{"id":124045,"date":"2019-01-08T10:28:41","date_gmt":"2019-01-08T10:28:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=124045"},"modified":"2019-01-08T10:32:58","modified_gmt":"2019-01-08T10:32:58","slug":"a-cruz-escondida-37","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-37\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p>Tr\u00eas irm\u00e3os idosos sobrevivem numa casa em ru\u00ednas na cidade de Homs<!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/homs-siria.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-124049 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/homs-siria-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/homs-siria-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/homs-siria-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/homs-siria-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/homs-siria-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/homs-siria.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>A vizinha de cima<\/h3>\n<p>A casa \u00e9 o centro da vida de Remond, Afef e Nawal. Na verdade n\u00e3o \u00e9 bem uma casa. \u00c9 quase apenas uma ru\u00edna desde que uma bomba atingiu o pr\u00e9dio logo nos primeiros anos da guerra na S\u00edria. Os tr\u00eas irm\u00e3os s\u00e3o j\u00e1 idosos e s\u00f3 conseguem sobreviver gra\u00e7as \u00e0 ajuda da Igreja local e de institui\u00e7\u00f5es como a Funda\u00e7\u00e3o AIS. E, claro, da vizinha que mora no andar de cima e que todos os dias faz quest\u00e3o de os visitar\u2026<\/p>\n<p>Quando batem \u00e0 porta, j\u00e1 sabem que deve ser a vizinha de cima. \u00c9 raro o dia que Sara n\u00e3o desce as escadas ainda esfaceladas pelas bombas at\u00e9 \u00e0 casa de Remond e das duas irm\u00e3s, Afef e Nawal. Normalmente, Sara vem com a sua filha, Maryam. Normalmente, os tr\u00eas irm\u00e3os recebem-nas na sala, junto ao fog\u00e3o, onde uma chaleira ao lume j\u00e1 a fumegar indica que o ch\u00e1 est\u00e1 quase pronto. Num pa\u00eds que viveu os \u00faltimos oito anos em guerra, os pequenos gestos do dia-a-dia ganham uma import\u00e2ncia extraordin\u00e1ria. Devolvem o sentido da normalidade, d\u00e3o seguran\u00e7a. \u201cQuerem uma x\u00edcara de ch\u00e1?\u201d \u2013 pergunta Afef sabendo j\u00e1 a resposta de antem\u00e3o. \u201c\u00c9 muito bom os vizinhos visitarem-nos de vez em quando\u201d, reconhece Afef. \u00c9 importante haver companhia. \u00c9 importante acreditar outra vez no futuro. Remond Ziade \u00e9 o mais velho dos tr\u00eas irm\u00e3os. Tinha 72 anos quando a guerra come\u00e7ou em Homs. Foi em 2011. Um ano depois, era j\u00e1 quase infernal permanecer ali. Mas eles iam para onde? Todos os que puderam abandonaram a cidade. Foram ficando apenas os mais idosos e os que por serem t\u00e3o pobres n\u00e3o tinham outro lugar para onde escapar. Remond recusou sempre abandonar a sua casa at\u00e9 ao dia em que uma bomba rebentou mesmo no pr\u00e9dio. Foi um sobressalto enorme. \u201cUm dia, est\u00e1vamos a dormir quando nos assust\u00e1mos com o rebentamento de um morteiro\u201d, recorda Nawal Ziade, de 74 anos. \u201cO tecto da sala desmoronou, juntamente com a parede que separava o quarto. Nem sei como estamos vivos para contar isto\u2026\u201d<\/p>\n<h3><strong>Marcas invis\u00edveis<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 Nawal que recorda esse dia que parecia ditar o fim da presen\u00e7a da fam\u00edlia em Homs. \u00c9 ela que fala pois o irm\u00e3o, mais velho, mal consegue dizer alguma palavra, mal consegue sequer andar. Quando a casa quase veio abaixo com o rebentamento do morteiro, todos tiveram de partir. \u201cFomos evacuados de Homs\u201d, recorda uma vez mais Nawal. Mas quando a guerra perdeu intensidade, quando os combates abrandaram, decidiram regressar. \u201c\u00c9 a nossa casa, n\u00e3o temos um lugar melhor para onde ir\u2026\u201d Quando Sara e a filha batem \u00e0 porta j\u00e1 sabem que v\u00e3o ser acolhidas com sorrisos, com conversas que se alongam aos tempos anteriores \u00e0 guerra e com uma x\u00edcara de ch\u00e1 perfumado. \u00c9 \u00e0 volta do ch\u00e1, \u00e0 volta do fog\u00e3o da sala que gira toda a conversa. O fog\u00e3o marca presen\u00e7a com uma chamin\u00e9 que se prolonga at\u00e9 ao tecto. Uma engenhoca permite que ele funcione a gasolina, um bem muito precioso e caro nos dias que correm na S\u00edria. Se n\u00e3o fosse o fog\u00e3o, seria imposs\u00edvel aos tr\u00eas irm\u00e3os sobreviverem ao rigoroso inverno. Os combust\u00edveis s\u00e3o caros em Homs, assim como em toda a S\u00edria. Tal como os alimentos e os medicamentos. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil sobreviver na S\u00edria nos dias de hoje. Vale a solidariedade de uns para com os outros, a rede de assist\u00eancia que a Igreja montou, com o aux\u00edlio de institui\u00e7\u00f5es como a Funda\u00e7\u00e3o AIS, e vale a certeza da f\u00e9. Reymond, as irm\u00e3s, tal como Sara e a filha, todos sabem que \u00e9 gra\u00e7as \u00e0 generosidade dos benfeitores da AIS que as suas casas est\u00e3o a ser reparadas, que as crian\u00e7as est\u00e3o a regressar \u00e0s escolas e que j\u00e1 n\u00e3o se passa fome apesar das enormes dificuldades que ainda existem. \u201cAqui, muito perto de n\u00f3s, temos a Igreja de San Mar\u00f3n. Praticamente vamos \u00e0 missa todos os dias\u201d, diz Nawal. Tamb\u00e9m quase todos os dias, sempre que a meio da tarde algu\u00e9m bate \u00e0 porta, Reymond e as irm\u00e3s j\u00e1 sabem que, muito provavelmente, \u00e9 a vizinha de cima que lhes vai fazer uma visita. \u00c9 assim, com pequenos gestos, que se reconstr\u00f3i o futuro num pa\u00eds devastado pela guerra.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_72007\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aybYR_5_dsE?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas irm\u00e3os idosos sobrevivem numa casa em ru\u00ednas na cidade de Homs<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-124045","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124045"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124045\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}