{"id":11802,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-lugar-da-virgem-maria-na-redencao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-lugar-da-virgem-maria-na-redencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-lugar-da-virgem-maria-na-redencao\/","title":{"rendered":"O lugar da Virgem Maria na Reden\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\u00abJunto da Cruz de Jesus estava sua M\u00e3e&#8230;\u00bb (Jo 19, 26-27) \u201cEu nunca te deixarei. O Meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o teu ref\u00fagio e o caminho que te conduzir\u00e1 a Deus\u201d (Mem. II, 67)  1. O m\u00eas de Maio traz consigo n\u00e3o apenas a plenitude da primavera na sua esplendorosa beleza, mas tamb\u00e9m a viv\u00eancia lit\u00fargica (e popular) do tempo do Esp\u00edrito Santo, e a intensa devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora, &#8211; M\u00eas de Maria! &#8211; que, entre n\u00f3s, tem a sua m\u00e1xima express\u00e3o na grande peregrina\u00e7\u00e3o de 13 de Maio, preparada pelas novenas dos peregrinos que a p\u00e9 ou de transporte acorrem de todos os cantos de Portugal (e do mundo) at\u00e9 junto de Nossa Senhora, no lugar da sua apari\u00e7\u00e3o. Deixemo-nos tocar pelo cont\u00e1gio dos peregrinos, e sejamos como eles ou um deles, levados pelo sentimento ou pelo comum sentir com a Igreja, at\u00e9 junto da Senhora mais brilhante que o Sol, para ouvirmos as palavras que um dia os pastorinhos ali escutaram, que falam de caminho e de ref\u00fagio, de n\u00e3o ter medo, sabendo ou sentindo, como a Igreja depois tamb\u00e9m aceitou, que a voz que se escutava era a daquela que o evangelho de S. Jo\u00e3o diz que \u00abestava junto da cruz de Jesus, sua M\u00e3e\u00bb! 2. Nas duas cita\u00e7\u00f5es acima referidas, podemos ver sintetizada toda a teologia da coopera\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora na reden\u00e7\u00e3o, e que tem a raz\u00e3o de ser na sua maternidade divina. \u00c9 verdade que nos \u00faltimos tempos, por causa de um certo excesso no uso do m\u00e9todo hist\u00f3rico-cr\u00edtico, por um lado, e, por outro, por uma demasiada preocupa\u00e7\u00e3o com o di\u00e1logo ecum\u00e9nico, se introduziu entre os te\u00f3logos como que um certo respeito humano em afirmar o que a Igreja sempre acreditou e celebrou: que em virtude da sua divina maternidade, foi nela e por ela que o Verbo de Deus incarnou; que ela sempre acompanhou o seu Filho no seu caminho at\u00e9 \u00e0 cruz, onde Ele nos deu n\u00e3o apenas a sua vida, mas tamb\u00e9m a sua morte (Adrianne von Speyr); que nessa hora da reden\u00e7\u00e3o o seu Filho no-la deu como M\u00e3e, na pessoa do disc\u00edpulo amado, o representante de todos os disc\u00edpulos, e que ele a tomou como sua; que \u00e9 a M\u00e3e da Igreja (Paulo VI), que continua a manifestar por ela e por cada um dos seus filhos a mesma solicitude materna que tivera nas bodas de Can\u00e1, quando disse aos criados: \u00abFazei tudo o que Ele vos disser&#8230;\u00bb (Jo 2, 5), e que por tudo isso a Igreja a aclama como co-redentora ou medianeira de todas as gra\u00e7as. Esta afirma\u00e7\u00e3o da f\u00e9 n\u00e3o p\u00f5e de modo nenhum em causa a unicidade do Redentor, do \u00fanico Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo; mas, como muito bem viam Sto. Agostinho e S. Tom\u00e1s, e Pio XII assumiu na enc\u00edclica Mystici Corporis Christi (29.06.1943), Jesus Cristo e a Igreja, da qual a Virgem Maria \u00e9 a mais excelsa figura, constituem como uma \u00fanica pessoa, \u2018una mystica persona\u2019, de tal modo que n\u00e3o s\u00f3 d\u2019 Ele se espalha, para todo o corpo e cada um dos membros, o m\u00e9rito da sua Paix\u00e3o, mas esta diz respeito tamb\u00e9m ao corpo e aos seus membros, que s\u00e3o assim associados e integrados no mesmo mist\u00e9rio