{"id":11771,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/bispo-do-funchal-defende-celibato\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"bispo-do-funchal-defende-celibato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispo-do-funchal-defende-celibato\/","title":{"rendered":"Bispo do Funchal defende Celibato"},"content":{"rendered":"<p>\u00abNem todos entendem esta linguagem&#8230; quem puder entender, entenda\u00bb (Mt. 19, 11-12) O celibato tem um significado cristol\u00f3gico \u2013 imita\u00e7\u00e3o de Cristo \u2013 e apost\u00f3lico. N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o apenas de ter mais tempo para o apostolado, o que seria banal, trata-se, isso sim, de uma exist\u00eancia que centra tudo em Deus, e p\u00f5e de lado um ou outro valor, o do matrim\u00f3nio. O celibato pelo Reino dos C\u00e9us \u00e9 um dom concedido por Deus \u00e0 sua Igreja e n\u00e3o pertence exclusivamente ao sacerd\u00f3cio. \u00c9 fruto da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. O celibato n\u00e3o \u00e9 medo da vida, nem se conserva sem a colabora\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a de Deus.    1. Poucos temas na Igreja provocam tanta raiva nalgumas pessoas como o problema do celibato, embora ele diga respeito a uma m\u00ednima parte da popula\u00e7\u00e3o crist\u00e3.  Jesus afirmou no Evangelho que d\u00e3o testemunho do Reino dos C\u00e9us os que renunciam ao matrim\u00f3nio em toda a sua exist\u00eancia. E disse ainda que \u00abnem todos entendem esta linguagem, a n\u00e3o ser aqueles a quem \u00e9 concedido\u00bb (Mt. 19,11). Desde o in\u00edcio, a Igreja chegou a esta convic\u00e7\u00e3o que o padre deve dar este testemunho pelo Reino dos C\u00e9us. N\u00e3o se trata de um dogma, \u00e9 um modo de viver que se criou na Igreja, imitando Jesus Cristo e os ap\u00f3stolos que Ele directamente escolheu para estarem com Ele e envi\u00e1-los depois em miss\u00e3o.  No mundo actual \u00e9 dif\u00edcil compreender esta ren\u00fancia ao matrim\u00f3nio. P\u00f5e-se em causa o seu sentido e a rela\u00e7\u00e3o com o minist\u00e9rio sacerdotal. O ambiente sociol\u00f3gico actual n\u00e3o o favorece, embora ele seja um sinal manifesto da esperan\u00e7a crist\u00e3 e afirma\u00e7\u00e3o dos valores transcendentes que n\u00e3o se verificam com medidas humanas. Ele radica-se na exig\u00eancia que Jesus Cristo tem para com os seus disc\u00edpulos deixarem tudo e segui-lO. S\u00e3o Paulo viveu este radicalismo evang\u00e9lico. Nas cartas pastorais encontra-se um abrandamento desta exig\u00eancia de Jesus Cristo ao chamar os doze.  Nem todos podem entender esta linguagem sem a f\u00e9 e a ilumina\u00e7\u00e3o interior do Esp\u00edrito de Deus. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil explicar o valor do celibato numa sociedade pansexual. O que n\u00e3o significa que n\u00e3o tenha um alto valor. Quem est\u00e1 dominado pela m\u00fasica pimba n\u00e3o aprecia a m\u00fasica sublime de Bach! \u00c9 pena!   Crise de f\u00e9, o maior problema  2 &#8211; No Antigo Testamento os homens da tribo de Levi n\u00e3o tinham um territ\u00f3rio como heran\u00e7a, viviam com as suas fam\u00edlias das ofertas do culto, a sua heran\u00e7a era Deus. No Novo Testamento, interpretando as palavras de Jesus, o sacerdote tem como sua \u00abpropriedade\u00bb o pr\u00f3prio Deus. O celibato tem um significado cristol\u00f3gico \u2013 imita\u00e7\u00e3o de Cristo \u2013 e apost\u00f3lico. N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o apenas de ter mais tempo para o apostolado, o que seria banal, trata-se, isso sim, de uma exist\u00eancia que centra tudo em Deus, e p\u00f5e de lado um ou outro valor, o do matrim\u00f3nio.  O celibato pelo Reino dos C\u00e9us \u00e9 um dom concedido por Deus \u00e0 sua Igreja e n\u00e3o pertence exclusivamente ao sacerd\u00f3cio. \u00c9 fruto da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. O celibato n\u00e3o \u00e9 medo da vida, nem se conserva sem a colabora\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a de Deus. N\u00e3o \u00e9 simples ren\u00fancia ao matrim\u00f3nio, o que poderia significar ego\u00edsmo, mas uma oferta de car\u00e1cter p\u00fablico a Deus que concedeu esse dom.  O que aspira ao sacerd\u00f3cio deve reconhecer na sua vida a for\u00e7a da f\u00e9 e s\u00f3 nela pode viver o celibato. S\u00f3 desta forma ele pode tornar-se uma testemunha que diz qualquer coisa aos crist\u00e3os e que lhes d\u00e1 coragem para viverem dignamente o seu matrim\u00f3nio. Se a fidelidade n\u00e3o for poss\u00edvel no padre, falta uma justifica\u00e7\u00e3o para a fidelidade no matrim\u00f3nio. Na legisla\u00e7\u00e3o dos Estados o matrim\u00f3nio \u00e9 colocado cada vez mais ao n\u00edvel dos outros estilos de vida, mesmo sem ligame jur\u00eddico; j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 posto como fundamento da nossa sociedade. As formas mais elevadas da exist\u00eancia humana est\u00e3o sujeitas a v\u00edrus que as amea\u00e7am  Pode um homem tomar uma decis\u00e3o definitiva naquilo que diz respeito ao aspecto central da sua vida? Se est\u00e1 firme na f\u00e9, \u00e9 poss\u00edvel, e pode chegar \u00e0 plena dimens\u00e3o do amor e maturidade humana. A maioria dos bispos e do clero acredita que, o verdadeiro problema contra o celibato \u00e9 a crise da f\u00e9, e que n\u00e3o teremos mais padres nem melhores padres, separando o celibato do minist\u00e9rio sacerdotal. Curar com o matrim\u00f3nio uma crise de f\u00e9 \u00e9 solu\u00e7\u00e3o aparente e enganadora. N\u00e3o s\u00e3o os mal casados nem os que cumprem o celibato por obriga\u00e7\u00e3o ou como um peso que amadurecem a sua personalidade.   