{"id":12175,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/criancas-que-sofrem-criancas-que-morrem\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"criancas-que-sofrem-criancas-que-morrem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/criancas-que-sofrem-criancas-que-morrem\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as que sofrem, crian\u00e7as que morrem"},"content":{"rendered":"<p>Segundo um relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas, nos \u00faltimos dez anos, morreram nas guerras dois milh\u00f5es de crian\u00e7as e quatro milh\u00f5es ficaram gravemente mutilados. S\u00e3o n\u00fameros alarmantes que demonstram uma aut\u00eantica \u201cmatan\u00e7a de inocentes\u201d, mesmo quando essas v\u00edtimas s\u00e3o obrigadas a tornar-se carrascos. No dia 1 de Junho celebra-se o Dia Mundial da Crian\u00e7a. Um estudo da ag\u00eancia mission\u00e1ria Fides (www.fides.org), do Vaticano, apresenta um conjunto de dados sobre a situa\u00e7\u00e3o actual da inf\u00e2ncia a n\u00edvel mundial.  <i>Crian\u00e7as-soldado<\/i> S\u00e3o as crian\u00e7as-soldado que combatem em tr\u00eas quartos dos conflitos no mundo. S\u00e3o mais de 300 mil jovens entre os sete e 17 anos que est\u00e3o actualmente empenhados em 36 conflitos sangrentos, 12 dos quais se travam na \u00c1frica. \u00c9 uma experi\u00eancia de morte que as crian\u00e7as realizam por causa de adultos sem escr\u00fapulos, que as recrutam com viol\u00eancia e chantagem para viver experi\u00eancias traumatizantes. Muitas dessas hist\u00f3rias come\u00e7am depois de as crian\u00e7as terem ficado \u00f3rf\u00e3s por causa da guerra. Outras vezes, s\u00e3o sequestradas dentro das suas fam\u00edlias, s\u00e3o recrutadas na estrada ou amea\u00e7adas. Muitas vezes s\u00e3o castigadas, amea\u00e7adas de morte, drogadas, obrigadas a transformarem-se em delatores, levadas a cometer ac\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra pessoas da sua pr\u00f3pria aldeia para que n\u00e3o oponham resist\u00eancia aos chefes desses minis ex\u00e9rcitos fora da lei.  Tamb\u00e9m s\u00e3o \u201ccrian\u00e7as em guerra\u201d as que s\u00e3o utilizadas para o trabalho brutal e desumano de abrir percursos seguros em zonas minadas. Caminhando \u00e0 frente das tropas, as crian\u00e7as eliminam, com sua pr\u00f3pria morte, o perigo para quem vem atr\u00e1s. Uma mina a menos significa uma crian\u00e7a morta ou, no melhor dos casos \u2014 por assim dizer \u2014, mutilada para sempre. Segundo um relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas, nos \u00faltimos dez anos, morreram nas guerras dois milh\u00f5es de crian\u00e7as e quatro milh\u00f5es ficaram gravemente mutilados. S\u00e3o n\u00fameros alarmantes que demonstram uma aut\u00eantica \u201cmatan\u00e7a de inocentes\u201d, mesmo quando essas v\u00edtimas s\u00e3o obrigadas a tornar-se carrascos. O facto de uma crian\u00e7a aprender a manusear com agilidade uma arma leve, tornar-se um assassino e habituar-se a uma vida de guerrilheiro, n\u00e3o acaba em nenhum modo com as responsabilidades morais dos adultos que a obrigaram a levar este tipo de vida, acabando com qualquer possibilidade de uma futura reinser\u00e7\u00e3o na sociedade da qual foi retirada. Diante deste fen\u00f3meno que, segundo os especialistas militares, n\u00e3o tende a diminuir, mas que parece destinado a aumentar nos pr\u00f3ximos anos, a ONU e muitas organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos do homem est\u00e3o a mobilizar-se para impor san\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m de ordem comercial, aos pa\u00edses que n\u00e3o respeitem as conven\u00e7\u00f5es internacionais de defesa dos direitos e da dignidade da inf\u00e2ncia (a partir da Conven\u00e7\u00e3o dos Direitos da Inf\u00e2ncia de 1989).  