{"id":124237,"date":"2019-01-08T18:12:41","date_gmt":"2019-01-08T18:12:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=124237"},"modified":"2019-01-09T13:36:37","modified_gmt":"2019-01-09T13:36:37","slug":"mensagem-do-papa-francisco-para-o-xxvii-dia-mundial-do-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-papa-francisco-para-o-xxvii-dia-mundial-do-doente\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa Francisco para o XXVII Dia Mundial do Doente"},"content":{"rendered":"<p>11 DE FEVEREIRO DE 2019<!--more--><\/p>\n<p><strong><em>\u00abRecebestes de gra\u00e7a, dai de gra\u00e7a\u00bb <\/em><\/strong><em>(<\/em>Mt<em>\u00a010,8)<\/em><\/p>\n<p><em>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/em><\/p>\n<p>\u00abRecebestes de gra\u00e7a, dai de gra\u00e7a\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a010,8): estas s\u00e3o palavras pronunciadas por Jesus quando enviou os ap\u00f3stolos a espalhar o Evangelho, para que o seu Reino se propagasse atrav\u00e9s de gestos de amor gratuito.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o do XXVII Dia Mundial do Doente, que ser\u00e1 celebrado de modo solene em Calcut\u00e1, na \u00cdndia, a 11 de fevereiro de 2019, a Igreja \u2013 M\u00e3e de todos os seus filhos, mas com uma solicitude especial pelos doentes \u2013 lembra que o caminho de evangeliza\u00e7\u00e3o mais cred\u00edvel s\u00e3o gestos de dom gratuito como os do Bom Samaritano. O cuidado dos doentes precisa de profissionalismo e de ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma car\u00edcia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos \u00e9 \u201cquerido\u201d.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 dom de Deus, pois \u2013 como adverte S\u00e3o Paulo \u2013 \u00abque tens tu que n\u00e3o tenhas recebido?\u00bb (<em>1 Cor<\/em>\u00a04,7). E, precisamente porque \u00e9 dom, a exist\u00eancia n\u00e3o pode ser considerada como mera posse ou propriedade privada, sobretudo face \u00e0s conquistas da medicina e da biotecnologia, que poderiam levar o homem a ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de manipular a \u201c\u00e1rvore da vida\u201d (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a03,24).<\/p>\n<p>Contra a cultura do descarte e da indiferen\u00e7a, cumpre-me afirmar que h\u00e1-de colocar-se o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmenta\u00e7\u00e3o social dos nossos dias, para promover novos v\u00ednculos e v\u00e1rias formas de coopera\u00e7\u00e3o humana entre povos e culturas. Como pressuposto do dom, temos o di\u00e1logo, que abre espa\u00e7os relacionais de crescimento e progresso humano capazes de romper os esquemas consolidados de exerc\u00edcio do poder na sociedade. Dar n\u00e3o se identifica com o ato de oferecer um presente, porque s\u00f3 pode dizer-se \u201cdom\u201d se nos dermos a n\u00f3s mesmos: n\u00e3o pode reduzir-se \u00e0 mera transfer\u00eancia de uma propriedade ou de algum objeto. Distingue-se de \u201coferecer um presente\u201d precisamente porque inclui o dom de si mesmo e sup\u00f5e o desejo de estabelecer um v\u00ednculo. Assim, antes de mais nada, o <em>dom<\/em> \u00e9 um reconhecimento rec\u00edproco, que constitui o car\u00e1ter indispens\u00e1vel do v\u00ednculo social. No <em>dom<\/em> h\u00e1 o reflexo do amor de Deus que culmina na encarna\u00e7\u00e3o do Filho Jesus e na efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Todo o homem \u00e9 pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de n\u00f3s nunca conseguir\u00e1, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda dos outros, nunca conseguir\u00e1 arrancar de si mesmo o limite da impot\u00eancia face a algu\u00e9m ou a alguma coisa. Tamb\u00e9m esta \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o que carateriza o nosso ser \u201ccriaturas\u201d. O reconhecimento leal desta verdade convida-nos a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispens\u00e1vel \u00e0 exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Esta consci\u00eancia impele-nos a uma pr\u00e1xis respons\u00e1vel e responsabilizadora, tendo em vista um bem que \u00e9 indivisivelmente pessoal e comum. S\u00f3 quando o homem se concebe, n\u00e3o como um mundo fechado em si mesmo, mas como algu\u00e9m que, por sua natureza, est\u00e1 ligado a todos os outros, originariamente sentidos como \u201cirm\u00e3os\u201d, \u00e9 poss\u00edvel uma pr\u00e1xis social solid\u00e1ria, orientada para o bem comum. N\u00e3o devemos ter medo de nos reconhecermos necessitados e incapazes de nos darmos tudo aquilo de que ter\u00edamos necessidade, porque n\u00e3o conseguimos, sozinhos e apenas com as nossas for\u00e7as, vencer todos os limites. N\u00e3o temamos este reconhecimento, porque o pr\u00f3prio Deus, em Jesus, desceu\u00a0 (cf.\u00a0<em>Flp\u00a0<\/em>2,8), e desce at\u00e9 n\u00f3s e at\u00e9 \u00e0s nossas pobrezas para nos ajudar e nos dar aqueles bens que, sozinhos, nunca poder\u00edamos ter.