{"id":11818,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/pessoas-na-berma-da-estrada-sao-o-novo-desafio-para-a-igreja\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"pessoas-na-berma-da-estrada-sao-o-novo-desafio-para-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pessoas-na-berma-da-estrada-sao-o-novo-desafio-para-a-igreja\/","title":{"rendered":"Pessoas na \u00abberma da estrada\u00bb s\u00e3o o novo desafio para a Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista a D. Jorge Ortiga, presidente da confer\u00eancia episcopal <!--more--> Solidariedade &#8211; Qual \u00e9 o papel que desempenha a Confer\u00eancia Episcopal?  D. Jorge Ortiga &#8211; As confer\u00eancias episcopais s\u00e3o essencialmente um org\u00e3o colegial no sentido de criar ou estimular o relacionamento afectivo entre todos os bispos e, simultaneamente, chegar tamb\u00e9m a uma colegialidade efectiva, ou seja, de resposta n\u00e3o uniforme, mas em unidade, aos problemas caracter\u00edsticos do pa\u00eds. Cada bispo tem autonomia na sua diocese, mas num pa\u00eds como o nosso, onde apesar da pequena diversidade social, \u00e9 de muita import\u00e2ncia que os bispos se encontrem para, em comum, intu\u00edrem os caminhos que devem percorrer juntos.   Solidariedade &#8211; Nos mandatos de D. Jos\u00e9 Policarpo houve uma certa mediatiza\u00e7\u00e3o dos vossos encontros. Como \u00e9 que vai ser consigo a presidente?  D. Jorge Ortiga &#8211; Eu n\u00e3o sei se houve esse esfor\u00e7o de mediatiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era costume a sess\u00e3o de abertura ser aberta \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social. Penso que se deve manter esse procedimento at\u00e9 porque \u00e9 uma oportunidade de podermos dizer quais s\u00e3o os temas que iremos em conjunto abordar. Neste momento tenho algumas ideias sobre o modo como ir\u00e3o funcionar as assembleias e o funcionamento normal da Confer\u00eancia Episcopal, que existe todos os dias e n\u00e3o s\u00f3 quando se re\u00fane. Gostaria que tiv\u00e9ssemos um tema para estes tr\u00eas anos de mandato, subdividido em temas para cada uma das assembleias. Nas Confer\u00eancias Episcopais devem ser adiantadas respostas que t\u00eam que ser comunicadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.   Solidariedade &#8211; J\u00e1 tem algum grande tema para sugerir?  D. Jorge Ortiga &#8211; A minha grande preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o fen\u00f3meno da indiferen\u00e7a e do agnosticismo que avan\u00e7a de forma evidente. Por isso, considero que temos que reflectir muito sobre a evangeliza\u00e7\u00e3o nesta sociedade plural e, porventura, indiferente atrav\u00e9s de aspectos muito concretos que dizem respeito a essa evangeliza\u00e7\u00e3o. Creio que essa ser\u00e1 a linha de for\u00e7a a ser presente em todas as assembleias.   AC\u00c7\u00c3O SOCIAL E CARITATIVA DA IGREJA   Solidariedade &#8211; Recentemente foi publicada pela Confer\u00eancia Episcopal uma Carta de Princ\u00edpios da Ac\u00e7\u00e3o Social e Caritativa da Igreja. Que sentido deve ser dado a esse gesto? A Igreja faz uma avalia\u00e7\u00e3o positiva da ac\u00e7\u00e3o social feita em coopera\u00e7\u00e3o com o Estado ou pretende alterar a sua forma de actua\u00e7\u00e3o?  D. Jorge Ortiga &#8211; A Confer\u00eancia Episcopal debru\u00e7a-se periodicamente sobre alguns aspectos da sua ac\u00e7\u00e3o pastoral conforme a gravidade da actualidade. Temos feito isso periodicamente. Na \u00faltima assembleia foi redigida uma carta de princ\u00edpios sobre a Ac\u00e7\u00e3o Social da Igreja, mas tamb\u00e9m uma outra sobre os bens patrimoniais. Foi o momento de revis\u00e3o e oportunidade para sublinhar aquilo que dever\u00e1 caracterizar essas inst\u00e2ncias de \u00edndole social que a Igreja coordena. Ali\u00e1s, um dos n\u00fameros dessa carta diz que oportunamente, atrav\u00e9s de uma comiss\u00e3o de t\u00e9cnicos, dever-se-\u00e1 avaliar se essas organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o ou n\u00e3o a corresponder aos seus fins espec\u00edficos. Por outro lado, ver at\u00e9 que ponto elas t\u00eam capacidade para subsistir em situa\u00e7\u00f5es adversas. Foi feita uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o.   