{"id":12112,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/arcebispo-de-evora-celebra-50-anos-de-sacerdocio\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"arcebispo-de-evora-celebra-50-anos-de-sacerdocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/arcebispo-de-evora-celebra-50-anos-de-sacerdocio\/","title":{"rendered":"Arcebispo de \u00c9vora celebra 50 anos de sacerd\u00f3cio"},"content":{"rendered":"<p>D. Maur\u00edlio Jorge Quintal de Gouveia, em entrevista ao Jornal da Madeira, tra\u00e7a um balan\u00e7o do seu percurso na Igreja <!--more--> <i>Jornal da Madeira \u2014 Bodas de ouro sacerdotais, o que representam para si?  D. Maur\u00edlio Gouveia \u2014<\/i> Este \u00e9 um momento de grande intensidade espiritual e emo\u00e7\u00e3o. Os sentimentos entrecruzam-se; as recorda\u00e7\u00f5es tornam-se mais vivas; muitas pessoas que partilharam comigo a felicidade daquele dia long\u00ednquo, de 5 de Junho de 1955, a come\u00e7ar pelos meus pais e pelos meus irm\u00e3os, o \u00c9lvio e o \u00c9nio, j\u00e1 partiram para a Casa do Pai.  Entre os muitos sentimentos que me enchem o esp\u00edrito e o cora\u00e7\u00e3o nesta hora, sobressai o de uma profunda gratid\u00e3o a Deus. Cada vez mais sinto e tenho consci\u00eancia de que a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal \u00e9 um chamamento personalizado de Deus. Um chamamento que traduz um gesto de amor de Cristo. Jesus disse um dia aos Ap\u00f3stolos: \u201cN\u00e3o fostes v\u00f3s que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi\u201d.  Com Maria, nossa M\u00e3e celeste, quero dirigir a Deus Pai, neste jubileu sacerdotal, o c\u00e2ntico de louvor e de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as que Ela mesma cantou: \u201cA minha alma glorifica o Senhor\u201d.  F\u00e1-lo-ei no dia 4 de Junho, na S\u00e9 Metropolitana de \u00c9vora, e, no dia 5, na igreja paroquial de Santa Luzia.   <i>JM \u2014 A sua voca\u00e7\u00e3o nasceu no seio familiar ou na comunidade paroquial?  D.MG \u2014<\/i> Dizem os meus pais e familiares que eu n\u00e3o teria ainda os quatro anos e j\u00e1 dizia que queria ser padre.  Foi um desejo que brotou, n\u00e3o sei como, no meu cora\u00e7\u00e3o, penso que sem influ\u00eancia de qualquer pessoa. Hoje, com mais de setenta anos, e olhando para tudo o que ocorreu desde ent\u00e3o, julgo que Deus verdadeiramente chama em qualquer idade e que pode come\u00e7ar a atrair-nos para uma miss\u00e3o, desde a mais tenra idade.  Felizmente, os dois ambientes que refere, isto \u00e9, a fam\u00edlia e a par\u00f3quia, constitu\u00edram um terreno providencial, preparado para acolher e fazer crescer a pequenina semente vocacional. Gostaria de sublinhar que o clima aberto, vivido na fam\u00edlia, na par\u00f3quia e na escola, permitiu que as respostas sucessivas que fui sendo chamado a dar na adolesc\u00eancia e na juventude, se revestiram sempre de grande liberdade.   <i>JM \u2014 Que etapas mais marcantes regista de toda a sua vida de Sacerdote, Bispo e de Arcebispo?  D.MG \u2014<\/i> A primeira etapa situa-se entre 1955-1957, depois da ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal e antes da partida para Roma, a fim de prosseguir os estudos na universidade. Comecei o meu minist\u00e9rio como coadjutor de Machico. Foi um ano de uma inesquec\u00edvel experi\u00eancia pastoral, logo nos alvores do sacerd\u00f3cio.  O contacto directo com a realidade humana e eclesial havia de marcar toda a minha vida futura. Os anos vividos em Roma, cora\u00e7\u00e3o e centro do mundo eclesial, entre 1957 e 1960, constitu\u00edram outra etapa decisiva da minha vida e miss\u00e3o. Foi o tempo do contacto com a cultura teol\u00f3gica e com o pulsar da catolicidade da Igreja, nos anos que precederam imediatamente o Conc\u00edlio.  Toda a d\u00e9cada de 60 e ainda os tr\u00eas primeiros anos da d\u00e9cada seguinte, constitu\u00edram o tempo central do servi\u00e7o pastoral na minha diocese de origem. Tempo rico de experi\u00eancias e com o cond\u00e3o de estar a trabalhar na minha pr\u00f3pria terra, com a qual me sentia perfeitamente identificado.  Depois, foram os oito anos como Bispo Auxiliar de Lisboa, colaborando directamente com o Cardeal Patriarca D. Ant\u00f3nio Ribeiro, figura que marcou o seu tempo hist\u00f3rico. Tempo de profundas altera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, relacionadas com a Revolu\u00e7\u00e3o de 1974.  Finalmente, em 1981, iniciava o minist\u00e9rio como Arcebispo de \u00c9vora. T\u00eam sido vinte e quatro anos de apaixonante, embora exigente, actividade pastoral, ao servi\u00e7o da edifica\u00e7\u00e3o do Reino de Deus e da promo\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es alentejanas e ribatejanas.  