{"id":118503,"date":"2018-10-31T16:40:19","date_gmt":"2018-10-31T16:40:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=118503"},"modified":"2025-03-14T16:18:21","modified_gmt":"2025-03-14T16:18:21","slug":"publicacoes-momentos-de-muitas-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/publicacoes-momentos-de-muitas-vidas\/","title":{"rendered":"Publica\u00e7\u00f5es: \u00abMomentos de muitas vidas\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>O padre Jos\u00e9 Ant\u00f3nio \u00e9 assistente espiritual e religioso no Centro Hospitalar e Universit\u00e1rio de Coimbra h\u00e1 18 anos e partilhou num livro o acompanhamento da fragilidade de muitas pessoas, nomeadamente no fim da vida<\/em><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/jose_antonio_coimbra.jpg\" \/>Coimbra, 31 out 2018<\/p>\n<p>(Ecclesia) \u2013 O padre Jos\u00e9 Ant\u00f3nio \u00e9 assistente espiritual e religioso do Centro Hospitalar e Universit\u00e1rio de Coimbra e colocou no livro \u201cMomentos de muitas vidas\u201d a experi\u00eancia de acompanhamento de doentes durante estes 18 anos, nomeadamente nos \u00faltimos dias de vida.<\/p>\n<p>No m\u00eas de novembro, de mem\u00f3ria dos familiares e amigos defuntos, a Ag\u00eancia ECCLESIA foi ao encontro da experi\u00eancia do padre Jos\u00e9 Ant\u00f3nio, como \u00e9 conhecido, partilhada numa conversa que percorreu v\u00e1rias enfermarias e parou pelos corredores hospitalares, sem ter sa\u00eddo da mesma sala.<\/p>\n<p>\u201cUma catarse\u201d&#8230; \u00c9 assim que o sacerdote define o objetivo de escrever este livro, com mais de 180 p\u00e1ginas e ilustra\u00e7\u00f5es de Miguel Cardoso, onde s\u00e3o contados muitos epis\u00f3dios de quem acompanha vidas fragilizadas, que deixam marca no hospital e no cora\u00e7\u00e3o do assistente religioso e espiritual, em Coimbra.<\/p>\n<p>Com agenda \u201cimprevista\u201d, o padre Jos\u00e9 Ant\u00f3nio tem dias que passa no hospital mais de 12 horas; \u201cfoge\u201d na hora de almo\u00e7o \u201cpara descansar\u201d, mas ao fim do dia sai, quase sempre, feliz e com um \u201csentido de dever cumprido\u201d.<\/p>\n<h4><strong>Os sil\u00eancios e as m\u00e3os dadas<\/strong><\/h4>\n<p>Quando parte para uma primeira conversa, chamado pelo pr\u00f3prio doente ou por algum familiar, o sacerdote abeira-se da pessoa muitas vezes em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>\u201cDigo quem sou, apresento-me dizendo que sou padre; depois pode haver um ou dois minutos de sil\u00eancio e aparece a conversa! Tenho de arranjar uma estrat\u00e9gia para falar, a terra de onde vem, os interesses\u2026\u201d, conta \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>O sacerdote \u00e9 muito pr\u00f3ximo na abordagem aos doentes, aos profissionais de sa\u00fade ou a quem dele se abeira para um cumprimento, uma conversa ou um coment\u00e1rio. S\u00e3o muitos os epis\u00f3dios que vai vivendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_77377\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LgfTXenTdE0?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u201cUma senhora que conhecia h\u00e1 anos, eu ia visit\u00e1-la e ela tinha muita necessidade de companhia, a fam\u00edlia vivia longe e n\u00e3o podiam estar presentes. <\/em><\/p>\n<p><em>Um dia disse-me: sei que n\u00e3o pode estar aqui todos os dias mas quando puder venha aqui, pode n\u00e3o dizer nada mas d\u00ea-me a m\u00e3o e depois pode ir embora. Eu fazia isso e ela ficava feliz. Acompanhei-a at\u00e9 ao \u00faltimo dia e foi um momento suave\u201d.