Mesmo que em diversos pa\u00edses seja proibido que uma crian\u00e7a combata antes dos 15 anos de idade, muitas associa\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias  lutam para que o limite de idade passe a ser, pelo menos, de 18 anos. De facto, isto significaria, n\u00e3o apenas a protec\u00e7\u00e3o para um n\u00famero muito mais alto de menores, mas bloquearia a prolifera\u00e7\u00e3o de armas leves e advertia os pa\u00edses envolvidos no dram\u00e1tico problema das crian\u00e7as-soldado. Os recentes epis\u00f3dios de terrorismo internacional deixam entrever a \u201ctransversalidade\u201d da presen\u00e7a dos menores em ac\u00e7\u00f5es violentas; um fen\u00f3meno que n\u00e3o diz respeito somente a cada uma das na\u00e7\u00f5es, mas principalmente a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia que se inserem em projecto global, com bases operacionais locais, nas quais tamb\u00e9m s\u00e3o utilizados menores.  Facto que confirma a consolidada certeza de que a viol\u00eancia n\u00e3o tem bandeiras, mas somente uma \u00fanica cor: a cor do sangue. Col\u00f4mbia, Myanmar, Sri Lanka, Afeganist\u00e3o, Som\u00e1lia, Burundi e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo utilizam 150 mil crian\u00e7as-soldado. Mas o problema est\u00e1 muito mais difundido e, segundo algumas fontes, diz respeito a tr\u00eas quartos das guerras actualmente em curso no planeta.  <i>Fome<\/i> Oitocentos milh\u00f5es de pessoas no mundo s\u00e3o cronicamente subalimentadas e, cada noite, 200 milh\u00f5es de crian\u00e7as com menos de cinco anos v\u00e3o dormir com o est\u00f4mago faminto. Este n\u00famero aumenta durante os per\u00edodos de escassez alimentar e em tempos de pen\u00faria ou desordens sociais. Segundo algumas estimativas, a malnutri\u00e7\u00e3o \u00e9 um factor determinante para a morte de 13 milh\u00f5es de crian\u00e7as que n\u00e3o chegam aos cinco anos de idade. Em 25 pa\u00edses do mundo, mais de 15 por cento das crian\u00e7as morrem antes de chegarem aos cinco anos de idade. As causas principais desta terr\u00edvel \u201cmatan\u00e7a de inocentes\u201d s\u00e3o: a diarreia, o sarampo, o t\u00e9tano, a pneumonia. Ao fim e ao cabo, doen\u00e7as cur\u00e1veis com rem\u00e9dios gen\u00e9ricos, de baixo custo!\u2026 Mas quando faltam as formas mais elementares de higiene, que esperan\u00e7a h\u00e1 para estes pequenos? De facto, continua alta tamb\u00e9m a mortalidade neonatal em muitos pa\u00edses do Sul do mundo; e calcula-se que cerca de 20 milh\u00f5es de crian\u00e7as morrem anualmente pouco antes do nascimento, por malnutri\u00e7\u00e3o da m\u00e3e durante a gravidez.  <i>Sida<\/i> S\u00e3o as crian\u00e7as e os adolescentes as maiores v\u00edtimas da Sida: s\u00f3 no ano2000, pelo menos 600 mil crian\u00e7as com menos de 14 anos contra\u00edram o v\u00edrus do HIV; e, em 2002, mais de 4,3 milh\u00f5es de pessoas morreram de Sida. Este n\u00famero \u2014 diz a Unicef \u2014 inclui meio milh\u00e3o de crian\u00e7as. As crian\u00e7as infectadas s\u00e3o cerca de um milh\u00e3o e meio, enquanto que dez milh\u00f5es de adolescentes, pelo menos um ter\u00e7o dos atingidos pelo v\u00edrus, t\u00eam entre 15 e 20 anos de idade. Cada dia, duas mil crian\u00e7as menores de 15 anos tornam-se seropositivas; h\u00e1 muitas que j\u00e1 nascem doentes, contagiadas pela m\u00e3e durante a gravidez ou no momento do parto. Nenhuma outra regi\u00e3o no mundo foi atingida t\u00e3o duramente como os pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana, onde se encontram tr\u00eas quartos da popula\u00e7\u00e3o doente. Tamb\u00e9m \u00e9 alto o n\u00famero de \u00f3rf\u00e3os da Sida: cerca de 13 milh\u00f5es, dos quais mais de dez t\u00eam menos de 14 anos, e quase todos s\u00e3o africanos. As projec\u00e7\u00f5es para 2010 s\u00e3o alarmantes: ser\u00e3o 20 milh\u00f5es as crian\u00e7as africanas com menos de 14 anos que ter\u00e3o perdido um dos pais ou mesmo os dois.  <i>Educa\u00e7\u00e3o negada<\/i> A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito fundamental. Mesmo assim, hoje no mundo, 121 milh\u00f5es de crian\u00e7as n\u00e3o gozam do direito a uma educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, porque nos seus pa\u00edses a escola ainda n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria, gratuita e acess\u00edvel a todos. S\u00e3o principalmente as meninas a pagarem o pre\u00e7o da falta de instru\u00e7\u00e3o, porque a maioria das exclus\u00f5es refere-se ao sexo feminino: 65 milh\u00f5es, enquanto os meninos s\u00e3o 56 milh\u00f5es. Mas estamos apenas perante n\u00fameros aproximados, uma vez que alguns pa\u00edses n\u00e3o s\u00e3o capazes de calcular a popula\u00e7\u00e3o escolar, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 registos, por circunst\u00e2ncias  ligadas \u00e0 guerra, ou porque se trata de crian\u00e7as que vivem em estado de abandono. Outra causa da falta de escolariza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as \u00e9 o mercado do trabalho infantil, que recruta, a baixo custo, pequenos oper\u00e1rios que com baixos sal\u00e1rios, mant\u00eam toda a fam\u00edlia.  Outras vezes, trata-se de meninas v\u00edtimas de tr\u00e1fico e explora\u00e7\u00e3o, ou empregadas em suas pr\u00f3prias casas, na assist\u00eancia a seus pequenos irm\u00e3os, ou anci\u00e3os e doentes.  <i>Tr\u00e1fico<\/i> Em cada ano, no mundo, mais de um milh\u00e3o de crian\u00e7as s\u00e3o v\u00edtimas do tr\u00e1fico de seres humanos. O relat\u00f3rio do Unicef \u201cStop the traffic\u201d evidencia o fen\u00f3meno dos criminosos da explora\u00e7\u00e3o infantil, que promovem a transfer\u00eancia dos menores dos pa\u00edses em desenvolvimento (\u00c1frica Central e Ocidental e sudeste asi\u00e1tico) para as regi\u00f5es de bem&#8211;estar dos pa\u00edses ocidentais. S\u00e3o os escravos do novo mil\u00e9nio e s\u00e3o explorados pela ind\u00fastria do sexo, como m\u00e3o-de-obra de baixo custo ou como dom\u00e9sticos. As mais felizes podem ser adoptadas, mas n\u00e3o faltam os casos de menores que desaparecem misteriosamente e s\u00e3o assassinados para fornecer \u00f3rg\u00e3os para transplante atrav\u00e9s de canais ilegais. O cap\u00edtulo da \u201cexplora\u00e7\u00e3o sexual\u201d \u00e9 um dos mais dolorosos. A explora\u00e7\u00e3o sexual com fins lucrativos tem muitas facetas. Na Tail\u00e2ndia, um estudo sobre a economia ilegal revelou que, de 1993 a 1995, a prostitui\u00e7\u00e3o representou cerca de dez a 14 por cento do Produto Interno Bruto e calcula-se que cerca de um ter\u00e7o das mulheres tailandesas envolvidas no mercado da prostitui\u00e7\u00e3o seja menores de idade. A conven\u00e7\u00e3o dos Direitos da Inf\u00e2ncia, adoptada pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em 20 de Novembro de 1989, condena a explora\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as trabalhadoras por parte de adultos sem escr\u00fapulos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo um relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas, nos \u00faltimos dez anos, morreram nas guerras dois milh\u00f5es de crian\u00e7as e quatro milh\u00f5es ficaram gravemente mutilados. S\u00e3o n\u00fameros alarmantes que demonstram uma aut\u00eantica \u201cmatan\u00e7a de inocentes\u201d, mesmo quando essas v\u00edtimas s\u00e3o obrigadas a tornar-se carrascos. 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