Solidariedade &#8211; Como \u00e9 que entende a Confer\u00eancia Episcopal os acordos de coopera\u00e7\u00e3o estabelecidos entre o Estado e as IPSS, designadamente as de erec\u00e7\u00e3o can\u00f3nica, segundo os quais h\u00e1 uma comparticipa\u00e7\u00e3o financeira pela responsabilidade social assumida?  D. Jorge Ortiga &#8211; Eu creio que o Estado recebe os impostos dos cidad\u00e3os para que todos tenham uma vida digna. A doutrina social da Igreja parte exactamente da dignidade inviol\u00e1vel de toda e qualquer pessoa. Se a Igreja presta apoio aos mais desfavorecidos ela n\u00e3o recebe nenhuma esmola para exercer essa ac\u00e7\u00e3o social, mas est\u00e1 a colaborar com o Estado para uma melhor utiliza\u00e7\u00e3o dos dinheiros p\u00fablicos. A Igreja tem que desempenhar essa miss\u00e3o caritativa, n\u00e3o numa linha de mero assistencialismo, mas como comunidade que \u00e9. Ela tem que entrar nesta batalha de fazer com que todo e qualquer ser humano possa gozar da dignidade que o caracteriza.  Solidariedade &#8211; N\u00e3o entende que haja necessidade de alterar a forma de relacionamento com as pessoas e fam\u00edlias?  D. Jorge Ortiga &#8211; A Igreja n\u00e3o pode descaracterizar a sua institui\u00e7\u00e3o e deve preservar a sua identidade que consiste em viver um amor universal de protec\u00e7\u00e3o dos mais pobres. Eu creio que, neste aspecto, temos cumprido a nossa miss\u00e3o. Quem trabalha nestas institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja merece todos os elogios da sociedade. H\u00e1 um carinho, uma dedica\u00e7\u00e3o, uma dose muito grande de generosidade e de esp\u00edrito de sacrif\u00edcio e dedica\u00e7\u00e3o. Essas pessoas merecem todo o nosso apre\u00e7o. O trabalho que realizam n\u00e3o pode ser um mero trabalho social. Para a Igreja, o amor como amor e a caridade como caridade j\u00e1 \u00e9 evangelizadora. J\u00e1 manifesta Deus. Porque Deus \u00e9 amor e quando se ama est\u00e1-se a anunciar Deus. Agora temos que saber at\u00e9 que ponto podemos mostrar atrav\u00e9s da pastoral social como Deus \u00e9 amor ou como Deus \u00e9 Belo, \u00e9 carinho e ternura. \u00c9 um apelo, um desafio a quem a\u00ed trabalha. H\u00e1, nos tempos que correm, uma franja de pessoas mergulhadas na marginalidade, pessoas que se encontram na berma da estrada, que constituem um desafio para n\u00f3s. Eu gosto muito da hist\u00f3ria do samaritano e da samaritana. H\u00e1 muita gente que est\u00e1 \u00e0 margem da estrada e \u00e9 a essa gente que a Igreja deve prestar uma aten\u00e7\u00e3o, um carinho particular. Esta op\u00e7\u00e3o tem os seus riscos e os seus custos. N\u00f3s poder\u00edamos sensibilizar as comunidades para que n\u00e3o pensem que as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o vivem s\u00f3 daquilo que os utentes pagam e o Estado d\u00e1, mas que a pr\u00f3pria comunidade tem que assumir a sua quota-parte de responsabilidade. E o Estado devia entender essa fun\u00e7\u00e3o. As novas pobrezas n\u00e3o se resolvem dando de comer ou de vestir. A Igreja devia percorrer o caminho de Damasco ao encontro do pobre, vendo o samaritano e n\u00e3o olhando para o lado. A miss\u00e3o da Igreja est\u00e1 a\u00ed.   Solidariedade &#8211; Houve um membro do governo anterior que defendeu que no futuro a ac\u00e7\u00e3o social devia ser assegurada por recurso ao voluntariado, como forma de controlar os custos do Estado. \u00c9 pertinente esta ideia?  