{"id":12610,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-amor-com-que-os-sacerdotes-amam-a-igreja\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-amor-com-que-os-sacerdotes-amam-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-amor-com-que-os-sacerdotes-amam-a-igreja\/","title":{"rendered":"O amor com que os Sacerdotes amam a Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Homilia na Missa de ordena\u00e7\u00f5es, em Lisboa <!--more--> \u201cA experi\u00eancia pascal do amor de Cristo, fonte de sentido do amor com que os Sacerdotes amam a Igreja\u201d  Homilia na Missa das Ordena\u00e7\u00f5es  XIII Domingo do Tempo Comum Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, 26 de Junho de 2005   Queridos Ordinandos Irm\u00e3os e Irm\u00e3s     1. Nesta celebra\u00e7\u00e3o, o sacramento da Ordem que administraremos a presb\u00edteros e di\u00e1conos, ajudar-nos-\u00e1 a compreender mais profundamente a Palavra de Deus proclamada neste domingo, o d\u00e9cimo terceiro do tempo comum. Porque a Palavra de Deus \u00e9 sempre dirigida a toda a comunidade crente, na variedade dos seus carismas e minist\u00e9rios, ela convida-nos, hoje, a situar os minist\u00e9rios ordenados no seio da Igreja, Povo do Senhor, chamada a aprofundar sempre mais a sua rela\u00e7\u00e3o com Cristo, morto e ressuscitado, raz\u00e3o de ser, tanto do baptismo, como da ordem. Ambos estes sacramentos encontram a plenitude da sua express\u00e3o na Eucaristia, onde se define, tamb\u00e9m, o que t\u00eam em comum e o que os distingue, para que toda a comunidade possa participar da vida de Cristo, morto e ressuscitado. \u00c9 na Eucaristia que todos os fi\u00e9is, leigos, religiosos, ministros ordenados, encontram a especificidade da sua voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, onde todos se descobrem \u201cmortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus\u201d (Rom. 6,11). E se encontrar esta especificidade, no comum mist\u00e9rio da Igreja, \u00e9 importante para todos os fi\u00e9is, que se exprime no assumir claramente a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, sinto que nas circunst\u00e2ncias actuais isso \u00e9 particularmente importante para todos os ministros ordenados, sacerdotes e di\u00e1conos. E tamb\u00e9m para eles, diria mesmo, sobretudo para eles, a Eucaristia \u00e9 o sacramento que lhes revela a verdade profunda do seu minist\u00e9rio, porque nela eles s\u00e3o chamados a viver, com a radicalidade de que o Esp\u00edrito os tornar\u00e1 capazes, a dupla rela\u00e7\u00e3o que encerra a verdade das suas vidas: com Cristo e com a Igreja, que se reduzem, no fundo, numa viv\u00eancia unificada, porque a Igreja \u00e9 Corpo de Cristo e Povo do Senhor.  \t2. Aprofundemos, em primeiro lugar, \u00e0 luz da Palavra que escut\u00e1mos, a exclusividade desta rela\u00e7\u00e3o com Cristo, que o Senhor prop\u00f5e a todos os fi\u00e9is, mas que deseja estabelecer com uma profundidade \u00fanica, por causa da Igreja, com aqueles que consagra para o minist\u00e9rio. Nessa rela\u00e7\u00e3o nova e exclusiva, o Senhor quer transformar tudo em n\u00f3s, n\u00e3o apenas o nosso pecado, mas tamb\u00e9m o que na nossa humanidade h\u00e1 de mais belo e positivo, como \u00e9 o amor daqueles que amamos, pais, filhos, irm\u00e3os, esposos. \u201cQuem ama o pai ou a m\u00e3e mais do que a Mim, n\u00e3o \u00e9 digno de Mim. E quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, n\u00e3o \u00e9 digno de Mim. Quem n\u00e3o toma a sua cruz para Me seguir, n\u00e3o \u00e9 digno de Mim. Quem tiver achado a sua vida, h\u00e1-de perd\u00ea-la; e quem tiver perdido a vida