{"id":1255,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/ser-tambem-cardeal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"ser-tambem-cardeal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ser-tambem-cardeal\/","title":{"rendered":"Ser tamb\u00e9m Cardeal"},"content":{"rendered":"<p>Os depoimentos que seguem s\u00e3o do outro Cardeal Portugu\u00eas: D. Jos\u00e9 Saraiva Martins. Por iniciativa da Ag\u00eancia Ecclesia, responde a quest\u00f5es que relacionam ser Bispo com ser Cardeal. Outra dimens\u00e3o do episcopado de D. Jos\u00e9 Policarpo. <!--more--> Ag\u00eancia Ecclesia &#8211; Ser cardeal acrescenta o qu\u00ea ao ser bispo? Cardeal Saraiva Martins &#8211; H\u00e1 que distinguir entre sacramentalidade e servi\u00e7o. Sob o ponto de vista da sacramentalidade, n\u00e3o acrescenta nada; sob o ponto de vista do servi\u00e7o eclesial, sim. O cardinalado, em si, nada tem a ver com o episcopado. Se muita gente considera o cardinalado como um grau na carreira eclesi\u00e1stica, acima do arcebispo e imediatamente antes de Papa, um conhecimento m\u00ednimo de teologia sacramental mostra que os graus do sacramento da Ordem s\u00e3o tr\u00eas: diaconado, presbiterado e episcopado. Os c\u00f3negos e os monsenhores s\u00e3o simples presb\u00edteros: os c\u00f3negos s\u00e3o sacerdotes que exercem um determinado servi\u00e7o de colabora\u00e7\u00e3o com o bispo no governo da diocese, e os monsenhores s\u00e3o sacerdotes a quem a Santa S\u00e9, a pedido do respectivo Bispo, concede uma determinada honorifici\u00ean-cia. Os cardeais s\u00e3o bispos e, antes do Pontificado de Jo\u00e3o XXIII, at\u00e9 podiam n\u00e3o s\u00ea-lo; havia-os que se mantinham simples di\u00e1conos ou presb\u00edteros. O pr\u00f3prio Papa \u00e9 um bispo, o Bispo de Roma, que, como tal, tem o carisma do minist\u00e9rio petrino, ou seja, o de ser Pastor da Igreja Universal. Com a chamada a Reforma Gregoriana, no s\u00e9culo X, o Papa rodeou-se de eclesi\u00e1sticos eminentes, alguns monges, provenientes de fora de Roma, para o ajudarem na implementa\u00e7\u00e3o da Reforma. Para tal efeito, n\u00e3o lhe bastavam as normais estruturas diocesanas da Igreja Romana. Esse grupo de colaboradores foi incardinado no clero de Roma, donde o nome de cardeais. Alguns tornaram-se titulares das sedes suburbi-c\u00e1rias, ou seja, das dioceses dos arredores de Roma; outros tornaram-se titulares de par\u00f3quias de Roma e outros de diaconias da mesma. Eis porque o col\u00e9gio cardinal\u00edcio ainda  hoje mant\u00e9m os tr\u00eas graus: bispos, presb\u00edteros e di\u00e1conos. Dada a import\u00e2ncia que o cardinalado foi assumindo atrav\u00e9s dos tempos, sobretudo na elei\u00e7\u00e3o dos Papas, a dignidade e responsabilidade foi estendida a bispos residenciais, ou em virtude da import\u00e2ncia da sede ou da benemer\u00eancia do titular.  E assim, apareceram bispos que s\u00e3o ao mesmo tempo cardeais. \u00c9 o caso, em Portugal, do Patriarca de Lisboa, que desde h\u00e1 muito \u00e9 elevado \u00e0 dignidade cardinal\u00edcia. H\u00e1 cardeais, como \u00e9 o meu caso, que n\u00e3o t\u00eam a seu cargo o governo de uma diocese; colaboram com o Papa de forma ordin\u00e1ria no governo da Igreja Universal, em geral presidindo a algum Dicast\u00e9rio da Santa S\u00e9. E h\u00e1 cardeais, como o Senhor Patriarca de Lisboa, cuja responsabilidade imediata e ordin\u00e1ria \u00e9 a governa\u00e7\u00e3o de uma diocese, mas que, como cardeais, s\u00e3o chamados, em determinados momentos, a prestar a sua colabora\u00e7\u00e3o ao Papa, ou participando em especiais reuni\u00f5es dos Dicast\u00e9rio da C\u00faria Romana de que fazem parte, ou noutras para que s\u00e3o, vez por vez, convocados pelo Santo Padre, ou ent\u00e3o no conclave de elei\u00e7\u00e3o do novo Papa. Portanto, o ser cardeal, por si, nada acrescenta ao ser bispo. Acrescenta sim, seja ele bispo ou n\u00e3o, uma responsabilidade especial de colabora\u00e7\u00e3o no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio petrino.  AE \u2013 Sendo Cardeal, o Bispo deixa de ser exclusivamente de uma diocese? Tem que olhar tamb\u00e9m a Igreja Universal? CSM &#8211; \u00c9 uma pergunta que tem resposta na precedente. Vamos ao caso concreto do Senhor  Patriarca de Lisboa. Nas responsabilidades de bispo da diocese, nada mudou com a sua eleva\u00e7\u00e3o ao cardinalado. Era Bispo de Lisboa e como tal continuou. Os seus colegas no episcopado, os bispos das dioceses portuguesas, n\u00e3o alteraram em nada as suas rela\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es com o novo cardeal. Se alguma depend\u00eancia existia e continua a existir \u00e9 enquanto metropolita, pois Lisboa \u00e9 sede metropolita, como Braga e \u00c9vora, de que dependem em certas atribui\u00e7\u00f5es as dioceses sufrag\u00e2neas. Como cardeal, o Senhor Patriarca passou a assumir uma nova responsabilidade de respiro universal, que \u00e9 a de colaborar com o sucessor de Pedro no pastoreio da Igreja Universal, e nas formas estabelecidas pelas normas can\u00f3nicas. A compara\u00e7\u00e3o pode ser impr\u00f3pria, mas serve para dar uma ideia: \u00e9 como um professor de uma disciplina, que acumula outra; a primeira deixou de ser exclusiva.   