{"id":118267,"date":"2018-10-29T10:09:37","date_gmt":"2018-10-29T10:09:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=118267"},"modified":"2018-11-05T11:06:05","modified_gmt":"2018-11-05T11:06:05","slug":"lusofonias-peregrinar-rezar-com-os-pes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-peregrinar-rezar-com-os-pes\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211;\u00a0Peregrinar, rezar com os p\u00e9s"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20181025_sinodo_jovens_2533.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-117821 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20181025_sinodo_jovens_2533-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20181025_sinodo_jovens_2533-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20181025_sinodo_jovens_2533-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20181025_sinodo_jovens_2533-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20181025_sinodo_jovens_2533-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20181025_sinodo_jovens_2533.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Peregrinar \u00e9 isso mesmo. E, por isso mesmo, o Vaticano promoveu, quinta-feira dia 25 de outubro, uma peregrina\u00e7\u00e3o que uniu bispos e jovens participantes do S\u00ednodo num percurso de seis quil\u00f3metros, por caminhos de montanha e pelas ruas de Roma, at\u00e9 ao t\u00famulo de S\u00e3o Pedro, onde foram recebidos pelo Papa Francisco. Segundo o Cardeal Fisichela, nasceu da ideia de mostrar \u2018uma Igreja a caminho\u2019 para levar o S\u00ednodo \u00e0 rua, num percurso que evoca a hist\u00f3ria das peregrina\u00e7\u00f5es, ao longo de todos os s\u00e9culos do Cristianismo.<\/p>\n<p>H\u00e1 fen\u00f3menos que nos provocam. Este \u00e9 um deles: aumenta, de ano para ano, o n\u00famero dos que se p\u00f5em a caminho, por mais ou menos tempo, para rumar a um lugar \u2018sagrado\u2019, ponto de chegada das grandes peregrina\u00e7\u00f5es. E v\u00e3o a p\u00e9 ou de bicicleta. Andam dias e mais dias, pernoitam em albergues ou ao ar livre, alimentam-se nos conventos ou nos bares e mercados \u00e0 borda dos caminhos, fazem promessas, conversam ou v\u00e3o em sil\u00eancio absoluto, t\u00eam ou n\u00e3o um objetivo de mudan\u00e7a de vida em rela\u00e7\u00e3o ao futuro que desenham.<\/p>\n<p>As peregrina\u00e7\u00f5es t\u00eam mil\u00e9nios de hist\u00f3ria. Alguns dos caminhos ainda se mant\u00eam intactos e at\u00e9 reganham for\u00e7a. Os pr\u00f3prios governos e autoridades aut\u00e1rquicas redesenham estes percursos, melhorando os seus pisos e identificando-os para que os peregrinos n\u00e3o se percam. As povoa\u00e7\u00f5es por onde passam s\u00e3o, regra geral, acolhedoras.<\/p>\n<p>Participei no Retiro anual da minha comunidade num convento de Beneditinas Contemplativas nas periferias de Vetralla, uma vila muito antiga situada entre Roma e Viterbo, na via C\u00e1ssia, uma das muitas que os Romanos abriam e palmilhavam para ligar a capital do imp\u00e9rio ao resto do mundo. Aqui, no Convento, passaram durante a semana dezenas de peregrinos, a caminho de Roma. Vinham a p\u00e9 ou de bicicleta. Eram italianos, belgas, su\u00ed\u00e7os, franceses. Andavam h\u00e1 dias ou mesmo h\u00e1 meses na estrada, com o objetivo de chegar a Roma. Muitos peregrinavam para aprofundar a sua F\u00e9, outros o faziam apenas para repensar a vida e redescobrir um sentido que andava um pouco perdido ou enublado. Os rostos mostravam o desgaste provocado pelos quil\u00f3metros e pelo calor do caminho mais havia uma luzinha sempre acesa nos olhos que encorajava os peregrinos a regressar \u00e0 estrada logo pela manh\u00e3 bem cedo, depois de uma noite repousante no Convento. Algumas e alguns partilharam momentos de ora\u00e7\u00e3o connosco, outros s\u00f3 os v\u00edamos no refeit\u00f3rio ou no jardim de acesso a casa.<\/p>\n<p>Este Convento est\u00e1 na famosa (e bem indicada), Via Francigena, caminho dos peregrinos desde os Alpes at\u00e9 ao porto de Bari, onde atravessavam o mar mediterr\u00e2neo para rumar \u00e0 Terra Santa.<\/p>\n<p>Jerusal\u00e9m, Roma, Lourdes, Santiago de Compostela, F\u00e1tima\u2026s\u00e3o tantos os \u2018lugares santos\u2019 que convidam os peregrinos a deixar os seus espa\u00e7os de conforto e seguran\u00e7a e fazer-se \u00e0 estrada, l\u00e1 onde tudo pode acontecer. Desligados de um quotidiano tornado rotineiro e sem sentido, os peregrinos abrem-se a novas experi\u00eancias e, no sil\u00eancio do caminho \u2013 e da ora\u00e7\u00e3o \u2013 tentar redesenhar um futuro com esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Os peregrinos crentes rezam com os p\u00e9s. Desinstalam-se. Aceitam reequacionar a sua forma de viver. Optam por desprender-se das amarras do dia a dia e fazem-se a uma estrada cheia de surpresas. S\u00e3o desafiados por um estilo de vida simples e fraterna. Experimentam os seus limites f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos. Encontram no caminho novos desafios, novas amizades, novas perspetivas de futuro.<\/p>\n<p>O dia seguinte da peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 um livro por escrever. Houve um carregar de baterias que rasgou novas possibilidades. O contacto com a natureza, com a cultura gravada em monumentos e com gentes desconhecidas abriu possibilidades de felicidade que n\u00e3o se adivinhavam no inicio do caminho.<\/p>\n<p>Ousemos, pois, com radicalidade e coragem, deitar fora os medos e fazer da vida uma peregrina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-118267","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118267\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}