{"id":12407,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/padre-por-paixao\/"},"modified":"2018-03-06T14:02:38","modified_gmt":"2018-03-06T14:02:38","slug":"padre-por-paixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/padre-por-paixao\/","title":{"rendered":"Padre por paix\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino, Bispo de Aveiro, celebrou este fim-de-semana as suas bodas de ouro sacerdotais. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o prelado, uma das figuras mais respeitadas da Igreja em Portugal, fala do seu percurso e do que ainda pensa fazer <!--more--> <i>Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 Qual \u00e9 o balan\u00e7o que faz de 50 anos de vida sacerdotal? D. Ant\u00f3nio Marcelino \u2013<\/i> Quando n\u00f3s nos entregamos a Deus de forma total, abertos \u00e0s possibilidades que o Senhor nos vai mostrando atrav\u00e9s da sociedade, a vida \u00e9 um desafio fascinante. N\u00f3s n\u00e3o somos capazes de perceber, na sua totalidade, o mist\u00e9rio do sacerd\u00f3cio quando somos ordenados. \u00c9 na confian\u00e7a que o Senhor depositou em n\u00f3s e naquela que depositamos nele, que nunca pode falhar, que descobrimos aquilo que \u00e9 ser Padre.  <i>AE \u2013 Que mudou no Pe. Ant\u00f3nio Marcelino desde a sua ordena\u00e7\u00e3o? AM \u2013<\/i> Percebi desde o princ\u00edpio que queria ser de Deus e, mais tarde, que a nossa vida em Deus passa pela nossa hist\u00f3ria humana. 50 anos permitem perceber, agora, que \u00e9 Deus que nos conduz. O Senhor foi-me tomando pela m\u00e3o, aqui e ali, nos \u00eaxitos e nos fracassos, mas sempre como amigo. Ofereceu-me possibilidades que n\u00e3o imaginava, ao servi\u00e7o do Evangelho, purificou outras coisas, e \u00e9 uma aventura apaixonante quando sentimos isso. Eu sonhava ser um p\u00e1roco na minha diocese, mas h\u00e1 sempre novos horizontes que se abrem e o Senhor foi-me conduzindo de outra maneira.  <i>AE \u2013 Como come\u00e7ou este percurso? AM \u2013<\/i> Ap\u00f3s a ordena\u00e7\u00e3o fui logo para Roma, o que considero ter sido uma gra\u00e7a muito grande. Descobri a dimens\u00e3o da catolicidade rezando o mesmo Credo com gente de outras ra\u00e7as, no contacto com o Papa, na universidade internacional. Esta experi\u00eancia preparou-me para a abertura que Deus me deu, no mundo em que estamos a viver. Regressei em 1958 para o semin\u00e1rio maior de Portalegre, para come\u00e7ar uma nova caminhada, ap\u00f3s ter entendido que tamb\u00e9m \u00e9ramos padres para preparar os leigos. Depois veio o Conc\u00edlio, um novo horizonte que se abriu. Na altura senti que o fruto estava maduro: era altura de o comer ou dele apodrecer. Vivi esses anos de forma apaixonada, e empenhei-me fortemente na sua divulga\u00e7\u00e3o \u2013 chefiando  uma equipa que passou pelas dioceses do pa\u00eds, oferecendo cursos novos sobre temas conciliares. Entretanto surgiram possibilidades de eu come\u00e7ar a ir \u00e0 \u00c1frica, onde estive pela primeira vez em 1968. Comecei por orientar retiros e encontros, um trabalho intensivo, verdadeiramente louco: depois fui durante 5 anos seguidos, dando as minhas f\u00e9rias e at\u00e9 mais do que isso. Trabalhei, aqui, em todas as dioceses do pa\u00eds e conhe\u00e7o padres em todas elas, tudo aquilo em que me empenhava era com paix\u00e3o eclesial. Gosto de dizer que n\u00e3o fiz passeios, fiz caminhadas de trabalho.  <i>AE \u2013 Um percurso de sucesso? AM \u2013<\/i>  Pus sempre muito entusiasmo naquilo que fiz e isso \u00e9 muito importante. De vez em quando surgiram doen\u00e7as graves, como hepatites e hemorragias, quando pensava que era indispens\u00e1vel. Deus foi-se mostrando, sempre, atrav\u00e9s deste tempero das capacidades com as fraquezas. Sempre senti que o Senhor mostrava a sua for\u00e7a nas nossas debilidades, pelo que me levantava facilmente quando ca\u00eda. Tudo isto para mim foi algo de extraordin\u00e1rio, porque me ajudou a pensar que o que fazia era for\u00e7a de Deus. Ap\u00f3s v\u00e1rios anos em Portalegre fui nomeado vig\u00e1rio episcopal para a Pastoral geral e corri todos os cantos e recantos. Fiz algumas loucuras por n\u00e3o pensar em descansar, mas isso fazia parte da minha caminhada. At\u00e9 que um dia me desinquietaram para ser Bispo, na altura em que pensava que o meu lugar era em Portalegre, porque a diocese era grande e precisava. Mas n\u00e3o foi assim e tive de vir para Lisboa, onde fui respons\u00e1vel pela \u00e1rea do Oeste e a\u00ed foi a mesma coisa: tamb\u00e9m posso dizer que n\u00e3o canto onde n\u00e3o tenha ido, em qualquer dos Concelhos. Depois chamaram-me para Aveiro, continuando aquilo que sempre disse: estou em Miss\u00e3o. A Igreja tem de ter a fisionomia da comunidade humana onde est\u00e1 e eu procurei que essa fisionomia existisse. Tive um antecessor not\u00e1vel, D. Almeida Trindade, um homem sereno e calmo, um te\u00f3logo. Depois tentei inovar, passando semanas nas par\u00f3quias, praticamente, preparando visitas pastorais. N\u00e3o creio que fosse, no fundo, um activista \u00e0 procura de consola\u00e7\u00e3o pessoal. Sou din\u00e2mico, isso sim, apaixonado, sentia sempre presente a urg\u00eancia do Evangelho: \u00e9 preciso evangelizar, \u00e9 isso que nos ajuda a viver.  <i>AE \u2013 Nestes anos, al\u00e9m do Conc\u00edlio do Vaticano, viveu a Revolu\u00e7\u00e3o de Abril&#8230; AM \u2013<\/i>  Essa foi outra experi\u00eancia extraordin\u00e1ria, dado que j\u00e1 tinha responsabilidades diocesanas muito grandes. Vi sequestros, assaltos, mas Deus deu-me uma for\u00e7a fant\u00e1stica e a capacidade de correr riscos. Essa foi uma boa escola de forma\u00e7\u00e3o. Nesses dois acontecimentos que vivi, para al\u00e9m da experi\u00eancia que tive em \u00c1frica, h\u00e1 em comum a vontade de Deus em mostrar o amor que tem por todos: pelos pol\u00edticos do 25 de Abril, pelos parados no Conc\u00edlio, pelos instalados no pr\u00e9-Conc\u00edlio, pelos pobres em \u00c1frica. Esse amor de Deus leva a Igreja a perceber que tem de ter respostas: a Igreja \u00e9 porta bandeira desse amor infinito de Deus. Onde quer que encontro desafios, encontro possibilidades. Lamentavelmente, sinto que a Igreja n\u00e3o est\u00e1 atenta ao que Deus semeia nos seus filhos. O Conc\u00edlio, de facto, abriu-me horizontes e mostrou-me uma Igreja presente no mundo sem ser do mundo, mas hoje h\u00e1 muitas coisas em que n\u00e3o conseguimos estamos presentes.  <i>AE \u2013 Ainda h\u00e1 projectos para o futuro? AM \u2013<\/i>  A minha vida persiste e continua, aderindo aos novos desafios que o Senhor me vai propondo. Nunca me conformei, nunca fui um instalado, e quando n\u00e3o posso fazer  tudo aquilo que julgo ser necess\u00e1rio, fico um pouco inconformado com as limita\u00e7\u00f5es. O Bispo, contudo, n\u00e3o tem de marcar o seu ritmo, mas o ritmo de Deus, do seu Evangelho. \u00c0s vezes sinto que sou, talvez, demasiado cansativo para os meus colaboradores, porque tenho muita genica. A gente s\u00f3 pode c\u00e1 estar, contudo, quando est\u00e1 vivo: se n\u00e3o est\u00e1 vivo, n\u00e3o interessa. Por isso, tenho de estar vivo at\u00e9 ao fim e ter projectos, necessariamente. O projecto a que me quero dedicar at\u00e9 ao fim \u00e9 despertar para o di\u00e1logo Igreja-mundo, e penso que a renova\u00e7\u00e3o da Igreja passa pelo servi\u00e7o. A Igreja ainda fica muito pelo templo, mas este \u00e9 um lugar de passagem, de fortalecimento \u2013 ningu\u00e9m vive dentro das igrejas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino, Bispo de Aveiro, celebrou este fim-de-semana as suas bodas de ouro sacerdotais. 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