N\u00e3o \u00e9 um absoluto, mas um carisma  3 \u2013 Os que combatem o celibato apontam como obst\u00e1culo a falta de liberdade de escolha dos que v\u00e3o ser ordenados. Dizem que o celibato devia ser livre.  O celibato n\u00e3o \u00e9 imposto a ningu\u00e9m. Antes da ordena\u00e7\u00e3o sa-cerdotal o candidato escolhe ser celibat\u00e1rio. Ele sabe que a Igreja latina une ordena\u00e7\u00e3o e celibato. Ningu\u00e9m pode dizer que tem o carisma do sacerd\u00f3cio antes da Igreja o chamar e a Igreja n\u00e3o ordena sen\u00e3o aqueles que t\u00eam o carisma da castidade. N\u00e3o se trata de impor um carisma, mas de chamar apenas aqueles que \u00abtem a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente de participar no minist\u00e9rio sacerdotal de Cristo, mas tamb\u00e9m de participar com ele o mesmo estado de vida\u00bb (PO).  A tradi\u00e7\u00e3o das Igrejas ortodoxas e protestantes \u00e9 diferente. Esta \u00faltima tem uma vis\u00e3o completamente diversa do minist\u00e9rio, \u00e9 um servi\u00e7o derivado da comunidade, n\u00e3o \u00e9 um sacramento. Nas Igrejas ortodoxas a forma perfeita de sacerd\u00f3cio \u00e9 a dos padres-monges, os \u00fanicos que podem tornar-se bispos. Os que se casam s\u00e3o ministros do culto, \u00e9 uma outra concep\u00e7\u00e3o do sacerd\u00f3cio que respeitamos, como acontece tamb\u00e9m noutras igrejas. A Igreja latina quis evitar sempre tal divis\u00e3o. Por vezes recebeu sacerdotes casados que se converteram de outras confiss\u00f5es religiosas. Trata-se por\u00e9m de casos raros que n\u00e3o ofuscaram o valor do celibato nem perturbaram o povo crist\u00e3o.  Apesar disso nenhum costume na Igreja deve ser considerado como um absoluto, embora o celibato esteja firmemente fundado e radicado na tradi\u00e7\u00e3o para os padres diocesanos, n\u00e3o havendo contesta\u00e7\u00e3o para os monges e religiosos.  Um Papa n\u00e3o pode romper com esta tradi\u00e7\u00e3o sem consultar toda a Igreja, e, at\u00e9 este momento, n\u00e3o se acreditou que se ganhe muito separando o sacerd\u00f3cio do celibato.  As confiss\u00f5es religiosas que t\u00eam padres casados, encontram maiores dificuldades do que a Igreja cat\u00f3lica no campo das voca\u00e7\u00f5es sacerdotais. N\u00e3o parece ser este o motivo para a Igreja inverter a situa\u00e7\u00e3o.  A quest\u00e3o vocacional encontra dificuldades na diminui\u00e7\u00e3o de nascimentos e obst\u00e1culos dos pais que preferem outras profiss\u00f5es para os filhos, falta de f\u00e9 e esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o. O n\u00famero de crist\u00e3os praticantes tamb\u00e9m diminuiu. Apesar de tudo o n\u00famero de sacerdotes, considerando toda a Igreja cat\u00f3lica, proporcionalmente n\u00e3o diminuiu.  A lei suprema \u00e9 que o evangelho seja anunciado por homens celibat\u00e1rios ou casados. Mas a Igreja deve assegurar que o an\u00fancio mission\u00e1rio do evangelho seja feito da maneira mais qualificada e mais eficaz, considerando a Igreja Universal.  O desorientamento e confus\u00e3o causados pelos media, quando aludem ao celibato, n\u00e3o ajuda os jovens que se sentam vocacionados a prosseguir o seu caminho para o sacerd\u00f3cio.  N\u00e3o se pode impor um carisma a quem n\u00e3o o recebeu de Deus, nem se o recebe de Deus e o conserva sem cooperar com liberdade e numa conquista incessante.  \u00abQuem puder entender, entenda\u00bb (Mt. 19, 12).   Funchal, 8 de Maio de 2005  <i>D. Teodoro de Faria, Bispo do Funchal<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abNem todos entendem esta linguagem&#8230; quem puder entender, entenda\u00bb (Mt. 19, 11-12) O celibato tem um significado cristol\u00f3gico \u2013 imita\u00e7\u00e3o de Cristo \u2013 e apost\u00f3lico. N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o apenas de ter mais tempo para o apostolado, o que seria banal, trata-se, isso sim, de uma exist\u00eancia que centra tudo em Deus, e p\u00f5e de lado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186,206],"class_list":["post-11771","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11771","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11771"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11771\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11771"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11771"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11771"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}