{"id":118270,"date":"2018-10-29T10:27:56","date_gmt":"2018-10-29T10:27:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=118270"},"modified":"2018-10-29T10:28:42","modified_gmt":"2018-10-29T10:28:42","slug":"nao-basta-abrir-os-olhos-para-ver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-basta-abrir-os-olhos-para-ver\/","title":{"rendered":"N\u00e3o basta abrir os olhos para ver"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Autor<\/a><\/em><!--more--><\/p>\n<p><em>\u201cBreves Respostas \u00e0s grandes quest\u00f5es.\u201d Publicado ap\u00f3s a sua morte, este \u00e9 o t\u00edtulo do \u00faltimo livro de Stephen Hawking, um dos maiores cientistas de todos os tempos. N\u00e3o deixa se ser curioso como a primeira grande quest\u00e3o de um cientista se dirija \u00e0 exist\u00eancia de Deus.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Stephen_Hawking.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-118271 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Stephen_Hawking-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Stephen_Hawking-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Stephen_Hawking-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Stephen_Hawking.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\u00c9 quase imposs\u00edvel n\u00e3o ter uma grande admira\u00e7\u00e3o por Stephen Hawking. As suas teorias elevaram o conhecimento humano, resolvendo enigmas do universo associados \u00e0 sua origem, desbravando caminho na unifica\u00e7\u00e3o do infinitamente grande (Relatividade Geral) ao infinitamente pequeno (Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica). Not\u00e1veis s\u00e3o, tamb\u00e9m, as suas teorias sobre os buracos negros. E todo este conhecimento desenvolvido a partir de uma posi\u00e7\u00e3o t\u00e3o fr\u00e1gil. Stephen Hawking n\u00e3o acreditava em Deus. Por isso, n\u00e3o deixa de ser curioso como a sua primeira grande quest\u00e3o se dirige, precisamente, \u00e0 exist\u00eancia de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>\u201cHaver\u00e1 Deus?\u201d<\/h3>\n<p>Sendo ateu, Hawking \u00e9 claro desde o in\u00edcio na sua resposta de que a ci\u00eancia est\u00e1 gradualmente a responder a quest\u00f5es que antes eram do dom\u00ednio religioso. Quest\u00f5es como: Porque estamos aqui? De onde vimos? E a vis\u00e3o que tem das respostas dadas pela religi\u00e3o s\u00e3o de que estamos aqui porque Deus fez tudo o que existe. Assim, \u00e0 medida que a ci\u00eancia explica aquilo que existe, e exprime as raz\u00f5es com base em leis naturais, n\u00e3o precisamos mais de invocar a interven\u00e7\u00e3o de Deus. A origem dos fen\u00f3menos possui uma explica\u00e7\u00e3o racional e natural. Os crentes argumentam que essas leis s\u00e3o obra de Deus, mas Hawking diz que isso \u00e9 mais uma defini\u00e7\u00e3o de Deus do que uma prova da Sua exist\u00eancia. Eu concordo.<\/p>\n<p>Depois, diz ainda Hawking que a descoberta destas leis \u00e9 um dos maiores feitos da humanidade, pois ser\u00e3o essas que nos dir\u00e3o se precisamos de um Deus, ou n\u00e3o, para explicar a exist\u00eancia do pr\u00f3prio universo. Como crist\u00e3o, o primeiro pensamento que tive ao ler estas palavras foi &#8211; \u201cmas eu n\u00e3o preciso de Deus para explicar a exist\u00eancia do pr\u00f3prio universo.\u201d A seu tempo explicarei porqu\u00ea.<\/p>\n<p>Ainda, Hawking refere que o facto das leis n\u00e3o poderem ser quebradas explica a raz\u00e3o de serem t\u00e3o poderosas. Eu n\u00e3o podia estar mais de acordo. S\u00f3 n\u00e3o percebi por que raz\u00e3o Hawking argumenta que isso \u00e9 controverso de um ponto de vista religioso. N\u00e3o percebi at\u00e9 ao momento e que ele questiona a relev\u00e2ncia do papel de Deus em tudo no universo se existem leis que o explicam. Interessante o seu racioc\u00ednio. Um Deus que assume a forma humana, insignificante e acidental, ter criado um universo de tamanha vastid\u00e3o como o nosso, parece implaus\u00edvel. E mais implaus\u00edvel ainda quando alguns testemunham estabelecer um relacionamento pessoal com Ele. Por isso, Stephen Hawking prev\u00ea que iremos conhecer a mente de Deus at\u00e9 ao final deste s\u00e9culo. Ser\u00e1? \u00c9 aqui que come\u00e7am as minhas d\u00favidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Do que duvido<\/h3>\n<p>H\u00e1 algu\u00e9m que conhe\u00e7a a totalidade daquilo que Deus criou realmente? Sabemos o que experimentamos ao n\u00edvel material, ou o que podemos inferir do passado, ou ainda intuir aspectos que fazem parte da imaterialidade, como um pensamento, mas isso esgota o que Deus criou e cria ainda? Se Deus \u00e9 Deus, a \u00fanica coisa razo\u00e1vel de afirmar seria somente \u201cDeus criou.