{"id":11585,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/homilia-de-bento-xvi-na-missa-de-inauguracao-do-pontificado\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"homilia-de-bento-xvi-na-missa-de-inauguracao-do-pontificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-bento-xvi-na-missa-de-inauguracao-do-pontificado\/","title":{"rendered":"Homilia de Bento XVI na missa de inaugura\u00e7\u00e3o do Pontificado"},"content":{"rendered":"<p>Santa Missa de imposi\u00e7\u00e3o do P\u00e1lio e do Anel do Pescador para o in\u00edcio do minist\u00e9rio petrino do Bispo de Roma  <i>Senhores Cardeais,  Venerados irm\u00e3os no episcopado e no sacerd\u00f3cio,  Distintas autoridades e membros do Corpo diplom\u00e1tico,  Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s<\/i>:  Por tr\u00eas vezes, acompanhou-nos nestes dias t\u00e3o intensos o canto das ladainhas dos Santos: durante os funerais de nosso Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II; por ocasi\u00e3o da entrada dos Cardeais em conclave; e tamb\u00e9m hoje, quando as cantamos com a invoca\u00e7\u00e3o: <i>Tu illum adiuva<\/i> &#8211; sustenta o novo sucessor de S\u00e3o Pedro. De cada uma das vezes, ouvi este canto orante de um modo muito particular, como uma grande consola\u00e7\u00e3o. Como nos sentimos abandonados ap\u00f3s a partida de Jo\u00e3o Paulo II!  O Papa que durante 26 anos foi o nosso pastor e guia no caminho atrav\u00e9s destes tempos. Ele cruzou o limiar para a outra vida &#8211; entrando no mist\u00e9rio de Deus. Mas n\u00e3o deu este passo sozinho. Quem cr\u00ea, nunca est\u00e1 s\u00f3; n\u00e3o o est\u00e1 na vida nem na morte. Naquele momento tivemos ocasi\u00e3o de invocar os Santos de todos os s\u00e9culos, os seus amigos, os seus irm\u00e3os na f\u00e9, sabendo que seriam o cortejo vivo que o acompanharia no al\u00e9m, at\u00e9 \u00e0 gl\u00f3ria de Deus. N\u00f3s sab\u00edamos que l\u00e1 se esperava a sua chegada. Agora sabemos que ele est\u00e1 entre os seus e se encontra realmente em sua casa.  Fomos novamente consolados cumprindo a solene entrada no conclave para eleger aquele que Deus havia escolhido. Como poder\u00edamos reconhecer o seu nome? Como poderiam 115 Bispos, procedentes de todas as culturas e pa\u00edses, encontrar aquele a quem Deus queria outorgar a miss\u00e3o de ligar e desligar? Uma vez mais sab\u00edamo-lo: sab\u00edamos que n\u00e3o est\u00e1vamos s\u00f3s, que est\u00e1vamos rodeados, conduzidos e guiados pelos amigos de Deus.  E agora, neste momento, eu, d\u00e9bil servidor de Deus, devo assumir esta tarefa inaudita, que supera realmente qualquer capacidade humana. Como poderei faz\u00ea-lo? Como serei capaz de lev\u00e1-la a cabo? Todos v\u00f3s, queridos amigos, acabais de invocar toda a multid\u00e3o de Santos, representada por alguns dos grandes nomes da hist\u00f3ria de Deus com os homens. Deste modo, tamb\u00e9m em mim se reaviva esta consci\u00eancia: n\u00e3o estou s\u00f3. N\u00e3o tenho de levar eu s\u00f3 o que, na realidade, nunca poderia suportar sozinho. A multid\u00e3o dos Santos de Deus protege-me, sustenta-me e conduz-me. E a vossa ora\u00e7\u00e3o, caros amigos, a vossa indulg\u00eancia, o vosso amor, a vossa f\u00e9 e a vossa esperan\u00e7a acompanham-me.  