{"id":12413,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/reliquia-de-s-telmo-ingressa-na-igreja-de-massarelos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"reliquia-de-s-telmo-ingressa-na-igreja-de-massarelos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/reliquia-de-s-telmo-ingressa-na-igreja-de-massarelos\/","title":{"rendered":"Rel\u00edquia de S. Telmo ingressa na Igreja de Massarelos"},"content":{"rendered":"<p>Patrono dos marinheiros \u00e9 referido nos Lus\u00edadas <!--more--> No dia 12 de Junho realizou-se a cerim\u00f3nia da entrega de uma rel\u00edquia do pregador dominicano S. Telmo, que viveu entre os s\u00e9c. XII e XIII e se tornou o patrono dos marinheiros, e assim \u00e9 referido nos Lus\u00edadas de Cam\u00f5es, conforme recordou o Bispo do Porto na sua homilia. Foi por acordo entre as autoridades eclesi\u00e1sticas e civis da cidade de Tui, em cuja catedral se encontra o corpo do santo, que uma sua rel\u00edquia foi tresladada, em relic\u00e1rio com a imagem do santo, conduzida pelo p\u00e1roco, Ant\u00f3nio Pacheco Gon\u00e7alves, para a Igreja do Corpo Santo de Massarelos, que tamb\u00e9m o escolheu como padroeiro. Junto ao cais do Douro, local de acostamento de navios, a Igreja de Massarelos data na sua forma actual do s\u00e9culo XVIII (1776), mas ouras ermidas mais modestas ali se situaram antes, estando o espa\u00e7o tamb\u00e9m ligado ao Infante D. Henrique (recordado no painel de azulejos na parte da igreja voltada para o rio Douro). Esta treslada\u00e7\u00e3o resoltou de um entendimento entre a Confraria de Massarelos, a Junta de Freguesia, a Catedral e a Confraia de S. Telmo de Tui, o Bispado e o Cabido Portucalense e as C\u00e2maras do Porto e de Vigo. Na homilia que proferiu, D. Armindo Lopes Coelho registou e enquadrou os factos hist\u00f3ricos e o sentido da devo\u00e7\u00e3o popular: S. Pedro Gonz\u00e1lez Telmo (n\u00f3s dizemos S. Pedro Gon\u00e7alves Telmo), nasceu em Fr\u00f3mista (Pal\u00eancia) (outros dizem em Astorga) pelo ano 1190. Ter\u00e1 falecido em 1243 (ou 1246). Sobrinho de um bispo, foi muito novo nomeado c\u00f3nego, e chegou a de\u00e3o. Certo acidente daquela vida jovem e despreocupada provocou-lhe uma mudan\u00e7a profunda. Fez-se dominicano, passando a ocupar o tempo na prega\u00e7\u00e3o e no minist\u00e9rio da confiss\u00e3o. Tamb\u00e9m participou em campanhas contra os mouros, ao lado do rei, mas a sua voca\u00e7\u00e3o e preocupa\u00e7\u00e3o religiosa f\u00ea-lo passar por Compostela, Lugo, Ribad\u00e1via, Amarante (Cf. Tradi\u00e7\u00e3o de S. Gon\u00e7alo) e principalmente Tuy, onde morreu.A esta actividade de pregador est\u00e1 ligado o milagre que se lhe atribui. Estando a pregar, em Bayona, enfrenta uma tempestade que perturba o ambiente. Como Cristo, segundo os Evangelhos, Pedro Gonz\u00e1lez imperou ao vento e aos outros elementos. E voltou a tranquilidade e a bonan\u00e7a. \u00c9 o padroeiro dos marinheiros e mareantes. Pela mesma \u00e9poca, este centro cultural e cultual de Massarelos, dedicado a Nossa Senhora da Boa Viagem, dependia da Colegiada de Cedofeita, at\u00e9 se tornar freguesia aut\u00f3noma. O s\u00e9culo XII, nesta \u00e1rea do Porto, estava organizado socialmente \u00e0 base de corpora\u00e7\u00f5es (de artes e of\u00edcios) e de confrarias. Tendo come\u00e7ado as respectivas hist\u00f3rias em proximidade e paralelismo, foram-se depois separando, reservando-se as confrarias para o bem das almas. Segundo documenta\u00e7\u00e3o transcrita em arquivo, no ano de 1394 um gale\u00e3o com o nome de S. Pedro dirigia-se de Londres para o Porto, comandado pelo Capit\u00e3o Ant\u00f3nio Esp\u00edrito Santo Silva, sendo gajeiro In\u00e1cio de Sousa, com uma tripula\u00e7\u00e3o de mais vinte e sete homens,. Tendo chegado ao mar da Viscaya foram surpreendidos por um violento temporal que fez correr perigo a vida de todos os passageiros. Invocaram S. Telmo, e logo a sua imagem apareceu no topo dos mastros com tr\u00eas