{"id":118367,"date":"2018-10-29T17:59:02","date_gmt":"2018-10-29T17:59:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=118367"},"modified":"2018-11-07T14:54:19","modified_gmt":"2018-11-07T14:54:19","slug":"a-cruz-escondida-30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-30\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria incr\u00edvel de um jovem perdido no mar na Indon\u00e9sia<!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Adilang.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-118370 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Adilang-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Adilang-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Adilang-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Adilang.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Quarenta e nove dias<\/h3>\n<p>Passaram por ele dez barcos, mas ningu\u00e9m o viu. Passaram dias e noites, passaram horas e semanas, e ningu\u00e9m o viu. Arrastado pelo vento, numa cabana de madeira que se transformou em jangada, o jovem Adilang, de 18 anos, sobreviveu a comer peixe cru e a beber \u00e1gua filtrada pela roupa. Foi resgatado ao fim de 49 dias. Sobreviveu lendo a B\u00edblia que o acompanha sempre para todo o lado.<\/p>\n<p>\u00c9 uma hist\u00f3ria incr\u00edvel de sobreviv\u00eancia. O jovem Adilang estava numa prec\u00e1ria cabana de pesca, constru\u00edda em madeira, suspensa sobre a \u00e1gua em estacas. O seu trabalho consistia em acender lamparinas de petr\u00f3leo nas cabanas. \u00c9 um m\u00e9todo artesanal para atrair os peixes. \u00c9 uma esp\u00e9cie de isco. Os peixes s\u00e3o atra\u00eddos pela curiosidade da luz e depois as redes que se estendem nas \u00e1guas transformam-se em armadilhas fatais. Adilang recebia pouco mais de 130 euros por m\u00eas pelo seu trabalho. Estava ele nisto, a acender as lamparinas, quando, em Julho, se levantou um vento forte, amea\u00e7ador. O vento foi crescendo, cada vez mais amea\u00e7ador e acabou por romper as cordas que prendiam a cabana \u00e0s estacas. De um momento para o outro, Adilang viu-se a navegar nas \u00e1guas das Celebes, com as ondas enfurecidas a fazerem ranger a cabana que se transformou numa improvisada jangada. Assustado, Adilang compreendeu que estava completamente s\u00f3. N\u00e3o tinha telefone nem b\u00fassola, n\u00e3o tinha qualquer tipo de equipamento para navegar. Adilang estava s\u00f3, no meio do mar, em cima de umas t\u00e1buas que pareciam uma tosca casa de pescadores. Como sobreviver? Durante os primeiros dias, talvez uma semana, Adilang foi sobrevivendo racionando os poucos alimentos que tinha consigo, qual Robinson Crusoe a dividir as \u00faltimas bolachas, a beber min\u00fasculos tragos de \u00e1gua, sempre na esperan\u00e7a que algum barco passasse por ali e o visse, na sua ilha de madeira. E passaram alguns. Sempre que os avistava, Adilang procurava chamar a aten\u00e7\u00e3o, gritava, mas era apenas um min\u00fasculo ponto no enorme mar. Insignificante. Ningu\u00e9m o viu. Passaram 10 barcos e ningu\u00e9m reparou nele. Foram dez vezes em que se encheu de esperan\u00e7a. Foram dez vezes em que se deixou tomar por um desespero absoluto. Chegou at\u00e9 a pensar no suic\u00eddio. Mas isso n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<h3>Sozinho com Deus<\/h3>\n<p>Adilang \u00e9 crist\u00e3o. E leva muito a s\u00e9rio a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus. Anda sempre com uma B\u00edblia consigo. E isso acabou por salv\u00e1-lo. Para comer, conseguia apanhar alguns peixes. A princ\u00edpio, ainda usou algumas tiras de madeira para acender fogueiras e, assim, assar os peixes. Depois, deixou de ser poss\u00edvel. \u201cAt\u00e9 comi peixe cru\u201d, afirmou mais tarde ao contar a sua hist\u00f3ria. Para beber \u00e1gua, improvisou um sistema de filtro, mergulhando pe\u00e7as de roupa no mar, purgando-as do sal. Mas para sobreviver mesmo, Adilang passou horas a ler a B\u00edblia, a entoar os c\u00e2nticos que conhecia das Missas de domingo e a rezar. Foram mais de 1170 horas sozinho no mar. Nas suas ora\u00e7\u00f5es, Adilang pensava nos pais. Queria voltar para casa, para o seu porto de abrigo. Adilang n\u00e3o sabia que j\u00e1 estava bem longe de casa, a milhares de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia, quando um barco com a bandeira do Panam\u00e1 e carregado de carv\u00e3o o avistou, no \u00faltimo dia de Agosto. \u201cEu gritei &#8216;help, help&#8217;, que era a \u00fanica coisa que sabia dizer\u201d, explicou. Gritou por socorro e foi socorrido. Deram-lhe roupa e \u00e1gua. E comida. Dias depois, estava de regresso a casa. A hist\u00f3ria de Adilang \u00e9 extraordin\u00e1ria at\u00e9 pela for\u00e7a da f\u00e9 revelada por este jovem de 18 anos que pertence a uma das comunidades religiosas mais amea\u00e7adas na Indon\u00e9sia. O fundamentalismo tem vindo a crescer de dia para dia neste pa\u00eds e os Crist\u00e3os s\u00e3o cada vez mais amea\u00e7ados. Mas Adilang n\u00e3o tem medo de andar sempre com a sua B\u00edblia para todo o lado. E faz bem. Foi isso que o salvou. Esteve 49 dias sozinho, perdido no mar, mas sempre acompanhado por Deus.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria incr\u00edvel de um jovem perdido no mar na Indon\u00e9sia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-118367","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118367"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118367\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}