{"id":11587,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/pentecostes-a-festa-dos-povos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"pentecostes-a-festa-dos-povos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pentecostes-a-festa-dos-povos\/","title":{"rendered":"Pentecostes: a festa dos povos"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral do Bispo de Angra sobre o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio <!--more--> O fen\u00f3meno migrat\u00f3rio faz parte da sociedade a\u00e7oriana, primeiro com a sa\u00edda de gera\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00f5es de conterr\u00e2neos nossos para diversas partes do mundo e, agora, com a entrada de trabalhadores estrangeiros na Regi\u00e3o. \u00abOusar a Mem\u00f3ria, Fortalecer a Cidadania\u00bb: foi o mote do Encontro Mundial das Comunidades Portuguesas, realizado no m\u00eas passado, por iniciativa da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana. Tratava-se de assumir a \u00abmem\u00f3ria sofrida\u00bb da emigra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 para aplanar caminhos de apoio \u00e0s comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, mas tamb\u00e9m para equacionar a forma adequada e crist\u00e3 de acolhimento e inser\u00e7\u00e3o dos imigrantes no Pa\u00eds.   Tal \u00e9 o sentido e objectivo do Dia Diocesano do Imigrante, que propositadamente celebramos na Solenidade de Pentecostes, como Festa dos Povos, cujo encontro, m\u00fatua aceita\u00e7\u00e3o e entreajuda o dom do Esp\u00edrito Santo torna poss\u00edvel. O \u00abImp\u00e9rio do Esp\u00edrito Santo\u00bb n\u00e3o tem fronteiras, nem barreiras de ra\u00e7a, religi\u00e3o ou cultura. Na Igreja, como afirma S. Paulo, \u00abn\u00e3o h\u00e1 mais grego nem judeu, nem circunciso nem incircunciso, nem b\u00e1rbaro nem cita, nem escravo nem livre\u00bb (Col 3, 11).  A presen\u00e7a significativa de imigrantes entre n\u00f3s constitui uma forte interpela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa Igreja Particular, para verificar a sua catolicidade de facto. O fen\u00f3meno migrat\u00f3rio \u00e9 um \u00absinal dos tempos\u00bb, que importa ler e assumir \u00e0 luz da f\u00e9, como caminho de fraternidade universal. \u00c9 a coer\u00eancia da nossa f\u00e9 cat\u00f3lica, que est\u00e1 em jogo. Uma atitude verdadeiramente crist\u00e3 perante os imigrantes implica comportamentos que levem a acolher e ajudar, a aceitar e respeitar a diferen\u00e7a, a integrar sem assimilar.   Sabemos que a integra\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo longo, em que \u00e9 preciso articular a leg\u00edtima exig\u00eancia de ordem, legalidade e seguran\u00e7a com a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 ao acolhimento e \u00e0 caridade. Importa, pois, distinguir entre a assist\u00eancia em geral (primeiro acolhimento de emerg\u00eancia) e o acolhimento propriamente dito, que tem como objectivo \u00faltimo a integra\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os de pleno direito, como n\u00f3s.  Nesse sentido, s\u00e3o de grande import\u00e2ncia, quer as interven\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia ou de \u201cprimeiro acolhimento\u201d, como resposta \u00e0s emerg\u00eancias do momento, quer as interven\u00e7\u00f5es de \u201cacolhimento propriamente dito\u201d, com vista \u00e0 progressiva integra\u00e7\u00e3o e auto-sufici\u00eancia. De modo particular, \u00e9 importante envidar esfor\u00e7os no sentido de garantir a reuni\u00e3o familiar, a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, o alojamento, o trabalho, o associativismo, a promo\u00e7\u00e3o dos direitos civis&#8230; Os trabalhadores estrangeiros &#8211; ali\u00e1s nenhum trabalhador \u2013 n\u00e3o podem ser tratados como qualquer factor de produ\u00e7\u00e3o, mera for\u00e7a de trabalho, simples mercadoria. Como pessoas, gozam de direitos fundamentais inalien\u00e1veis que devem ser respeitados, defendidos e promovidos.  A par de tantas vantagens do fen\u00f3meno migrat\u00f3rio, para uma e outra parte, h\u00e1 infelizmente tamb\u00e9m v\u00edtimas de recrutamento ilegal e de contractos a curto prazo, em prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de vida, com longas horas de trabalho e \u00e0 merc\u00ea de abusos de todo o tipo, por vezes sem acesso aos benef\u00edcios dos cuidados m\u00e9dicos e \u00e0s normais formas de seguran\u00e7a social. Por isso, uma das grandes ajudas que podemos e devemos dar aos imigrantes consiste precisamente no apoio jur\u00eddico (advocacy) para a salvaguarda e promo\u00e7\u00e3o dos seus direitos e dignidade (cf. Erga Migrantes Caritas Christi=EMCC, 2004, 5-6, 42-43). A imigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma abstrac\u00e7\u00e3o. S\u00e3o pessoas concretas, que t\u00eam problemas concretos a resolver. N\u00e3o se pode \u00abfazer de conta\u00bb que h\u00e1 aten\u00e7\u00e3o e interesse pelos imigrantes e n\u00e3o ajudar concretamente as pessoas em dificuldades.  Sem alijar a responsabilidade das entidades oficiais e o empenho das institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es, as comunidades crist\u00e3s presentes no terreno, conhecendo de perto as situa\u00e7\u00f5es, t\u00eam a\u00ed uma responsabilidade acrescida. N\u00e3o se pode fingir que n\u00e3o \u00e9 nada connosco. \u00c9 preciso saber encaminhar os casos para as devidas inst\u00e2ncias, mas tamb\u00e9m dar a m\u00e3o a quem precisa de ajuda, abrindo espa\u00e7o ao outro, como pr\u00f3ximo e cidad\u00e3o.  Os trabalhadores estrangeiros n\u00e3o podem ser vistos como peso e amea\u00e7a. D\u00e3o um contributo significativo \u00e0 economia, ao equil\u00edbrio demogr\u00e1fico e ao enriquecimento cultural. Ao longo da hist\u00f3ria, as migra\u00e7\u00f5es contribu\u00edram significativamente para o progresso de v\u00e1rias civiliza\u00e7\u00f5es. H\u00e1 na\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o seriam tais como s\u00e3o hoje, sem o contributo espec\u00edfico dos imigrantes (cf. EMCC 2-3).  O desejado seguimento do Congresso da Cidadania, promovido com grande sucesso em todas as Ilhas, poderia e deveria concretizar-se tamb\u00e9m no campo da imigra\u00e7\u00e3o, que constitui uma saud\u00e1vel provoca\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade a\u00e7oriana, no sentido de \u00abousar a mem\u00f3ria e fortalecer a cidadania\u00bb: nossa e dos imigrantes. Isto \u00e9 cristianismo genu\u00edno. O crist\u00e3o v\u00ea no estrangeiro, n\u00e3o s\u00f3 o seu pr\u00f3ximo e semelhante, que deve amar como a si mesmo, mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio rosto de Cristo, que Se identifica com os desprotegidos. \u00abEra estrangeiro e Me acolhestes\u00bb (Mt 25, 35)!  <i>+ Ant\u00f3nio, Bispo de Angra<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral do Bispo de Angra sobre o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,169,191,193,258],"class_list":["post-11587","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-angra","tag-economia","tag-educacao","tag-migracoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11587"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11587\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}