{"id":12089,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-documentario-filma-as-realidades-a-ficcao-simula-o-real\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-documentario-filma-as-realidades-a-ficcao-simula-o-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-documentario-filma-as-realidades-a-ficcao-simula-o-real\/","title":{"rendered":"O document\u00e1rio filma as realidades, a fic\u00e7\u00e3o simula o real"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Conversa com&#8230; Cineasta Manoel de Oliveira <!--more--> A paix\u00e3o pelo cinema  VP \u2013 J\u00e1 com 6\/7 anos assistia ao teatro e cinema, vindo depois na juventude a ser um excelente atleta (campe\u00e3o de salto \u00e0 vara pelo F.C.P.), mas a paix\u00e3o pelas artes do espect\u00e1culo acabou por ser mais forte&#8230;  Manoel de Oliveira (MdO) \u2013 Nunca parei de ir ver cinema e ia ver com o meu irm\u00e3o. Fui \u00e0s Companhias todas no Porto, como fui \u00e0 \u00d3pera e ao circo tamb\u00e9m. Tudo isso ajudou a minha forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica, mas em especial o cinema.  VP \u2013 Como era o cinema naquela altura em que come\u00e7ou a ter uma maior liga\u00e7\u00e3o e contacto? MdO \u2013 O cinema era o que se representa hoje na cinemateca. Naturalmente que o cinema come\u00e7ou devagar e depois tornou-se numa s\u00e9tima arte ou arte muda. O cinema era mudo, n\u00e3o era ainda sonoro e era mais on\u00edrico. Depois, com a requisi\u00e7\u00e3o do som e da cor, tornou-se mais real. A diferen\u00e7a hoje \u00e9 a t\u00e9cnica extraordin\u00e1ria, quase absorvente, sobretudo do cinema americano, e que se sobrep\u00f5e ao lado art\u00edstico. Quer dizer, quase que anula o lado art\u00edstico para se impor o lado t\u00e9cnico, das suas possibilidades e capacidades, que levam a vis\u00f5es extraordin\u00e1rias, mas, na verdade, artisticamente pouco v\u00e1lidas.  VP \u2013 Chegou a ter alguma rela\u00e7\u00e3o &#8211; colabora\u00e7\u00e3o e\/ou participa\u00e7\u00e3o &#8211; no cinema e palcos de Hollywood?  MdO \u2013 N\u00e3o tive nada com os americanos, eles \u00e9 que tiveram uma forma\u00e7\u00e3o do cinema europeu. Eles, mais tarde, \u00e9 que se encaminharam mal, porque na medida em que se anuncia um cinema ou um filme pelo pre\u00e7o que custou e se anuncia um filme pelas frequ\u00eancias que tem, n\u00e3o \u00e9 de qualidade. As coisas mais inferiores e de menos interesse ocupam mais aten\u00e7\u00e3o do geral, da massa comum. \u00c9 uma coisa que distrai, n\u00e3o obriga a pensar nem outro esfor\u00e7o similar. Isso atrai mais facilmente as multid\u00f5es, mas n\u00e3o quer dizer que seja melhor. Normalmente a qualidade, a meu ver, reduz as audi\u00eancias; n\u00e3o \u00e9 o n\u00famero destas que faz a qualidade dos filmes. De resto, os concertos e as \u00f3peras s\u00e3o espect\u00e1culos de poucas audi\u00eancias, mas refinam no seu lado art\u00edstico. Por vezes, as pessoas s\u00e3o ainda meninos, ou seja, n\u00e3o s\u00e3o verdadeiramente preparadas para depois se interessarem por esses eventos mais ricos artisticamente.  Cultura e anti-cultura  VP \u2013 Isto talvez se deva ao confronto duma realidade de anti-culturas, isto \u00e9, a cultura do div\u00f3rcio, a cultura das infidelidades, a cultura do aborto, tudo o que atenta a nossa dignidade e forma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o acha que h\u00e1 um aumento destas deforma\u00e7\u00f5es com o surgir de muitos filmes que andam por a\u00ed?  