{"id":12350,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/migrantes-desconhecidos-e-invisiveis\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"migrantes-desconhecidos-e-invisiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/migrantes-desconhecidos-e-invisiveis\/","title":{"rendered":"Migrantes, desconhecidos e invis\u00edveis"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem para o Dia de Portugal, de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas &#8211; Comiss\u00e3o Episcopal de Migra\u00e7\u00f5es e Turismo <!--more--> A comemora\u00e7\u00e3o do \u201cDia de Portugal, de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas\u201d \u00e9 oportunidade hist\u00f3rica para augurar um Portugal sempre actual, vivido a favor de todos os seus filhos sem marginaliza\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m, evocando com particular desvelo os que s\u00e3o a nossa P\u00e1tria, nas lonjuras do mundo. A nossa geografia e hist\u00f3ria medem-se por todos os mapas e ciclos de tempo onde compatriotas labutam, vivem e promovem exemplarmente a l\u00edngua de Cam\u00f5es, a cultura portuguesa e a sua religiosidade de matriz crist\u00e3. Na forma\u00e7\u00e3o da nossa identidade \u00e9 indiscut\u00edvel a presen\u00e7a das diferen\u00e7as repartidas e dos cap\u00edtulos v\u00e1rios que os portugueses redigem nas m\u00faltiplas zonas da sua inser\u00e7\u00e3o. No seguimento do I Encontro Mundial das Comunidades Portuguesas, de 29 a 31 de Mar\u00e7o, no Porto, os participantes salientaram o j\u00fabilo da vincula\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds de origem e das suas responsabilidades na constru\u00e7\u00e3o do nosso projecto comum.  Em simult\u00e2neo, chamaram a aten\u00e7\u00e3o para o seu inconformismo por estarem, em pa\u00edses da di\u00e1spora, privados de meios diplom\u00e1ticos adequados, das media\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para defesa dos seus direitos, apoio e seguran\u00e7a \u00e0s suas vidas, fam\u00edlias e bens e o ensino da l\u00edngua portuguesa aos descendentes. Manifestaram maior perplexidade perante a dupla tributa\u00e7\u00e3o fiscal que sobre algumas situa\u00e7\u00f5es da emigra\u00e7\u00e3o impende, receio de regressar pela fragilidade do sistema nacional de sa\u00fade.  Formularam votos de igual e fraterno tratamento de maneiras quando nos visitam, quando aplicam investimentos e poupan\u00e7as ou regressam a Portugal. Apesar da refer\u00eancia \u00e0 osmose das culturas, dos povos e religi\u00f5es, e \u00e0 nossa mobilidade desde o ber\u00e7o p\u00e1trio, os portugueses, residentes permanente ou temporariamente, no estrangeiro, ressentem-se por vezes, da frieza e do distanciamento do nosso modo de ser e de os olhar. \u00c9 momento para destacar cada vez mais a perten\u00e7a das nossas comunidades \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana e hist\u00f3rica da portugalidade. Viver a felicidade dos \u00eaxitos, inquietar-se diante dos desequil\u00edbrios, desconfortar-se perante os infort\u00fanios, cuidar do vazio e da dureza de exist\u00eancias \u00e9, a par das demais componentes, uma express\u00e3o de universalismo fraterno e um sentimento c\u00edvico de responsabilidade colectiva. Urge ser construtivo, como sempre, em qualquer momento da vida. Se apontamos dificuldades, \u00e9 por que confiamos nos valores da lucidez, na capacidade de mudan\u00e7a, no sonho de conseguir o que, na pr\u00e1tica, deve definir pessoas e sistemas de pensar. Alimentamos as pretens\u00f5es de um futuro melhor, furtando-nos a fatalismos e \u00e0 cumplicidade de aliena\u00e7\u00e3o. A Igreja tem um caminho, do qual se n\u00e3o pode apartar: o de um Deus feito homem; o caminho da Humanidade! N\u00e3o vale a pena ceder ou acomodarmo-nos. Vale sim, sempre a pena, ir at\u00e9 ao fim da verdade, no horizonte do Absoluto e da Paz. Mais de cinco milh\u00f5es dos filhos de Portugal n\u00e3o conseguiram o mais desej\u00e1vel na sua terra. A tristeza desta verdade \u00e9 motiva\u00e7\u00e3o para as mais dignas solu\u00e7\u00f5es! Solu\u00e7\u00f5es outras, solu\u00e7\u00f5es diferentes, solu\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a e de entendimento patri\u00f3tico, que a Igreja irm\u00e3 atenta, escuta e preconiza, desde h\u00e1 cinco d\u00e9cadas. Os migrantes \u2013 portugueses no estrangeiro e imigrantes em Portugal \u2013 s\u00e3o \u201cautocr\u00edtica\u201d incontorn\u00e1vel do actual modelo social, progresso e bem-estar nacional. Ser compatriota \u00e9 estar com a P\u00e1tria, estando com a vida dos outros, iguais a n\u00f3s. S\u00e3o todos estes outros \u2013 desconhecidos e invis\u00edveis \u2013 que comp\u00f5em \u201co Dia de Portugal\u201d   Lisboa, 9 de Junho de 2005 <i>+ Janu\u00e1rio Torgal M. Ferreira, Comiss\u00e3o Episcopal de Migra\u00e7\u00f5es e Turismo<\/i>  No ano do centen\u00e1rio da morte de Jo\u00e3o B. Scalabrini, defensor dos direitos sociais e religiosos dos migrantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem para o Dia de Portugal, de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas &#8211; Comiss\u00e3o Episcopal de Migra\u00e7\u00f5es e Turismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,206,258,320],"class_list":["post-12350","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-migracoes","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12350","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12350"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12350\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12350"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12350"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12350"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}