{"id":11738,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/comunicacao-social-deve-desenvolver-sensibilidade-critica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"comunicacao-social-deve-desenvolver-sensibilidade-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunicacao-social-deve-desenvolver-sensibilidade-critica\/","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o Social deve desenvolver sensibilidade cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>Um olhar sobre o testamento doutrinal e espiritual de Jo\u00e3o Paulo II para o Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais <!--more--> A Mensagem para o XXXIX Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, intitulada \u201cOs Meios de comunica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da compreens\u00e3o entre os povos\u201d, \u00e9 simples e curta, n\u00e3o precisa propriamente de explica\u00e7\u00f5es. Da\u00ed que esta apresenta\u00e7\u00e3o se entenda mais como um conjunto de resson\u00e2ncias pessoais perante esta Mensagem e seu enquadramento contextual em termos de magist\u00e9rio do que propriamente como explicita\u00e7\u00e3o directa do seu conte\u00fado. Ou seja, pergunto-me fundamentalmente pelas quest\u00f5es que coloca, pelos indicativos pr\u00e1ticos que sugere, pelas interpela\u00e7\u00f5es que faz aos comunicadores, em particular aos comunicadores crist\u00e3os.   <b>1. A Mensagem no contexto do magist\u00e9rio de Jo\u00e3o Paulo II<\/b> Em termos de enquadramento contextual, queria come\u00e7ar por recordar que estamos perante uma das \u00faltimas mensagens deste g\u00e9nero e neste \u00e2mbito do pontificado de Jo\u00e3o Paulo II. Ao mesmo tempo conv\u00e9m lembrar que esta reflex\u00e3o a prop\u00f3sito do Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais aparece estreitamente associada \u00e0 Mensagem para o Dia Mundial da Paz celebrado a 1 de Janeiro, subordinada ao lema \u201cN\u00e3o te deixes vencer pelo mal, antes vence o mal com o bem\u201d (Rm 12, 21)\u201d. De resto, com a assinatura datada de 24 de Janeiro, o dia &#8211; como \u00e9 sabido &#8211; de S. Francisco de Sales e da publica\u00e7\u00e3o da Mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, veio tamb\u00e9m a p\u00fablico a Carta Apost\u00f3lica O r\u00e1pido desenvolvimento, motivada pela comemora\u00e7\u00e3o dos 40 anos do Decreto conciliar Inter Mirifica. Ou seja: estamos diante de um pequeno conjunto de textos, com ideias b\u00e1sicas a que importa prestar aten\u00e7\u00e3o na sua coer\u00eancia e na sua interpela\u00e7\u00e3o fundamentais.  De resto, creio n\u00e3o s\u00f3 que \u00e9 leg\u00edtimo mas tamb\u00e9m significativo olhar para este conjunto de mensagens, de algum modo ligadas entre si, como fazendo parte integrante do testamento doutrinal-espiritual que o pontificado de Jo\u00e3o Paulo II nos deixou, neste caso particular no \u00e2mbito das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais. Os textos do final de uma vida e de um minist\u00e9rio, neste caso do minist\u00e9rio de algu\u00e9m que teve consci\u00eancia aguda da import\u00e2ncia dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social e especial sensibilidade pr\u00e1tica para se relacionar com eles, podem, eu diria mesmo, devem agora ser relidos com olhos mais amplos e mais atentos, discernindo o essencial que da\u00ed resulta.  <b>2. A ambiguidade inscrita na tarefa da comunica\u00e7\u00e3o social<\/b> Citando a Carta de S\u00e3o Tiago &#8211; \u201cDe uma mesma boca procedem a b\u00ean\u00e7\u00e3o e a maldi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o conv\u00e9m, meus irm\u00e3os, que seja assim\u201d (Tg 3, 10) -, a Mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais de 2005 chama a aten\u00e7\u00e3o, logo \u00e0 partida, para um dos aspectos que me parecem mais relevantes neste pequeno texto: a ambiguidade inevit\u00e1vel que envolve todo o agir humano, que atinge tamb\u00e9m necessariamente tamb\u00e9m a nossa tarefa de comunicadores, colocando ao de cima a enorme responsabilidade que nos cabe. A Mensagem salienta que n\u00e3o apenas as palavras mas toda a forma de comunica\u00e7\u00e3o humana tanto podem criar v\u00ednculos de uni\u00e3o como fomentar hostilidades, que o uso dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social tanto pode servir para promover a harmonia e a reconcilia\u00e7\u00e3o entre os povos como para provocar incompreens\u00e3o e conflitos. \u201cEles constituem &#8211; diz, por sua vez, a Carta Apost\u00f3lica O r\u00e1pido desenvolvimento, n\u00ba 11 &#8211; um recurso positivo poderoso, se postos ao servi\u00e7o da compreens\u00e3o entre os povos; e uma \u2018arma\u2019 destruidora, se usados para alimentar injusti\u00e7as e conflitos\u201d. Mas dentro dessa radical ambiguidade, importa atentar ainda num aspecto particular: estamos num campo de actividade humana (certamente n\u00e3o o \u00fanico) em que n\u00e3o podemos controlar com suficiente amplitude e seguran\u00e7a os efeitos das nossas op\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es. Seleccionamos como importante um tema ou uma not\u00edcia, mas n\u00e3o somos capazes de medir nem conseguimos nunca saber exactamente as repercuss\u00f5es que essa op\u00e7\u00e3o teve, tanto em termos positivos como negativos; sabemos apenas, por experi\u00eancia quotidiana, que o comum dos cidad\u00e3os n\u00e3o vai ouvir, ler ou ver da mesma maneira, antes far\u00e1 leituras ou tirar\u00e1 consequ\u00eancias diferentes do acontecimento transmitido ou noticiado. Escolhemos uma imagem, mas n\u00e3o sabemos nem podemos prever as impress\u00f5es que deixa, as leituras que vai sugerir, o modo (eventualmente contradit\u00f3rio) como vai ser recebida. Tomar consci\u00eancia da ambiguidade radical aqui presente \u00e9 o primeiro passo em ordem a um agir mais consciente e a um indispens\u00e1vel discernimento. \u201cPede-se a todos que saibam cultivar um atento discernimento e uma vigil\u00e2ncia constante [&#8230;]\u201d (O r\u00e1pido desenvolvimento, n\u00ba 13).   <b>3. A caminho de uma cidadania mundial<\/b> Mesmo sem poder dominar completamente em todas as suas consequ\u00eancias as nossas op\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es concretas, sabemos, como comunicadores, para onde vai, para onde deve ir o caminho a percorrer. Como sugere precisamente a escolha do tema para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais deste ano, o caminho passa pela necessidade urgente de \u201cpromover \u2013 como se l\u00ea logo no n\u00ba 1 \u2013 a unidade da Fam\u00edlia humana atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o destes maravilhosos recursos\u201d.  Certamente que h\u00e1 aqui a consci\u00eancia &#8211; tanto em termos de racionalidade humana como de vis\u00e3o crente, uma e outra apuradas pelos desenvolvimentos dos \u00faltimos anos em termos mundiais &#8211; de que, cada vez mais, a humanidade tem de jogar em conjunto o seu destino, o seu futuro, a sua sobreviv\u00eancia. Mas h\u00e1 igualmente a percep\u00e7\u00e3o de que o actual processo de globaliza\u00e7\u00e3o que estamos a viver em diversas facetas e dimens\u00f5es nos coloca numa nova fase da hist\u00f3ria da humanidade. Uma nova fase em que o processo de \u201chominiza\u00e7\u00e3o\u201d dos seres humanos (nas suas v\u00e1rias vertentes e possibilidades) cada vez menos pode ser dissociado da pergunta, em termos planet\u00e1rios, pelos crit\u00e9rios, os pressupostos, as exig\u00eancias da verdadeira \u201chumaniza\u00e7\u00e3o\u201d (ou seja, o progressivo aprofundamento do sentido da especificidade e da dignidade humanas como projecto e tarefa para cada pessoa).  