MdO \u2013 Sim, isso \u00e9 certo. Mas isso n\u00e3o se deve s\u00f3 a muitos filmes, mas tamb\u00e9m, por exemplo, a audi\u00eancia que tem o futebol. \u00c9 incr\u00edvel. N\u00e3o sou contra o futebol nem o desporto, mas sou um pouco contra o desporto de competi\u00e7\u00e3o. O que interessa verdadeiramente no desporto n\u00e3o \u00e9 a competi\u00e7\u00e3o, \u00e9 a sa\u00fade f\u00edsica, a agilidade e, enfim, a facilidade de exerc\u00edcios que as pessoas ganham com os pr\u00f3prios exerc\u00edcios que fazem. Isso \u00e9 que \u00e9 um contributo, muito grande e grato para a humanidade. A competi\u00e7\u00e3o, por outro lado, arruina as pessoas que t\u00eam um exerc\u00edcio forte e excessivo. Acabam por morrer mais cedo, por ter problemas nas articula\u00e7\u00f5es, etc. Isso \u00e9 que \u00e9 mais grave. O mundo encaminha-se pelo lado mais f\u00e1cil: \u00e9 como a \u00e1gua. A \u00e1gua corre por onde desce, nunca por onde sobe&#8230;  VP \u2013 Neste sentido acha que podemos equiparar esses filmes com as (tele)novelas, visto esses conte\u00fados serem a base e prefer\u00eancia, apesar da diferen\u00e7a do espa\u00e7o e tempo de dura\u00e7\u00e3o?  MdO \u2013 Sabe que, enfim, trata-se dum ponto de vista da comercializa\u00e7\u00e3o da arte. E a arte n\u00e3o se fez para ser comercializada. Antigamente, na antiga Gr\u00e9cia os espect\u00e1culos eram subsidiados pelo Estado. Quer dizer, este pagava aos dramaturgos para escreverem as pe\u00e7as; pagava aos actores para as representarem e pagava ao p\u00fablico para verem as pe\u00e7as. O Estado entendia que este era um processo de educa\u00e7\u00e3o ao povo. \u00c9 claro que, desde que se deixou de fazer, a decad\u00eancia veio e veio para o mais f\u00e1cil. Da maneira tal que os lagos enchem com a \u00e1gua que escorre do alto, n\u00e3o ao contr\u00e1rio. O que a arte pretende \u00e9 subir, n\u00e3o descer, \u00e9 elevar o conhecimento de si pr\u00f3pria, da pr\u00f3pria humanidade aos humanos. Esta \u00e9 a grande finalidade da arte e n\u00e3o a reprodu\u00e7\u00e3o e imita\u00e7\u00e3o da vida a fim de se fazer ju\u00edzo dela.  Cinema\/arte  VP \u2013 O cinema sempre foi considerado uma forma de arte?  MdO \u2013 O cinema ganhou esse estatuto com os grandes mestres, que eram grandes artistas. A sua tend\u00eancia era qualificar o cinema como obra art\u00edstica. E conseguiram, porque a determinada altura o cinema passou de obra de feira a obra art\u00edstica, chamada s\u00e9tima arte ou arte muda.  VP \u2013 Acha que ainda h\u00e1, a longo prazo, quem siga ou possa vir a seguir esta linha ideol\u00f3gica desses grande mestres para que o cinema nunca deixe de ser uma arte?  MdO \u2013 A arte como a pintura, ou a m\u00fasica ou a literatura \u2013 os grandes livros \u2013 esses ficar\u00e3o para sempre, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma. N\u00e3o podem acabar. O espect\u00e1culo fica. Essas grandes obras ficar\u00e3o como exemplo e como pontos b\u00e1sicos. \u201cOs Lus\u00edadas\u201d de Cam\u00f5es, o \u201cD. Quixote\u201d de Cervantes ou at\u00e9 mesmo os escritores russos do s\u00e9c. XIX ou outros, como Shakespeare e os gregos, continuam connosco. Quer dizer que a sabedoria e intelig\u00eancia t\u00eam um tecto e esses atingiram esse tecto. Ao ser humano n\u00e3o lhe \u00e9 poss\u00edvel ir mais al\u00e9m, portanto igualam-se, os antigos e os modernos. Isto porque h\u00e1 valores que s\u00e3o eternos e outros que s\u00e3o temporais&#8230;  Valores perenes  VP \u2013 Quais s\u00e3o esses valores que considera eternos?  MdO \u2013 Os que s\u00e3o constantes e perenes. Ou seja, \u00e9 reprovado o assass\u00ednio, ningu\u00e9m pode dar prova e fazer lei que liberte o assassino. Um ponto dif\u00edcil, por vezes, \u00e9 por exemplo saber se \u00e9 assass\u00ednio ou n\u00e3o assass\u00ednio. Este ponto \u00e9 quando n\u00e3o se trata de salvar a vida da m\u00e3e ou quando se trata duma doen\u00e7a. Este \u00e9 um problema dif\u00edcil de conceber e ultrapassar e ficar-se-\u00e1 sempre nesse problema, quer a lei favore\u00e7a ou quer a lei contrarie. Por tr\u00e1s disto um valor t\u00e3o grande: a sa\u00fade. No meu entender \u00e9 priorit\u00e1rio em todos os governos e em qualquer pa\u00eds. Um povo sem sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido. E a seguir \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o e, depois, a cultura. Estes s\u00e3o os valores governamentais para fazer um pa\u00eds v\u00e1lido e capaz para o futuro.  