AE \u2013 Qual a sua opini\u00e3o acerca destes 25 anos de Episcopado do Cardeal Patriarca de Lisboa? CSM &#8211; \u00c9 uma efem\u00e9ride digna de ser celebrada, bem como o seu servi\u00e7o episcopal de 25 anos, todos eles dedicados  ao Patriarcado de Lisboa, primeiro como bispo auxiliar e, de h\u00e1 uns anos a esta parte, como Patriarca. Os jubileus s\u00e3o marcos muito significativos na vida das pessoas e das institui\u00e7\u00f5es. J\u00e1 v\u00eam dos tempos b\u00edblicos. Celebram-se os anivers\u00e1rios e d\u00e1-se particular relevo a alguns deles: 25, 50, 75, 100 anos&#8230;  Celebram os consagrados os seus jubileus de profiss\u00e3o religiosa, os sacerdotes os da ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, os casados os de matrim\u00f3nio.  Estas comemora\u00e7\u00f5es s\u00e3o ricas de significado; n\u00e3o s\u00f3 servem para homenagear o festejado, mas tamb\u00e9m para revitalizar o acontecimento assinalado: a vida consagrada, o sacerd\u00f3cio ou o episcopado, a vida matrimonial, etc.  Procura-se evocar a gra\u00e7a que se celebra. Assim, o jubileu torna-se um acontecimento enriquecedor para o homenageado e, em certo sentido, tamb\u00e9m para os homenageantes. No caso concreto dos 25 anos de episcopado do Senhor Cardeal Patriarca, a celebra\u00e7\u00e3o jubilar serve tamb\u00e9m para real\u00e7ar a figura e o m\u00fanus do bispo na Igreja local. Consta-me que as diversas for\u00e7as vivas do Patriarcado t\u00eam procurado celebrar o acontecimento de forma eclesial. Certamente n\u00e3o faltar\u00e3o frutos de vitalidade para a Igreja diocesana.  Nesse sentido, o jubileu episcopal do Senhor D. Jos\u00e9 Policarpo, como o do Santo Padre no pr\u00f3ximo Outubro, s\u00e3o gra\u00e7as bem-vindas, que se tem de aproveitar.  AE \u2013 Que sintonia e cumplicidades existem entre os dois Cardeais portugueses? CSM &#8211; A pergunta parece ter um qu\u00ea de sindicato, como se os cardeais estivessem ao servi\u00e7o das pr\u00f3prias na\u00e7\u00f5es ou fossem os garantes dos interesses destas junto do Santo Padre ou no governo da Igreja Universal. Houve tempos em que havia os chamados cardeais da coroa; tempos em que os inspiradores e solicitadores de muitas cria\u00e7\u00f5es cardinal\u00edcias eram os soberanos. Gra\u00e7as a Deus que esses tempos passaram. O Senhor Cardeal Patriarca tem a sua personalidade, a sua riqueza intelectual e de experi\u00eancia pastoral, e s\u00e3o dessas de que o Santo Padre e a Santa S\u00e9 se servem. Da minha parte, tamb\u00e9m tenho alguma experi\u00eancia, o meu modo de ser, que ponho ao servi\u00e7o dos mesmos. Portanto cumplicidades, no sentido acima dito, propriamente n\u00e3o as h\u00e1. Sintonias, deixo aos outros descobri-las e apreci\u00e1-las. \u00c9 evidente  que existem pontos comuns entre n\u00f3s dois: somo ambos portugueses, filhos e int\u00e9rpretes da lusitanidade e da nossa rica Hist\u00f3ria, tamb\u00e9m eclesi\u00e1stica. Somos ambos especializados em Teologia e no nosso curriculum exercemos em tempos a actividade docente: o Senhor Cardeal Patriarca na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e eu na Pontif\u00edcia Universidade Urbaniana. Quando se nos d\u00e1 a oportunidade de um encontro ou de participarmos nalguma reuni\u00e3o comum, \u00e9 sempre com prazer que me entretenho com o Senhor Cardeal D. Jos\u00e9 Policarpo e \u00e9 com interesse que o escuto. Sinto por ele sincera e profunda estima. Aproveito o ensejo para felicit\u00e1-lo pelo seu Jubileu de episcopado, pedindo ao Senhor que lhe d\u00ea luz e for\u00e7a para continuar a servir de forma t\u00e3o digna e frutuosa a Igreja que tem a seu cargo, Portugal e a Igreja Universal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os depoimentos que seguem s\u00e3o do outro Cardeal Portugu\u00eas: D. Jos\u00e9 Saraiva Martins. Por iniciativa da Ag\u00eancia Ecclesia, responde a quest\u00f5es que relacionam ser Bispo com ser Cardeal. Outra dimens\u00e3o do episcopado de D. 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