{"id":12284,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/fe-e-compromisso\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"fe-e-compromisso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fe-e-compromisso\/","title":{"rendered":"F\u00e9 e Compromisso"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei se as medidas do governo S\u00f3crates s\u00e3o as melhores ou as mais adequadas para resolver a crise <!--more--> N\u00e3o sei se as medidas do governo S\u00f3crates s\u00e3o as melhores ou as mais adequadas para resolver a crise. Mas, para j\u00e1 aceito-as n\u00e3o s\u00f3 porque muitos analistas as consideram positivas (e at\u00e9 acham pouco) mas sobretudo porque indiciam uma tentativa de lutar contra desigualdades que s\u00e3o verdadeiros atentados \u00e0 justi\u00e7a social. Enquanto este for o caminho, deve ser apoiado, sem nunca esquecermos a nossa obriga\u00e7\u00e3o acrescida de fiscalizar a ac\u00e7\u00e3o de um governo que por ter maioria absoluta se pode esquecer que \u00e9 o pa\u00eds, e nunca o partido, que deve estar sempre em primeiro lugar.  Tenho acompanhado as reac\u00e7\u00f5es \u00e0s sucessivas medidas e verifico coisas interessantes. Todos falamos de crise, mas parece que ningu\u00e9m a leva a s\u00e9rio. \u00c9 mais um exerc\u00edcio intelectual. At\u00e9 acusamos de eleitoralistas os governos que \u201cn\u00e3o t\u00eam a coragem\u201d de aplicar as medidas duras necess\u00e1rias. Mas quando as medidas come\u00e7am a doer-nos na pele, alto l\u00e1, n\u00e3o aceitamos que sejam postos em causa os nossos (meus) privil\u00e9gios, regalias ou \u201cdireitos adquiridos\u201d. Aten\u00e7\u00e3o, diz-se, n\u00e3o vamos fazer da crise nenhum drama e muito menos um regime de excep\u00e7\u00e3o. Isto h\u00e1-de passar! De qualquer modo, cada um e cada grupo est\u00e3o de acordo que tais medidas devem ser aplicadas&#8230; mas aos outros. O nosso colectivo j\u00e1 foi muito sacrificado, at\u00e9 porque somos sempre n\u00f3s a pagar. Al\u00e9m disso, a nossa profiss\u00e3o \u00e9 muito stressante. E a que prop\u00f3sito, logo agora que estava para me reformar e ocupar mais um posto de trabalho (que tanta falta fazia a um desempregado) para ir buscar \u201cmais algum\u201d, \u00e9 que me v\u00e3o aumentar a idade da reforma! Al\u00e9m do mais, por que havemos ser n\u00f3s de pagar o d\u00e9fice se&#8230; n\u00e3o fomos n\u00f3s que o cri\u00e1mos. Quem o criou, que o pague. E quem foi? \u201cN\u00e3o sabemos; s\u00f3 sabemos que n\u00e3o fomos n\u00f3s!\u201d. Perante esta del\u00edcia de argumentos t\u00e3o carregados de solidariedade, vou fazer uma proposta. Come\u00e7o por citar um Padre do s\u00e9culo IV: \u201c(Na nossa cidade) h\u00e1 uns 10% de ricos, outros 10% de pobres e o resto \u00e9 classe m\u00e9dia. Dividamos, pois, os necessitados por toda a gente da cidade e veremos qu\u00e3o grande \u00e9 a nossa vergonha. Porque, embora os que s\u00e3o muito ricos sejam poucos, os que os seguem em riqueza s\u00e3o muitos e os pobres s\u00e3o muito menos que estes. E, contudo, apesar de haver tantos que podem alimentar os famintos, h\u00e1 ainda muitos que morrem de fome porque os que possuem n\u00e3o puderam socorr\u00ea-los unicamente devido \u00e0 sua grande crueldade e desumanidade\u201d. Hoje h\u00e1 mais pobres (mas tamb\u00e9m mais riqueza) e a propor\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada por S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo de 9:1, hoje \u00e9 de cerca de 4:1. Contudo, estas palavras continuam actuais. \u00c9, por isso, que a partir delas fa\u00e7o uma proposta a todas as