{"id":12309,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-eucaristia-como-novidade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-eucaristia-como-novidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-eucaristia-como-novidade\/","title":{"rendered":"A Eucaristia como Novidade"},"content":{"rendered":"<p>Interpela\u00e7\u00e3o de D. Jorge Ortiga aos seus diocesanos <!--more--> A peregrina\u00e7\u00e3o ao Santu\u00e1rio de N\u00aa S\u00aa do Sameiro como peregrina\u00e7\u00e3o que gostaria, atrav\u00e9s dum modo mais comprometido por parte das comunidades, se tornasse a Peregrina\u00e7\u00e3o Arquidiocesana, \u00e9 uma momento para colocar junto de Maria inten\u00e7\u00f5es e lan\u00e7ar \u00e0 comunidade Diocesana algumas interpela\u00e7\u00f5es. Neste sentido, quero partir da inten\u00e7\u00e3o de rezarmos pelo Pontificado de Sua Santidade o Papa Bento XVI. Depois do dom da vida e minist\u00e9rio do Papa Jo\u00e3o Paulo II, temos a gra\u00e7a de caminhar, em Igreja, com um novo Papa. Muito foi escrito e dito como coment\u00e1rio \u00e0 sua personalidade ou como desejo de ver concretizadas algumas orienta\u00e7\u00f5es para que a Igreja se situasse no nosso tempo. Quero, s\u00f3 e apenas, afirmar que um novo Papa nos ajudar\u00e1 a interpretar a miss\u00e3o da Igreja duma maneira nova. Os tempos s\u00e3o diferentes, os nossos dinamismos ter\u00e3o, em alguns aspectos, de ser alterados. N\u00e3o enveredamos pela \u00e2nsia de ser progressistas considerando determinadas maneiras de agir como conservadoras. N\u00e3o me interessa ser progressista ou conservador: basta ser fiel \u00e0quilo que o Esp\u00edrito pretende da Igreja nesta confus\u00e3o de mensagens e na alegria de continuar a dar vida aos conte\u00fados do Conc\u00edlio Vaticano II. Esta novidade de vida eclesial parte, entre outras considera\u00e7\u00f5es, dum reconhecimento da centralidade, pessoal e eclesial, da Eucaristia. N\u00e3o direi que o amor que os nossos crist\u00e3os lhe dedicam tenham diminu\u00eddo. Sei que necessita doutras express\u00f5es e que a participa\u00e7\u00e3o na missa dominical n\u00e3o nos pode deixar tranquilos. A fidelidade a este compromisso come\u00e7a a atingir n\u00edveis que n\u00e3o poderemos ignorar. Sabemos que crist\u00e3os ditos n\u00e3o praticantes aumentam e ainda n\u00e3o extra\u00edmos as consequ\u00eancias necess\u00e1rias para a pastoral. Consciencializar-se pode e deve levar-nos a mudan\u00e7as, talvez radicais, marcadas por uma carga de novidade que n\u00e3o nos deve aterrorizar. Nunca poderemos cair numa atitude condenat\u00f3ria de quem n\u00e3o frequenta. Importa questionar a qualidade das nossas celebra\u00e7\u00f5es e ver a carga de incid\u00eancia no quotidiano das pessoas. Na prossecu\u00e7\u00e3o da qualidade teremos de dar continuidade \u00e0 \u201cqualifica\u00e7\u00e3o\u201d dos variados minist\u00e9rios, desde a arte de presidir, confiada aos sacerdotes, a um conjunto de servi\u00e7os laicais que necessitam duma corresponsabilidade maior. Ningu\u00e9m pode contentar-se em celebrar ou assistir. Este ano lit\u00fargico tem de obrigar a um s\u00e9rio exame de consci\u00eancia sem medo de confronto com a realidade. A Eucaristia n\u00e3o \u00e9 uma mero conjunto de ritos articulados com maior ou menor sentido. A dignidade das celebra\u00e7\u00f5es est\u00e1 a reclamar muito cuidado na prepara\u00e7\u00e3o para n\u00e3o nos contentarmos com algumas novidades que introduzimos. O mist\u00e9rio n\u00e3o se repete mas sup\u00f5e muito carinho e dedica\u00e7\u00e3o para o vivenciar em plenitude. Seria injusto se n\u00e3o reconhecesse o trabalho efectuado, mas por outro lado, n\u00e3o posso estar satisfeito com determinado tipo de celebra\u00e7\u00f5es. Esta qualidade tem de suscitar uma reflex\u00e3o s\u00e9ria sobre o n\u00famero das celebra\u00e7\u00f5es. A participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia pode exigir sacrif\u00edcios suscitados pela nova caracteriza\u00e7\u00e3o da sociedade. Muitos crist\u00e3os contentam-se com a \u201csua missa\u201d, no lugar onde era habitual e na hora costumada. Ao mesmo tempo encontram sempre sacerdotes dispon\u00edveis &#8211; que normalmente n\u00e3o t\u00eam encargos pastorais \u2013 no pressuposto de que est\u00e3o a fazer um servi\u00e7o eclesial. N\u00e3o quero duvidar das suas inten\u00e7\u00f5es. Agradecia-lhes que servissem a Igreja para o hoje e para o amanh\u00e3. A sede das par\u00f3quias \u00e9 o local onde se vive o sentido de pertencer \u00e0 comunidade. S\u00f3 que o mundo mudou e a mobilidade pode enriquecer desde que a viv\u00eancia seja mais profunda e se testemunhe a unidade. Os Santu\u00e1rios desempenham um papel cada vez mais importante, desde que n\u00e3o se limitem a oferecer missas.  