{"id":120387,"date":"2018-11-26T10:18:21","date_gmt":"2018-11-26T10:18:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=120387"},"modified":"2018-11-26T10:19:02","modified_gmt":"2018-11-26T10:19:02","slug":"cuidar-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cuidar-do-planeta\/","title":{"rendered":"Cuidar do Planeta?"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Autor<\/a><\/em><!--more--><\/p>\n<p><em>Insistimos ainda em fazer do cuidar do nosso planeta um dos maiores desafios da Doutrina Social da Igreja. Talvez sim, talvez n\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_0032.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-120388 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_0032.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_0032.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_0032-400x123.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_0032-768x237.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_0032-1024x316.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_0032-1080x333.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os passos dados para \u201cSalvaguardar o Ambiente\u201d (cap\u00edtulo X da Doutrina Social da Igreja) e ter este tema como parte inerente \u00e0 nossa vida crist\u00e3 t\u00eam sido muitos e importantes. O mais importante sendo a Enc\u00edclica do Papa Francisco <em>Laudato Si\u2019<\/em>. Pensando na express\u00e3o \u201csalvaguardar o ambiente,\u201d n\u00e3o podemos esquecer a forte liga\u00e7\u00e3o que tem com a dignidade da pessoa humana, o bem comum, a subsidiariedade e solidariedade, ou seja, os quatro princ\u00edpios da Doutrina Social da Igreja.<\/p>\n<p>O tema fez parte do recente encontro anual da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz, mas precede o COP 24 previsto de 2 a 14 de dezembro em Katowice na Pol\u00f3nia, onde as na\u00e7\u00f5es se encontram uma vez mais para debater e tra\u00e7ar iniciativas em rela\u00e7\u00e3o ao papel da humanidade e seu estilo de vida nas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Ok. Num artigo anterior propus o exerc\u00edcio de pensarmos no pior cen\u00e1rio. Destru\u00edmos os ecossistemas da Terra a tal ponto que essa entra num cen\u00e1rio clim\u00e1tico dist\u00f3pico, ilustrado em muitos filmes de &#8211; ditos &#8211; \u201centretenimento.\u201d Tornar o planeta inabit\u00e1vel significa que n\u00e3o existem mais condi\u00e7\u00f5es para a sobreviv\u00eancia do ser humano e das esp\u00e9cies que co-habitam connosco. Toda a vida extingue-se. E agora?<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das nossas curtas escalas de tempo, quando h\u00e1 65 milh\u00f5es de anos se deu a famosa extin\u00e7\u00e3o em massa que levou ao desaparecimento por completo dos dinoss\u00e1urios, o planeta a seu tempo refloresceu em vida. Logo, o planeta possui uma din\u00e2mica muito pr\u00f3pria que encontra o seu caminho de vida no meio de toda a adversidade. Queremos, ent\u00e3o, cuidar do planeta para qu\u00ea, se ele se desenrasca muito bem sem n\u00f3s, como aconteceu no passado? Talvez o cuidar do planeta n\u00e3o seja um desafio maior do que cuidar da nossa sobreviv\u00eancia diante dos crimes ecol\u00f3gicos que &#8211; consciente ou inconscientemente &#8211; cometemos.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma outra raz\u00e3o bem mais profunda para cuidar do planeta. Passa por cuidar do relacionamento com o mundo natural cujos motivos s\u00e3o biol\u00f3gicos, culturais e espirituais.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<h2><\/h2>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cuidar_planeta.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-120389 \" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cuidar_planeta.jpg\" alt=\"\" width=\"342\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cuidar_planeta.jpg 600w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cuidar_planeta-150x150.jpg 150w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/cuidar_planeta-260x260.jpg 260w\" sizes=\"(max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><\/a>Motivos biol\u00f3gicos<\/h3>\n<p>Com a <em>Teoria da Restaura\u00e7\u00e3o da Aten\u00e7\u00e3o<\/em>, Rachel e Stephen Kaplan demonstraram como um contacto directo com a natureza restaura a nossa capacidade de focar nas coisas e o funcionamento cognitivo do nosso c\u00e9rebro. Dado o facto de vivermos na cultura mais distractiva da hist\u00f3ria da humanidade, o efeito biol\u00f3gico que estar com a natureza nos proporciona, deveria ser raz\u00e3o necess\u00e1ria e suficiente para cuidar do nosso planeta atrav\u00e9s de um relacionamento mais experiencial com esse. Bastaria passar mais tempo, ou passear mais pela natureza para sentir o efeito. Mas n\u00e3o chega.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>Motivos culturais<\/h3>\n<p>A raz\u00e3o pela qual \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil continuar a tomar as decis\u00f5es pol\u00edticas necess\u00e1rias a uma interac\u00e7\u00e3o mais equilibrada com o ambiente \u00e9 a noite cultural onde estamos imersos. O modo como a tecnologia entrou na nossa vida, e a desviou do real ao virtual, n\u00e3o s\u00f3 contribuiu para um menor contacto com o mundo natural, como informa o nosso pensamento e, consequentemente, a nossa cultura. H\u00e1 que inverter a cultura do \u00e9cran para uma cultura do encontro, onde nos deixamos transformar pela vida e din\u00e2mica dos ecossistemas terrestres.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>Motivos espirituais<\/h3>\n<p>O corpo n\u00e3o se dissocia do esp\u00edrito, e se o corpo se afasta do bem que a natureza lhe faz, tamb\u00e9m a dimens\u00e3o espiritual da nossa vida se ressente. Enquanto fixarmos o nosso entender da quest\u00e3o ecol\u00f3gica na protec\u00e7\u00e3o da \u201ccasa comum,\u201d perdemos a potencialidade que existe de interpretar essa casa, n\u00e3o somente como o nosso planeta, mas correspondendo a toda a fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o, inclu\u00edndo a bio- e a geodiversidade.<\/p>\n<p>Fala-se ainda de sermos administradores da cria\u00e7\u00e3o que nos foi mais confiada do que dada por Deus. Quando um administrador exerce mal a sua fun\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ser\u00e1 o momento de reconhecer que talvez n\u00e3o seja a sua voca\u00e7\u00e3o desempenh\u00e1-la? Como administradores, ou cuidadores da fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o temos feito um grande trabalho. N\u00e3o querer\u00e1 isso dizer que a nossa voca\u00e7\u00e3o seja outra? Qual?<\/p>\n<p>Descobrir essa voca\u00e7\u00e3o talvez seja um desafio maior do que cuidar do planeta. A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que faz parte da nossa identidade. E s\u00f3 nos relacionamentos com os outros \u00e9 que descobrimos juntos aquilo que realmente somos chamados a ser. E a raz\u00e3o \u00e9 muito simples.<\/p>\n<p>Uma experi\u00eancia com a natureza vai muito al\u00e9m da contempla\u00e7\u00e3o ou reconhecimento da sua beleza. S\u00f3 encontra o seu sentido e significado mais profundo se for uma experi\u00eancia de Deus e da Sua presen\u00e7a. Ao danificarmos o planeta, danificamos a possibilidade de experimentar Deus. Assim, na pr\u00e1tica, cuidar do planeta consiste em cuidar da possibilidade de um encontro \u00fanico com Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-120387","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=120387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120387\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=120387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=120387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=120387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}