{"id":116069,"date":"2018-10-08T10:44:45","date_gmt":"2018-10-08T09:44:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=116069"},"modified":"2018-10-08T10:46:12","modified_gmt":"2018-10-08T09:46:12","slug":"o-beneficio-oculto-do-tedio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-beneficio-oculto-do-tedio\/","title":{"rendered":"O benef\u00edcio oculto do t\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Autor<\/a><\/em><!--more--><\/p>\n<p><em>Salas ou filas de espera; enquanto esperamos algu\u00e9m ou que o computador arranque; s\u00e3o in\u00fameros os momentos de t\u00e9dio na nossa vida. Mas cont\u00eam um benef\u00edcio oculto.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_116073\" aria-describedby=\"caption-attachment-116073\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/tedio.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-116073 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/tedio.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/tedio.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/tedio-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/tedio-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/tedio-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/tedio-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-116073\" class=\"wp-caption-text\">Photo by Julian Howard on Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>O t\u00e9dio n\u00e3o \u00e9 mais do que a experi\u00eancia que fazemos quando transitamos de um n\u00edvel de elevado est\u00edmulo para outro mais baixo, e sentimos a necessidade de nos adaptarmos subitamente a esse n\u00edvel.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/estimulos_tempo.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-116071 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/estimulos_tempo-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"474\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/estimulos_tempo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/estimulos_tempo-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/estimulos_tempo-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/estimulos_tempo-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/estimulos_tempo.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 474px) 100vw, 474px\" \/><\/a><br \/>\n\u00c9 algo que acontece no tempo e da\u00ed adv\u00e9m a sensa\u00e7\u00e3o de perda de tempo quando se experimenta o t\u00e9dio. Quando o ambiente exterior deixa de nos interessar, a nossa aten\u00e7\u00e3o volta-se para o nosso interior onde os pensamentos que antes eram negligenciados passam a ser infinitamente mais interessantes e estimulantes.<\/p>\n<p>Esta passagem gerada pelo t\u00e9dio do est\u00edmulo exterior para o pensamento interior abre a porta de uma das capacidades humanas mais extraordin\u00e1rias: a criatividade.<\/p>\n<p>Focarmos a nossa aten\u00e7\u00e3o nos pensamentos soltos que atravessam a nossa mente em momentos de t\u00e9dio, leva-nos a processar ideias deixadas para tr\u00e1s, realizar associa\u00e7\u00f5es outrora impensadas e relacionar desejos futuros com momentos presentes e experi\u00eancias passadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que o t\u00e9dio seja uma experi\u00eancia agrad\u00e1vel. Da\u00ed que na aus\u00eancia de est\u00edmulo, a primeira atitude seja procurar institivamente por algo que nos distraia e ocupe a nossa aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa a raz\u00e3o de pegarmos imediatamente no telem\u00f3vel e navegarmos pelas redes sociais, ler not\u00edcias, consultar emails ou trocar mensagens no WhatsApp. Tudo se torna o <em>pacificador<\/em> que nos distraia do rebuli\u00e7o de pensamentos que atravessa a nossa mente. Mas ceder a estas armas de distrac\u00e7\u00e3o massiva \u00e9 cegar o olhar em rela\u00e7\u00e3o ao benef\u00edcio oculto do t\u00e9dio.<\/p>\n<p>O pensamento profundo exige tempo e muito poucos est\u00edmulos exteriores. Os momentos de t\u00e9dio abrem-nos a essa possibilidade apesar de nos fazerem sentir desconfort\u00e1veis e ansiosos. Talvez o que nos falte seja estarmos conscientes dessa possibilidade e fazermos a experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando os computadores com o Windows ficavam muito lentos, uma das ferramentas que utiliz\u00e1vamos para os tornarmos mais r\u00e1pidos era o \u201cdesfragmentador do disco.\u201d Na pr\u00e1tica, o objectivo dos momentos de t\u00e9dio \u00e9 semelhante, ou seja, desfragmentar os pensamentos. Pois, quando somos sujeitos a essas situa\u00e7\u00f5es, abre-se-nos um tempo extra para processar rela\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias, ideias e problemas que, de outro modo, n\u00e3o haveria tempo para isso.<\/p>\n<p>Num mundo que transita do dinheiro para o tempo como o bem mais precioso, se mais dinheiro permite-nos <em>ter<\/em> mais, mais tempo permite-nos <em>ser<\/em> mais, uma vez que os nossos pensamentos s\u00e3o express\u00e3o daquilo que somos. Por\u00e9m, apesar do t\u00e9dio poder dar-nos o tempo para aprofundar pensamentos, n\u00e3o \u00e9 esse o seu benef\u00edcio oculto.<\/p>\n<p>Embora o ambiente e relacionamentos exteriores sejam fontes ineg\u00e1veis que despontam uma experi\u00eancia de Deus, o seu aprofundamento e a escuta daquilo que Deus nos quer dizer em cada momento acontece no interior de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cTu, por\u00e9m, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que v\u00ea o oculto, h\u00e1-de recompensar-te.\u201d (Mt 6, 6)<\/p><\/blockquote>\n<p>Se quisermos, o t\u00e9dio pode tornar-se uma possibilidade inesperada de entrar no \u201cquarto mais secreto\u201d da nossa mente e, assim, ser um momento que a vida nos apresenta de rezarmos ao Pai em segredo e aprofundarmos o relacionamento com Ele. N\u00e3o penses em todos os momentos de t\u00e9dio que perdeste na tua vida em que podias ter rezado mais, ansia antes pelas oportunidades daqui para a frente que tens diante de ti.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-116069","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=116069"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116069\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=116069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=116069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=116069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}