<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Livro_padreJoseAntonio.jpg\" \/><\/p>\n<p>O padre Jos\u00e9 Ant\u00f3nio trouxe este epis\u00f3dio, que consta no seu livro, para revelar que, no seu dia a dia, h\u00e1 gestos e sil\u00eancios mais importantes e valiosos do que muitas palavras.<\/p>\n<p>\u201cMuitas vezes n\u00e3o dizemos nada. \u00c9 s\u00f3 m\u00e3o na m\u00e3o e, para o doente, j\u00e1 \u00e9 tudo\u2026 Deve ser horr\u00edvel morrer sozinho, na solid\u00e3o. Mesmo que eu n\u00e3o conhe\u00e7a a pessoa, cria-se um lado de afeto. Sentir uma m\u00e3o, sentir aquele calor, transforma-nos\u201d, confessa de forma lenta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/hospital_escuro.jpg\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Hospital, lugar de vida<\/strong><\/h4>\n<p>A entrada do Centro Hospitalar e Universit\u00e1rio de Coimbra \u00e9 preenchida por movimentos de vai e vem, pessoas que entram e saem, para consultas, exames ou visitas. Por ali, um ou outro doente internado para \u201cquem se tornou poss\u00edvel vir apanhar ar\u201d. O padre Jos\u00e9 Ant\u00f3nio conhece muitos e troca breves cumprimentos com quase todos.<\/p>\n<p>A simplicidade com que passa de bata branca, ostentando o devido cart\u00e3o de assistente espiritual e religioso, faz com que seja reconhecido, no espa\u00e7o que apelida de \u201clugar de vida\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_88217\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K1eUKc8o_oY?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u201cNo Hospital vive-se de tudo, h\u00e1 gente de todas as classes sociais, no hospital est\u00e1 a vida, mesmo com a doen\u00e7a e a morte, que fazem parte da vida\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cA vida est\u00e1 aqui nos esfor\u00e7os que se fazem, que a ci\u00eancia e a t\u00e9cnica fazem para curar as pessoas, as descobertas, os medicamentos, as cirurgias, todo o trabalho dos profissionais e a dedica\u00e7\u00e3o ao doentes\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Olha o hospital como uma segunda casa onde passa muitas horas por dia e onde encontra vidas verdadeiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u201cNingu\u00e9m devia entrar na vida ativa sem fazer um est\u00e1gio num hospital e numa cadeia, para poder ir para o mundo do trabalho sabendo o que \u00e9 a vida\u201d..<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_33505\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jDC2_GPonO8?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste \u201clugar de vida\u201d o padre Jos\u00e9 Ant\u00f3nio j\u00e1 viveu muitos momentos bons, de afetos e alegrias, partilhas de vida que o marcaram, \u201cmomentos maravilhosos em que muitas vezes v\u00eam as l\u00e1grimas em sentido contr\u00e1rio, l\u00e1grimas de alegria, \u00e9 t\u00e3o bom e sabe bem pois compensa os momentos dif\u00edceis\u201d, diz de sorriso no rosto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Lutos diferentes<\/strong><\/h4>\n<p>O passar dos anos ajudam a gerir melhor nos momentos de dor e luto mas, segundo o padre Jos\u00e9 Ant\u00f3nio, n\u00e3o podem ser vividos de forma indiferente.<\/p>\n<p>As situa\u00e7\u00f5es mais delicadas t\u00eam de ser tratadas com toda a cordialidade e proximidade. O luto, por exemplo, \u00e9 um momento para poucas palavras.<\/p>\n<p><em>\u201c\u00c0s vezes \u00e9 mais dif\u00edcil preparar os familiares para o luto, do que o pr\u00f3prio doente que j\u00e1 tem consci\u00eancia que est\u00e1 no fim. As pessoas t\u00eam uma certa dificuldade em enfrentar estas situa\u00e7\u00f5es\u2026 Ningu\u00e9m gosta de ver outro a morrer e depois h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o de afetos\u2026\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O padre Jos\u00e9 Ant\u00f3nio vai sentindo algumas vezes esta falta de afetos e de presen\u00e7a em momentos dolorosos, recorda um caso, patente no livro.