Com efeito, \u00e0 comunidade dos Santos n\u00e3o pertencem s\u00f3 as grandes figuras que nos precederam e de quem conhecemos os nomes. Todos n\u00f3s somos a comunidade dos Santos; n\u00f3s, os baptizados no nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo; n\u00f3s, os que vivemos do dom da carne e do sangue de Cristo, por meio do qual quer transformar-nos e fazer-nos semelhantes a si mesmo.  Sim, a Igreja est\u00e1 viva &#8211; esta \u00e9 a maravilhosa experi\u00eancia destes dias. Precisamente nos tristes dias da doen\u00e7a e da morte do Papa, isto manifestou-se de modo maravilhoso aos nossos olhos: que a Igreja est\u00e1 viva. E a Igreja \u00e9 jovem. Ela leva em si o futuro do mundo e, por isso, indica tamb\u00e9m a cada um de n\u00f3s o caminho para o futuro. A Igreja est\u00e1 viva e n\u00f3s vemo-la: experimentamos a alegria que o Ressuscitado prometeu aos seus. A Igreja est\u00e1 viva &#8211; est\u00e1 viva porque Cristo est\u00e1 vivo, porque Ele ressuscitou verdadeiramente.  Na dor que se mostrava no rosto do Santo Padre nos dias da P\u00e1scoa, contempl\u00e1mos o mist\u00e9rio da paix\u00e3o de Cristo e toc\u00e1mos ao mesmo tempo as suas feridas. Mas em todos estes dias tamb\u00e9m pudemos, num sentido profundo, tocar o Ressuscitado. Foi-nos dado experimentar a alegria que ele prometeu, depois de um breve tempo de escurid\u00e3o, como fruto da sua ressurrei\u00e7\u00e3o.  A Igreja est\u00e1 viva: deste modo sa\u00fado com grande alegria e gratid\u00e3o todos v\u00f3s que estais aqui reunidos, vener\u00e1veis irm\u00e3os cardeais e bispos, queridos sacerdotes, di\u00e1conos, agentes pastorais e catequistas. Sa\u00fado-vos, religiosos e religiosas, testemunhas da presen\u00e7a transfigurante de Deus. Sa\u00fado-vos, fi\u00e9is leigos, imersos no grande campo da constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus que se expande no mundo, em todas as express\u00f5es de vida. O discurso enche-se de afecto tamb\u00e9m na sauda\u00e7\u00e3o que dirijo a todos os que, renascidos no sacramento do Baptismo, ainda n\u00e3o est\u00e3o em plena comunh\u00e3o connosco; e a v\u00f3s, irm\u00e3os do povo hebraico, a que estamos estreitamente unidos por um grande patrim\u00f3nio espiritual comum, que afunda as suas ra\u00edzes nas irrevog\u00e1veis promessas de Deus. O meu pensamento, enfim &#8211; quase como uma onda que se expande \u2013 dirige-se a todos os homens de nosso tempo, crentes e n\u00e3o crentes.   Queridos amigos! Neste momento n\u00e3o tenho necessidade de apresentar um programa de governo. Alguns tra\u00e7os do que considero ser a minha tarefa, pude exp\u00f4-los j\u00e1 na minha mensagem da quarta-feira, 20 de Abril; n\u00e3o faltar\u00e3o outras ocasi\u00f5es para faz\u00ea-lo.  O meu verdadeiro programa de governo \u00e9 o de n\u00e3o fazer a minha vontade, n\u00e3o seguir as minhas pr\u00f3prias ideias, mas colocar-me, junto com toda a Igreja, \u00e0 escuta da palavra e da vontade do Senhor e deixar-me conduzir por Ele, de tal modo que seja Ele mesmo a guiar a Igreja nesta hora da nossa hist\u00f3ria. Em vez de expor um programa, desejaria simplesmente procurar comentar os dois sinais com os quais se representa liturgicamente o in\u00edcio do Minist\u00e9rio Petrino; ambos os sinais reflectem tamb\u00e9m exactamente aquilo que \u00e9 proclamado nas leituras de hoje.  