{"id":120860,"date":"2018-12-03T10:24:34","date_gmt":"2018-12-03T10:24:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=120860"},"modified":"2018-12-10T13:02:18","modified_gmt":"2018-12-10T13:02:18","slug":"e-cada-vez-mais-dificil-falar-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-cada-vez-mais-dificil-falar-de-deus\/","title":{"rendered":"\u00c9 cada vez mais dif\u00edcil falar de Deus?"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Autor<\/a><\/em><!--more--><\/p>\n<p><em>Lembram-se do tempo em que falar de Deus era normal nas fam\u00edlias, trabalhos, caf\u00e9s e n\u00e3o apenas em ambientes religiosos? Deus fazia parte do nosso quotidiano e, ainda que houvesse quem n\u00e3o acreditasse n\u2019Ele, reconhecia o valor cultural que Deus tinha nas conversas. E hoje?<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_120861\" aria-describedby=\"caption-attachment-120861\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/george-kroeker.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-120861\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/george-kroeker-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/george-kroeker-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/george-kroeker-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/george-kroeker-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/george-kroeker-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/george-kroeker.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-120861\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito a Joshua Ness em unsplash.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ainda h\u00e1 quem se despe\u00e7a <em>\u201dAt\u00e9 amanh\u00e3, se Deus quiser\u201d<\/em>?<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 quem exclame <em>\u201dGra\u00e7as a Deus!\u201d<\/em>?<\/p>\n<p>E aqueles que ainda o fazem, sabem o significado que tem a Vontade de Deus na sua vida, e de palavras como \u201cGra\u00e7a\u201d?<\/p>\n<p>No outro dia estava a mostrar aos meus filhos can\u00e7\u00f5es que gostava quando era pequeno como eles. Uma delas era a can\u00e7\u00e3o de Boa Noite do Topo Gigio antes de irmos para a cama. Dei-me conta de que a letra falava de Deus.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cJ\u00e1 est\u00e3o lavadinhos deitados na cama,<\/p>\n<p>rezaram as ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1 todas as estrelas<\/p>\n<p>que h\u00e1 no c\u00e9u<\/p>\n<p>abriram a luz<\/p>\n<p>que Deus lhe deu.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>E dei-me conta disso porque parecia-me mais inconceb\u00edvel que isso hoje pudesse acontecer do que no tempo em que era crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Aquilo que assistimos hoje \u00e9 a uma certa <em>desorienta\u00e7\u00e3o espiritual.<\/em> N\u00e3o no sentido negativo do termo, mas de nega\u00e7\u00e3o de uma orienta\u00e7\u00e3o espiritual naquilo que falamos uns com os outros. Normalmente, os temas das nossas conversas referem-se ao que vivemos ao longo do dia, o que pensamos e experimentamos. Mas, pensando cruamente, talvez tenhamos deixado de incluir Deus nas nossas conversas porque n\u00e3o queremos incomodar ningu\u00e9m. A religi\u00e3o passou a fazer parte da esfera privada, e como as amizades s\u00e3o cada vez mais superficiais e digitais, o profundo que uma conversa sobre Deus exige n\u00e3o encontra o seu espa\u00e7o, tempo e incomoda.<\/p>\n<p>A realidade parece ser a de que as conversas sobre o que \u00e9 sagrado e espiritual parecem estar em decl\u00ednio. Pensei se Deus far\u00e1 ainda parte das nossas conversas em fam\u00edlia ou com os amigos. Estaremos a movermo-nos para um Cristianismo no v\u00e1cuo? Se \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil falar de Deus onde quer que seja, ser\u00e1 que o ar que respiramos de cada vez que falamos de Deus, que outrora era ar fresco, agora, abafa?<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 a fronteira entre uma linguagem universal que todos possam entender, e sentir-se incluidos, e um tema directamente relacionado com quest\u00f5es espirituais? Como n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, acaba-se por cair do decl\u00ednio das conversas espirituais entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Com a falta de conversas espirituais, tamb\u00e9m os termos espirituais acabam por cair em desuso, de tal modo que as pessoas n\u00e3o sabem mais o que significam. Dizer \u201csacrif\u00edcio\u201d estar\u00e1 sempre associado a algo t\u00e3o negativo quando seria fazer de algo, algo sagrado. Ou \u201ccaridade,\u201d onde o amor se confunde com esmola. Ou ainda \u201ccompaix\u00e3o,\u201d onde \u201csofrer com\u201d se confunde com ter pena de algu\u00e9m. Numa <a href=\"https:\/\/nyti.ms\/2QQF5yl\">sondagem<\/a> realizada nos Estados Unidos a um grupo de 1000 norte-americanos, onde Deus est\u00e1 ainda presente na Constitui\u00e7\u00e3o, as dificuldades encontradas foram:<\/p>\n<ul>\n<li>que as conversas espirituais criam tens\u00e3o entre as pessoas;<\/li>\n<li>as conversas sobre religi\u00e3o s\u00e3o politizadas;<\/li>\n<li>n\u00e3o se quer conversar sobre Deus para n\u00e3o parecer uma pessoa religiosa;<\/li>\n<li>e, de algum modo, as conversas espirituais soam estranhas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Quer tudo isto dizer que Deus j\u00e1 n\u00e3o interessa? Que devemos remet\u00ea-Lo para a esfera do privado e deixar, definitivamente, de ser assunto das nossas conversas? Creio haver aqui uma GRANDE oportunidade. A oportunidade de \u201cn\u00e3o invocar o nome de Deus em v\u00e3o\u201d, mas redescobrir o valor de O ter como tema das nossas conversas.