por Minha causa, h\u00e1-de encontr\u00e1-la\u201d (Mt. 10,37ss). Esta linguagem pode parecer humanamente chocante. Mas n\u00e3o o \u00e9 mais do que a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo enquanto manifesta\u00e7\u00e3o do verdadeiro sentido do homem e da hist\u00f3ria. Com estas palavras, Cristo n\u00e3o condena o amor humano, como n\u00f3s o conhecemos, na ordem da natureza. Diz-nos apenas que conhec\u00ea-lo a Ele, relativiza toda e qualquer experi\u00eancia de amor, pois s\u00f3 o seu amor nos revela o amor. O amor de Jesus Cristo, dom pascal por excel\u00eancia, revoluciona toda a nossa capacidade de amar, atraindo-nos para amar todas as coisas em Cristo. \tS\u00f3 este encontro com Jesus Cristo, \u00fanica fonte de um amor novo e definitivo, explica a op\u00e7\u00e3o pelo celibato voluntariamente escolhido como caminho de amor, que o Esp\u00edrito Santo suscitou na Igreja logo a seguir \u00e0 P\u00e1scoa. Ele \u00e9 uma express\u00e3o da radicalidade desse amor \u00fanico, fonte de todo o amor, que dificilmente se percebe na normal l\u00f3gica da ordem natural. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se percebe, mas dificilmente se vive em liberdade e alegria, se o tentarmos compaginar com a ordem da natureza. Na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, aut\u00eanticas n\u00fapcias de Deus com a humanidade, o tempo tocou o seu termo, e a entrega a Jesus Cristo, que no Esp\u00edrito Santo, inaugura a ordem da gra\u00e7a, torna-se a fonte de uma forma de amar que nos conduzir\u00e1 \u00e0 eternidade. \tN\u00e3o quer isto dizer que o celibato consagrado \u00e9 o \u00fanico caminho de amor que nos conduzir\u00e1 \u00e0 eternidade. O pr\u00f3prio facto de ele existir e de ser livremente escolhido \u00e9 o sinal radical, dado a todos os que na f\u00e9 e no baptismo se encontraram com o amor de Cristo ressuscitado, que toda a sua experi\u00eancia de amor se transformar\u00e1 a partir dessa exclusividade do amor de Jesus Cristo. A santidade significar\u00e1, sempre, essa transforma\u00e7\u00e3o radical dos simples caminhos humanos do amor. A santidade crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9, nunca ser\u00e1, a simples viv\u00eancia da ordem da natureza. \u00c9 santo aquele que deixou que a P\u00e1scoa de Jesus, continuamente celebrada na Eucaristia, transforme toda a sua vida. \tEntre os ordinandos de hoje, h\u00e1 os que escolheram o celibato consagrado, condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para se ser ordenado presb\u00edtero na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja latina, e os que recebem o sacramento da ordem sendo casados, situa\u00e7\u00e3o de quase todos os di\u00e1conos que hoje ordenamos. \u00c9 bom que todos estejam conscientes de que o sacramento da ordem radicaliza, nas vossas vidas, esse amor exclusivo de Jesus Cristo como fonte de todo o amor. Os que escolheram o celibato n\u00e3o anularam, nas suas vidas, a for\u00e7a da natureza. Mas sois chamados a amar como Jesus Cristo ama, o que sup\u00f5e uma intimidade cont\u00ednua e continuamente renovada, com esse Senhor que vos desafia a tudo perder para ser digno d\u2019Ele. A Eucaristia a que presidireis, momento forte de uma rela\u00e7\u00e3o esponsal com Cristo, esposo da Igreja, \u00e9 o fogo que incendiar\u00e1 o vosso cora\u00e7\u00e3o para esse amor novo e definitivo em que deixando-vos amar por Jesus Cristo, aprendereis a amar todas as pessoas em Cristo. \tMas tamb\u00e9m os outros, escolhidos entre os crist\u00e3os casados, receber\u00e3o do sacramento da ordem essa novidade de amor, que envolver\u00e1, de modo particular, as suas fam\u00edlias, esposas e filhos, tamb\u00e9m eles envolvidos por esta radicalidade de amor. S\u00f3 o Senhor nos revelar\u00e1 as express\u00f5es desta novidade de amor que caminhar\u00e1 para ser sempre, em toda a forma de amar, uma express\u00e3o do amor de Jesus Cristo.  \t3. Mas a verdade dos ministros ordenados define-se, tamb\u00e9m, na sua rela\u00e7\u00e3o com a Igreja, ou seja, na radicalidade do amor de Cristo pela Igreja. \u00c9 porque Cristo ama a Igreja que nos consagra como express\u00e3o desse amor salv\u00edfico. A nossa rela\u00e7\u00e3o com o Povo de Deus e deste connosco deve inspirar-se, sempre, nessa intimidade de amor e radicalidade de dom entre Cristo e a Igreja. \tA primeira Leitura desta celebra\u00e7\u00e3o pode constituir o \u201c\u00edcone\u201d simb\u00f3lico do relacionamento entre os membros do Povo de Deus e os seus Profetas, aqueles que lhes s\u00e3o enviados em nome do Senhor. Porque \u00e9 que aquela \u201cdistinta Senhora\u201d e o seu marido acolhem o Profeta Eliseu, com tanta solicitude e ternura? Porque v\u00eaem nele um enviado do Senhor. \u201cEstou certa de que \u00e9 um santo homem de Deus este que passa continuamente pela nossa casa\u201d. \u00c9 um acolhimento que exprime e concretiza o seu amor ao Senhor. E Jesus diz aos disc\u00edpulos: \u201cQuem vos acolhe, acolhe-Me a Mim, e quem Me acolhe, acolhe Aquele que Me enviou\u201d. Mais uma vez \u00e9 o amor de Cristo pelo Seu Povo, que Ele exprime naqueles que envia, que \u00e9 a fonte da verdade do acolhimento da Igreja aos Profetas e Sacerdotes. E esse acolhimento, cheio de delicadeza, solicitude e ternura, sacia o nosso cora\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 a express\u00e3o da ternura do pr\u00f3prio Deus por n\u00f3s. \tA este acolhimento amoroso, o Profeta responde com amor, sente desejo de recompensar aquela fam\u00edlia. E como o faz? Tenta perceber qual \u00e9 o maior dom de Deus para ela, a gra\u00e7a de um filho. Tamb\u00e9m Jesus promete a quem receber, em Seu nome, o mais pequenino dos seus disc\u00edpulos, gra\u00e7as da ordem do Reino dos C\u00e9us. S\u00f3 o amor de Cristo pela Igreja inspira \u00e0 Igreja a maneira de acolher e de amar aqueles que Deus lhe envia em Seu nome. \tNo dia em que Deus envia \u00e0 Igreja de Lisboa cinco novos presb\u00edteros e onze di\u00e1conos, eu digo \u00e0 Igreja: acolhei os vossos sacerdotes, amai-os como Jesus Cristo ama a Igreja, acolhei-os como manifesta\u00e7\u00e3o do amor de Cristo por v\u00f3s, membros do Seu Povo. N\u00e3o os ameis como o mundo ama, mas como Cristo ama, pois n\u00e3o \u00e9 como homens simp\u00e1ticos e dedicados que eles vos s\u00e3o enviados, mas como ministros de Cristo e express\u00e3o do Seu amor por v\u00f3s. \tE a v\u00f3s que o Senhor vai consagrar para o servi\u00e7o do Povo de Deus eu digo: respondei sempre ao amor com que sois amados, distribuindo os dons de Deus de que sois ministros, procurai perceber qual \u00e9 a gra\u00e7a que cada um precisa mais, em cada momento. Fazei sempre da vossa simpatia humana a express\u00e3o da ternura de Deus pelo Seu Povo. N\u00e3o vos iludais com express\u00f5es, apenas humanas, do amor recebido e respondido. Elas desviar-vos-\u00e3o da exclusividade do amor de Jesus Cristo.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia na Missa de ordena\u00e7\u00f5es, em Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[206,275,294],"class_list":["post-12610","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-familia","tag-pascoa","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12610\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}