{"id":125357,"date":"2019-01-21T11:40:24","date_gmt":"2019-01-21T11:40:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=125357"},"modified":"2019-01-28T10:51:07","modified_gmt":"2019-01-28T10:51:07","slug":"noticias-uma-hora-de-informacao-ou-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/noticias-uma-hora-de-informacao-ou-depressao\/","title":{"rendered":"Not\u00edcias: uma hora de informa\u00e7\u00e3o ou depress\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Autor<\/a><\/em><!--more--><\/p>\n<p><em>H\u00e1 muitos anos um amigo disse-me &#8211; <\/em>\u201c ver o telejornal \u00e9 assistir a uma hora de depress\u00e3o.\u201d<em> A partir desse momento experimentei deixar de ver o telejornal e passei a estar mais bem disposto. Mas n\u00e3o \u00e9 importante estarmos informados e saber o que se passa no mundo?<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/telejornal_informacao.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-125361 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/telejornal_informacao-400x224.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/telejornal_informacao-400x224.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/telejornal_informacao-768x430.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/telejornal_informacao-1024x573.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/telejornal_informacao-1080x605.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/telejornal_informacao.jpg 1170w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>O acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o hoje n\u00e3o \u00e9 o mesmo do que h\u00e1 10 ou 20 anos. Tudo est\u00e1 \u00e0 dist\u00e2ncia de um dedo. Mas o problema \u00e9 que esse <em>tudo<\/em> no s\u00e9culo XXI significa uma quantidade de informa\u00e7\u00e3o tal que nenhum ser humano possui a capacidade de a processar. O consumo de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 visto como algo socialmente bom, mas ser\u00e1? Qual a raz\u00e3o de consumirmos tanta informa\u00e7\u00e3o? \u00c9 para estarmos a par de tudo o que se passa no mundo? E para qu\u00ea? Neste momento n\u00e3o sei se nos torn\u00e1mos vorazes consumidores de informa\u00e7\u00e3o, ou se nos deixamos consumir por tanta informa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o nos damos conta disso. H\u00e1 um perigo \u00e0 espreita.<\/p>\n<h3>O perigo de informa\u00e7\u00e3o a mais<\/h3>\n<p>Estar informado de tudo e mais alguma coisa n\u00e3o \u00e9 o mesmo do que saber o que se passa realmente. O ser humano n\u00e3o recebe apenas informa\u00e7\u00e3o, mas processa-a no seu interior. Confronta essa informa\u00e7\u00e3o com a sua experi\u00eancia, procura diversas fontes e analisa-as. E s\u00f3 no fim produz uma ideia sobre o assunto.<\/p>\n<p>Quando ouvimos pessoas que est\u00e3o informados sobre tanta coisa ficamos fascinados, e corremos o risco de confundir estar informado com saber. Por vezes, aquele que consegue debitar muita informa\u00e7\u00e3o memorizada da que consumiu, acaba por revelar a dificuldade que tem em pensar no seu interior. Esse \u00e9 o perigo. Mascarar a dificuldade de pensar dentro de n\u00f3s com uma busca insaci\u00e1vel pelo que se passa fora de n\u00f3s.<\/p>\n<h3>O efeito psicol\u00f3gico de notici\u00e1rios da desgra\u00e7a<\/h3>\n<p>O psic\u00f3logo americano, <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Anxiety-Epidemic-Causes-Modern-Anxieties\/dp\/1472140966\">Graham Davey<\/a>, especialista em ansiedade diz que<\/p>\n<blockquote><p>\u201dse um programa de televis\u00e3o gera experi\u00eancias negativas de humor (por exemplo, ansiedade, tristeza, raiva, desgosto), ent\u00e3o, estas experi\u00eancias afectar\u00e3o o modo como interpretamos os eventos da nossa vida, quais os tipos de mem\u00f3rias que relembramos, e quanto nos preocupamos acerca desses eventos.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas ser\u00e1 que isto inclui programas como o telejornal? Al\u00e9m do aumento da negatividade das not\u00edcias que assistimos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a tend\u00eancia para tornar essas not\u00edcias mais emotivas e sensacionalistas tamb\u00e9m aumentou. No seu livro <em>&#8220;Newszak and News Media\u201d<\/em>, o professor de jornalismo da Universidade de Cardiff <a href=\"https:\/\/twitter.com\/profbobfranklin?lang=en\">Bob Franklin<\/a> diz que<\/p>\n<blockquote><p>\u201do entertenimento superou a provis\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o; o interesse humano suplantou o interesse p\u00fablico; o ju\u00edzo medido sucumbiu ao sensasionalismo.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Quer isto dizer que acaba por haver uma competi\u00e7\u00e3o entre os telejornais e os programas de entertenimento que antes n\u00e3o havia. Graham Davey acabou por fazer um <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/14149927_The_psychological_impact_of_negative_TV_news_bulletins_The_catastrophizing_of_personal_worries\">estudo<\/a> sobre o efeito psicol\u00f3gico dos notici\u00e1rios da desgra\u00e7a para confirmar como esses afectavam o humor das pessoas, mas descobriram algo mais. As pessoas que viram os notici\u00e1rios carregados de negatividade passaram a ter mais preocupa\u00e7\u00f5es e com tend\u00eancia a falar mais delas. De tal modo que come\u00e7avam a fazer com que essas preocupa\u00e7\u00f5es parecessem piores do que realmente eram.<\/p>\n<h3>Momento de uma atitude criativa<\/h3>\n<p>Quando as pessoas argumentam como \u00e9 importante saber o que se passa no mundo, esquecem que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o mal que acontece, mas tamb\u00e9m o bem. E em vez das not\u00edcias negativas ajudarem-nos a reflectir sobre a nossa vida e o que podemos fazer para minorar o sofrimento dos outros, acabamos por ficar mais tristes, ansiosos e exacerbar as nossas preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Depois do que aconteceu \u00e0 minha amiga e psic\u00f3loga <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/maria.vilaca\/posts\/10212716871667803\">Maria Jos\u00e9 Vila\u00e7a<\/a>, tamb\u00e9m o jornalismo de investiga\u00e7\u00e3o que, supostamente, nos deveria ajudar a pensar, tornou-se jornalismo de difama\u00e7\u00e3o. E a raz\u00e3o \u00e9 a mesma, enterter as pessoas com negatividade e ideologia.<\/p>\n<p>Creio que devemos estar muito atentos e n\u00e3o desprezar a reflex\u00e3o interior. Quando ouvimos not\u00edcias, n\u00e3o esquecer de as questionar. Ou ent\u00e3o, fazer a simples experi\u00eancia de n\u00e3o ver qualquer telejornal durante uma semana e avaliar sentimos o efeito da aus\u00eancia de negatividade nos nossos pensamentos e preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Talvez seja o momento de uma atitude criativa e\u2026 voltarmo-nos para os jornais (papel ou online). De voltarmos a <em>ler<\/em> not\u00edcias porque qualquer leitura \u00e9 sempre mais interpelante do que o mero consumo de informa\u00e7\u00e3o e favorece o pensamento interior sobre as coisas. Mas n\u00e3o guardar para n\u00f3s o que pensamos e partilhar com os outros. Por vezes, as perspectivas diferentes da nossa ajudam-nos a ter uma percep\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima da realidade e, quem sabe, mais positiva da vida.<\/p>\n<figure id=\"attachment_125363\" aria-describedby=\"caption-attachment-125363\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ler_jornal.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-125363 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ler_jornal.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ler_jornal.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ler_jornal-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ler_jornal-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ler_jornal-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ler_jornal-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-125363\" class=\"wp-caption-text\">Photo by rawpixel on Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o 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