de reden\u00e7\u00e3o do homem, pois que, como muito bem sentia S. Paulo, a paix\u00e3o de Cristo continua nos seus membros, que completam em si o que lhe faltava. Com isto quer precisamente dizer-se que entre Cristo e a Igreja se d\u00e1 uma profunda unidade, pois \u00e9 por ela que o Senhor se entrega, e essa entrega continua hoje na Igreja, na f\u00e9 e nos sacramentos. Este lugar da Igreja na reden\u00e7\u00e3o, que representa hoje na teologia uma quest\u00e3o de certo modo paradoxal, embora corres-ponda a um dos dados mais profundos da nossa f\u00e9 \u2013 creio na Igreja \u2013, \u00e9 de certo modo incompreens\u00edvel sem uma refer\u00eancia ao lugar de Maria no mesmo mist\u00e9rio, do qual a Igreja, ali\u00e1s, recebe a sua luz. Na verdade, a media\u00e7\u00e3o eclesial s\u00f3 se compreende \u00e0 luz da media\u00e7\u00e3o de Maria, da qual ela \u00e9 a continuadora na hist\u00f3ria. A Virgem Maria medeia para n\u00f3s o mist\u00e9rio da Incarna\u00e7\u00e3o, pois foi no seu seio que o Verbo de Deus assumiu a nossa natureza e foi ela quem o deu \u00e0 luz. E a maternidade divina de Maria tem a sua plena realiza\u00e7\u00e3o junto da Cruz, quando nela se cumpre a profecia de Sime\u00e3o, a espada de dor que trespassa o seu cora\u00e7\u00e3o (Lc 2, 35) \u2013 Senhora das Dores -, de tal modo que a\u00ed, de p\u00e9 junto da cruz, unida ao seu Filho, ela \u00e9 tamb\u00e9m mediadora da gera\u00e7\u00e3o da nova humanidade, que dela nasce, como nova Eva, elevada assim \u00e0 dignidade de ser a M\u00e3e de todos os viventes. Por isso a Igreja, \u00e0 luz do mist\u00e9rio da Virgem Maria, \u00e9, no seu ser mais profundo, mist\u00e9rio marial, pois que unida a Nossa Senhora, como os disc\u00edpulos no Cen\u00e1culo, torna-se mediadora do mist\u00e9rio de Cristo para o mundo, na Palavra e nos Sacramentos. 3. Que v\u00e3o os peregrinos fazer a F\u00e1tima nesta semana? Procurar ref\u00fagio e conforto, encontrar for\u00e7as para n\u00e3o terem medo\u2026 N\u00e3o ter medo, neste mundo contempor\u00e2neo povoado de riscos, de perigos, de amea\u00e7as\u2026, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel num cora\u00e7\u00e3o cheio de f\u00e9 e de confian\u00e7a, que os salmos inspiram, que Jo\u00e3o Paulo II e agora Bento XVI elevaram a programa pastoral dos seus pontificados.  Ambos nos recordam a import\u00e2ncia de Nossa Senhora na vida da Igreja, na espiritualidade e na caminhada de convers\u00e3o e de santidade de cada crente. Bastaria recordar a divisa de Jo\u00e3o Paulo II, mesmo nos seus excessos de entusiasmo de um grande santo \u2013 Totus tuus! -, mas sobretudo na sua memor\u00e1vel enc\u00edclica Redemptoris Mater (25.03.1987) que valeria a pena revisitar neste contexto, e o texto do ent\u00e3o ainda Professor J. Ratzinger, agora o Papa Bento XVI, quando v\u00ea na Virgem Maria a Filha de Si\u00e3o, que exulta de alegria, no seu magnificat, porque nela fez grandes coisas o alt\u00edssimo e a tornou na M\u00e3e do Redentor!  O exemplo dos romanos pont\u00edfices seja para n\u00f3s um est\u00edmulo a erguermos o olhar para a Virgem Sant\u00edssima e nos colocarmos na sua escola, \u2013 a escola de Maria (Ecclesia de Eucharistia), e nela aprendermos a ser disc\u00edpulos do seu Filho, e dela recebermos a for\u00e7a \u2013 M\u00e3e da divina Gra\u00e7a -, para a nossa peregrina\u00e7\u00e3o, entre as persegui\u00e7\u00f5es do mundo e as consola\u00e7\u00f5es de Deus (Sto. Agostinho).  Jos\u00e9 Jacinto Ferreira de Farias, scj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abJunto da Cruz de Jesus estava sua M\u00e3e&#8230;\u00bb (Jo 19, 26-27) \u201cEu nunca te deixarei. O Meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o teu ref\u00fagio e o caminho que te conduzir\u00e1 a Deus\u201d (Mem. 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