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h3>Flu\u00eancia religiosa<\/h3>\n<p>As express\u00f5es t\u00edpicas da religiosidade popular far\u00e3o sempre parte da nossa hist\u00f3ria cultural, mas a possibilidade de redescobrir o valor de uma conversa sobre Deus pode levar-nos a uma maior flu\u00eancia no discurso religioso. Conversar sobre Deus acaba por ser falar sobre a nossa experi\u00eancia pessoal com Ele, ou de aus\u00eancia dela.<\/p>\n<p>Vejo aqui tamb\u00e9m uma oportunidade para a teologia sair das Universidades e ajudar-nos a encontrar uma nova <em>flu\u00eancia religiosa<\/em>, onde a vida de uni\u00e3o com Deus se descobre como um modo de crescimento pessoal \u00edmpar, diferente e inovador.<\/p>\n<p>De Deus n\u00e3o esperamos o curandeiro, mas Aquele que est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s, do que n\u00f3s de n\u00f3s pr\u00f3prios. Que vive connosco cada momento da nossa hist\u00f3ria por mais alegre ou doloroso que seja.<\/p>\n<p>De Deus n\u00e3o esperamos o amuleto, mas Aquele cuja presen\u00e7a nos ajuda a mantermo-nos naquilo que devemos ser e estar onde devemos estar.<\/p>\n<p>De Deus n\u00e3o esperamos a sorte, mas a descoberta da beleza de viver no essencial, como na natureza, onde n\u00e3o se tem mais do que o necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>E quantas outras coisas.<\/p>\n<h1><\/h1>\n<h3>Vocabul\u00e1rio espiritual<\/h3>\n<p>\u00c9 importante reconhecer termos um \u201cproblema ret\u00f3rico,\u201d mas podemos reavivar o discurso sobre o sagrado e reiniciar a confian\u00e7a no vocabul\u00e1rio da f\u00e9. As palavras da f\u00e9 como amor, alegria, confian\u00e7a, empatia, solidariedade, sacrif\u00edcio, compaix\u00e3o, seguran\u00e7a, e outras, s\u00e3o caracterizadas pela tonalidade positiva que d\u00e3o \u00e0 nossa vida. Mas sabiam que isso nos afecta fisicamente (c\u00e9rebro) e a realidade \u00e0 nossa volta?<\/p>\n<p>As palavras s\u00e3o importantes porque moldam a nossa vida mais do que possamos pensar. No livro <em>\u201d<a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Words-Can-Change-Your-Brain-ebook\/dp\/B0074VTHMA\">Words can change your brain<\/a>\u201d<\/em> (As palavras podem mudar o teu c\u00e9rebro), o neurocientista Dr. Andrew Newberg e o especialista de comunica\u00e7\u00e3o Robert Waldman afirmam que<\/p>\n<blockquote><p>\u201dUma s\u00f3 palavra tem o poder de influenciar a express\u00e3o dos genes que regulam o stress f\u00edsico e emocional.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Ou seja, atrav\u00e9s do discurso positivo que adv\u00e9m das conversas que temos sobre Deus, ou relacionadas com Deus, as palavras positivas pronunciadas alteram o nosso c\u00e9rebro e aumentam os seus centros motivacionais. Assim, demonstra-se como as palavras t\u00eam o poder de mudar a realidade.<\/p>\n<p>Dizem ainda Newberg e Waldman que<\/p>\n<blockquote><p>\u201dAo ter uma [palavra] positiva e optimista em mente, estimulamos a actividade do lobo frontal. Esta \u00e1rea inclui os centros espec\u00edficos da linguagem que est\u00e3o directamente ligados ao c\u00f3rtex motor prim\u00e1rio respons\u00e1vel por nos mover em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 ac\u00e7\u00e3o. E como demonstra a nossa investiga\u00e7\u00e3o, quanto mais tempo nos concentrarmos em palavras positivas, mais afectamos outras \u00e1reas do nosso c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>As fun\u00e7\u00f5es no lobo parietal come\u00e7am a mudar, o que altera a percep\u00e7\u00e3o que temos do n\u00f3s mesmos e das pessoas com as quais interagimos. Uma vis\u00e3o positiva de n\u00f3s pr\u00f3prios ir\u00e1 inclinar-nos a ver, tamb\u00e9m, nos outros o que t\u00eam de positivo.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Pode ser cada vez mais dif\u00edcil falar de Deus, mas se estivermos mais conscientes de como isso afecta a nossa vida de modo positivo, transformando-nos, os que nos est\u00e3o pr\u00f3ximos, e a realidade \u00e0 nossa&#8230; queres tornar o mundo melhor? Come\u00e7a com conversas sobre\/com\/em Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-120860","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120860","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=120860"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120860\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=120860"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=120860"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=120860"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}