p>\u00c9 uma pick-up Toyota, semelhante \u00e0quelas que os jihadistas usavam no Iraque e na S\u00edria quando entravam amea\u00e7adores nas povoa\u00e7\u00f5es, aos tiros para o ar, empunhando enormes bandeiras negras. Esta \u00e9, no entanto, uma carrinha diferente. Ali n\u00e3o h\u00e1 \u00f3dio, nem armas, nem amea\u00e7as. Quando as irm\u00e3s se preparam para partir para mais um dia de miss\u00e3o junto das popula\u00e7\u00f5es perdidas na montanha, tratam de tudo. Carregam a carrinha com os alimentos que v\u00e3o levar \u00e0s fam\u00edlias mais necessitadas, assim como roupas e alimentos. Mas, acima de tudo, v\u00e3o cheias de Deus. Aos 28 anos, a irm\u00e3 Mari Graciana n\u00e3o tem d\u00favidas de que \u00e9 ali que quer estar. Ali, no meio dos pobres, dos muito pobres, dos que \u00e0s vezes nem entram sequer nas estat\u00edsticas oficiais. Mas, para as Mission\u00e1rias de Jesus Verbo e V\u00edtima, esses pobres quase invis\u00edveis s\u00e3o a raz\u00e3o de ser da pr\u00f3pria congrega\u00e7\u00e3o. Aquela regi\u00e3o parece ter sido fustigada pelo destino. A altivez da montanha afasta as pessoas. S\u00f3 quem n\u00e3o tem mesmo mais nada vive ali. Por ali tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 padres. Com uma especial permiss\u00e3o do Santo Padre, estas irm\u00e3s assistem a casamentos, celebram baptizados, distribuem a sagrada comunh\u00e3o, mas, mais do que tudo isso, transportam consigo o sorriso de Deus. \u201cAs pessoas alegram-se muito sempre que visitamos as suas casas\u201d, diz-nos a irm\u00e3 Graciana. \u201cPara eles \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o!\u201d Muitos dos que vivem serra acima est\u00e3o muito longe da civiliza\u00e7\u00e3o. Sempre estiveram. Com a idade, ficam cada vez mais enclausurados na montanha, como se ela fosse uma pris\u00e3o ao ar livre.<\/p>\n<h3>\u00danicas visitas<\/h3>\n<p>De facto, a maior parte dos que vivem na montanha s\u00e3o idosos. As irm\u00e3s s\u00e3o as \u00fanicas visitas que recebem. A carrinha pick-up s\u00f3 faz uma parte do caminho. Serra acima, quando a estrada de terra batida acaba, s\u00f3 resta mesmo seguir a p\u00e9. Todos os dias as irm\u00e3s fazem-se ao caminho. Todos os dias visitam pessoas concretas e levam-lhes alguma comida, p\u00e3o fresco que elas pr\u00f3prias amassam com as suas m\u00e3os, medicamentos e roupa. Elas s\u00e3o uma esp\u00e9cie de anjos da guarda das pessoas esquecidas da montanha. A vida \u00e9 rude l\u00e1 em cima. As casas s\u00e3o pouco mais do que abrigos constru\u00eddos com pedras. Falta tudo. \u00c0s vezes falta at\u00e9 amor, carinho, ternura. O envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema s\u00e9rio. Mas a educa\u00e7\u00e3o dos mais novos tamb\u00e9m. \u201cUm dia \u2013 conta a irm\u00e3 Graciana \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS \u2013 uma crian\u00e7a fez uma travessura e eu tive de a repreender. \u2018Gosto muito de ti mas n\u00e3o vou permitir que voltes a fazer isso\u2026\u2019 O menino olhou para mim e disse: \u2018irm\u00e3, tu gostas de mim?\u2019 \u2018Claro que gosto de ti\u2019, respondi. Ent\u00e3o, abra\u00e7ou-me e disse: \u2018A minha m\u00e3e nunca disse que gostava de mim\u2026\u2019\u201d Crian\u00e7as abandonadas, idosos sem fam\u00edlia, pessoas sem futuro. Sempre que saem de casa e rumam montanha acima, as irm\u00e3s levam roupa, comida e rem\u00e9dios. Viver na montanha parece castigo. Mas \u00e9 ali, l\u00e1 bem no alto, onde nem a carrinha pick-up consegue chegar, que a irm\u00e3 Mari Graciana vive a aventura de levar o sorriso de Deus, a ternura de Deus \u00e0quelas pessoas com vidas t\u00e3o sofridas.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aventura de levar Deus a terras de ningu\u00e9m no meio das montanhas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-127326","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127326","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=127326"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127326\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=127326"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=127326"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=127326"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}