O primeiro sinal \u00e9 o P\u00e1lio, tecido em l\u00e3 pura, que me foi colocado sobre os ombros. Este sinal antiqu\u00edssimo, que os Bispos de Roma trazem desde o s\u00e9culo IV, pode ser considerado como uma imagem do jugo de Cristo, que o Bispo desta cidade, o servo dos servos de Deus, toma sobre os seus ombros. O jugo de Deus \u00e9 a vontade de Deus que n\u00f3s acolhemos. E esta vontade n\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s um peso exterior, que nos oprime e nos priva da liberdade. Conhecer o que Deus quer, conhecer qual \u00e9 o caminho da vida \u2013 esta era a alegria de Israel, era o seu grande privil\u00e9gio. Esta \u00e9 tamb\u00e9m a nossa alegria: a vontade de Deus, n\u00e3o nos aliena, purifica-nos &#8211; talvez \u00e0s vezes de um modo doloroso &#8211; e assim, conduz-nos a n\u00f3s mesmos. Desse modo, n\u00e3o o servimos somente a Ele, mas tamb\u00e9m \u00e0 salva\u00e7\u00e3o de todo o mundo, de toda a hist\u00f3ria.  Na realidade, o simbolismo do P\u00e1lio \u00e9 mais concreto ainda: a l\u00e3 de cordeiro quer representar a ovelha perdida, ou ainda a que est\u00e1 doente ou d\u00e9bil, que o pastor p\u00f5e aos ombros para a conduzir \u00e0s \u00e1guas da vida. A par\u00e1bola da ovelha perdida, que o pastor procura no deserto, foi para os Padres da Igreja uma imagem do mist\u00e9rio de Cristo e da Igreja.  A humanidade &#8211; todos n\u00f3s &#8211; \u00e9 a ovelha desgarrada no deserto que n\u00e3o consegue encontrar a estrada. O Filho de Deus n\u00e3o tolera isto; Ele n\u00e3o pode abandonar a humanidade em semelhante situa\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel. P\u00f5e-se em p\u00e9, abandona a gl\u00f3ria do c\u00e9u, para ir em busca da ovelha, seguindo-a at\u00e9 \u00e0 cruz. Coloca-a sobre os seus ombros, carrega a nossa humanidade, leva-nos a n\u00f3s mesmos, pois Ele \u00e9 o bom pastor, que oferece a sua vida pelas ovelhas.  O P\u00e1lio indica, em primeiro lugar, que todos n\u00f3s somos levados por Cristo. Mas, ao mesmo tempo, convida-nos a levar-mo-nos uns aos outros. Assim, o Palio, torna-se no s\u00edmbolo da miss\u00e3o do pastor de que falam a segunda leitura e o Evangelho.  A santa inquietude de Cristo deve animar o pastor: n\u00e3o \u00e9 indiferente para ele que tantas pessoas vivam no deserto. E h\u00e1 muitas formas de deserto: o deserto da pobreza, o deserto da fome e da sede; o deserto do abandono, da solid\u00e3o, do amor destru\u00eddo. Existe tamb\u00e9m o deserto da escurid\u00e3o de Deus, do vazio das almas que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia da dignidade e do rumo do homem. Os desertos exteriores multiplicam-se no mundo, porque os desertos interiores se tornaram muito grandes. Por isso, os tesouros da terra j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o ao servi\u00e7o do cultivo do jardim de Deus, no qual todos podem viver, mas est\u00e3o subjugados ao poder da explora\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o.  A Igreja nos seu conjunto e os seus Pastores, tal como Cristo, devem p\u00f4r-se ao caminho para conduzir os homens para fora do deserto em direc\u00e7\u00e3o ao lugar da vida, para a amizade com o Filho de Deus, para Aquele que nos d\u00e1 a vida, e a vida em plenitude.  