{"id":12290,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/levar-o-barco-na-planicie-do-alentejo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"levar-o-barco-na-planicie-do-alentejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/levar-o-barco-na-planicie-do-alentejo\/","title":{"rendered":"Levar o barco na plan\u00edcie do Alentejo"},"content":{"rendered":"<p>O arcebispo de \u00c9vora, D. Maur\u00edlio de Gouveia, est\u00e1 a celebrar 50 anos de sacerd\u00f3cio e recorda \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA os pontos marcantes desta caminhada pastoral <!--more--> Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 Faltam poucos dias para comemorar 50 anos de sacerd\u00f3cio. Um tempo predilecto para avaliar esta caminhada de pastor. D. Maur\u00edlio de Gouveia \u2013 A verdadeira avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por Deus. N\u00f3s podemos sentir algumas alegrias por aquilo que foi feito ao longo dos anos e alguma tristeza por n\u00e3o ter feito mais. Celebrar 50 anos de sacerd\u00f3cio \u00e9 chegar, de algum modo, ao fim de uma etapa. Uma sensa\u00e7\u00e3o de quem viveu um per\u00edodo longo ao servi\u00e7o da Igreja com a consci\u00eancia de ter procurado responder aos apelos de Deus e aos pedidos que a Igreja que fez AE \u2013 Madeira, Roma, Lisboa e \u00c9vora. As quatro realidades onde desempenhou o seu m\u00fanus pastoral. MG \u2013 A Igreja \u00e9 cat\u00f3lica, engloba as mais diversas realidades. A mim coube-me servir a Igreja em situa\u00e7\u00f5es diversas. A Madeira tem um contexto diferente de Lisboa e \u00c9vora, mas faz parte de um todo que \u00e9 a Igreja. No arquip\u00e9lago da Madeira servi como sacerdote at\u00e9 aos 41 anos. Depois estive 8 anos como bispo auxiliar de Lisboa e h\u00e1 24 anos estou a servir a Igreja na planura alentejana e nas terras ribatejanas. Espa\u00e7os diferentes que exigem reflex\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o. AE &#8211; Tempos marcantes. MG \u2013 Comecei a exercer o meu minist\u00e9rio sacerdotal numa par\u00f3quia madeirense. Fui coadjutor durante 16 meses. Esse primeiro tempo de servi\u00e7o marcou-me profundamente: uma par\u00f3quia grande e diversificada. Tive que trabalhar no terreno concreto (catequese, jovens, doentes). Esse contacto directo com a realidade ajudou-me a perceber um aspecto importante da minha miss\u00e3o: o trabalho no terreno.   <b>Uma voca\u00e7\u00e3o precoce<\/b> AE \u2013 Suponho que desde cedo \u2013 tinha cerca de quatro anos \u2013 quando afirmou que queria ser padre. Uma voca\u00e7\u00e3o precoce? MG \u2013 Aconteceu sem saber bem porqu\u00ea. N\u00e3o tinha familiares no sacerd\u00f3cio mas vivia numa fam\u00edlia crist\u00e3 normal. Gostava de ver os seminaristas passarem junto da nossa casa e senti uma atrac\u00e7\u00e3o muito sincera. Uma atrac\u00e7\u00e3o que foi crescendo com o tempo mas sem qualquer oposi\u00e7\u00e3o e sem qualquer press\u00e3o. Um crescimento natural.  A descoberta da minha voca\u00e7\u00e3o teve ainda outro aspecto importante: o Semin\u00e1rio Menor do Funchal admitia at\u00e9 \u00e0 Filosofia seminaristas externos. Uma situa\u00e7\u00e3o diversa do internato porque vivia em minha casa. Esta experi\u00eancia vivida na adolesc\u00eancia, permitia que participasse em actividades sociais como, por exemplo, ir ao domingo ao futebol com o meu pai e irm\u00e3os.  AE &#8211;  Ent\u00e3o temos um pastor desportista. MG \u2013 Joguei futebol at\u00e9 h\u00e1 poucos anos j\u00e1 como Bispo, por exemplo, no semin\u00e1rio, com superiores e alunos. Jogava na linha avan\u00e7ada na ala esquerda, porque sou esquerdino. Gosto, de facto do desporto;  pratiquei voleibol e t\u00e9nis de mesa no Semin\u00e1rio.  <b>A convoca\u00e7\u00e3o do II Conc\u00edlio do Vaticano<\/b> AE \u2013 Estava em Roma quando Jo\u00e3o XXIII convocou o Conc\u00edlio Vaticano II. Uma data hist\u00f3rica. MG \u2013 Era aluno da Universidade Gregoriana, quando, nesse dia, 25 de Janeiro de 1959, Jo\u00e3o XXIII anunciou a celebra\u00e7\u00e3o de um conc\u00edlio ecum\u00e9nico. Fic\u00e1mos todos entusiasmados. Foi um per\u00edodo interessante, porque vivi aqueles anos de prepara\u00e7\u00e3o deste acontecimento hist\u00f3rico. No regresso a Portugal acompanhei-o tamb\u00e9m, sobretudo, atrav\u00e9s do \u00abObservat\u00f3rio Romano\u00bb. AE \u2013 Ouviu a convoca\u00e7\u00e3o e depois coube-lhe aplic\u00e1-lo em Lisboa e \u00c9vora. MG \u2013 A minha experi\u00eancia em Lisboa foi muito rica. Tive a felicidade de iniciar o meu minist\u00e9rio episcopal de uma forma colegial. Numa equipa presidida por D. Ant\u00f3nio Ribeiro. As quest\u00f5es e os problemas que se levantavam eram objecto de reflex\u00e3o quinzenal. Uma experi\u00eancia rica numa ocasi\u00e3o muito dif\u00edcil, visto que cheguei a Lisboa dois meses antes da Revolu\u00e7\u00e3o de 1974. Foi a implanta\u00e7\u00e3o da Igreja num regime democr\u00e1tico. AE \u2013 Tempos dif\u00edceis&#8230; MG \u2013 \u00c9 verdade. Os problemas apareciam em catadupa e t\u00ednhamos que dar solu\u00e7\u00f5es a qualquer hora. AE \u2013 Esteve sempre muito ligado a D. Ant\u00f3nio Ribeiro. Era um dos mais \u00edntimos do antigo Patriarca de Lisboa? MG \u2013 Trabalhei bastante com ele e estabelecemos uma amizade grande mesmo depois de vir para \u00c9vora. J\u00e1 o conhecia dos tempos de Roma.  <b>Duas voltas ao Alentejo<\/b> AE \u2013 Est\u00e1 h\u00e1 cerca de 25 anos em \u00c9vora. Podemos dizer que conhece bem o Alentejo real. MG \u2013 Tenho procurado conhec\u00ea-lo. De facto, durante estes anos j\u00e1 dei duas vezes a volta ao Alentejo, em visitas pastorais. Contactei directamente com a realidade (escolas, empresas, hospitais, campos, casas particulares). Um conhecimento personalizado. AE \u2013 Como lidou com o Alentejo \u00abvermelho\u00bb? MG \u2013 Aprendi uma coisa muito rapidamente: saber distinguir o fundo do cora\u00e7\u00e3o das pessoas. Estas faziam as suas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u2013 muitas vezes dif\u00edceis de interpretar \u2013 mas, isso n\u00e3o impedia que eu encontrasse uma boa receptividade nas localidades por onde passava. As pessoas convidavam-me e eu ia a toda a parte, mas nunca me senti pressionado. Entendo que a Igreja vive em qualquer situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Temos que saber o terreno que pisamos e procurar evangelizar e testemunhar a mensagem crist\u00e3. A ac\u00e7\u00e3o social da Igreja \u00e9 enorme nesta \u00e1rea e as pessoas percebem que a Igreja testemunha a caridade. AE \u2013 Um dia disseram-lhe: \u00abOs alentejanos n\u00e3o se abrem \u00e0 primeira vista com qualquer pessoa\u00bb. D. Maur\u00edlio respondeu: \u201cEstou certo de que nos vamos entender\u00bb.  MG \u2013 \u00c9 verdade. O alentejano n\u00e3o se abre \u00e0 primeira vista. \u00c9 um pouco interiorizado, fechado, mas verificamos que \u00e9 sens\u00edvel. AE \u2013 Os seus colaboradores mais directos dizem que \u00e9 muito met\u00f3dico, organizado e pontual. Caracter\u00edsticas que contrastam com a calmia alentejana. MG \u2013 A mim compete-me chegar a horas. N\u00e3o sei se os alentejanos s\u00e3o mais ou menos pontuais do que as pessoas que vivem nos locais com mais agita\u00e7\u00e3o; t\u00eam certamente outro ritmo. A minha disciplina do tempo vem dos tempos em que fui estudante. S\u00f3 com a vida programada posso fazer alguma coisa. \u00c9 o meu