\u201d Ponto. Mas criou o qu\u00ea? Como? Foi para isso que nos deu a intelig\u00eancia suficiente para inventar a ci\u00eancia: a chave de interpreta\u00e7\u00e3o racional da linguagem de Deus quando nos fala atrav\u00e9s do universo.<\/p>\n<p>O facto de Hawking e muitos ateus recusarem Deus como explica\u00e7\u00e3o faz todo o sentido. \u00c9 este o ponto central do problema que gera um conflito sem fundamento entre ci\u00eancia e religi\u00e3o na nossa cabe\u00e7a: usar a exist\u00eancia de Deus para explicar seja o que for.<\/p>\n<p>Se Deus \u00e9 Deus, a sua exist\u00eancia precede qualquer necessidade de explica\u00e7\u00e3o e, pelo contr\u00e1rio, est\u00e1 na origem do impulso a procurar explica\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s das ci\u00eancias naturais e humanas. Deus \u00e9 o fundamento da exist\u00eancia em si mesma, logo, n\u00e3o pode existir como qualquer outra coisa que existe.<\/p>\n<p>Qual a causa deste mundo? O que o explica? A ci\u00eancia \u00e9 a linguagem que invent\u00e1mos para responder a estas quest\u00f5es. As causas, o modo, s\u00e3o tudo objecto da ci\u00eancia, mas o porqu\u00ea, o sentido e significado vai muito para al\u00e9m da linguagem cient\u00edfica. Que verdade se esconde nas realidades que n\u00e3o conhecemos ainda?<\/p>\n<p>Deus n\u00e3o est\u00e1 ao n\u00edvel das explica\u00e7\u00f5es que damos \u00e0s coisas, mas antes ao n\u00edvel daquilo que nos inspira a pensar nelas. Deus n\u00e3o serve de explica\u00e7\u00e3o quando \u00e9 uma escolha. Ou acolho a sua presen\u00e7a na abertura de cora\u00e7\u00e3o, mente, de tudo o que sou e aspiro ser, ou n\u00e3o acolho. A sua exist\u00eancia n\u00e3o depende da minha escolha. Apenas o modo como me relaciono, ou n\u00e3o, com Deus.<\/p>\n<p>A um certo ponto, Hawking d\u00e1-se ao trabalho de fazer um percurso pela procura da origem do universo para concluir que essa \u00e9 um&#8230; nada. Por\u00e9m, este nada \u00e9, simplesmente, aquilo sobre o qual a ci\u00eancia nada consegue dizer porque chegou ao seu limite como linguagem e pensamento humanos, o que n\u00e3o esgota a possibilidade de pensarmos com outras linguagens como a arte, a filosofia e a teologia.<\/p>\n<p>Hawking rejeita um deus-designer e isso \u00e9 comum a todo o crist\u00e3o. Por\u00e9m, para Hawking, dizer que Deus \u00e9 criador, \u00e9 o mesmo que ser designer, mas n\u00e3o \u00e9. S\u00e3o dois conceitos completamente diferentes. O conceito de Deus a que se refere Hawking \u00e9 o de um ser entre outros seres, causa entre outras causas. Ou seja, n\u00e3o se refere ao Deus de Jesus Cristo. Pena que Hawking n\u00e3o tivesse usado na quest\u00e3o de Deus o mesmo rigor que usava nas teorias que desenvolvia. Porque n\u00e3o h\u00e1 resposta cient\u00edfica mais rigorosa e honesta a esta \u201cgrande quest\u00e3o\u201d do que &#8211; \u201cn\u00e3o sei.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Diante de Ti<\/h3>\n<p>O ponto de partida da quest\u00e3o de Deus ser\u00e1 sempre um humilde \u201cn\u00e3o sei.\u201d \u00c9 uma quest\u00e3o de tal modo importante que talvez seja melhor manter como quest\u00e3o, para nos manter na procura.<\/p>\n<p>Quanto tempo e recursos n\u00e3o gastamos para descobrir as part\u00edculas fundamentais do universo, ou desenvolver teorias de buracos negros, quando, por mais fascinantes que sejam, pouca influ\u00eancia t\u00eam sobre o sentido e significado da nossa vida.<\/p>\n<p>A descoberta de Deus como criador \u00e9 a descoberta \u00edntima do sentido e significado da nossa exist\u00eancia. \u00c9 a descoberta de ser amado tal como sou. Algo que o mundo fez em rela\u00e7\u00e3o a Stephen Hawking, n\u00e3o s\u00f3 pela sua intelig\u00eancia, mas pelo testemunho da grandeza relacional humana diante da fragilidade. Pois, sem a ajuda e o amor de tantos, ele nunca teria chegado onde chegou. Teria sido esse amor o modo como Deus se quis manifestar diante dele, na esperan\u00e7a de que abrisse os olhos do cora\u00e7\u00e3o? Aparentemente, n\u00e3o basta abrir os olhos para ver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-118270","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118270","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118270"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118270\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118270"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118270"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118270"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}