{"id":12725,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/bispo-do-funchal-recorda-papel-da-igreja-na-historia-da-madeira\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"bispo-do-funchal-recorda-papel-da-igreja-na-historia-da-madeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispo-do-funchal-recorda-papel-da-igreja-na-historia-da-madeira\/","title":{"rendered":"Bispo do Funchal recorda papel da Igreja na hist\u00f3ria da Madeira"},"content":{"rendered":"<p>A Igreja, segundo a tradi\u00e7\u00e3o e o passo que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, esteve sempre presente na hist\u00f3ria da Madeira e acompanhou o crescimento espiritual e humano, na medida e com a for\u00e7a que provinha da sua f\u00e9 em Deus, em Jesus Cristo, no Esp\u00edrito Santo, contemplando a mulher que modelou as gera\u00e7\u00f5es crist\u00e3s \u2013 Maria, a m\u00e3e de Cristo Redentor do homem e da Igreja.    1. Na Madeira, no Porto Santo e noutras partes do mundo, para onde emigraram as gentes nascidas nesta terra, evoca-se hoje a Madeira. \u00c9 qualquer coisa de novo que nunca ouvi falar na minha inf\u00e2ncia \u2013 olhar com simpatia e at\u00e9 orgulho para a pr\u00f3pria terra; considerar este territ\u00f3rio pequeno, rochoso e f\u00e9rtil um dom que Deus nos deu e que foi transformado pelo vigor, sabedoria e determina\u00e7\u00e3o do seu povo; reconhecer a dignidade pr\u00f3pria que procurou a sua autonomia; contribuir, para o bem-estar da pr\u00f3pria terra e de toda a sociedade humana.  O Dia da Regi\u00e3o procura vincular estes e outros valores nos seus concidad\u00e3os, principalmente nas novas gera\u00e7\u00f5es, mas esta identidade \u00e9 mais sentida nas comunidades migrantes.  A Igreja, segundo a tradi\u00e7\u00e3o e o passo que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, esteve sempre presente na hist\u00f3ria da Madeira e acompanhou o crescimento espiritual e humano, na medida e com a for\u00e7a que provi-nha da sua f\u00e9 em Deus, em Jesus Cristo, no Esp\u00edrito Santo, contemplando a mulher que modelou as gera\u00e7\u00f5es crist\u00e3s \u2013 Maria, a m\u00e3e de Cristo Redentor do homem e da Igreja.   Construir sobre alicerce firme  2 &#8211; Os padres franciscanos quando celebraram a primeira missa na margem da ribeira que atravessa Machico, colocaram um acto semelhante aos padr\u00f5es que iriam depois ser colocados nas terras onde chegavam os portugueses. Com a celebra\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio eucar\u00edstico afirmou-se que esta terra, pertencia a Deus e o povo que a viria habitar tinha profundas ra\u00edzes crist\u00e3s e valores fundamentais que nasceram e foram alimentados pelo evangelho.  Com a chegada da Autonomia (em 1976) e neste dia que melhor recorda e representa a Madeira, a missa que hoje celebramos nesta Catedral, a primeira erigida fora da Europa no tempo das descobertas, \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o do mesmo gesto de f\u00e9 dos portugueses crentes do s\u00e9c. XV.  Segundo a imagem usada por Jesus, e que S\u00e3o Mateus reproduz no primeiro Serm\u00e3o do Senhor, uma esp\u00e9cie de tratado constitucional do Reino de Deus: \u00abquem ouve as minhas palavras e as p\u00f5e em pr\u00e1tica \u00e9 como o homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha\u00bb, ao contr\u00e1rio do insensato que a construiu sobre a areia.  Enquanto a Igreja do Funchal for peregrina sobre esta terra, ela n\u00e3o tem o direito de gloriar-se de si mesma mas do fundamento sobre o qual foi constru\u00edda. S\u00f3 Jesus Cristo fundou e salva a sua Igreja, esta pertence-lhe por direito pr\u00f3prio, porque a conquistou, a redimiu a alimenta com o seu corpo e sangue, e a conserva viva e mission\u00e1ria com o dom do Esp\u00edrito Santo.  Como filhos desta diocese, a n\u00f3s \u00e9 pedido trabalhar com todas as nossas for\u00e7as e entusiasmo, sem ang\u00fastia, com a serenidade de quem coloca todo o seu ser ao servi\u00e7o do bem comum, com uma grande paci\u00eancia, que n\u00e3o \u00e9 sinal de resigna\u00e7\u00e3o mas de um grande amor, que tem como aliadas a f\u00e9 e a esperan\u00e7a crist\u00e3s.   Fragilidades da Europa  3 &#8211; Quis Deus que o bispo que haveria de fazer a transi\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX para o XXI, fosse um filho desta terra, no tempo em que a Autonomia se consolidou e a Madeira marcou passo ao lado das regi\u00f5es que mais progrediram na Europa. Foi tempo de grande criatividade e entusiasmo que privilegiou estruturas e pessoas. Tudo foi planeado e constru\u00eddo para o progresso da pessoa humana. Temos de reconhecer que \u00e9 tamb\u00e9m nela que se encontra a dificuldade de harmonizar liberdade e responsabilidade.  