Gostaria ainda de sublinhar outros aspectos do meu minist\u00e9rio, designadamente os que se referem ao servi\u00e7o no seio da Confer\u00eancia Episcopal como respons\u00e1vel pelo Apostolado dos Leigos e das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais e ainda a experi\u00eancia como membro do Pontif\u00edcio Conselho para os Leigos em Roma. Foram trabalhos que proporcionaram vastos horizontes da Igreja, com os seus problemas, mas tamb\u00e9m com os seus valores e dinamismos apost\u00f3licos.   <i>JM \u2014 Fala-se de crise de voca\u00e7\u00f5es religiosas, hoje em dia. Na sua opini\u00e3o, onde estar\u00e1 a origem do problema?  D.MG \u2014<\/i> As profundas muta\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, culturais, familiares e pol\u00edticas, que se t\u00eam vindo a acentuar nas \u00faltimas d\u00e9cadas n\u00e3o podiam deixar de afectar a vida da Igreja. Tem-se assistido a uma crescente laiciza\u00e7\u00e3o e descristianiza\u00e7\u00e3o da sociedade, com a perda de valores fundamentais.  A f\u00e9 tem sido afectada e institui\u00e7\u00f5es fundamentais, como a fam\u00edlia, t\u00eam passado por graves crises. Tudo isto tem os seus reflexos naturais na realidade vocacional sacerdotal.  A diminui\u00e7\u00e3o de candidatos ao sacerd\u00f3cio est\u00e1 assim relacionada com um clima generalizado, desfavor\u00e1vel a uma consagra\u00e7\u00e3o total ao servi\u00e7o da Igreja.  Todavia, \u00e9 bom n\u00e3o esquecer que a promessa de Deus \u201cDar-vos-ei sacerdotes\u201d permanece viva e indestrut\u00edvel. \u00c9 nesse sentido que devemos interpretar alguns fen\u00f3menos significativos, como o aumento de voca\u00e7\u00f5es em alguns continentes, como na \u00c1sia, a \u00c1frica e a Am\u00e9rica Latina. Mesmo na Europa, onde a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais preocupante t\u00eam surgido exemplos de novas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais em idade juvenil e adulta. Isto verifica-se de modo especial nos novos movimentos apost\u00f3licos e comunidades eclesias. O Esp\u00edrito Santo que anima e conduz a Igreja \u00e9 mais forte do que as inevit\u00e1veis crises hist\u00f3ricas. Foi sempre assim no passado. Assim ser\u00e1 no futuro.   <i>JM \u2014 O que espera ou deseja do futuro, em termos de evangeliza\u00e7\u00e3o e de empenhamento pastoral por parte de toda a Igreja?  D. MG \u2014<\/i> Penso que a express\u00e3o \u201cNova Evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, utilizada pelo saudoso Papa Jo\u00e3o Paulo II, resume bem o rumo que a Igreja seguir\u00e1 no futuro. A \u201cNova Evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d representa um novo impulso mission\u00e1rio exigido pelos novos tempos.  O Papa intuiu, \u00e0 luz do Esp\u00edrito, esta exig\u00eancia urgente e tra\u00e7ou, com a sua palavra prof\u00e9tica e a sua actividade apost\u00f3lica verdadeiramente planet\u00e1ria, sobretudo junto da juventude, os rumos do futuro.  Estamos a sair duma concep\u00e7\u00e3o est\u00e1tica da Igreja para uma concep\u00e7\u00e3o din\u00e2mica, evangelizadora. Isto requer crist\u00e3os bem formados na f\u00e9, fam\u00edlias solidariamente constitu\u00eddas, comunidades paroquiais vivas e movimentos apost\u00f3licos empenhados.   <i>JM \u2014 A prop\u00f3sito deste acontecimento \u2013 50\u00ba anivers\u00e1rio de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal \u2013que mensagem gostaria de dirigir \u00e0 Igreja diocesana do Funchal, em geral, e \u00e0 comunidade de Santa Luzia, em particular?  D. MG \u2014<\/i> \u00c0 par\u00f3quia de Santa Luzia e \u00e0 Diocese do Funchal devo o terem sido instrumentos valiosos nas m\u00e3os de Deus para que eu pudesse crescer na f\u00e9 e realizar a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal. O melhor que lhes podia desejar \u00e9 que Deus as fa\u00e7a descobrir sempre o que significa para cada um de n\u00f3s e para a sociedade em geral a salva\u00e7\u00e3o oferecida por Jesus Cristo. Neste voto sincero vai toda a minha gratid\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Maur\u00edlio Jorge Quintal de Gouveia, em entrevista ao Jornal da Madeira, tra\u00e7a um balan\u00e7o do seu percurso na Igreja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[101,104,118,140,175,186,203,206,237,268],"class_list":["post-12112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-africa","tag-america","tag-apostolado-dos-leigos","tag-comunicacoes-sociais","tag-diocese-de-evora","tag-diocese-do-funchal","tag-europa","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-nova-evangelizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12112"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12112\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}