VP \u2013 Est\u00e1 \u00e0 vista de todos que conserva bem esses valores, pois j\u00e1 passando os 90 anos continua bem activo, criativo e din\u00e2mico. Qual \u00e9 o po\u00e7o donde bebe essa \u201c\u00e1gua\u201d refrescante e energ\u00e9tica?  MdO \u2013 Esses valores recebi-os na inf\u00e2ncia e juventude. Foram-me dados pelos meus pais pela educa\u00e7\u00e3o em si, porque ensinaram bem. No ensinar mal n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9rito, mas dem\u00e9rito. E a idade ou longevidade n\u00e3o \u00e9 um m\u00e9rito da pessoa, \u00e9 um capricho da natureza. A natureza \u00e9 extremamente caprichosa: d\u00e1 a uns o que tira a outros. A pergunta que fa\u00e7o a mim mesmo \u00e9: terei eu mais merecimento do qualquer outro que morre mais cedo, doente ou em sofrimento? Onde est\u00e1 a justi\u00e7a? Porque se faz isso a uns e n\u00e3o a outros, quando somos todos iguais?  VP \u2013 Mas n\u00e3o acha que, por outro lado, a resposta possa ir ao encontro de um pequeno m\u00e9rito seu, na medida em que n\u00e3o tem v\u00edcios e comportamentos menos saud\u00e1veis ao corpo? MdO \u2013 Tenho v\u00edcios, dado que toda a gente cai num v\u00edcio. O que agrada no v\u00edcio \u00e9 o pr\u00f3prio v\u00edcio. O v\u00edcio sem v\u00edcio n\u00e3o \u00e9 v\u00edcio. De maneira que o agrad\u00e1vel \u00e9 o pr\u00f3prio v\u00edcio e a isso poucas pessoas resistem. E o meu v\u00edcio \u00e9 o cinema. N\u00e3o \u00e9 que me prejudique muito (risos)&#8230;  Papel dos actores  VP \u2013 Pode dizer-se que s\u00f3 \u00e9 bom actor aquele que aparece em bons filmes ou que tem os pap\u00e9is principais? \u00c9 leg\u00edtima esta analogia?  MdO \u2013 N\u00e3o, n\u00e3o se pode. Por\u00e9m, \u00e9 claro que esse faz-se bom actor. O bom actor tamb\u00e9m pode fazer um papel secund\u00e1rio. Isso depende da qualidade intr\u00ednseca da natureza pr\u00f3pria do actor, se tem voca\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o. Se tem afirma-se e ganha m\u00e9rito, se n\u00e3o tem \u00e9 in\u00fatil, porque n\u00e3o chegar\u00e1 e n\u00e3o se ensina. Se n\u00e3o tem o dom tem que procurar o seu dom, porque uns t\u00eam dom para uma coisa e outros t\u00eam dom para outra.  VP \u2013 Como \u00e9 que funciona ou qual \u00e9 o crit\u00e9rio de escolha e distribui\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is principais? Cabe apenas ao realizador faz\u00ea-lo ou coloca-se \u00e0 escolha dos actores?  MdO \u2013 \u00c0 escolha dos actores n\u00e3o! Esse \u00e9 um momento crucial do realizador, pelo menos para mim. Porque h\u00e1 casos e casos, mas eu falo por mim. Ou se joga certo na distribui\u00e7\u00e3o e o filme se real\u00e7a favoravelmente ou se falha e depois n\u00e3o h\u00e1 mais conserto, porque se os actores t\u00eam os pap\u00e9is trocados passam, deixam de ser actores para ser o pr\u00f3prio personagem, a configura\u00e7\u00e3o do personagem. Se errou ele nunca mais l\u00e1 vai.   VP \u2013 Acha que alguma vez errou a escolher determinado actor\/actriz para determinado filme? MdO \u2013 Eu creio que n\u00e3o, porque do meu ponto de vista era assim que se devia fazer. Porque depois de decidir n\u00e3o posso achar que est\u00e1 mal.  VP \u2013 E o crit\u00e9rio da empatia entra em palco, ou seja, se simpatiza ou gosta mais deste ou daquele atribui-lhe um melhor papel ou de maior destaque?  MdO \u2013 N\u00e3o h\u00e1 crit\u00e9rios, \u00e9 intuitivo. N\u00e3o podemos explicar tudo o que fazemos. Mas, com certeza, que \u00e9 uma simpatia ou empatia com quem escolhemos, que faz com prefira este para um papel e aquele para o outro papel. Ou ent\u00e3o a inquieta\u00e7\u00e3o de n\u00e3o encontrar o sujeito para o papel que quer at\u00e9 que, finalmente, encontra e fica satisfeito porque corresponde \u00e0s necessidades da sua vis\u00e3o do personagem.   