D. Jorge Ortiga &#8211; Ningu\u00e9m ignora que uma grande parte das IPSS est\u00e1 directa ou indirectamente nas m\u00e3os da Igreja. E tamb\u00e9m ningu\u00e9m ignora que a Igreja promove e estimula o voluntariado. Talvez seja por isso que nas diversas comunidades a Igreja seja capaz de dar resposta a muitos problemas, com qualidade, com custos menos elevados que outros sectores. Se olharmos para as direc\u00e7\u00f5es dos centros sociais paroquiais est\u00e3o todos em regime de voluntariado e, para al\u00e9m desses, muitas outras pessoas oferecem gratuitamente, generosamente, muito do seu tempo e da sua dedica\u00e7\u00e3o. Agora, n\u00e3o \u00e9 por isso que se pode pensar que \u00e9 o voluntariado vai resolver os problemas. Nisso n\u00e3o acredito. O Estado deve assumir que ao receber os impostos dos contribuintes ter\u00e1 que lhes proporcionar todas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e n\u00e3o pode mendigar o servi\u00e7o volunt\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 substitu\u00edvel. Todas estas institui\u00e7\u00f5es e estas obras necessitam de pessoas mas n\u00e3o s\u00f3. H\u00e1 outras realidades que t\u00eam o seu pre\u00e7o.   Solidariedade &#8211; De que forma \u00e9 que deve ser acautelada a identidade e a autonomia das Institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja no relacionamento com o Estado?  D. Jorge Ortiga &#8211; Tem sido uma quest\u00e3o que temos abordado. Quer nesta \u00e1rea quer noutras, como por exemplo no ensino. Temos analisado se, para prosseguirmos os nossos objectivos, sempre unidos e com as outras Institui\u00e7\u00f5es em articula\u00e7\u00e3o com a CNIS e com as Uni\u00f5es Distritais, n\u00e3o haveria mais vantagem em nos associarmos em institui\u00e7\u00f5es de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 como forma de melhor acautelarmos a nossa identidade crist\u00e3, n\u00e3o de mera filantropia, mas com uma forma\u00e7\u00e3o e um servi\u00e7o motivados pela caridade e pelo amor crist\u00e3o. Seria eventualmente uma forma de podermos afirmar com alguma autonomia a nossa motiva\u00e7\u00e3o e forma de agir no social, ao ponto de podermos mesmo identificar e enfrentar novas respostas sociais para p\u00fablicos destinat\u00e1rios que mais necessitem da nossa presen\u00e7a solid\u00e1ria. \u00c9 a quest\u00e3o que tem merecido a nossa reflex\u00e3o tal como a \u00e1rea escolar, a \u00e1rea dos museus onde pretendemos ter uma rede de museus nossos.   Solidariedade &#8211; Sente que tem havido alguma tend\u00eancia para a laiciza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja?  D. Jorge Ortiga &#8211; Corremos esse risco. N\u00e3o consigo afirmar que ela exista mas temos que estar atentos para conseguirmos preservar a nossa identidade sem complexos e sem medos integrando&#8211;nos simultaneamente num processo comum.   Solidariedade &#8211; No relacionamento com o Estado tem-se verificado um aumento da ac\u00e7\u00e3o fiscalizadora do funcionamento dos equipamentos que beneficiam de apoios p\u00fablicos. As institui\u00e7\u00f5es tuteladas pela Igreja v\u00eam com bons olhos essa fiscaliza\u00e7\u00e3o externa?  D. Jorge Ortiga &#8211; As institui\u00e7\u00f5es que t\u00eam acordos de coopera\u00e7\u00e3o com o Estado j\u00e1 prestam contas, como acontece com qualquer outra. \u00c9 normal e \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do Estado vigiar pela qualidade e simultaneamente ter conhecimento das situa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o pode \u00e9 impor os seus crit\u00e9rios numa linha do que tem acontecido com outras institui\u00e7\u00f5es. Tem que admitir uma pluralidade de respostas e uma pluralidade de funcionamento. N\u00e3o temos medo da fiscaliza\u00e7\u00e3o.   Solidariedade &#8211; Essa pluralidade de que fala n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com os par\u00e2metros defendidos pelo Estado para aquilatar da qualidade das respostas sociais?  D. Jorge Ortiga &#8211; Sem d\u00favida. Quer nos equipamentos materiais quer nos equipamentos humanos eu acho que o Estado deve zelar para que haja qualidade. Sabemos que h\u00e1 respostas particulares que n\u00e3o t\u00eam qualidade m\u00ednima e n\u00e3o deveriam existir. Se for o caso de institui\u00e7\u00f5es da Igreja o tratamento deve ser exactamente o mesmo. O mais importante s\u00e3o os benefici\u00e1rios. O que acontece \u00e9 que \u00e0s vezes quer-se impor \u00e0s institui\u00e7\u00f5es da Igreja, por exemplo, todo um quadro de pessoal, que \u00e9 desajustado. S\u00e3o esses crit\u00e9rios que devem ser atendidos para evitar por em causa a sobreviv\u00eancia de muitas delas. Refiro-me a exig\u00eancias de contrata\u00e7\u00e3o de psic\u00f3logos, t\u00e9cnicos de direc\u00e7\u00e3o, animadores sociais&#8230; Eu n\u00e3o estou contra, bem pelo contr\u00e1rio, mas sendo imposto pode provocar graves problemas de funcionamento e sobreviv\u00eancia. \u00c0s vezes n\u00e3o basta um t\u00edtulo acad\u00e9mico&#8230;   Solidariedade &#8211; Tem notado alguma atitude persecut\u00f3ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 actua\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja? Refiro-me, por exemplo, ao caso da inspec\u00e7\u00e3o feita \u00e0 Obra do Padre Am\u00e9rico.  