{"id":11725,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/romaria-atrai-milhares-de-devotos-ao-barroquinho\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"romaria-atrai-milhares-de-devotos-ao-barroquinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/romaria-atrai-milhares-de-devotos-ao-barroquinho\/","title":{"rendered":"Romaria atrai milhares de devotos ao Barroquinho"},"content":{"rendered":"<p>Todos os anos, em dia de Quinta-Feira de Ascens\u00e3o, milhares de devotos caminham para o Barroquinho, Diocese da Guarda, para participar na festa do Senhor dos Aflitos. Situada no limite da freguesia de Pan\u00f3ias, a ermida do Senhor dos Aflitos, embora de institui\u00e7\u00e3o recente, continua a ser muito concorrida, chegando a juntar cerca de tr\u00eas mil pessoas, em Quinta-Feira de Ascens\u00e3o. A tradi\u00e7\u00e3o volta a cumprir-se hoje, dia 5 de Maio. Para o padre Moiteiro Ramos, p\u00e1roco do lugar, \u201ca import\u00e2ncia da romaria est\u00e1 na centralidade ao culto a Jesus crucificado e ressuscitado\u201d. \u201cEsta festa tem como finalidade ajudar as pessoas a viver o mist\u00e9rio pascal\u201d, explica o sacerdote em declara\u00e7\u00f5es ao seman\u00e1rio \u201cA Guarda\u201d. Essencialmente religiosa, esta romaria \u00e9 conhecida por toda a redondeza e s\u00e3o muitos os que se dirigem a p\u00e9 para o local, dando cumprimento a promessas feitas em momentos de afli\u00e7\u00e3o. Ao longo da manh\u00e3, uma dezena de padres, atende os penitentes em servi\u00e7o de confiss\u00e3o. As cerim\u00f3nias religiosas s\u00e3o vividas com f\u00e9 e devo\u00e7\u00e3o e at\u00e9 j\u00e1 chegaram a ser presididas pelo Bispo da Diocese. \u201cNa d\u00e9cada de cinquenta, a festa era presidida pelo Senhor Bispo mas essa tradi\u00e7\u00e3o acabaria por ser quebrada, devido a problemas surgidos na altura\u201d, explica Moiteiro Ramos.  \u201cFazer do local um verdadeiro santu\u00e1rio\u201d \u00e9 o grande desejo do p\u00e1roco bem como da popula\u00e7\u00e3o. Para que tal aconte\u00e7a, Moiteiro Ramos diz que ser\u00e1 necess\u00e1rio desviar a actual estrada que faz a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Quinta do Ordonho. O tra\u00e7ado actual daquela via divide o recinto a meio, facto que prejudica a sua privacidade. \u201cN\u00e3o tem sido poss\u00edvel mudar o tra\u00e7ado da estrada, pois isso implica muito dinheiro e a Comiss\u00e3o, sozinha, n\u00e3o tem capacidade para o fazer\u201d adianta o padre Moiteiro Ramos.   <i>Hist\u00f3ria do Senhor dos Aflitos<\/i> \u00c9 uma tradi\u00e7\u00e3o que se transmitiu oralmente de pais a filhos. Ao tentarmos, agora, dar por escrito um resumo dos acontecimentos que estiveram na origem do Barroquinho, procur\u00e1mos esclarecimentos junto das pessoas mais antigas que nos relataram o seguinte: Na segunda metade do s\u00e9culo XIX, em ano dificil de precisar, um alfaiate de nome Francisco Neves, morador em Panoias de Baixo, regressava, j\u00e1 noite cerrada das bandas de Santa Ana d\u2019Azinha, do lugar de Demoura, por veredas perdidas em densos matagais. Antes de se aproximar do lugar de Valc\u00f4vo, viu-se de repente, perseguido por dois valentes lobos que o nosso alfaiate foi mantendo \u00e0 dist\u00e2ncia com o estratagema de acender f\u00f3sforos e cigarros. Tendo notado que os lobos o haviam abandonado, antes de chegar ao Valc\u00f4vo, contrariando a sua inten\u00e7\u00e3o de ali pernoitar, decidiu continuar seu caminho, preocupado