O s\u00edmbolo do cordeiro tem ainda outro aspecto. Era costume no antigo Oriente que os reis se designassem a si mesmos como pastores do seu povo. Esta era uma imagem do seu poder, uma imagem c\u00ednica: para eles, os povos eram como ovelhas das quais o pastor podia dispor a seu bel-prazer. Pelo contr\u00e1rio, o pastor de todos os homens, o Deus vivo, fez-se ele mesmo cordeiro, p\u00f4s-se do lado dos cordeiros, dos que s\u00e3o pisados e sacrificados. \u00c9 exactamente assim que Ele se revela como o verdadeiro pastor: \u201cEu sou o bom pastor [&#8230;]. Eu dou a minha vida pelas ovelhas\u201d, diz Jesus de si mesmo (Jo 10,14ss).  N\u00e3o \u00e9 o poder o que redime, mas o amor! Este \u00e9 o sinal de Deus: Ele mesmo \u00e9 amor. Quantas vezes desejar\u00edamos que Deus se mostrasse mais forte! Que Ele castigasse duramente, que abatesse o mal e que criasse um mundo melhor! Todas as ideologias do poder justificam-se desta forma, justificam a destrui\u00e7\u00e3o do que se op\u00f5e ao progresso e \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o da humanidade. N\u00f3s sofremos pela paci\u00eancia de Deus. E, n\u00e3o obstante, todos necessitamos da sua paci\u00eancia. O Deus, que se fez cordeiro, diz-nos que o mundo se salva pelo Crucificado e n\u00e3o pelos crucificadores. O mundo \u00e9 redimido pela paci\u00eancia de Deus e destru\u00eddo pela impaci\u00eancia dos homens.  Uma das caracter\u00edsticas fundamentais do pastor deve ser amar os homens que lhe foram confiados, tal como ama Cristo, ao servi\u00e7o de Quem est\u00e1. \u201cApascenta as minhas ovelhas\u201d, diz Cristo a Pedro, e a mim, neste momento. Apascentar quer dizer amar, e amar quer dizer tamb\u00e9m estar dispostos a sofrer. Amar significa dar \u00e0s ovelhas o verdadeiro bem, o alimento da verdade de Deus, da palavra de Deus, o alimento da sua presen\u00e7a, que Ele nos d\u00e1 no Sant\u00edssimo Sacramento. Queridos amigos &#8211; neste momento s\u00f3 posso dizer: rezai por mim, para que aprenda a amar cada vez mais o Senhor. Rezai por mim, para que aprenda a amar cada vez mais o seu rebanho &#8211; a v\u00f3s, a Santa Igreja, a cada um de v\u00f3s e a v\u00f3s todos juntos. Rezai por mim, para que n\u00e3o fuja, por medo, diante dos lobos. Rezemos uns pelos outros para que o Senhor nos leve e n\u00f3s aprendamos a levar-nos uns aos outros.  O segundo sinal com o qual a liturgia de hoje representa o come\u00e7o do Minist\u00e9rio Petrino \u00e9 a entrega do Anel do Pescador. O chamamento de Pedro a ser pastor, que ouvimos no Evangelho, segue-se \u00e0 narra\u00e7\u00e3o de uma pesca abundante: depois de uma noite em que lan\u00e7aram as redes sem \u00eaxito, os disc\u00edpulos viram na margem o Senhor Ressuscitado. Ele manda-os voltar a pescar, mais uma vez, e eis que a rede se enche tanto que n\u00e3o tinham for\u00e7as para pux\u00e1-la; 153 peixes grandes e, \u201cainda que fossem tantos, n\u00e3o se rompeu a rede\u201d (Jo 21,11). Este relato no final do caminho terreno de Jesus com os seus disc\u00edpulos corresponde a um relato no in\u00edcio: tamb\u00e9m nessa altura, os disc\u00edpulos n\u00e3o tinham pescado nada durante toda a noite; tamb\u00e9m ent\u00e3o Jesus tinha convidado Sim\u00e3o a fazer-se ao largo mais uma vez. E Sim\u00e3o, que ainda n\u00e3o se chamava Pedro, deu aquela admir\u00e1vel resposta: \u201cMestre, \u00e0 Tua palavra lan\u00e7arei as redes\u201d. Foi-lhe confiada ent\u00e3o a miss\u00e3o: \u201cN\u00e3o temas! Doravante ser\u00e1s pescador de homens\u201d (Lc 5,1-11).  