{"id":115792,"date":"2018-09-25T14:53:36","date_gmt":"2018-09-25T13:53:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=115792"},"modified":"2018-10-03T14:57:21","modified_gmt":"2018-10-03T13:57:21","slug":"a-cruz-escondida-28","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-28\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p>A vida dif\u00edcil e ignorada dos Crist\u00e3os na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica<!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/peninsula_arabica.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-115793  alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/peninsula_arabica-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"526\" height=\"351\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/peninsula_arabica-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/peninsula_arabica-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/peninsula_arabica-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/peninsula_arabica-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/peninsula_arabica.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><\/a>Apanhados na armadilha<\/h3>\n<p>Nos sete pa\u00edses que constituem a chamada Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica h\u00e1 cada vez h\u00e1 mais crist\u00e3os. S\u00e3o quase todos estrangeiros, normalmente oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil, pessoas que emigraram em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Mas a realidade \u00e9, muitas vezes, bem dura\u2026<\/p>\n<p>Os pr\u00e9dios enormes, de arquitectura exuberante, os centros comerciais cintilantes de riquezas, os autom\u00f3veis de luxo t\u00eam feito sonhar milhares de pessoas em todo o mundo que olham para os pa\u00edses da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica e aspiram a uma vida melhor.<\/p>\n<p>Muitos, pressionados pelo desemprego, pelos sal\u00e1rios baixos nos seus pa\u00edses, aceitaram juntar-se \u00e0 multid\u00e3o de oper\u00e1rios que continuam a fazer crescer, no deserto, cidades habitadas por multi-milion\u00e1rios gra\u00e7as ao ouro negro que parece correr infindavelmente no subsolo. Depressa, por\u00e9m, todos descobrem que a vida n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, que as promessas de dinheiro f\u00e1cil s\u00e3o apenas uma ilus\u00e3o e muitos acabam encurralados numa enorme armadilha. Tomasito Veneracion \u00e9 filipino e padre. Est\u00e1 no Dubai, um dos pa\u00edses da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica que mais tem crescido nos \u00faltimos anos. Muitos dos oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil que t\u00eam erguido alguns dos maiores arranha-c\u00e9us do mundo s\u00e3o seus conterr\u00e2neos. Sa\u00edram da pobreza mas continuam pobres. \u201cTenho a impress\u00e3o de que cerca de 70 a 80 por cento das pessoas que v\u00eam para c\u00e1 nunca chegam a melhorar muito as suas condi\u00e7\u00f5es de vida\u201d, diz o padre Tomasito. \u201cAcabam frustradas e algumas s\u00e3o mesmo rejeitadas e regressam sem nada.\u201d Constroem cidades para os ricos mas vivem como que enjaulados em casas sem condi\u00e7\u00f5es. \u201cNestes espa\u00e7os pode haver oito beliches. Dezasseis pessoas partilham uma pequena cozinha e apenas uma casa de banho. Noutra casa, disseram-me, havia 52 pessoas a morar\u2026\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Drama quotidiano<\/h3>\n<p>E o dinheiro \u00e9 mesmo uma ilus\u00e3o. Muitos t\u00eam de pagar taxas de recrutamento e, em alguns casos, os vistos necess\u00e1rios para poderem residir nestes pa\u00edses podem custar at\u00e9 um ano de sal\u00e1rios. Na regi\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 sindicatos e as greves est\u00e3o proibidas. Os trabalhadores insubordinados s\u00e3o deportados sem demora. H\u00e1 turnos de 12 horas em semanas \u00e0s vezes sem qualquer dia de descanso. As cidades dos ricos parecem \u2018glamourosas\u2019 no cinema mas escondem o drama do dia-a-dia dos estrangeiros, dos que ali vivem apenas do seu trabalho. Sendo enclaves pensados para os muito ricos, em algumas destas cidades a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dispendiosa que muitos chegam a gastar at\u00e9 um ter\u00e7o do seu sal\u00e1rio s\u00f3 para a comida. Estrangeiros, oper\u00e1rios e, muitas vezes, crist\u00e3os. O trabalho da Igreja junto destas novas comunidades \u00e9 essencial mas dif\u00edcil. N\u00e3o se sabe bem quantos crist\u00e3os viver\u00e3o hoje em dia na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica. O Bispo Camillo Ballin, da Prefeitura Apost\u00f3lica da Ar\u00e1bia do Norte fala em n\u00fameros expressivos. \u201cDe acordo com alguns crit\u00e9rios, podemos dizer que h\u00e1 140 mil cat\u00f3licos no Bar\u00e9m, cerca de 350 mil no Catar, entre 350 e 400 mil no Kuwait e 1,5 milh\u00f5es na Ar\u00e1bia Saudita.\u201d Apoiar estes novos crist\u00e3os que chegam com as malas cheias de sonhos \u00e9 uma das miss\u00f5es mais importantes da Igreja. Esta regi\u00e3o do globo tem regras bem apertadas no que diz respeito \u00e0 liberdade religiosa. Todos os pa\u00edses da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica pro\u00edbem a convers\u00e3o do isl\u00e3o para outra religi\u00e3o, assim como casamentos inter-religiosos. A constru\u00e7\u00e3o de Igrejas est\u00e1 limitada e os edif\u00edcios n\u00e3o podem ostentar s\u00edmbolos religiosos. Nenhum destes pa\u00edses \u2013 Ar\u00e1bia Saudita, Emirados \u00c1rabes Unidos, Om\u00e3, Bahrein, Kuwait, Qatar e I\u00e9men \u2013 permite a exist\u00eancia de semin\u00e1rios cat\u00f3licos nem a posse de B\u00edblias ou Ter\u00e7os em lugares p\u00fablicos. Para muitos trabalhadores estrangeiros, a vida na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica transformou-se numa armadilha. Mas gra\u00e7as \u00e0 sua presen\u00e7a, hoje a Igreja \u00e9 uma realidade incontorn\u00e1vel que continua a crescer no mais improv\u00e1vel dos solos.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida dif\u00edcil e ignorada dos Crist\u00e3os na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-115792","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115792","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=115792"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115792\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=115792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=115792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=115792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}