estilo. AE \u2013 Apesar de madeirense j\u00e1 se sente alentejano? MG \u2013 Sinto-me bem neste meio. Sinto tamb\u00e9m que h\u00e1 reciprocidade. Para isso \u00e9 fundamental o contacto directo com as popula\u00e7\u00f5es. Foi-me grato assistir ao crescimento das novas gera\u00e7\u00f5es. J\u00e1 tive a tenta\u00e7\u00e3o de fazer um encontro com os casais novos que eram crian\u00e7as quando cheguei ao Alentejo. AE \u2013 Viu crescer o Alentejo. MG- N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida. O Alentejo tem progredido, embora esteja muito longe do patamar a que tem direito. A Universidade tem sido um factor significativo de desenvolvimento. AE \u2013 Habituado ao mar, como lidou com a plan\u00edcie do Alentejo? MG \u2013 Estava habituado a olhar o Atl\u00e2ntico como se fosse uma planura; aqui, olho a planura que assume diversos tons ao longo do ano: verde, amarelo, multicolor. \u00c9 uma paisagem que favorece a contempla\u00e7\u00e3o.  <b>A religiosidade popular no Alentejo<\/b> AE \u2013 Favorece a contempla\u00e7\u00e3o mas as assembleia dominicais t\u00eam poucos participantes.  MG \u2013 Depende das zonas. Mas o que importa \u00e9 evangelizar. Quando um mission\u00e1rio vai para \u00c1frica evangelizar, n\u00e3o se interroga sobre se h\u00e1 muita ou pouca gente; o que lhe compete \u00e9 anunciar o evangelho. Porventura a comunidade aumentar\u00e1 tempo depois. \u00c9 assim que eu vejo a minha ac\u00e7\u00e3o pastoral. A pr\u00e1tica dominical \u00e9 baixa no Alentejo; mas, por exemplo as prociss\u00f5es t\u00eam tanta gente como em qualquer parte do pa\u00eds.  AE \u2013 A viv\u00eancia da religiosidade popular MG \u2013 Tamb\u00e9m tem havido um esfor\u00e7o muito grande, quer nas par\u00f3quias, quer na catequese, quer nos movimentos laicais, por exemplo, nos Cursos de Cristandade. O Alentejo \u00e9 bastante diversificado. O que me preocupa \u00e9 levar o barco sempre um pouco mais adiante.  AE \u2013 A sua experi\u00eancia na Comunica\u00e7\u00e3o Social tamb\u00e9m o ajudou neste caminho pastoral? MG \u2013 \u00c9 um sector fundamental. No Alentejo procur\u00e1mos lan\u00e7ar \u2013 logo que cheguei \u2013 um emissor regional da R\u00e1dio Renascen\u00e7a que tem o nome \u00abVoz do Alentejo\u00bb. Desempenhou e desempenha um papel importante na pastoral.  <b>As prefer\u00eancias<\/b> AE \u2013 Um livro? MG \u2013 Um dos livros que li recentemente e que mais me agradaram foi o de Jo\u00e3o Paulo II: \u00abLevantai-vos! Vamos!\u00bb AE \u2013 Clube? MG \u2013 No Funchal, o Uni\u00e3o da Madeira e em Lisboa o Belenenses AE \u2013 Um filme? MG \u2013 Quando era mais novo, via filmes com certa regularidade; ultimamente n\u00e3o tenho acompanhado muito esta \u00e1rea; falta o tempo. AE \u2013 Um santo? MG \u2013 S. Jo\u00e3o de Deus. AE \u2013 Um Papa? MG \u2013 Jo\u00e3o Paulo II.      <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O arcebispo de \u00c9vora, D. Maur\u00edlio de Gouveia, est\u00e1 a celebrar 50 anos de sacerd\u00f3cio e recorda \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA os pontos marcantes desta caminhada pastoral<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[101,127,144,154,157,175,186,187,206,237,238,292],"class_list":["post-12290","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-africa","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-crianca","tag-cursos-de-cristandade","tag-diocese-de-evora","tag-diocese-do-funchal","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-joao-xxiii","tag-religiosidade-popular"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12290"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12290\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}