{"id":118959,"date":"2018-11-08T11:01:19","date_gmt":"2018-11-08T11:01:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=118959"},"modified":"2018-11-08T12:03:59","modified_gmt":"2018-11-08T12:03:59","slug":"sinodo-2018-igreja-catolica-tem-de-preparar-jovens-que-possam-acompanhar-outros-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sinodo-2018-igreja-catolica-tem-de-preparar-jovens-que-possam-acompanhar-outros-jovens\/","title":{"rendered":"Igreja Cat\u00f3lica tem de preparar jovens que possam acompanhar outros jovens"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Joaquim Mendes, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal do Laicado e Fam\u00edlia, passa em revista os trabalhos da assembleia sinodal que debateu papel das novas gera\u00e7\u00f5es e aponta prioridades para o futuro pr\u00f3ximo da Pastoral no setor<\/em><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_118964\" aria-describedby=\"caption-attachment-118964\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-118964\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/20181023_sinodo_jovens_0984-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/20181023_sinodo_jovens_0984-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/20181023_sinodo_jovens_0984-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/20181023_sinodo_jovens_0984-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/20181023_sinodo_jovens_0984-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/20181023_sinodo_jovens_0984.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-118964\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Perna\/Fam\u00edlia Crist\u00e3<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entrevista realizada em parceria para a Ag\u00eancia Ecclesia, Fam\u00edlia Crist\u00e3, Flor de Lis, R\u00e1dio Renascen\u00e7a e Voz da Verdade, com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O S\u00ednodo dos Bispos decorreu, no Vaticano, durante mais de tr\u00eas semanas, mas teve antes um longo processo de prepara\u00e7\u00e3o, que foi acompanhando de perto. O que \u00e9 que mais o tocou, nesta assembleia?<\/em><\/p>\n<p>A mim, o que mais me tocou foi a experi\u00eancia eclesial, com representantes de todos os continentes, com Pedro e sob Pedro. Foi o que mais me tocou, profundamente.<\/p>\n<p>\u00c9 uma experi\u00eancia de conviv\u00eancia, de di\u00e1logo, de partilha, de escuta, em que se aprende, de abertura ao Esp\u00edrito, de discernir, que \u00e9 o estilo pr\u00f3prio do S\u00ednodo, da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Houve algum testemunho em particular que lhe ficasse gravado?<\/em><\/p>\n<p>Sim, o que mais me tocou foi o testemunho das Igrejas, sobretudo do Oriente, o testemunho de f\u00e9, do mart\u00edrio. Quer do mart\u00edrio branco, do ser crist\u00e3o, professar a f\u00e9 e ser fiel \u00e0 identidade crist\u00e3, em contextos t\u00e3o dif\u00edceis de persegui\u00e7\u00e3o e de viol\u00eancia; quer o mart\u00edrio vermelho, do testemunho.<\/p>\n<p>N\u00f3s vivemos num clima de paz, que pode ser um risco tamb\u00e9m, de adormecimento, acomoda\u00e7\u00e3o. O contacto com estas experi\u00eancias, com estas viv\u00eancias, com estas partilhas, despertou em mim um olhar diferente, sair do meu mundo, da minha realidade\u2026 A gente queixa-se de coisas f\u00fateis, enquanto ali as dificuldades s\u00e3o t\u00e3o grandes e os crist\u00e3os enfrentam-nas com a fortaleza do Esp\u00edrito e com uma f\u00e9 viva. Impressionou-me.<\/p>\n<p>Procurei tamb\u00e9m, perante algumas interven\u00e7\u00f5es, aproximar-me do padre sinodal, para manifestar a minha solidariedade e a minha comunh\u00e3o com ele e com o povo que ele representa, onde vive.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A assembleia teve uma configura\u00e7\u00e3o diferente, dada a grande presen\u00e7a de jovens no S\u00ednodo, cerca de 10%. De que forma \u00e9 que este contacto com realidades juvenis marcou os trabalhos?<\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, para mim n\u00e3o \u00e9 estranho: sou salesiano e o mundo juvenil, passe a express\u00e3o, \u00e9 a minha praia. Estou \u00e0 vontade com eles, ouvindo as suas preocupa\u00e7\u00f5es, como o desejo de serem acompanhados, de haver disponibilidade de pessoas e recursos, na Igreja, para o acompanhamento dos jovens. \u00c9 uma ideia muito forte, do acompanhamento, de haver recursos dispon\u00edveis para a forma\u00e7\u00e3o de acompanhadores, para que as estruturas possam servir os jovens, a Pastoral Juvenil.<\/p>\n<p>Outro tema de conversa foi a quest\u00e3o de uma pastoral org\u00e2nica, entre movimentos, par\u00f3quias e dioceses, num desejo de comunh\u00e3o, de caminhar juntos, de um conhecimento rec\u00edproco, que enriquece e fortalece as v\u00e1rias din\u00e2micas.<\/p>\n<p>Um outro aspeto que me tocou, tamb\u00e9m, \u00e9 que estes jovens t\u00eam uma experi\u00eancia do corpo eclesial, de Igreja. Uma experi\u00eancia alargada, para al\u00e9m das suas par\u00f3quias, das suas vigararias, digamos assim, com participa\u00e7\u00e3o nas Jornadas Mundiais da Juventude, encontros nacionais e internacionais dos seus pr\u00f3prios movimentos. S\u00e3o jovens profundamente inseridos no corpo eclesial e protagonistas, com este desejo de ajudar e acompanhar os outros jovens.