VP \u2013 Antes de enveredar pela realiza\u00e7\u00e3o chegou a representar em alguma pel\u00edcula?  MdO \u2013 Sim, comecei por a\u00ed, mas n\u00e3o me senti com grandes capacidades para ser actor.  Tamb\u00e9m receava ser realizador ou escrever hist\u00f3rias, mas acabei por ver um filme dum alem\u00e3o, com sentido humanista, que me tocou e senti: \u201cAh, eu tamb\u00e9m serei capaz de o fazer!\u201d. A partir da\u00ed, com certa seguran\u00e7a, fiz o meu primeiro filme, \u201cO Douro, faina fluvial\u201d, entre 1928\/1930. Apresentei em 1931 ao Congresso da Cr\u00edtica, em Lisboa, que foi fortemente pateado e aplaudido pelos estrangeiros.  VP \u2013 J\u00e1 realizou v\u00e1rios g\u00e9neros cinematogr\u00e1ficos ou normalmente \u00e9 sempre do g\u00e9nero fic\u00e7\u00e3o? Qual lhe agrada mais?  MdO \u2013 N\u00e3o. A fic\u00e7\u00e3o abrange todos os g\u00e9neros da fic\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma divis\u00e3o entre a fic\u00e7\u00e3o e o document\u00e1rio. O document\u00e1rio filma as realidades, a fic\u00e7\u00e3o simula o real. Agrada-me mais a fic\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Hoje tenho uma concep\u00e7\u00e3o muito diversa do cinema, do que tinha na altura em que fiz o meu primeiro filme.  VP \u2013 As pessoas ao escolherem e verem um filme procuram o que h\u00e1 de real nele ou cingem-se ao facto sensacional e do \u201chappy end\u201d? MdO \u2013 As pessoas querem estar entretidas e iludidas. O cinema hoje funciona como uma droga: as pessoas est\u00e3o ali envolvidas naquilo. O p\u00fablico vai nisso, mas n\u00e3o corresponde ao fundo de realidade. \u00c9 muito dif\u00edcil fazer um filme sem artif\u00edcios, em que o realizador se apague e mostre a hist\u00f3ria daquilo que conta \u2013 que \u00e9 o mais v\u00e1lido \u2013 com candura, simplicidade, frescura, for\u00e7a e autenticidade. \u00c9 muito dif\u00edcil, mas \u00e9 mais v\u00e1lido.  ASPECTOS DE ELEI\u00c7\u00c3O:  VP \u2013 Um filme vs. um realizador&#8230; MdO \u2013 N\u00e3o aconselho nenhum, mas o que acho mais surpreendente \u00e9 o \u201cGertrude\u201d e um realizador \u00e9, precisamente, o desse filme: o dinamarqu\u00eas Carl Dryer.  VP \u2013 Um filme seu&#8230; MdO \u2013 N\u00e3o refiro nenhum meu, mas o melhor \u00e9 sempre o pr\u00f3ximo, que estrear\u00e1 entretanto. Chama-se \u201cEspelho M\u00e1gico\u201d, inspirado na obra \u201cA alma dos ricos\u201d, de Agustina Bessa-Lu\u00eds. As filmagens come\u00e7aram em Mar\u00e7o.  VP \u2013 Um actor portugu\u00eas&#8230; MdO \u2013 N\u00e3o h\u00e1 nenhum actor melhor do que outro. Essa esp\u00e9cie de competi\u00e7\u00e3o eu n\u00e3o gosto de fazer. Cada um tem as suas qualidades pr\u00f3prias. Lu\u00eds Miguel, por exemplo, \u00e9 um grande actor, mas h\u00e1 outros que s\u00e3o diferentes, gra\u00e7as a Deus, porque se fossem todos iguais n\u00e3o tinha interesse nenhum.  VP \u2013 Uma actriz portuguesa&#8230; MdO \u2013 H\u00e1 grandes actrizes. Por exemplo, como a Beatriz Batarda e a sua prima, Leonor Silveira. H\u00e1 tamb\u00e9m a Maria de Medeiros. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Conversa com&#8230; Cineasta Manoel de Oliveira<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[93,187,193],"class_list":["post-12089","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-aborto","tag-diocese-do-porto","tag-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12089","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12089"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12089\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12089"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}