<\/p>\n<p><em>\u201cEra uma senhora sozinha, que estava muito mal, talvez nos \u00faltimos tempos e os filhos estavam emigrados. Quando a vieram visitar estiveram com senhora muito pouco tempo porque foram fazer festa para casa com os vizinhos e aquela senhora ali continuou sozinha\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p>A presen\u00e7a de um padre nos \u00faltimos momentos \u00e9 sentida como uma\u201d companhia para a fam\u00edlia\u201d mas para o doente, se estiver consciente e que pede ajuda, \u00e9 uma \u201cquest\u00e3o de, simplesmente, o escutar\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que \u201cmexem\u201d com este sacerdote, a rela\u00e7\u00e3o de m\u00e3es e pais com filhos em sofrimento, algo que sente ser \u201cdesumano\u201d.<\/p>\n<p><em>\u201cN\u00e3o quero, de maneira nenhuma, viver esses momentos de maneira fria, sen\u00e3o n\u00e3o sou eu que c\u00e1 estou, est\u00e1 uma m\u00e1quina! Claro que n\u00e3o me posso deixar dominar por certos sentimentos, mas n\u00e3o posso ser um robot a atender e a escutar as pessoas\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_68545\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vhXRKuripG8?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u201cVer um filho morrer \u00e9 desumano. Que resposta hei de dar? \u00c9 s\u00f3 estar, s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es em que as palavras est\u00e3o a mais\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cNunca sei preparar um luto de um pai ou uma m\u00e3e, porque \u00e9 sempre diferente\u2026 de vez em quando vou ao hospital pedi\u00e1trico mas eu fujo\u2026\u201d<\/em>.<\/p>\n<h4><strong>Vidas que deixam saudade<\/strong><\/h4>\n<p>S\u00e3o muitas as vidas que marcaram este sacerdote ao longo de 18 anos de assist\u00eancia hospitalar. Dos m\u00e9dicos aos enfermeiros, doentes que sa\u00edram curados, doentes que ali voltam de forma regrada e outras vidas que j\u00e1 partiram mas que deixaram marcas.<\/p>\n<p>O padre Jos\u00e9 Ant\u00f3nio recorda um doente que depois se tornou amigo. O pai veio pedir ao sacerdote que visitasse o filho.<\/p>\n<p>E assim foi acontecendo durante os tr\u00eas anos de internamento do doente at\u00e9 ao dia da sua morte. Todos os dias o sacerdote o visitava, conversaram muito, tornaram-se amigos. E de um pedido de morte \u201cnasceram\u201d muitos momentos de vida.<\/p>\n<p>Neste epis\u00f3dio o sacerdote relata muito mais do que amizade, demonstra o lado emocional deste assistente espiritual que acompanha as vidas e sente, tamb\u00e9m, saudades de quem partiu.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o &#8220;Momentos de muitas vidas&#8221; vai ser apresentado no audit\u00f3rio do Centro Hospitalar e Universit\u00e1rio de Coimbra, no dia 28 de novembro, pelas 14h30 e no Teatro da Sociedade Recreativa Ervedalense, Ervedal da Beira e Seixo da Beira, Oliveira do Hospital, no dia 30 de novembro, pelas 21h30.<\/p>\n<p><em>SN<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cQuando l\u00e1 cheguei ele pediu-me para o ajudar a morrer. Pensei uns segundos e disse-lhe que n\u00e3o era a pessoa indicada para isso mas, se ele quisesse podia ajud\u00e1-lo a viver nem que fosse cinco minutos\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_50536\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9MgCUm9xYrs?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" 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