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um aspeto muito importante: hoje, a transmiss\u00e3o da f\u00e9 e a evangeliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se faz tanto, \u00e0s vezes, pelos meios tradicionais, da fam\u00edlia, etc., mas s\u00e3o os jovens que evangelizam outros jovens. Mesmo na minha experi\u00eancia pastoral, dou-me conta de que os jovens que eu crismo, muitas vezes, chegaram ao percurso para o Crisma trazidos por outros jovens; a gente percebe isto quando eles os escolhem para padrinhos. \u00c9 uma outra realidade, a que os jovens s\u00e3o muito sens\u00edveis, para a qual a gente tem de estar despertos.<\/p>\n<p>Eles pedem \u00e0 Igreja que acompanhe, qualifique e amplie esta realidade, para que jovens possam acompanhar outros jovens. Para isso, \u00e9 preciso que a Igreja lhes d\u00ea aten\u00e7\u00e3o e os acompanhe, os forme, caminhe com eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>De que forma \u00e9 que estes dias de trabalho, de contacto com outras realidades, v\u00e3o marcar o p\u00f3s-S\u00ednodo, digamos assim, na vida de D. Joaquim Mendes?<\/em><\/p>\n<p>Eu j\u00e1 tive oportunidade de participar em cap\u00edtulos gerais da minha congrega\u00e7\u00e3o, que exprimem esta universalidade de culturas, a diversidade de sensibilidades, de problemas. Mas o que mais vai marcar o meu percurso \u00e9 este desejo da sinodalidade, que foi bastante acentuada neste S\u00ednodo, que \u00e9 o modo, o estilo de ser Igreja, de caminhar juntos, de discernir os caminhos que o Senhor nos aponta. Significa abertura, assumir o di\u00e1logo como m\u00e9todo, como estilo da pastoral.<\/p>\n<p>O facto de a assembleia sinodal ter tido no seu seio dezenas de jovens, era bom que isso fosse tamb\u00e9m poss\u00edvel nas nossas comunidades crist\u00e3s: que, quando fazemos uma visita pastoral, uma assembleia paroquial, que haja uma presen\u00e7a de jovens, para dialogarmos, olharmos juntos a realidade do territ\u00f3rio, os desafios, os problemas, como chegar aos \u00faltimos, aos pobres, \u00e0s periferias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No in\u00edcio do S\u00ednodo foi muito celebrado o facto de o portugu\u00eas ser uma l\u00edngua oficial, pela primeira vez. De que forma \u00e9 que esta novidade permitiu que a presen\u00e7a lus\u00f3fona tivesse uma voz maior?<\/em><\/p>\n<p>A l\u00edngua permite uma maior comunica\u00e7\u00e3o, uma maior compreens\u00e3o, a gente chega mais depressa ao pensamento, ao sentimento, \u00e0 perce\u00e7\u00e3o do que a pessoa vive. Esse \u00e9 um aspeto importante.<\/p>\n<p>O nosso c\u00edrculo [grupo de trabalho lus\u00f3fono] foi uma experi\u00eancia de muita fraternidade, de muita abertura, \u00e0 vontade, com muita partilha. Parecia que n\u00f3s conhec\u00edamos desde sempre, apesar das realidades diferentes: os bispos do Brasil com umas preocupa\u00e7\u00f5es, os da \u00c1frica com outras. Quando se fala dos problemas dos jovens, l\u00e1 h\u00e1 quest\u00f5es como a migra\u00e7\u00e3o ou a viola\u00e7\u00e3o como arma de guerra\u2026<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 uma l\u00edngua falada por milh\u00f5es de pessoas. O portugu\u00eas faz todo o sentido que tenha lugar no S\u00ednodo, na Igreja. Creio para alguns foi a primeira vez que ouviram falar o portugu\u00eas de Portugal.<\/p>\n<p>Eu tive a preocupa\u00e7\u00e3o de falar devagar e falar aberto. Tive algumas manifesta\u00e7\u00f5es de satisfa\u00e7\u00e3o pelo facto de o S\u00ednodo dos Bispos ter contemplado a l\u00edngua portuguesa. Houve at\u00e9 um cardeal que me disse que ia aprender portugu\u00eas. S\u00e3o tamb\u00e9m sinais de abertura.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s tamb\u00e9m foi uma grande satisfa\u00e7\u00e3o poder exprimir claramente o nosso sentir e o nosso pensar, as nossas ideias, as nossas propostas, na nossa l\u00edngua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sentiu a falta de um jovem portugu\u00eas?<\/em><\/p>\n<p>Sim, por acaso, senti isso. Certamente, a organiza\u00e7\u00e3o teve crit\u00e9rios, mas muitos dos jovens que ali estavam participaram na reuni\u00e3o pr\u00e9-sinodal, onde n\u00f3s tivemos tr\u00eas portugueses, representantes da Confer\u00eancia Episcopal e de movimentos. Estranhei, o quadro ficaria mais completo, mais enriquecido com a presen\u00e7a de qualquer um destes jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como foram as conversas com o Papa?<\/em><\/p>\n<p>Eu, quando o saudava, dizia: Bom dia! Tive oportunidade de trocar com ele algumas ideias, em particular sobre a minha interven\u00e7\u00e3o relativa ao ambiente familiar na Igreja. \u00c9 tamb\u00e9m uma ideia que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do Papa: \u00a0Igreja-fam\u00edlia, a Igreja fam\u00edlia de fam\u00edlias, a Igreja fam\u00edlia para os que n\u00e3o t\u00eam fam\u00edlia. Uma comunidade aberta. Foi muito gratificante, esta presen\u00e7a, ele est\u00e1 para nos acolher, isto \u00e9 Igreja, isto \u00e9 fam\u00edlia. 08<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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