far\u00f3is acesos. A tempestade acalmou, seguiram viagem e aportaram em Vigo. No dia seguinte dirigiram-se a Tuy agradecer a S. Telmo junto do seu t\u00famulo. E prometeram erguer uma ermida na sua terra, aqui, onde chegaram em 20 de Dezembro de 1394. Foi na ermida de S. Pedro Telmo, anterior a esta igreja do Corpo Santo de Massarelos, que teve origem, em 1394, a Confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos. Nasceu de um voto religioso e estava ligada ao of\u00edcio de marinheiro, sob a protec\u00e7\u00e3o de S. Telmo, padroeiro dos marinheiros. No mesmo ano de 1394 nasceu e foi baptizado no Porto o Infante D. Henrique, o Navegador. Sendo uma confraria de irm\u00e3os, dedicada ao bem das almas a \u00e0 ajuda dos necessitados, esta Confraria teve a preocupa\u00e7\u00e3o e a dita de atrair irm\u00e3os qualificados. O Infante D. Henrique foi juiz honor\u00e1rio da Confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos. Foi irm\u00e3o da Confraria D. Lopo de Almeida, cujo nome ficou para sempre ligado \u00e0 institucionaliza\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade, atrav\u00e9s do Hospital de Santo Ant\u00f3nio. O nosso poeta Cam\u00f5es transporta-nos \u00e0 vis\u00e3o tr\u00e1gica dos mares em revolta para nos tornar presentes os milagres e a protec\u00e7\u00e3o de S. Temo: \u201cVi, claramente visto, o lume vivo que a mar\u00edtima gente tem por santo, em tempo de tormenta e vento esquivo, de tempestade escura e triste pranto. N\u00e3o menos foi a todos excessivo milagre, e cousa, certo, de algo espanto, ver as nuvens, do mar com largo cano, sorver as altas \u00e1guas do Oceano.\u201d (Canto V, 18)  Evocada a hist\u00f3ria e lembrados os elos de liga\u00e7\u00e3o entre Tuy e Massarelos, pela analogia do milagre e pela protec\u00e7\u00e3o de S. Telmo, que de algum modo faz comum a hist\u00f3ria mar\u00edtima e a f\u00e9 dos marinheiro das nossas p\u00e1trias, agradecemos a S. Ex.cia Rev.ma o Senhor Bispo de Tuy-Vigo e a toda a Comitiva presidida pelo senhor Bispo Em\u00e9rito de Tuy-Vigo a merc\u00ea que nos fazem de nos doar e trazer uma rel\u00edquia de S. Pedro Telmo, a fim de podermos deste modo refazer a rela\u00e7\u00e3o que aqui foi lembrada. Foi tamb\u00e9m uma oportunidade para evocar a hist\u00f3ria, a tradi\u00e7\u00e3o, aut\u00eantica ou legend\u00e1ria, que envolve a figura de S. Pedro Gon\u00e7alves Telmo. Devo confessar que n\u00e3o estou angustiado por n\u00e3o conhecer toda a verdade ou realidade da riqu\u00edssima simbologia que sugerem a tradi\u00e7\u00e3o, a literatura, hagiogr\u00e1fica ou n\u00e3o, e as pr\u00f3prias artes pl\u00e1sticas. Tem especial significado a tr\u00edplice luz dos far\u00f3is como afirma\u00e7\u00e3o da Trindade de Deus em tempo da crise albigense. Como permanece o mist\u00e9rio do \u201cfogo de santelmo\u201d, referido na tradi\u00e7\u00e3o, na hagiografia e, em termos textuais, nas defini\u00e7\u00f5es dos dicion\u00e1rios normais: \u201cPequena chama, devida \u00e0 electricidade atmosf\u00e9rica, que aparece ocasionalmente na extremidade dos mastros e das vergas dos navios ou nos filamentos dos cabos\u201d; ou \u201clume vivo\u201d (Cf. Dicion\u00e1rio Houaiss da L\u00edngua Portuguesa, fogo-de-santelmo). A natureza no complexo das criaturas e dos fen\u00f3menos, as tradi\u00e7\u00f5es e os s\u00edmbolos, os sentimentos e todos os constituintes da beleza coexistem com a f\u00e9 na profundidade do mist\u00e9rio e na amizade dos povos que t\u00eam consci\u00eancia de serem uma \u00fanica fam\u00edlia. \u00c9 este o sentido do nosso testemunho comum, hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patrono dos marinheiros \u00e9 referido nos Lus\u00edadas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[160,187,206],"class_list":["post-12413","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-diocese-do-porto","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12413\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}