Para a celebra\u00e7\u00e3o digna da Eucaristia s\u00e3o necess\u00e1rios os sacerdotes. Estamos em Ano Vocacional e n\u00e3o podemos restringir a voca\u00e7\u00e3o aos sacerdotes nem pensar que o trabalho destes se reduz \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. Quer uma coisa quer outra contradizem a natureza da doutrina crist\u00e3. S\u00e3o muitas as voca\u00e7\u00f5es e o sacerdote n\u00e3o vive s\u00f3 para celebrar missas. Uma Igreja Diocesana, em viv\u00eancia vocacional permanente, s\u00f3 se consegue atrav\u00e9s duma aposta na Forma\u00e7\u00e3o Permanente. Os sacerdotes e os leigos necessitam de reservar momentos para uma reflex\u00e3o cr\u00edtica da f\u00e9 capaz de proporcionar uma op\u00e7\u00e3o pessoal com capacidade de resist\u00eancia a todos os embates. A manuten\u00e7\u00e3o duma pastoral de h\u00e1bitos e rotinas pode cansar-nos; o caminho da forma\u00e7\u00e3o, talvez exigindo o sacrif\u00edcio de determinadas celebra\u00e7\u00f5es cultuais, \u00e9 o percurso inevit\u00e1vel. Aqui teremos de investir, na consci\u00eancia de que n\u00e3o estamos a perder. O futuro da f\u00e9 exige-o. Este compromisso tem de tornar-se Programa que a Diocese assume dum modo est\u00e1vel. Se este ano falamos da Eucaristia e das Voca\u00e7\u00f5es, e nos pr\u00f3ximos tr\u00eas da Fam\u00edlia, \u00e9 para variar os conte\u00fados desta op\u00e7\u00e3o que nos acompanha sempre. A Diocese n\u00e3o quer fugir \u00e0s suas responsabilidades. Assim os nossos crist\u00e3os nos exijam a encontrar modos e espa\u00e7os onde investiremos o necess\u00e1rio. Regressando ao tema de fundo das voca\u00e7\u00f5es para as Eucaristias, devemos come\u00e7ar a habituar-nos a um estilo de vida comunit\u00e1ria dos sacerdotes para que as Eucaristias sejam enriquecidas pela partilha de experi\u00eancias e subs\u00eddios. Com a comunh\u00e3o existencial a comunh\u00e3o eucar\u00edstica ter\u00e1 outra profundidade. Falamos muito de unidades pastorais com resid\u00eancias sacerdotais. Talvez n\u00e3o falte muito tempo para vermos um grupo de sacerdotes respons\u00e1vel por um arciprestado, salvando sempre as determina\u00e7\u00f5es can\u00f3nicas. Muitos pensam que sonho; o futuro vir\u00e1 dar-me raz\u00e3o. N\u00e3o tenhamos medo destas experi\u00eancias de vida comunit\u00e1ria. Esta novidade sup\u00f5e que os crist\u00e3os, conhecendo o \u201cseu\u201d p\u00e1roco, acolham, com simpatia, um interc\u00e2mbio de responsabilidades sacerdotais e saibam que os limites das par\u00f3quias n\u00e3o podem obstaculizar uma miss\u00e3o comum. Os sacerdotes necessitam de conciliar a dimens\u00e3o privada e familiar da sua vida com as exig\u00eancias ontol\u00f3gicas do ser sacerdote, como continuadores do \u00fanico Sacerdote-Cristo. Esta vida comunit\u00e1ria rejuvenescer\u00e1 a pastoral na sua globalidade e as eucaristias em particular. Nesta peregrina\u00e7\u00e3o de in\u00edcio de Pontificado, em Ano Eucar\u00edstico e Vocacional, quis abordar algumas quest\u00f5es que parecem novas. Maria, a aurora da manh\u00e3 e a m\u00e3e dos tempos novos, nos fa\u00e7a compreender a import\u00e2ncia dos novos desafios que nos s\u00e3o lan\u00e7ados. Precisamos de muitas voca\u00e7\u00f5es e ainda n\u00e3o nos consciencializamos disto. Vivemos com a mesma tranquilidade de h\u00e1 20 ou 30 anos. Eu n\u00e3o e n\u00e3o sou pessimista. Acredito que estas voca\u00e7\u00f5es nascem das fam\u00edlias mas encontram a for\u00e7a para decidir na Eucaristia. Um sacerdote que celebra s\u00f3 por obriga\u00e7\u00e3o perde o encanto da vida sacerdotal; os crist\u00e3os que se limitam a assistir, mais tarde ou mais cedo, desistem de participar. As comunidades vivas com Eucaristias devidamente preparadas e vividas s\u00e3o um aut\u00eantico viveiro onde se escuta o \u201csegue-me\u201d. Ouvimos este convite no Evangelho. O Papa Bento XVI sintetizou, no momento do funeral, a vida de Jo\u00e3o Paulo II como algu\u00e9m que aceitou radicalmente este convite. Do alto do Sameiro quero chegar ao cora\u00e7\u00e3o de todos os diocesanos, particularmente dos jovens, para esta aventura. Maria foi a mulher que aceitou o convite e tornou a sua vida uma irradia\u00e7\u00e3o do amor de Deus. N\u00e3o ser\u00e1 este o caminho que devemos seguir juntamente com o Papa Bento XVI?  Sameiro, 5 de Junho de 2005. D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga,  Arcebispo Primaz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interpela\u00e7\u00e3o de D. 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