Este sentido da unidade de destino e de valores da fam\u00edlia humana tem marcado, ali\u00e1s, de forma insistente as interven\u00e7\u00f5es do magist\u00e9rio eclesial nos \u00faltimos tempos (basta ter presente as tomadas de posi\u00e7\u00e3o de representantes da Santa S\u00e9 em acontecimentos e f\u00f3runs internacionais). Tem-se chamado a aten\u00e7\u00e3o para a amplitude que tem de assumir a consci\u00eancia do bem comum em termos universais, pois as consequ\u00eancias do fen\u00f3meno da globaliza\u00e7\u00e3o envolvem todas as redes de exist\u00eancia e conviv\u00eancia humanas e fazem aumentar os bens p\u00fablicos com car\u00e1cter global (cf. Mensagem para o Dia Mundial da Paz, n\u00ba 7). O magist\u00e9rio eclesial tem sobretudo advertido que, n\u00e3o obstante toda a contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica no reconhecimento e na afirma\u00e7\u00e3o de valores, h\u00e1 aquisi\u00e7\u00f5es de consci\u00eancia humana que s\u00e3o, t\u00eam de ser dados irrevers\u00edveis. Assim se entende aquela que, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz, constitui certamente a sua afirma\u00e7\u00e3o mais decisiva: \u201cO facto de pertencer \u00e0 fam\u00edlia humana confere a cada pessoa uma esp\u00e9cie de cidadania mundial, tornando-a titular de direitos e de deveres, visto que os homens est\u00e3o unidos por uma comunh\u00e3o de origem e de supremo destino\u201d (n\u00ba 6).  Todos estamos, pois, de alguma forma cada vez mais implicados no bem comum universal, \u201cna busca constante do bem dos outros como se fosse o pr\u00f3prio\u201d (cf. Mensagem para o Dia Mundial da Paz, n\u00ba 5). \u00c9 uma tarefa ingente, certamente nunca acabada, mas que n\u00e3o pode deixar de marcar desde j\u00e1 o nosso agir, porventura an\u00f3nimo e discreto, de comunicadores. A Igreja, na viv\u00eancia efectiva da sua catolicidade, e os comunicadores crist\u00e3os, no alargamento do seu horizonte cultural, t\u00eam uma responsabilidade inalien\u00e1vel no reconhecimento e no crescimento desta cidadania mundial. Creio que os acontecimentos do \u00faltimo m\u00eas tornaram esta realidade mais percept\u00edvel e mostraram que ela \u00e9 poss\u00edvel, ao fazerem emergir a figura do Papa Jo\u00e3o Paulo II, no e pelo exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio, como um verdadeiro \u201ccidad\u00e3o do mundo\u201d.  <b>4. O papel crucial da educa\u00e7\u00e3o<\/b> Neste processo de consciencializa\u00e7\u00e3o de uma cidadania universal a Mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais sublinha a tarefa crucial da educa\u00e7\u00e3o e o papel que os meios de comunica\u00e7\u00e3o social t\u00eam em ordem a despertar e a fomentar, em cada pessoa, a consci\u00eancia c\u00edvica e o sentido de uma responsabilidade p\u00fablica. J\u00e1 a Mensagem para o Dia Mundial da Paz sublinhava este ponto ao dizer que \u00e9 indispens\u00e1vel \u201cpromover uma grande obra educadora das consci\u00eancias que forme a todos, sobretudo \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, para o bem, abrindo-lhes o horizonte do humanismo integral e solid\u00e1rio que a Igreja indica e deseja\u201d (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, n\u00ba 4). Nesse processo educativo \u00e9 fundamental come\u00e7ar por um conhecimento adequado da realidade: \u201cOs meios podem mostrar a milh\u00f5es de pessoas como s\u00e3o outras partes do mundo e outras culturas\u201d. Para muitas pessoas eles s\u00e3o mesmo \u2013 e continuo a citar ideias da Mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais &#8211; \u201co principal instrumento informativo e formativo\u201d . \u201cAs imagens, em particular, t\u00eam a capacidade de transmitir impress\u00f5es duradouras e modelar atitudes\u201d (n\u00ba 2).  