{"id":12025,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-catequese-e-a-iniciacao-ao-amor-do-pai-do-filho-e-do-espirito-santo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-catequese-e-a-iniciacao-ao-amor-do-pai-do-filho-e-do-espirito-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-catequese-e-a-iniciacao-ao-amor-do-pai-do-filho-e-do-espirito-santo\/","title":{"rendered":"\u00abA Catequese \u00e9 a inicia\u00e7\u00e3o ao amor do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca no Dia da Igreja Diocesana <!--more--> 1. Mais uma vez, desde h\u00e1 25 anos, no dia da Solenidade da Sant\u00edssima Trindade, a Igreja diocesana de Lisboa re\u00fane-se, para celebrar o mist\u00e9rio de que \u00e9 sinal e sacramento: uma comunh\u00e3o de irm\u00e3os, reunidos no amor que recebem de Deus, Trindade Sant\u00edssima. Como ensinou o Conc\u00edlio Vaticano II, a Igreja \u00e9 um Povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo (cf. L.G. n. 4). Reunimo-nos, hoje, celebrando a mem\u00f3ria de v\u00e1rios acontecimentos da Igreja diocesana: o vig\u00e9simo quinto anivers\u00e1rio da celebra\u00e7\u00e3o do Dia da Igreja Diocesana; o quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio da publica\u00e7\u00e3o da Revista \u201cVoz da Catequese\u201d, o que nos sugeriu a convoca\u00e7\u00e3o especial, para esta celebra\u00e7\u00e3o, dos nossos catequistas. Um relevo especial \u00e9 hoje dado \u00e0s fam\u00edlias crist\u00e3s, primeira c\u00e9lula da comunh\u00e3o eclesial e comunidade natural para a comunica\u00e7\u00e3o da f\u00e9. No contexto do Congresso Internacional da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, tudo isto me sugere que aprofunde convosco este mist\u00e9rio de uma Igreja concreta, que somos n\u00f3s, que brota deste amor de Deus, no qual participa por Jesus Cristo, com a for\u00e7a criadora do Esp\u00edrito, que est\u00e1 consciente de que toda a catequese deve ser inicia\u00e7\u00e3o a esta vida divina e de que a fam\u00edlia, Igreja dom\u00e9stica, \u00e9 o modelo de comunidade de vida e de amor, que inicia \u00e0 vida e ao amor.  2. Est\u00e1 claro na Sagrada Escritura que o desejo de Deus, a que chamamos o Seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o, foi o de revelar aos homens o Seu amor e faz\u00ea-los participar na plenitude da vida e da alegria, introduzindo-os na Sua comunh\u00e3o de amor. Para isso escolheu um Povo, com quem celebrou uma alian\u00e7a de amor que os Profetas compararam ao amor nupcial. Essa consci\u00eancia de um chamamento \u00e0 intimidade com Deus, ressalta na ora\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s, no texto do \u00caxodo que hoje lemos: \u201cSe encontrei, Senhor, aceita\u00e7\u00e3o a vossos olhos, digne-se o Senhor caminhar no meio de n\u00f3s. \u00c9 certo que se trata de um povo de dura cerviz, mas V\u00f3s perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de n\u00f3s a Vossa heran\u00e7a\u201d (Ex. 34,8-9). Essa \u201cdura cerviz\u201d significa toda a resist\u00eancia ao amor de Deus, que tem a sua origem no pecado, que provocou aquilo a que os Profetas e o pr\u00f3prio Jesus chamaram a \u201cdureza do cora\u00e7\u00e3o humano\u201d. Essa \u201cdureza do cora\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o anulou, no homem, o seu instinto e desejo de amor, mas f\u00ea-lo perder a not\u00edcia de que s\u00f3 em Deus se encontra o verdadeiro amor e que nenhuma express\u00e3o do amor humano \u00e9 caminho para a plenitude da vida e da alegria, se o homem n\u00e3o aprender a amar, acolhendo o amor de Deus. Esta vit\u00f3ria sobre a \u201cdura cerviz\u201d, este desfazer a \u201cdureza do cora\u00e7\u00e3o\u201d, s\u00f3 pode ser obra criadora de Deus, em Jesus Cristo. Toda a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 inicia\u00e7\u00e3o a esta experi\u00eancia do amor divino e tem como ponto de partida a transforma\u00e7\u00e3o do nosso cora\u00e7\u00e3o, participando no mist\u00e9rio pascal de Jesus Cristo, pelo baptismo, e s\u00f3 pode ser feita participando numa comunidade eclesial, reunida no amor de Deus, Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo. A \u201cdureza do cora\u00e7\u00e3o\u201d levou os homens a perderem a not\u00edcia de que Deus os ama e quer reuni-los no amor. Para vencer essa \u201cdura cerviz\u201d, Deus, no Seu misterioso des\u00edgnio, exprime o Seu amor pelos homens de forma radical, enviando-lhes o Seu pr\u00f3prio Filho. Ouvimo-lo, agora, no Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o: \u201cDeus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho Unig\u00e9nito, para que todo o homem que acredita n\u2019Ele n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna\u201d (Jo. 3,16-17). Toda a catequese tem de ser inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de f\u00e9 com Jesus Cristo, fonte da Vida Divina, identificando n\u2019Ele a m\u00e1xima express\u00e3o do amor de Deus por n\u00f3s.  3. \u00c9 miss\u00e3o de Jesus Cristo, vivo na Sua Igreja, celebrando continuamente, com ela, a Sua P\u00e1scoa, desfazer a dureza do nosso cora\u00e7\u00e3o, tornando-nos sens\u00edveis ao amor, capazes de o desejar e de nos sentirmos amados por Deus. E o Senhor f\u00e1-lo connosco, como nosso Bom Pastor, preparando-nos para a festa das n\u00fapcias. A simbologia nupcial desta pedagogia