{"id":11938,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/no-reino-das-cruzadas\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"no-reino-das-cruzadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/no-reino-das-cruzadas\/","title":{"rendered":"No Reino das Cruzadas"},"content":{"rendered":"<p>Filme de Ridley Scott reabre discuss\u00e3o <!--more--> O tema das Cruzadas volta a estar na ordem do dia com a obra \u201cO Reino dos C\u00e9us\u201d assinada por Ridley Scott e rec\u00e9m-chegada aos ecr\u00e3s de cinema portugueses. Revisitar a hist\u00f3ria medieval com os olhos do s\u00e9c. XXI \u00e9 particularmente arriscado quando se fala da luta entre os Crist\u00e3os e os Mu\u00e7ulmanos na Terra Santa \u2013 o 11 de Setembro n\u00e3o foi assim h\u00e1 tanto tempo. A solu\u00e7\u00e3o mais habitual, nestas situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 apresentar uma civiliza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica muito avan\u00e7ada e os Crist\u00e3os como seres violentos e sanguin\u00e1rios, especialmente a Ordem dos Templ\u00e1rios. As Cruzadas surgiram num tempo de \u201cChritianitas\u201d, em que a supremacia do Papa e da Igreja dava ao Ocidente um ide\u00e1rio comum que nenhuma ideologia lhe conseguia oferecer. Neste contexto, as Cruzadas eram n\u00e3o s\u00f3 expedi\u00e7\u00f5es militares, mas religiosas, em que milhares de pessoas partiam para seguir Jesus, libertando Jerusal\u00e9m e os Lugares Santos do \u201cjugo\u201d do Islamismo. Estes soldados eram conhecidos pelas cruzes cozidas sobre o ombro direito, primeiro de cor vermelha, mais tarde de cor diferente para cada pa\u00eds. Os monarcas do Ocidente aderiram a estas iniciativas militares, em parte, motivados pelo terror que causava o avan\u00e7o do poder turco, prestes a invadir a Europa. As indulg\u00eancias concedidas pelos Papas, numa altura em que o espectro da morte dominava a curta vida das popula\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m fez alistar muita gente. Urbano II, Papa com o qual as Cruzadas atingiram o seu auge, \u201cincitava \u00e0 guerra contra os inimigos de Deus todos aqueles que eram capazes de pegar em armas e, em virtude da autoridade que lhe vem de Deus, absolvia dos seus pecados todos os penitentes a partir do momento em que pegavam na cruz\u201d. Apesar de ser uma iniciativa papal (alguns reis promoveram, tamb\u00e9m, as suas \u201ccruzadas\u201d com outros interesses), hoje em dia o mundo isl\u00e2mico recorda com muito mais vivacidade estes acontecimentos, o que ajuda a compreender a imagem difundida da viol\u00eancia e da mortandade.  O acontecimento que fez rebentar a Primeira Cruzada, contudo, n\u00e3o foi nenhum desejo imperialista, mas a conquista turca de toda \u00c1sia Menor de 1070 a 1090. O Papa Urbano II em 1095 agiu em resposta a um urgente pedido ajuda do imperador de Constantinopla e apelou aos cavaleiros da Cristandade para que acudissem a ajudar seus irm\u00e3os do Oriente. Segundo relatos da altura, \u201cUrbano II fez, com grande riqueza de pormenores, uma descri\u00e7\u00e3o comovedora da desola\u00e7\u00e3o da Cristandade no Oriente e exp\u00f4s os sofrimentos e a opress\u00e3o atrozes que os sarracenos infligiam aos crist\u00e3os\u201d. O saque a Jerusal\u00e9m, em 1099, foi verdadeiramente sangrento e, obviamente, uma presen\u00e7a muito pouco crist\u00e3 na Terra Santa. A verdade \u00e9 que este momento marcou o decl\u00ednio das Cruzadas, com os soldados a dedicaram-se a fins poucos religiosos, como expoliar, pilhar e queimar \u2013 por isso mesmo, nenhuma Cruzada teve o \u00eaxito militar da primeira. As abordagens que se t\u00eam feito \u00e0s Cruzadas pecam por centrar-se nestes \u00faltimos elementos e esquecer toda a motiva\u00e7\u00e3o, coragem e f\u00e9 que levou milhares de homens a terras e lugares t\u00e3o long\u00ednquos num tempo muito mais dif\u00edcil do que o nosso. H\u00e1, portanto, uma s\u00e9rie de erros historiogr\u00e1ficos comuns sobre as Cruzadas e sobre os cruzados. Em primeiro lugar, defende-se que as Cruzadas eram guerras provocadas contra um mundo mu\u00e7ulmano pac\u00edfico. Conforme se referiu, contudo, em finais do s\u00e9culo XI as for\u00e7as isl\u00e2micas haviam conquistado o cora\u00e7\u00e3o do mundo crist\u00e3o e muitos territ\u00f3rios europeus(incluindo uma longa passagem pela Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica). Os monarcas do Ocidente viram nas Cruzadas, de facto, uma hip\u00f3tese de se defenderem de forma organizada, para n\u00e3o sucumbir \u00e0 conquista isl\u00e2mica.  Outro erro comum \u00e9 pensar que eram os mais desfavorecidos que partiram, \u00e0 procura de conquistar novas terras. A verdade \u00e9 que muitos senhores feudais e seus primog\u00e9nitos (muitas vezes empurrados por monarcas que se queriam ver livres deles) responderam ao apelo do Papa em 1095 e \u00e0 consequente Cruzada. Partir numa Cruzada era uma opera\u00e7\u00e3o muito dispendiosa e muitos senhores eram mesmo obrigados a vender os seus pr\u00f3prios bens. Al\u00e9m disso, ap\u00f3s os \u00eaxitos militares da primeira cruzada, com a conquista de Jerusal\u00e9m e de grande parte da Palestina, praticamente todos os cruzados voltaram para casa. Quanto aos Estados cruzados, estes n\u00e3o eram col\u00f3nias no sentido moderno da palavras, mas estados militares que tinham a finalidade de defender os lugares santos na Palestina, especialmente Jerusal\u00e9m, e proporcionar um ambiente seguro para os peregrinos crist\u00e3os que visitavam a Terra Santa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filme de Ridley Scott reabre discuss\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[203,317],"class_list":["post-11938","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-europa","tag-terra-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11938"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11938\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}