comunidades crist\u00e3s: que se constituam equipas de 4 fam\u00edlias para cuidarem de uma fam\u00edlia pobre indicada pela sua comunidade atrav\u00e9s dos seus respons\u00e1veis. Isto corresponder\u00e1 a um encargo mensal m\u00e9dio para cada casal de 125 a 150 euros, a manter enquanto durar esta crise mais aguda, pelo menos durante um ano, renov\u00e1vel conforme o evoluir da situa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 entre os leitores tr\u00eas fam\u00edlias que se queiram juntar \u00e0 minha para concretizar esta iniciativa? Penso, no entanto, que, por raz\u00f5es pr\u00e1ticas, as fam\u00edlias devem juntar-se por comunidades pr\u00f3ximas.  Esta proposta n\u00e3o pretende ignorar o muito que as comunidades v\u00eam fazendo nem as muitas iniciativas an\u00f3nimas deste tipo j\u00e1 existentes. Mas v\u00eam a\u00ed tempos dif\u00edceis para muitos e vai tornar-se absolutamente necess\u00e1rio multiplicar os gestos de solidariedade. E o compromisso perante a pr\u00f3pria comunidade implica um v\u00ednculo mais forte, torna o compromisso mais aut\u00eantico e transforma-se at\u00e9 num gesto de evangeliza\u00e7\u00e3o.  A proposta \u00e9 extensiva a todos os cidad\u00e3os, pois \u00e9 exigida por raz\u00f5es de humanidade, mas especialmente aos crist\u00e3os que t\u00eam um enorme acr\u00e9scimo de exig\u00eancias: \u201ctive fome e deste-me (ou n\u00e3o) de comer\u201d \u00e9 um crit\u00e9rio absoluto para entrar (ou ser exclu\u00eddo) no Reino dos C\u00e9us (Mt 25,31-46). E pode ser assumida por uma, duas ou oito fam\u00edlias, por grupos de catequistas, leitores, cantores, por membros de Conselhos Pastorais e Econ\u00f3micos, pelos movimentos de espiritualidade ou de \u201cac\u00e7\u00e3o\u201d ou por grupos de amigos que se juntam no caf\u00e9. Mas mantenho o \u201ct\u00edtulo\u201d- quatro por uma \u2013 por ser esta a rela\u00e7\u00e3o que melhor tipifica a nossa realidade social. O importante \u00e9 tomar consci\u00eancia de uma realidade bem dolorosa e perceber que \u201cDeus deu a Terra a todo o g\u00e9nero humano para que ela sustente todos os seus membros sem excluir nem privilegiar ningu\u00e9m\u201d (CA 31). Para n\u00f3s, crist\u00e3os, este gesto \u00e9 a prova, e n\u00e3o apenas uma prova, da seriedade com que celebramos a Eucaristia: \u201cS. Paulo reafirma vigorosamente que n\u00e3o \u00e9 l\u00edcita uma celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica onde n\u00e3o resplande\u00e7a a caridade testemunhada pela partilha concreta com os mais pobres. Por que n\u00e3o fazer ent\u00e3o deste Ano da Eucaristia um per\u00edodo em que as comunidades diocesanas e paroquiais se comprometam de modo especial a ir, com operosidade fraterna, ao encontro de alguma das muitas pobrezas do nosso mundo? (&#8230;) N\u00e3o podemos iludir-nos: do amor m\u00fatuo e, em particular, da solicitude por quem passa necessidade, seremos reconhecidos como verdadeiros disc\u00edpulos de Cristo. Com base neste crit\u00e9rio, ser\u00e1 comprovada a autenticidade das celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas\u201d (MND 28). <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei se as medidas do governo S\u00f3crates s\u00e3o as melhores ou as mais adequadas para resolver a crise<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[108,199,206,314],"class_list":["post-12284","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-ano-da-eucaristia","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12284"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12284\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}