do amor est\u00e1 bem presente no Novo Testamento. Ao formar para Si um Povo novo, a Igreja, que Ele purifica com o banho baptismal Ele prepara para Si a esposa que Ele quer amar com amor de esposo (cf. Ef. 5,25 e ss). A pedagogia de Jesus, vivo na Sua Igreja, continua a ser a mesma que seguiu com os Seus disc\u00edpulos: atra\u00ed-los. \u201cNingu\u00e9m vem a Mim, se o Pai n\u00e3o o atrair\u201d (Jo. 6,44). Provoc\u00e1-los para a decis\u00e3o de O seguirem. Mostrar-lhes, na Sua P\u00e1scoa, que o amor a que os chama, inclui todo o ser, o esp\u00edrito e o corpo, entregando-lhes o Seu pr\u00f3prio corpo, como dom de amor. \u201cEste \u00e9 o Meu corpo que \u00e9 para v\u00f3s\u201d, dizendo-lhes, ao mesmo tempo, que o nosso corpo precisa de uma purifica\u00e7\u00e3o radical, participando da Sua P\u00e1scoa, para ser capaz de exprimir o amor a que Deus nos chama. S\u00f3 depois dessa purifica\u00e7\u00e3o pascal o Esp\u00edrito \u00e9 derramado nos nossos cora\u00e7\u00f5es, verdadeira plenitude do amor. Na sua pedagogia catequ\u00e9tica a Igreja, conduzida pelo Esp\u00edrito, percorre com os crist\u00e3os o itiner\u00e1rio sugerido nesta pedagogia de Jesus: atrair, mostrando que Cristo continua hoje a atrair; provocar a decis\u00e3o de O seguir, com confian\u00e7a e sem reservas, momento em que pode ganhar forma uma voca\u00e7\u00e3o ou chamamento pessoal; aceitar a exig\u00eancia da purifica\u00e7\u00e3o pascal de todo o nosso ser, mesmo do nosso corpo, para o tornar capaz do amor. E este itiner\u00e1rio \u00e9 uma caminhada em grupo, comunidade de vida, onde os que o dirigem t\u00eam de dar testemunho desta vit\u00f3ria sobre a \u201cdureza do cora\u00e7\u00e3o\u201d, cativados por Jesus Cristo, sentindo-se, n\u2019Ele, amados por Deus, dispostos a mergulhar continuamente na exig\u00eancia purificadora do sacramento pascal, todo o seu ser, todas as manifesta\u00e7\u00f5es da \u201cdureza do cora\u00e7\u00e3o\u201d. N\u00e3o h\u00e1 inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 sem convers\u00e3o cont\u00ednua. Num grupo de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, o catequista tem uma miss\u00e3o pastoral, participando do \u201cm\u00fanus\u201d pastoral da Igreja. Isto exige que a catequese n\u00e3o se refugie no \u201cmodelo escolar\u201d de lugar de comunica\u00e7\u00e3o de conhecimentos, mas se abra ao modelo de \u201ccomunidade de vida\u201d que ao ritmo da descoberta da vida, aprofunda a sua compreens\u00e3o. A pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o dos catequistas deveria revestir-se deste car\u00e1cter de comunidade de vida, que aprofunda, em conjunto, o mist\u00e9rio da vida, em Jesus Cristo.  4. A fam\u00edlia crist\u00e3, com consci\u00eancia de Igreja dom\u00e9stica \u00e9 o grupo de vida que, espontaneamente, enquadra a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos seus filhos. De qualquer modo, no caso das crian\u00e7as e dos adolescentes, a fam\u00edlia tem de ser envolvida no processo da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos seus filhos. Os modos deste envolvimento podem ser tantos quantas as circunst\u00e2ncias o sugerirem, mas a par\u00f3quia n\u00e3o pode ser uma esp\u00e9cie de escola a que os pais entregam a educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos seus filhos. A par\u00f3quia \u00e9, t\u00e3o s\u00f3, o rosto vis\u00edvel da Igreja, essa outra fam\u00edlia dos filhos de Deus, que integra todos numa caminhada de vida, no realismo da situa\u00e7\u00e3o de cada um. N\u00e3o s\u00e3o hoje muitas, \u00e9 certo, as fam\u00edlias crist\u00e3s que vivem a sua vida familiar tamb\u00e9m como uma comunidade de f\u00e9 e de aprendizagem da vida divina. Mas identifiquemos e valorizemos as que se deixam dinamizar por este ideal. A todas as outras procuremos cativ\u00e1-las, suscitando nelas aquele sentimento de atrac\u00e7\u00e3o por Jesus Cristo, que as h\u00e1-de predispor para encetar uma caminhada de descoberta da vida e do amor.  5. Um dos frutos que esperamos do Congresso que se aproxima \u00e9 que ele leve a Igreja de Lisboa a conceber a evangeliza\u00e7\u00e3o como esse testemunho atraente de Jesus Cristo Vivo, e da vida em que Ele nos introduz, levando outros, sobretudo os jovens, a sentirem-se atra\u00eddos por Ele. A todos Ele continua a dizer: \u201cVinde a Mim v\u00f3s todos que andais sobrecarregados e Eu vos aliviarei\u201d (Mt. 11,28). S\u00f3 Ele nos pode conduzir, vencendo a dureza do nosso cora\u00e7\u00e3o, \u00e0 epifania do amor, que experimentamos, mergulhando no amor do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo.  Semin\u00e1rio dos Olivais, 22 de Maio de 2005 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca no Dia da Igreja Diocesana<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,127,144,154,193,206,268,275],"class_list":["post-12025","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-crianca","tag-educacao","tag-familia","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12025","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12025"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12025\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12025"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12025"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12025"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}