<\/p>\n<p>Aproveitando a circunst\u00e2ncia desta celebra\u00e7\u00e3o solene na \u00cdndia, quero lembrar, com alegria e admira\u00e7\u00e3o, a figura da Santa Madre Teresa de Calcut\u00e1, um modelo de caridade que tornou vis\u00edvel o amor de Deus pelos pobres e pelos doentes. Como dizia na sua canoniza\u00e7\u00e3o, \u00abMadre Teresa,\u00a0ao longo de toda a sua exist\u00eancia, foi uma dispensadora generosa da miseric\u00f3rdia divina, fazendo-se dispon\u00edvel a todos, atrav\u00e9s do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e dos abandonados e descartados. [&#8230;] Desceu at\u00e9 \u00e0s pessoas indefesas, deixadas moribundas \u00e0 beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes [\u2026] da pobreza que eles mesmos tinham criado. A miseric\u00f3rdia foi para ela o \u201csal\u201d, que dava sabor a todas as suas obras, e a \u201cluz\u201d que iluminava a escurid\u00e3o de todos aqueles que nem j\u00e1 tinham l\u00e1grimas para chorar pela sua pobreza e pelo seu sofrimento. A sua miss\u00e3o nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres\u00bb (Homilia, 4\/IX\/2016)-<\/p>\n<p>A Santa Madre Teresa ajuda-nos a compreender que o \u00fanico crit\u00e9rio de a\u00e7\u00e3o deve ser o amor gratuito para com todos, sem distin\u00e7\u00e3o de l\u00edngua, cultura, etnia ou religi\u00e3o. O seu exemplo continua a guiar-nos na abertura de horizontes de alegria e esperan\u00e7a para a humanidade necessitada de compreens\u00e3o e ternura, especialmente para as pessoas que sofrem.<\/p>\n<p>A gratuidade humana \u00e9 o fermento da a\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios, que t\u00eam tanta import\u00e2ncia, quer no sector social, quer no da sa\u00fade, e que vivem de modo eloquente a espiritualidade do Bom Samaritano. Agrade\u00e7o e encorajo todas as associa\u00e7\u00f5es de voluntariado que se ocupam do transporte e assist\u00eancia dos doentes, aquelas que possibilitam as doa\u00e7\u00f5es de sangue, de tecidos e de \u00f3rg\u00e3os. Um campo especial onde a vossa presen\u00e7a expressa a solicitude da Igreja \u00e9 o da tutela dos direitos dos doentes, sobretudo de quantos se v\u00eaem afetados por patologias que exigem cuidados especiais, sem esquecer o campo da sensibiliza\u00e7\u00e3o e da preven\u00e7\u00e3o. Revestem-se de import\u00e2ncia fundamental os vossos servi\u00e7os de voluntariado nas estruturas de sa\u00fade e no domic\u00edlio, que v\u00e3o da assist\u00eancia ao apoio espiritual. Deles beneficiam tantas pessoas doentes, s\u00f3s, idosas, com fragilidades ps\u00edquicas e motoras. Exorto-vos a continuar a ser sinal da presen\u00e7a da Igreja no mundo secularizado. O volunt\u00e1rio \u00e9 um amigo desinteressado, a quem se pode confidenciar pensamentos e emo\u00e7\u00f5es; atrav\u00e9s da escuta, ele cria as condi\u00e7\u00f5es para que o doente deixe de ser objeto passivo de cuidados e se torne sujeito ativo e protagonista duma rela\u00e7\u00e3o de reciprocidade, capaz de recuperar a esperan\u00e7a e mais capaz de aceitar os tratamentos. O voluntariado comunica valores, comportamentos e estilos de vida que, no centro, t\u00eam o fermento da doa\u00e7\u00e3o. Deste modo realiza-se tamb\u00e9m a humaniza\u00e7\u00e3o dos cuidados.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o da gratuidade deveria animar sobretudo as estruturas de sa\u00fade cat\u00f3licas, porque \u00e9 a l\u00f3gica evang\u00e9lica que qualifica a sua a\u00e7\u00e3o, quer nas zonas mais desenvolvidas do mundo, quer nas mais carenciadas. As estruturas cat\u00f3licas s\u00e3o chamadas a expressar o sentido do dom, da gratuidade e da solidariedade, como resposta \u00e0 l\u00f3gica do lucro a todo o custo, do dar para receber, da explora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o respeita as pessoas.<\/p>\n<p>Exorto-vos a todos, nos v\u00e1rios n\u00edveis, a promover a cultura da gratuidade e do dom, indispens\u00e1vel para superar a cultura do lucro e do descarte. As institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas de sa\u00fade n\u00e3o deveriam cair no estilo empresarial, mas salvaguardar mais o cuidado da pessoa que o lucro. Sabemos que a sa\u00fade \u00e9 relacional, depende da intera\u00e7\u00e3o com os outros e precisa de confian\u00e7a, amizade e solidariedade; \u00e9 um bem que s\u00f3 se pode gozar \u201cplenamente\u201d se for partilhado. A alegria do dom gratuito \u00e9 o indicador de sa\u00fade do crist\u00e3o.<\/p>\n<p>A todos vos confio a Maria,\u00a0<em>Salus infirmorum<\/em>. Que Ela nos ajude a partilhar os dons recebidos com o esp\u00edrito do di\u00e1logo e m\u00fatuo acolhimento, a viver como irm\u00e3os e irm\u00e3s, cada um atento \u00e0s necessidades dos outros, a saber dar com cora\u00e7\u00e3o generoso, a aprender a alegria do servi\u00e7o desinteressado. Com afeto, asseguro a todos a minha proximidade na ora\u00e7\u00e3o e envio-vos de cora\u00e7\u00e3o a B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Vaticano, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo,<br \/>\n<\/em><em>25 de novembro de 2018.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Franciscus<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11 DE FEVEREIRO DE 2019<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[166],"class_list":["post-124237","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-dia-mundial-do-doente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124237","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124237"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124237\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124237"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124237"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124237"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}