{"id":12103,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-eucaristia-na-cidade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-eucaristia-na-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-eucaristia-na-cidade\/","title":{"rendered":"A Eucaristia na Cidade"},"content":{"rendered":"<p>Homilia na solenidade do Corpo de Deus <!--more--> Homilia na Solenidade do  Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo  Pra\u00e7a do Munic\u00edpio, 26 de Maio de 2005   1. Neste Ano da Eucaristia, tanto Jo\u00e3o Paulo II como Bento XVI, nos pediram que celebr\u00e1ssemos, com especial solenidade, esta Festa do Corpo de Deus. Esta celebra\u00e7\u00e3o, na Pra\u00e7a do Munic\u00edpio e a solene prociss\u00e3o, que nos conduzir\u00e1, em atitude de adora\u00e7\u00e3o, at\u00e9 \u00e0 Catedral, s\u00e3o cumprimento desse desejo. Correspondamos, com f\u00e9 mais profunda e renovada intensidade interior a este apelo de adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Estamos reunidos na Pra\u00e7a que, simbolicamente, representa a Cidade; percorreremos com a Santa Eucaristia, o centro da velha Lisboa; em ano de \u201cmiss\u00e3o na cidade\u201d, quero meditar convosco a rela\u00e7\u00e3o da Eucaristia com a Cidade, o sentido misterioso dessa co-habita\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de Cristo Vivo no meio de n\u00f3s. \tTomemos consci\u00eancia desta realidade misteriosa: Cristo vivo vive permanentemente connosco, na nossa Cidade e s\u00f3 Ele conhece e pode avaliar a fecundidade misteriosa dessa presen\u00e7a. Se \u00e9 verdade que Deus age onde existe, \u00e9 tamb\u00e9m verdade que actua onde est\u00e1, porque para Jesus Cristo ressuscitado, viver no meio do Seu Povo, significa sempre amor infinito e transformador. \tCristo est\u00e1 na Cidade, porque vive no meio do Seu Povo. A Eucaristia \u00e9 a express\u00e3o mais forte do cumprimento da promessa do Senhor ressuscitado de ficar com os Seus disc\u00edpulos at\u00e9 ao fim dos tempos. Por isso, a presen\u00e7a de Cristo vivo na Igreja, verdadeiro centro da vida de f\u00e9 e de caridade, acaba por definir o sentido da pr\u00f3pria Igreja na Cidade. Porque Cristo habita connosco, a Igreja s\u00f3 pode amar a Cidade, anunciar continuamente o amor, ser grito de esperan\u00e7a e testemunho de vida. \tO primeiro sentido da presen\u00e7a de Cristo vivo no meio de n\u00f3s, \u00e9 a promessa da vida, o an\u00fancio de que a vida \u00e9 poss\u00edvel e pode ser plenamente vivida. A vida n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil nesta Cidade. H\u00e1 sofrimento silencioso, l\u00e1grimas solit\u00e1rias, ego\u00edsmos assassinos, condi\u00e7\u00f5es sociais aviltantes, pobreza envergonhada. H\u00e1 tamb\u00e9m o entusiasmo de quem quer sorver a vida em tudo o que ela pode oferecer imediatamente, sem horizonte de profundidade onde a vida se descobre como um dom e uma conquista. Muitos perderam a no\u00e7\u00e3o de que Deus \u00e9 a fonte da vida e que vale a pena procur\u00e1-la n\u2019Ele e viv\u00ea-la com Ele. \tMas h\u00e1 tamb\u00e9m tanto amor, tanto sofrimento oferecido, tanta alegria partilhada, tanta doa\u00e7\u00e3o para ajudar os outros a viver. N\u00f3s os crist\u00e3os aprendemos essa for\u00e7a da vida na Eucaristia, recebendo e oferecendo. Experimentamos a verdade das palavras de Jesus: \u201cEu sou o P\u00e3o vivo que desceu do C\u00e9u. Quem