Tamb\u00e9m hoje se diz \u00e0 Igreja e aos sucessores dos Ap\u00f3stolos que se fa\u00e7am ao largo no mar da hist\u00f3ria e que lancem as redes, para conquistar os homens para o Evangelho &#8211; para Deus, para Cristo, para a vida verdadeira. Os Padres dedicaram tamb\u00e9m um coment\u00e1rio muito particular a esta tarefa singular. Dizem assim: para o peixe, criado para viver na \u00e1gua, \u00e9 mortal ser tirado do mar. \u00c9 privado de seu elemento vital para servir de alimento ao homem.  Na miss\u00e3o do pescador de homens, por\u00e9m, ocorre o contr\u00e1rio. N\u00f3s homens vivemos alienados, nas \u00e1guas salgadas do sofrimento e da morte, num mar de escurid\u00e3o sem luz. A rede do Evangelho tira-nos das \u00e1guas da morte e leva-nos ao esplendor da luz de Deus, na vida verdadeira. Assim \u00e9, efectivamente &#8211; na miss\u00e3o de pescador de homens, seguindo a Cristo, \u00e9 necess\u00e1rio tirar os homens do mar salgado de todas as aliena\u00e7\u00f5es e lev\u00e1-los \u00e0 terra da vida, \u00e0 luz de Deus. \u00c9 mesmo assim: n\u00f3s existimos para mostrar Deus aos homens. E s\u00f3 onde se v\u00ea Deus, come\u00e7a verdadeiramente a vida. S\u00f3 quando encontramos em Cristo o Deus vivo, conhecemos o que \u00e9 a vida.  N\u00e3o somos o produto casual e sem sentido da evolu\u00e7\u00e3o. Cada um de n\u00f3s \u00e9 o fruto de um pensamento de Deus. Cada um de n\u00f3s \u00e9 querido, cada um \u00e9 amado, cada um \u00e9 necess\u00e1rio. Nada h\u00e1 de mais maravilhoso que termos sido alcan\u00e7ados, surpreendidos, pelo Evangelho, por Cristo. Nada mais belo que conhec\u00ea-lo e comunicar aos outros a amizade com Ele.  A tarefa do pastor, do pescador de homens, pode parecer \u00e0s vezes cansativa. Mas \u00e9 bela e grande, porque, em definitivo, \u00e9 um servi\u00e7o \u00e0 alegria, \u00e0 alegria de Deus que quer fazer a sua entrada no mundo.  Quero agora destacar ainda uma coisa: tanto da imagem do pastor como da do pescador, emerge de maneira muito expl\u00edcita o apelo \u00e0 unidade. \u201cTenho, tamb\u00e9m, outras ovelhas que n\u00e3o s\u00e3o deste redil; tamb\u00e9m estas devo conduzir, e escutar\u00e3o a minha voz e haver\u00e1 um s\u00f3 rebanho e um s\u00f3 Pastor\u201d (Jo 10,16), diz Jesus no final do discurso do bom pastor. E o relato dos 153 peixes termina com a alegre constata\u00e7\u00e3o: \u201cE ainda que fossem tantos, n\u00e3o se rompeu a rede\u201d (Jo\u00e3o 21,11).  Ai de mim, Senhor amado! Agora a rede rompeu-se, queremos dizer contristados. Mas n\u00e3o &#8211; n\u00e3o devemos estar tristes! Alegremo-nos pela tua promessa que n\u00e3o desilude e fa\u00e7amos tudo o que for poss\u00edvel para percorrer o caminho rumo \u00e0 unidade que tu prometeste. Fa\u00e7amos mem\u00f3ria dela na ora\u00e7\u00e3o ao Senhor, como mendigos; sim, Senhor, lembra-te do que prometeste. Faz que sejamos um s\u00f3 pastor e um s\u00f3 rebanho! N\u00e3o permitas que se rompa a tua rede e ajuda-nos a ser servidores da unidade!   