por sua esposa que estava para ser m\u00e3e. Eis sen\u00e3o quando, j\u00e1 pr\u00f3ximo do Barroquinho, se viu novamente em t\u00e3o m\u00e1 companhia. Ali, por\u00e9m, esgotados f\u00f3sforos e cigarros, viu-se o nosso her\u00f3i em suprema ang\u00fastia: a dist\u00e2ncia dos lobos minguava a cada passo; as pernas negavam-se a fazer-lhe a vontade; e o susto n\u00e3o o deixava raciocinar; via j\u00e1 os lobos de goelas escancaradas e dentes amea\u00e7adores; mais uns passos e seria o fim. Mas o homem era crente. Pela sua mente passou um raio de luz. Da sua alma subiu uma prece: \u00abSenhor dos Aflitos, valei-me\u00bb. Ali mesmo, na sua frente, uma fraga se apresentou, suave de subir e segura no seu cimo. Em dois pulos galgou aquela dist\u00e2ncia e viu-se em cima do pequeno morro. Correram tamb\u00e9m os lobos. Mas a r\u00e9gua do alfaiate \u00e9 agora a nova defesa. Horas largas lutou, defendendo dos lobos a entrada da sua pequena fortaleza. Sentia o cora\u00e7\u00e3o apertado. J\u00e1 lhe faltava o alento. A \u00fanica for\u00e7a que sentia vinha-lhe da lembran\u00e7a da esposa e da sua f\u00e9 em Deus. Alta madrugada. Na Quinta do Banheiro ladraram os c\u00e3es de guarda. Um assobio do alfaiate e, em breve, assiste impressionado \u00e0 feroz batalha de c\u00e3es e lobos. Estava salvo. Era quinta-feira d\u2019 Ascens\u00e3o. Esgotado e sem fala alcan\u00e7ou a sua casa. Passado o susto e recuperada a fala, conta \u00e0 fam\u00edlia a sua hist\u00f3ria. E promete solenemente que volvido um ano voltar\u00e1 com sua fam\u00edlia ao Barroquinho em romagem de agradecimento ao Senhor dos Aflitos. Cada ano que passava crescia o n\u00famero dos que se incorporavam a esta manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9. \u00c0 beira do barroco depositavam generosamente suas ofertas, vindo com elas a construir, no cimo do penedo, o nicho que ainda hoje se v\u00ea e no qual existe gravada a data de 1889. As romagens continuaram. Aumentou, o n\u00famero dos devotos que j\u00e1 vinham mesmo das freguesias vizinhas; cresceu a f\u00e9 e a generosidade e ergueu-se a principal capela que era apenas a capela-mor da actual. Um brasileiro origin\u00e1rio de Jo\u00e3o Ant\u00e3o que, vendo-se um dia atacado por um bando de criminosos, invocou em seu aux\u00edlio o Senhor dos Aflitos, tendo misteriosamente escapado ileso, ao regressar a Portugal ofereceu \u00e0 capela primitiva a imagem que ainda hoje se venera no Barroquinho. Celebra-se, este ano, o centen\u00e1rio do regresso do \u00abbrasileiro\u00bb de Jo\u00e3o Ant\u00e3o \u00e0 terra de seus antepassados e da devota oferta da piedosa imagem do Senhor dos Aflitos, \u00e0 capela do Barroquinho.  <i>Jornal A Guarda<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os anos, em dia de Quinta-Feira de Ascens\u00e3o, milhares de devotos caminham para o Barroquinho, Diocese da Guarda, para participar na festa do Senhor dos Aflitos. Situada no limite da freguesia de Pan\u00f3ias, a ermida do Senhor dos Aflitos, embora de institui\u00e7\u00e3o recente, continua a ser muito concorrida, chegando a juntar cerca de tr\u00eas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[122,168,206],"class_list":["post-11725","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-brasil","tag-diocese-da-guarda","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11725"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11725\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}