{"id":11803,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-porta-das-autarquicas\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-porta-das-autarquicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-porta-das-autarquicas\/","title":{"rendered":"\u00c0 porta das Aut\u00e1rquicas"},"content":{"rendered":"<p>A cidade, para muitos, foi um mito, um sonho. Lugar do bem vestir e bem falar. Lugar de todos e de ningu\u00e9m. Lugar visitado para ter muito que contar no regresso \u00e0 terra, \u00e0 pequena terra, mais longe ou mais perto, a prov\u00edncia, com o seu tom de ruralidade, passos controlados, hist\u00f3rias sem fim repetidas pelos vizinhos. A aldeia era o espa\u00e7o estreito, o horizonte apertado. Longe do progresso. Pr\u00f3ximo do afago familiar. A Terra. Cidade e aldeia eram dois p\u00f3los que se desejavam e combatiam. H\u00e1 quanto tempo era assim? H\u00e1 muito e h\u00e1 pouco. Mesmo quando se diz que o mundo inteiro \u00e9 uma pequena aldeia, devassada pelos sons e pelas imagens dos media que n\u00e3o cessam de narrar o que se passa por detr\u00e1s da vidra\u00e7a de cada fam\u00edlia e cada cidad\u00e3o. A cidade global n\u00e3o tem hoje portas nem janelas, l\u00ednguas, ideologias, religi\u00f5es, ra\u00e7as ou culturas espec\u00edficas. \u00c9 essa am\u00e1lgama de an\u00f3nimos que se desconhecem e irremediavelmente se cruzam.  Talvez seja o tempo de rever a defini\u00e7\u00e3o de aldeia como m\u00e3e de todas as virtudes e a cidade m\u00e3e de todos os v\u00edcios. \u00c9 verdade que a fam\u00edlia, as crian\u00e7as, os idosos, os vizinhos, os fregueses e os paroquianos se encontravam numa comunh\u00e3o saborosa de hist\u00f3rias comuns, patrim\u00f3nios identificados e valores claros na feitura da hist\u00f3ria. Mas importa n\u00e3o perder a dimens\u00e3o de car\u00eancias prim\u00e1rias para muitos. A sa\u00fade nas m\u00e3os do Jo\u00e3o Semana exausto, a alimenta\u00e7\u00e3o dependente dos animais soltos do quintal, a escola como um espa\u00e7o de derrota para grande parte das crian\u00e7as, a ignor\u00e2ncia e o desinteresse pelo resto do mundo ou mesmo pelo destino do seu pr\u00f3prio pa\u00eds&#8230; e por a\u00ed adiante, uma sequ\u00eancia dolorosa de car\u00eancias suportadas pela infinita paci\u00eancia do povo. A cidade pode hoje reencontrar muitos dos mitos perdidos da aldeia e potenciar os grandes valores que oferece \u00e0 fam\u00edlia e \u00e0 comunidade um sentido de vida e um horizonte partilhado com todo o pa\u00eds e solid\u00e1rio com o resto do planeta. Nem a cidade nem a aldeia se podem hoje alimentar de nostalgia. Mas a comunidade crist\u00e3 duma cidade pode facultar espa\u00e7os, encontros e celebra\u00e7\u00f5es que reatam fraternidades perdidas, fam\u00edlias desencontradas, amigos distanciados, idosos agonizados na sua solid\u00e3o. Ao domingo, \u00e0s vezes, n\u00e3o muitas, costumo dizer no in\u00edcio da celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica: \u201cN\u00e3o pensem que fazem um grande favor a Deus, saindo das vossas casas para um encontro celebra-tivo na Igreja. \u00c9 Deus que nos arranca das solid\u00f5es e nos faz encontrar como comunidade\u201d. Na aldeia ou na cidade a celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 restitui-nos uma dimens\u00e3o surpreendente da Cidade de Deus. Ou da Aldeia Global.  Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cidade, para muitos, foi um mito, um sonho. Lugar do bem vestir e bem falar. Lugar de todos e de ningu\u00e9m. 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