{"id":12150,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/impostos-do-clero\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"impostos-do-clero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/impostos-do-clero\/","title":{"rendered":"Impostos do clero"},"content":{"rendered":"<p>Com a reforma da tributa\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio, as doa\u00e7\u00f5es em dinheiro deixaram de pagar impostos. A Igreja Cat\u00f3lica em Portugal vive de doa\u00e7\u00f5es em dinheiro dos fi\u00e9is, manifestadas em ofertas, donativos e esmolas. Logo, essas doa\u00e7\u00f5es em dinheiro n\u00e3o est\u00e3o sujeitas ao pagamento de impostos. O clero, em Portugal, n\u00e3o tem o estatuto dos trabalhadores dependentes. O seu estatuto \u00e9 o que consta do Direito Can\u00f3nico: s\u00e3o ministros sagrados, que fazem parte da constitui\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica da Igreja. Deste modo, for\u00e7ar o pagamento de um ordenado para sujeitar o clero \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o em IRS \u00e9 desvirtuar o estatuto can\u00f3nico do clero. Os padres e os bispos n\u00e3o s\u00e3o trabalhadores por conta de outrem. O facto de a Concordata de 2004 ter acabado com a isen\u00e7\u00e3o dos cl\u00e9rigos pelo exerc\u00edcio do m\u00fanus espiritual quer significar t\u00e3o-somente que os cl\u00e9rigos ficam sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o regra. Deste modo, ficam sujeitos \u00e0 mesma tributa\u00e7\u00e3o de todos aqueles que recebem doa\u00e7\u00f5es em dinheiro. Isto \u00e9, nos termos do art\u00ba 1\u00ba n\u00ba5 a) do C\u00f3digo de Imposto de Selo, n\u00e3o devem pagar imposto. N\u00e3o h\u00e1 qualquer norma do C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico que diga que os sacerdotes devem receber um ordenado, vencimento ou sal\u00e1rio. Pelo contr\u00e1rio, o c\u00e2none 222 obriga todos os fi\u00e9is a contribuir para o sustento do clero. Assim, o clero deve ser remunerado condignamente mediante ofertas e donativos dos fi\u00e9is. O clero de Portugal quer seguir a regra de Jesus Cristo: a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 de Deus. Mas C\u00e9sar tem apenas direito ao que est\u00e1 previsto na Lei de C\u00e9sar, nem mais nem menos. Penso que a Concordata de 2004 deveria ser regulamentada com uma lei na Assembleia da Rep\u00fablica a estabelecer a fiscalidade do clero em Portugal. N\u00e3o basta que a administra\u00e7\u00e3o fiscal fa\u00e7a uma circular a tratar de mat\u00e9ria de reserva de lei da Assembleia da Rep\u00fablica.  Constitui novidade em Portugal, no que toca \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o da Concordata de 2004, dizer-se que as doa\u00e7\u00f5es em dinheiro n\u00e3o pagam em impostos. Todos os fiscalistas que se t\u00eam pronunciado sobre o assunto t\u00eam esquecido este aspecto. Mas \u00e9 o que est\u00e1 na lei. Para efeitos fiscais, n\u00e3o est\u00e1 definido pela Concordata o que s\u00e3o fins religiosos, mas apenas o que n\u00e3o s\u00e3o fins religiosos. Assim, fins religiosos s\u00e3o os assim considerados pelo C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico. As leis fiscais, ao autorizarem conceitos pr\u00f3prios do Direito Eclesi\u00e1stico, devem ser interpretadas com o sentido que esses conceitos t\u00eam no Direito Eclesi\u00e1stico. Sendo o Estado Portugu\u00eas n\u00e3o confessional, n\u00e3o lhe compete a ele definir o que s\u00e3o fins religiosos, pois o Estado n\u00e3o se pronuncia sobre quest\u00f5es religiosas. For\u00e7ar o recebimento de um ordenado para efeitos fiscais significa proletarizar o clero e tornar os sacerdotes meros funcion\u00e1rios da Igreja Cat\u00f3lica. O actual regime econ\u00f3mico do clero j\u00e1 vem do s\u00e9c. VI. A fixa\u00e7\u00e3o de um ordenado igual para todo o clero \u00e9 consagrar o igualitarismo que n\u00e3o foi querido pelo C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico.  Jos\u00e9 Joaquim Almeida Lopes Canonista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a reforma da tributa\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio, as doa\u00e7\u00f5es em dinheiro deixaram de pagar impostos. A Igreja Cat\u00f3lica em Portugal vive de doa\u00e7\u00f5es em dinheiro dos fi\u00e9is, manifestadas em ofertas, donativos e esmolas. Logo, essas doa\u00e7\u00f5es em dinheiro n\u00e3o est\u00e3o sujeitas ao pagamento de impostos. 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