Neste momento a minha recorda\u00e7\u00e3o volta ao dia 22 de Outubro de 1978, quando o Papa Jo\u00e3o Paulo II iniciou o seu minist\u00e9rio, aqui, na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro. Ainda, e continuamente, ressoam nos meus ouvidos as suas palavras de ent\u00e3o: \u201cN\u00e3o tenhais medos! Abri, antes, escancarai as portas a Cristo!\u201d.  O Papa falava aos fortes, aos poderosos do mundo, os quais tinham medo que Cristo Lhes pudesse retirar algo do seu poder, se o deixassem entrar e se concedessem liberdade \u00e0 f\u00e9. Sim, ele certamente lhes teria retirado algo: o dom\u00ednio da corrup\u00e7\u00e3o, da distor\u00e7\u00e3o do direito e da arbitrariedade, mas n\u00e3o lhes teria tirado nada de quanto pertence \u00e0 liberdade do homem, \u00e0 sua dignidade, \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa.  O Papa falava tamb\u00e9m a todos os homens, sobretudo aos jovens. Acaso n\u00e3o temos todos, de algum modo, medo &#8211; se deixamos entrar Cristo totalmente dentro de n\u00f3s, se nos abrimos totalmente a ele -, medo de que Ele possa trazer algo para a nossa vida? Acaso n\u00e3o temos todos medo de renunciar a algo grande, \u00fanico, que faz a vida mais bela? N\u00e3o nos arriscamos a encontrarmo-nos na ang\u00fastia e privados da liberdade? E mais uma vez o Papa queria dizer: n\u00e3o! Quem deixa entrar Cristo n\u00e3o perde nada, nada &#8211; absolutamente nada &#8211; do que torna a vida livre, bela e grande.  N\u00e3o! S\u00f3 nesta amizade se escancaram as portas da vida. S\u00f3 nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condi\u00e7\u00e3o humana. S\u00f3 nesta amizade experimentamos o que \u00e9 belo e o que nos liberta.  Assim, hoje, eu quero, com grande for\u00e7a e grande convic\u00e7\u00e3o, a partir da experi\u00eancia de uma longa vida pessoal, dizer-vos, queridos jovens: N\u00e3o tenhais medo de Cristo! Ele n\u00e3o tira nada, concede tudo. Quem se d\u00e1 a ele, recebe cem por um. Sim, abri, escancarai as portas a Cristo &#8211; e encontrareis a verdadeira vida. Amen.  <i>Pra\u00e7a de S. Pedro Domingo, 24 de Abril de 2005<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santa Missa de imposi\u00e7\u00e3o do P\u00e1lio e do Anel do Pescador para o in\u00edcio do minist\u00e9rio petrino do Bispo de Roma Senhores Cardeais, Venerados irm\u00e3os no episcopado e no sacerd\u00f3cio, Distintas autoridades e membros do Corpo diplom\u00e1tico, Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s: Por tr\u00eas vezes, acompanhou-nos nestes dias t\u00e3o intensos o canto das ladainhas dos Santos: [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,145,237,246,275,285],"class_list":["post-11585","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-conclave","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-pascoa","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11585","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11585"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11585\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}