D. Jorge Ortiga &#8211; Pelo que sei e vejo n\u00e3o me parece que exista nenhuma atitude de persegui\u00e7\u00e3o por parte do Estado. O caso da inspec\u00e7\u00e3o \u00e0 obra do Padre Am\u00e9rico est\u00e1 perfeitamente ultrapassado e n\u00e3o teve essa inten\u00e7\u00e3o. H\u00e1 aspectos em que tem que haver evolu\u00e7\u00e3o e haver\u00e1 seguramente. Na minha maneira de ver tratou-se de um caso isolado embora essa fiscaliza\u00e7\u00e3o exista noutras casas e noutras obras. De resto, pelo que sei, tem havido di\u00e1logo e uma atitude pedag\u00f3gica dessas inspec\u00e7\u00f5es.   Solidariedade &#8211; \u00c0 luz da Concordata como \u00e9 que \u00e9 entendido o direito da Igreja estar presente nas quest\u00f5es sociais? H\u00e1 alguma implica\u00e7\u00e3o?  D. Jorge Ortiga &#8211; H\u00e1 sempre. A Concordata come\u00e7a por um pre\u00e2mbulo onde se reconhece que a Igreja, na sociedade portuguesa, desempenha um papel importante na prossecu\u00e7\u00e3o do bem comum. Esse bem comum atinge-se atrav\u00e9s da nossa mensagem, mas sobretudo por via das concretiza\u00e7\u00f5es no terreno. Depois, toda a Concordata assenta n\u00e3o j\u00e1 num regime de separa\u00e7\u00e3o mas de colabora\u00e7\u00e3o. Dentro do princ\u00edpio da universalidade, queremos servir a todos, mas tamb\u00e9m no princ\u00edpio da subsidiariedade, em que o Estado tem as suas obriga\u00e7\u00f5es e n\u00f3s as nossas.   O PAPA TEM GRANDE DEVO\u00c7\u00c3O A MARIA   Solidariedade &#8211; Pela representatividade e pela proximidade em rela\u00e7\u00e3o aos dois cardeais portugueses, o sr. Arcebispo acompanhou, por certo, com maior expectativa a elei\u00e7\u00e3o do Papa? Chegou a pensar que o Papa podia ser portugu\u00eas?  D. Jorge Ortiga &#8211; Foi um processo normal, mas tenho que lhe confessar que quando ouvia o an\u00fancio do novo Papa e quando apareceu o nome &#8220;Jos\u00e9&#8221; e depois foi feita uma pausa, sabendo que n\u00e3o eram muitos e os portugueses tinham esse nome, ainda cheguei a pensar que podia ser. No entanto, para n\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m da componente humana, tem tamb\u00e9m, para quem acredita, uma presen\u00e7a do Esp\u00edrito, que partindo do humano conduz esses homens \u00e0 escolha da pessoa mais indicada para o momento. Por isso estou convencido de que este Papa, apelidado por muitos de tradicionalista, ser\u00e1 um te\u00f3logo de vanguarda. A sua miss\u00e3o e o seu temperamento mais frio, por ser alem\u00e3o, ajudaram a criar essa ideia de frustra\u00e7\u00e3o, de que n\u00e3o seria aquele o Papa de que a Igreja precisava. Eu creio que foi mais uma sensa\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o social.   Solidariedade &#8211; O Papa Bento XVI, para Portugal e para a Igreja portuguesa, pode continuar a obra deixada por Jo\u00e3o Paulo II, designadamente na considera\u00e7\u00e3o pelo culto mariano?  D. Jorge Ortiga &#8211; Ele tamb\u00e9m tem uma devo\u00e7\u00e3o muito grande a Maria. Pude constat\u00e1-lo durante a audi\u00eancia em Roma. Cumprimentei-o e disse-lhe que eu era um bispo portugu\u00eas e que o assegurava nas minhas ora\u00e7\u00f5es pessoais e tamb\u00e9m que quando fosse a F\u00e1tima a\u00ed deixaria a mesma inten\u00e7\u00e3o. Ele agradeceu e disse-  -me que de facto era isso de que mais precisava e pediu mesmo que rezasse a Maria pelo seu pontificado. Isto \u00e9 um sinal da sua devo\u00e7\u00e3o a Maria e at\u00e9 talvez a Portugal.   10.05.2005 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista a D. 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