comer deste P\u00e3o viver\u00e1 eternamente\u201d (Jo. 6,51-52). Na Eucaristia, Cristo est\u00e1 na Cidade, como fonte abundante e acess\u00edvel de Vida, onde todos os que procuram a vida a podem ir beber. A Eucaristia \u00e9 sempre o triunfo da vida sobre todas as formas de morte, f\u00edsicas e espirituais. Sempre que uma pessoa se sente amada, descobre a vida; na Eucaristia sentimo-nos amados por Deus, em Jesus Cristo e nesse amor, descobrimos a vida eterna. \tQuem procura a vida na Eucaristia, transforma-se na for\u00e7a da Cidade. S\u00e3o centenas de milhares aqueles e aquelas que celebram a Eucaristia todos os Domingos, muitos procuram-na todos os dias, tantos ficam em adora\u00e7\u00e3o. O Domingo, o dia de Cristo ressuscitado, em que a Cidade descansa do seu trabalho normal, para quem quiser poder encontrar o Senhor, pode ser o dia decisivo da Cidade, aquele que misteriosamente lhe garante a for\u00e7a e tra\u00e7a o sentido. A nossa Cidade ainda saber\u00e1 porque p\u00e1ra ao Domingo? Os crist\u00e3os ainda t\u00eam consci\u00eancia do que significa para a Cidade a Eucaristia que celebram? Da Eucaristia que celebramos jorra uma torrente de vida, de for\u00e7a, de esperan\u00e7a, de solidariedade, que pode, atrav\u00e9s de n\u00f3s, inundar silenciosamente a Cidade.  \t2. Fonte de vida, a Eucaristia \u00e9, na Cidade, um desafio de unidade, antes de mais na Igreja que a celebra. Ouv\u00edamos S\u00e3o Paulo: \u201cUma vez que existe um s\u00f3 P\u00e3o, n\u00f3s, que somos muitos, fazemos um s\u00f3 corpo, visto participarmos todos desse \u00fanico P\u00e3o\u201d (1Cor. 10,17). Na Igreja, a Eucaristia \u00e9 a principal fonte da unidade, o que define esta como generosidade da caridade e n\u00e3o como busca da uniformidade. A verdadeira unidade \u00e9 aquela que o amor realiza entre pessoas e chama-se comunh\u00e3o. A Eucaristia realiza a comunh\u00e3o de amor entre os crentes e Jesus Cristo, que nos introduz no amor de Deus, Uno e Trino, e nessa uni\u00e3o de amor em Jesus Cristo, os crist\u00e3os experimentam, entre si, uma uni\u00e3o de amor, fonte e garantia de todas as experi\u00eancias de comunh\u00e3o, nas quais procuram exprimir a vida. Quando enfraquece, na Igreja, a densidade da comunh\u00e3o eucar\u00edstica, aumentam e agravam-se as desuni\u00f5es, na falta de amor, na dificuldade de confessar a mesma f\u00e9 e de caminhar, em conjunto, para a verdade. A Eucaristia permite-nos fazer da variedade das nossas diferen\u00e7as, n\u00e3o um risco de dispers\u00e3o ou desuni\u00e3o, mas uma for\u00e7a de converg\u00eancia para a unidade. \tA busca de uma unidade que respeite a individualidade da liberdade e as diferen\u00e7as de cada um, \u00e9 tamb\u00e9m um desafio para a Cidade como um todo. E a\u00ed a constru\u00e7\u00e3o da unidade \u00e9 ainda mais fr\u00e1gil e amea\u00e7ada do que na Igreja e os crist\u00e3os, porque celebram a Eucaristia, s\u00e3o chamados a ser fermentos de unidade na sociedade. Esta est\u00e1, hoje, cada vez mais fragmentada, na concep\u00e7\u00e3o da verdade, na defini\u00e7\u00e3o da felicidade, na identifica\u00e7\u00e3o do \u201cbem-comum\u201d, na dimens\u00e3o religiosa, na pr\u00f3pria compreens\u00e3o do homem e da sua dignidade. A unidade, a este n\u00edvel, s\u00f3 pode ser procurada atrav\u00e9s de objectivos a prosseguir, de valores a defender, de concord\u00e2ncia sobre dimens\u00f5es