As estruturas cresceram em propor\u00e7\u00f5es significativas, mas n\u00e3o foram acompanhadas por um crescimento humano de forma a criarmos uma sociedade mais harmoniosa, justa, sem grandes desequil\u00edbrios entre os homens que s\u00e3o filhos do mesmo Pai que est\u00e1 nos C\u00e9us e \u00abfaz nascer o sol sobre os maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos\u00bb. (Mt. 5, 45).  Nos \u00faltimos tempos as nuvens adensaram-se sobre a Europa e n\u00e3o pouparam o nosso pa\u00eds. Na hora do m\u00e1ximo \u00eaxito pol\u00edtico e econ\u00f3mico, a Europa parece escorregar para a decad\u00eancia, esvaziada por dentro, sem a for\u00e7a espiritual que provinha das suas ra\u00edzes, sem crian\u00e7as nem ber\u00e7os suficientes, condenada a aprovar todos os produtos da seculariza\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia, com o desprezo da vida nascente ou no seu ocaso.  Poucos querem reconhecer que algumas das causas da fragilidade da Europa s\u00e3o principalmente morais e religiosas, com a destrui\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia moral, o desprezo do homem, cancelamento das certezas sobre Deus, a pessoa humana e o universo. O \u00faltimo combate, com a aparente vit\u00f3ria do iluminismo laicista radical, foi a recusa de que as ra\u00edzes crist\u00e3s n\u00e3o podem entrar na defini\u00e7\u00e3o dos fundamentos da Europa. O resultado \u00e9 que a mentalidade laicista se castigou a si pr\u00f3pria, acarretando uma chuva de \u00abn\u00e3o\u00bb sobre o Tratado Constitucional.  Num tempo de grave crise, dizia o grande bispo de Hipona, Santo Agostinho, o c\u00e9lebre autor da \u00abCidade de Deus\u00bb \u2013 que se um Estado se medir s\u00f3 pelos seus pr\u00f3prios interesses e n\u00e3o pela justi\u00e7a mesma, n\u00e3o se diferencia de um bando de ladr\u00f5es bem organizados.   N\u00e3o perder a esperan\u00e7a  4 &#8211; Ao considerarmos a nossa p\u00e1tria, nome fora de uso, mas que tem na sua raiz a ideia de uma fam\u00edlia com pai, precisamos de ser mais respons\u00e1veis e n\u00e3o perdermos a dignidade nem a esperan\u00e7a.  N\u00e3o me compete pronunciar-me sobre quest\u00f5es t\u00e9cnicas de pol\u00edtica econ\u00f3mica financeira que desconhe\u00e7o, mas desagrada-me que sejam penalizados os que mais foram sacrificados, os pobres, os desempregados, os doentes.  O bem comum exige responsabilidade de todos de forma a n\u00e3o comprometer uma sociedade futura harmoniosa, mas nas pol\u00edticas de austeridade, h\u00e1 grupos sociais que precisam de particular aten\u00e7\u00e3o e cuidado, para n\u00e3o agravar os seus problemas, principalmente o do desemprego.  H\u00e1 valores que s\u00e3o tarefa do Estado e outros da comunidade, como a generosidade, a criatividade, a forma\u00e7\u00e3o para um teor de vida mais simples, menos despesista e mais realista. N\u00e3o se pode pedir nem oferecer o imposs\u00edvel.  N\u00e3o podemos viver acima das nossas possibilidades, favorecendo uma sociedade de consumo que procura felicidade e alegria onde elas n\u00e3o se encontram. Os programas de festas de f\u00e9rias, salvo melhor ju\u00edzo, parecem demasiado dispendiosos, tendo em conta as necessidades de algumas franjas da nossa sociedade.  N\u00e3o devemos temer os momentos dif\u00edceis, eles podem tornar-se alicerces de uma sociedade mais justa e equilibrada. H\u00e1 lugar para a esperan\u00e7a se todos aprendermos a viver numa sociedade mais solid\u00e1ria, esclarecida e respons\u00e1vel.   Funchal, 1 de Julho de 2005  Dia da Regi\u00e3o Aut\u00f3noma da Madeira   <i>D. Teodoro de Faria, Bispo do Funchal<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja, segundo a tradi\u00e7\u00e3o e o passo que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, esteve sempre presente na hist\u00f3ria da Madeira e acompanhou o crescimento espiritual e humano, na medida e com a for\u00e7a que provinha da sua f\u00e9 em Deus, em Jesus Cristo, no Esp\u00edrito Santo, contemplando a mulher que modelou as gera\u00e7\u00f5es crist\u00e3s \u2013 Maria, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,186,187,203,206,211,213],"class_list":["post-12725","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-diocese-do-funchal","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-familia","tag-ferias","tag-franciscanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12725"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12725\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}