{"id":12372,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/festas-religiosas-sao-um-oasis-de-frescura\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"festas-religiosas-sao-um-oasis-de-frescura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/festas-religiosas-sao-um-oasis-de-frescura\/","title":{"rendered":"Festas religiosas s\u00e3o um o\u00e1sis de frescura"},"content":{"rendered":"<p>As festas religiosas populares constituem \u201cuma dimens\u00e3o essencial do nosso modo de viver o catolicismo\u201d \u2013 real\u00e7a o te\u00f3logo Jacinto Farias. Nestes meses de Ver\u00e3o n\u00e3o existe nenhuma localidade do Norte ao Sul do pa\u00eds que n\u00e3o tenha a sua festa popular. As duas cidades mais populosas do pa\u00eds celebram o S. Ant\u00f3nio e o S. Jo\u00e3o mas os outros santos tamb\u00e9m t\u00eam o seu espa\u00e7o na religiosidade do povo portugu\u00eas. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o muito ampla porque est\u00e1 relacionada com a perman\u00eancia de aspectos culturais tradicionais, que sobrevivem, numa luta com outros muito mais modernos. Mas, como o povo portugu\u00eas tem uma longa liga\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, sobretudo os meios mais populares e alde\u00e3os, n\u00f3s temos a perman\u00eancia e a sobreviv\u00eancia de aspectos da religiosidade popular.\u201d \u2013 acentua o soci\u00f3logo M\u00e1rio Lages. Ao n\u00edvel da conviv\u00eancia entre a Teologia e as Festas Populares, este soci\u00f3logo refere que pelo menos durante algum tempo \u201cconviveram mal. Neste momento, por orienta\u00e7\u00f5es da Igreja, come\u00e7ou-se a dar import\u00e2ncia \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o e piedade popular. Desde os anos 60, tenta-se a concilia\u00e7\u00e3o entre o que durante muito tempo foi considerado antag\u00f3nico.\u201d A Teologia tem um pensamento \u201cmuito mais racional do que a religiosidade popular, optando pela via do simb\u00f3lico. Embora o essencial da religi\u00e3o crist\u00e3 esteja no simb\u00f3lico, a Teologia tentou racionalizar tudo o que \u00e9 de expressividade religiosa\u201d afirma M\u00e1rio Lages. Durante certos per\u00edodos houve \u201calguma conflitualidade latente, mesmo na actua\u00e7\u00e3o por parte dos pastores. Ela est\u00e1 a ser ultrapassada, dando mesmo maior import\u00e2ncia \u00e0quilo que releva da sensibilidade mais aut\u00eantica das pessoas mais simples, que n\u00e3o necessitam, muitas vezes, de racionalizar, mas precisam antes de as simbolizar&#8230;\u201d. As Festas Cat\u00f3licas Populares n\u00e3o representam, portanto, \u201cnenhum problema teol\u00f3gico em si. E por isso distancio-me das teorias que v\u00eaem nestas manifesta\u00e7\u00f5es formas residuais de paganismo, que seria necess\u00e1rio, portanto, combater e superar, quer do ponto de vista teol\u00f3gico, quer do ponto de vista sobretudo pastoral, em nome da pureza da f\u00e9\u201d \u2013 sublinha o te\u00f3logo Jacinto Farias. Apesar de n\u00e3o ignorar os problemas pastorais que a realiza\u00e7\u00e3o das Festas actualmente levanta. No entanto, \u201cpersisto na convic\u00e7\u00e3o de que as Festas religiosas cat\u00f3licas s\u00e3o fundamentais na nossa sociedade, entre outras raz\u00f5es, porque permitem uma certa respira\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a, s\u00e3o momentos epif\u00e2nicos de abertura para o transcendente, num universo sempre mais fechado em si mesmo, como se o mundo se reduzisse \u00e0quilo de que o homem pode dispor, ter \u00e0 m\u00e3o\u201d \u2013 alerta o te\u00f3logo. A religi\u00e3o s\u00f3 existe quando se considera o homem todo como sendo tomado pela ideia de Deus e pela viv\u00eancia em Deus, \u201ctransformando a vida humana na rela\u00e7\u00e3o com a divindade, que nos toma e que nos possui. Isso ultrapassa, um pouco, a reflex\u00e3o teol\u00f3gica, o que n\u00e3o significa que a reflex\u00e3o teol\u00f3gica n\u00e3o fa\u00e7a um apelo \u00e0 dimens\u00e3o simb\u00f3lica, que \u00e9 fulcral na teologia\u201d \u2013 menciona M\u00e1rio Lages. As festas religiosas cat\u00f3licas \u201cs\u00e3o momentos de excesso de sentido, de j\u00fabilo, que se diz na celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio e na sua irradia\u00e7\u00e3o para a vida\u201d. J\u00e1 S. Tom\u00e1s de Aquino ensinava que Deus n\u00e3o liga a salva\u00e7\u00e3o aos sacramentos. \u201cEles s\u00e3o momentos fundamentais na celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da Igreja, mas n\u00e3o s\u00e3o tudo; as festas s\u00e3o sacramentais, ou seja, vivem deste irradiar de vida que se expande e que se transforma em cultura: pelas festas religiosas cat\u00f3licas passa a viv\u00eancia da nossa pr\u00f3pria identidade, mesmo como sociedade, mesmo como na\u00e7\u00e3o. Neste tempo crepuscular no qual n\u00f3s assistimos a esta cultura envergonhada das suas ra\u00edzes crist\u00e3s, alegadamente indiferente e laica, as festas religiosas cat\u00f3licas s\u00e3o um o\u00e1sis de frescura, janelas abertas para a transcend\u00eancia e para o mist\u00e9rio\u201d \u2013 avan\u00e7a Jacinto Farias. As grandes marcas da religiosidade popular em Portugal passam pelas festas populares e pelas cren\u00e7as e ritos de devo\u00e7\u00e3o particular. Trata-se de express\u00f5es, gestos, atitudes, que expressam uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com Deus: beija-se a cruz, percorre-se a Via Sacra, acende-se uma vela, participa-se numa peregrina\u00e7\u00e3o ou prociss\u00e3o, ajoelha-se diante do t\u00famulo de um m\u00e1rtir ou um santo, conservam-se restos do seu corpo ou das suas vestes. No caso portugu\u00eas \u00e9 esta religiosidade que, sob uma aparente unidade enraizada no catolicismo, manifesta mais fielmente a pluralidade da sociedade portuguesa na viv\u00eancia do sagrado. No tempo de f\u00e9rias, a din\u00e2mica da festa entra em ebuli\u00e7\u00e3o um pouco por toda a parte nas diferentes regi\u00f5es e comunidades de Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As festas religiosas populares constituem \u201cuma dimens\u00e3o essencial do nosso modo de viver o catolicismo\u201d \u2013 real\u00e7a o te\u00f3logo Jacinto Farias. 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