Mais ainda e como todos sabemos, h\u00e1 realidades que existem ou n\u00e3o existem conforme os meios de comunica\u00e7\u00e3o social lhes prestam ou n\u00e3o aten\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 milh\u00f5es de pessoas, atrever-me-ia mesmo a dizer \u2013 continentes inteiros \u2013 penso em \u00c1frica, tema preferencial da referida \u00faltima Mensagem do Papa para o dia 1 de Janeiro \u2013 que sobrevir\u00e3o ou n\u00e3o conforme os meios de comunica\u00e7\u00e3o social lhe prestarem aten\u00e7\u00e3o e o modo como o fizerem. \u201cRealmente \u2013 l\u00ea-se na Mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, n\u00ba 2 &#8211; os meios t\u00eam um potencial enorme para promover a paz e construir pontes entre os povos, rompendo o c\u00edrculo fatal da viol\u00eancia, vingan\u00e7a e as agress\u00f5es sem fim, t\u00e3o difundidas no nosso tempo. Nas palavras de S\u00e3o Paulo, que foi a base da mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano: \u2018N\u00e3o te deixes vencer pelo mal, antes vence o mal com o bem\u2019 (Rm 12, 21)\u201d.    <b>5. O bem tamb\u00e9m tem sempre um rosto<\/b> Neste contexto, a pergunta que sinto como particular interpela\u00e7\u00e3o \u00e9 a de saber em que medida a promo\u00e7\u00e3o do bem pode ser acontecimento que mere\u00e7a aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica constante, para al\u00e9m daqueles casos excepcionais que se tornam \u201cincontorn\u00e1veis\u201d para qualquer comunicador ou \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social que sejam minimamente sensatos. Sobretudo, n\u00e3o podemos esquecer que, se o mal, apesar de todo o mist\u00e9rio que o envolve na multiplicidade das suas express\u00f5es, tem sempre um rosto &#8211; o rosto das pessoas que sofrem as suas consequ\u00eancias, mas tamb\u00e9m o \u201co rosto e o nome de homens e mulheres que o escolheram livremente\u201d (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, n\u00ba 2) -, o bem tamb\u00e9m tem, n\u00e3o pode deixar de ter um rosto e um nome. O rosto e o nome de todos quantos, em circunst\u00e2ncias mais f\u00e1ceis ou mais adversas, v\u00e3o ajudando a construir a justi\u00e7a e a paz. E o mundo de que falamos e em que vivemos tem rosto, m\u00faltiplos rostos (como nos sugere, de forma bem interpelativa, o cartaz preparado para a celebra\u00e7\u00e3o deste Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais). Ou seja: embora sob perspectivas diferentes, em ambos os casos estamos a falar de pessoas, seres humanos com a sua liberdade e responsabilidade inalien\u00e1veis, seres humanos que n\u00e3o nos deixam descansar na nossa indiferen\u00e7a ou apatia. Na consci\u00eancia da import\u00e2ncia da sua tarefa, os comunicadores n\u00e3o podem deixar de desenvolver uma particular sensibilidade cr\u00edtica face \u00e0s deforma\u00e7\u00f5es do rosto do outro. Nuns casos isso acontecer\u00e1 pela in\u00e9rcia dos h\u00e1bitos adquiridos com a nossa cultura e o nosso limitado situar-se no mundo. Mas importa relativizar todos os particularismos em nome de um horizonte de verdadeira universalidade. Noutros casos ser\u00e1 por ignor\u00e2ncia. Mas a ignor\u00e2ncia pode e deve ser ultrapassada em nome da elementar responsabilidade c\u00edvica de quem tem entre m\u00e3os possibilidades t\u00e3o grandes. Noutros casos ser\u00e1 pelos imperativos da \u201clei do mercado\u201d ou por outros interesses e press\u00f5es. Mas ningu\u00e9m pode iludir a pergunta pela dignidade elementar, em termos \u00e9ticos, que suporta qualquer exist\u00eancia humana e qualquer tarefa profissional.  N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer sempre tudo bem, mas \u00e9 poss\u00edvel e indispens\u00e1vel ter sensibilidade cr\u00edtica, saber relativizar as ideias feitas que atravessam a nossa maneira de pensar e as nossas atitudes quotidianas. Tudo poderia ser um pouco diferente se consegu\u00edssemos ir progredindo de forma mais consistente na compreens\u00e3o do outro na sua diferen\u00e7a: em termos de ra\u00e7a, cultura, religi\u00e3o, op\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas&#8230;  <b>6. A capacidade de recome\u00e7ar sempre de novo<\/b> A Mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais come\u00e7a com uma palavra da B\u00edblia e termina com uma refer\u00eancia \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. Com esta refer\u00eancia toca-se num ponto nuclear da identidade crist\u00e3: os crist\u00e3os sabem que n\u00e3o s\u00e3o, \u00e0 partida e em todas as situa\u00e7\u00f5es, melhores que os outros (tanto em termos pessoais como institucionais), imunes a limites, tenta\u00e7\u00f5es, pecados. Mas sabem e confiam que o seu agir quotidiano, apesar de todos as fragilidades e ambiguidades, \u00e9 suportado pelo amor misericordioso de Deus e pela for\u00e7a criativa do seu Esp\u00edrito, tal como ele se manifestou na paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus de Nazar\u00e9.  Esta \u00e9 uma \u201cmem\u00f3ria perigosa\u201d &#8211; como escreveu j\u00e1 h\u00e1 anos J. B. Metz &#8211; porque contesta os estere\u00f3tipos estabelecidos, os dados adquiridos, as conveni\u00eancias eclesi\u00e1sticas. Neste preciso contexto &#8211; at\u00e9 porque o bem tem sempre um rosto e um nome! &#8211; n\u00e3o posso deixar de anotar como, em Mar\u00e7o passado, foi quase totalmente ignorado pela opini\u00e3o p\u00fablica crist\u00e3 o vig\u00e9simo quinto anivers\u00e1rio do assassinato de Monsenhor Oscar Romero, como se pudesse haver na Igreja processos de beatifica\u00e7\u00e3o de primeira e de segunda classe!  \u201cMem\u00f3ria perigosa\u201d, mas, simultaneamente tamb\u00e9m, \u201cmem\u00f3ria de esperan\u00e7a\u201d: h\u00e1 um fundamento que supera todos os nossos saberes e capacidades, sabemos que, apesar de todas as fragilidades, podemos e devemos sempre recome\u00e7ar de novo. \u201cDiante de tantos dramas que afligem o mundo, os crist\u00e3os \u2013 afirma a Mensagem para o Dia Mundial da Paz, n\u00ba 11 &#8211; confessam com humilde confian\u00e7a que s\u00f3 Deus torna poss\u00edvel ao homem e aos povos a supera\u00e7\u00e3o do mal para alcan\u00e7ar o bem [&#8230;]. Apoiado na certeza de que o mal n\u00e3o prevalecer\u00e1, o crist\u00e3o cultiva uma ind\u00f3mita esperan\u00e7a, que o sustenta na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da paz\u201d. No mesmo sentido a Carta Apost\u00f3lica O r\u00e1pido desenvolvimento termina com um convite que o Papa Jo\u00e3o Paulo II faz aos operadores da comunica\u00e7\u00e3o, e especialmente aos crist\u00e3os que operam neste \u00e2mbito, repetindo de forma espec\u00edfica o desafio que no in\u00edcio do seu pontificado quis lan\u00e7ar ao mundo inteiro: \u201cN\u00e3o tenhais medo das novas tecnologias! [&#8230;] N\u00e3o tenhais medo da oposi\u00e7\u00e3o do mundo! [&#8230;] Tamb\u00e9m n\u00e3o tenhais medo da vossa fraqueza e da vossa incapacidade! [&#8230;] (n\u00ba 14). \u201cOs meios de comunica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da compreens\u00e3o entre os povos\u201d: somos capazes no dia a dia, nos \u00eaxitos e nos fracassos, nas lutas vencidas com prud\u00eancia e coragem e nas derrotas aceites com humildade e com perseveran\u00e7a, de recome\u00e7ar sempre de novo? Estamos mesmo profunda e praticamente convencidos &#8211; pergunta-nos o testamento doutrinal-espiritual de Jo\u00e3o Paulo II nesta mat\u00e9ria &#8211; de que \u00e9 poss\u00edvel e vale a pena vencer o mal com o bem, para que a humanidade cres\u00e7a em justi\u00e7a, liberdade, paz e amor?  <i>Eduardo Borges de Pinho<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um olhar sobre o testamento doutrinal e espiritual de Jo\u00e3o Paulo II para o Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[101,140,165,193,206,237,261,297],"class_list":["post-11738","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-africa","tag-comunicacoes-sociais","tag-dia-mundial-da-paz","tag-educacao","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-missoes","tag-santa-se"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11738\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}