fundamentais como o s\u00e3o a defesa da vida e da dignidade do homem, da justi\u00e7a, da paz. E a\u00ed o testemunho dos crist\u00e3os na Cidade pode tornar-se importante, porventura decisivo, at\u00e9 porque lhes compete a eles trazer para a Eucaristia todas as lutas justas por uma sociedade melhor e dar-lhe forma de \u201ch\u00f3stia espiritual\u201d. A Cidade, no que ela tem de melhor, torna-se eucaristia atrav\u00e9s dos crist\u00e3os e da Igreja, os \u00fanicos que sabem que tamb\u00e9m a sociedade, como um todo, \u00e9 campo da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.  \t3. Outra manifesta\u00e7\u00e3o da fecundidade transformadora da presen\u00e7a da Eucaristia na Cidade \u00e9 a renova\u00e7\u00e3o e actualiza\u00e7\u00e3o cont\u00ednuas do envio em miss\u00e3o. Aquele \u201cide em paz\u201d com que termina a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, \u00e9 um aut\u00eantico reenvio em miss\u00e3o. Ide para o meio da Cidade, partilhai em todos as suas lutas e nas suas esperan\u00e7as, enfrentai os problemas, impregnai de profundidade eucar\u00edstica os vossos ju\u00edzos, os vossos discernimentos, as vossas tomadas de posi\u00e7\u00e3o. Dai testemunho da esperan\u00e7a que est\u00e1 em v\u00f3s. E quando vos fraquejar a luz do discernimento ou a coragem para a ac\u00e7\u00e3o, procurai o Senhor, adorai-O em sil\u00eancio, e Ele fortalecer\u00e1 o vosso cora\u00e7\u00e3o e iluminar\u00e1 a vossa intelig\u00eancia. Da Eucaristia somos sempre enviados de novo para a \u201cmiss\u00e3o na Cidade\u201d. \tA presen\u00e7a eucar\u00edstica de Cristo Vivo na Cidade, n\u00e3o \u00e9 apenas um mist\u00e9rio escondido na intimidade dos templos. Ele co-habita com a Cidade no cora\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os que o celebraram, comungaram e adoraram. Ali\u00e1s a nossa Cidade de Lisboa tem a Eucaristia bem gravada na sua tradi\u00e7\u00e3o e no seu patrim\u00f3nio. Desde o esplendor das cust\u00f3dias, que, mesmo num museu, s\u00e3o um hino de louvor \u00e0 transcend\u00eancia da Eucaristia, at\u00e9 aos tronos barrocos, manifesta\u00e7\u00e3o da Senhoria Real e da divindade de Cristo Eucar\u00edstico, at\u00e9 \u00e0 arreigada tradi\u00e7\u00e3o desta prociss\u00e3o do \u201cCorpo de Deus\u201d, verdadeiro cortejo real de vassalagem a Cristo, que \u00e9 Senhor. Nela a Cidade reencontra-se com a Eucaristia, engalanar\u00e1 as janelas e prostrar-se-\u00e1 nas ruas em sil\u00eancio adorante. N\u00e3o se trata de uma manifesta\u00e7\u00e3o triunfalista da Igreja que segue, humildemente, o seu Senhor; trata-se, isso sim, do triunfo de Jesus Cristo, realmente presente na Eucaristia, reconhecido por uma Cidade que O adora como seu Rei e Senhor. E neste cortejo pelas nossas ruas, Ele, Senhor e Deus, aben\u00e7oar\u00e1 e amar\u00e1 a nossa Cidade. \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia na solenidade do Corpo de Deus<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[108,120,223,237,285,314],"class_list":["post-12103","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-da-eucaristia","tag-bento-xvi","tag-igreja-na-cidade","tag-joao-paulo-ii","tag-patrimonio","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12103","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12103"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12103\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}