{"id":11565,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-fe-em-tempo-real\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-fe-em-tempo-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-fe-em-tempo-real\/","title":{"rendered":"A F\u00e9 em tempo real"},"content":{"rendered":"<p>Os factos atropelaram-se em am\u00e1lgama, como mole de gente sobressaltada num espa\u00e7o estreito. Parece que tudo se tornou massa informe e movedi\u00e7a na direc\u00e7\u00e3o das portas de emerg\u00eancia ou das angustiantes sa\u00eddas duma explos\u00e3o. Os acontecimentos prolongados dos \u00faltimos tempos deram-nos bem a ideia de alguma convuls\u00e3o de epis\u00f3dios que, passados nos media, envolveram todo o planeta no celebrativo, no entusi\u00e1stico, na dor, na perplexidade, na controv\u00e9rsia, na festa. Claro que nos referimos a uma ocorr\u00eancia em dois actos: a partida e a chegada do sucessor de Pedro. E a serena continuidade da Igreja, a afirma\u00e7\u00e3o incontestada de um projecto lan\u00e7ado por Jesus e mantido inc\u00f3lume nos sobressaltos da hist\u00f3ria e da fragilidade humana. Tudo isso viveu a Igreja sem excessivas teoriza\u00e7\u00f5es. Apenas como acto da sua hist\u00f3ria milenar, rasgando fronteiras de continentes e pa\u00edses pelo directo e continuado da morte e do ressurgimento do Papa como pai espiritual da cristandade, bispo de Roma, refer\u00eancia essencial da F\u00e9 no mundo de hoje. A F\u00e9 em tempo real. N\u00e3o se tratou \u2013 como pretenderam alguns &#8211; de uma encena\u00e7\u00e3o monumental do Vaticano na celebra\u00e7\u00e3o da partida e da chegada do sucessor de Pedro. Nem se pode dizer que a Igreja manipulou os acontecimentos, as not\u00edcias, a \u201cliturgia medi\u00e1tica\u201d que se desencadeou de forma empolgante na sua vers\u00e3o paneg\u00edrica ou cr\u00edtica. Os media tomaram conta de tudo e tornaram imposs\u00edvel o sil\u00eancio ou o controlo apolog\u00e9tico de acontecimentos t\u00e3o significativos como a morte de um Papa de grande exposi\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica e a elei\u00e7\u00e3o de outro que, al\u00e9m de ant\u00edtese do mediatismo, como que trazia uma asa ferida por preconceitos e lugares comuns dos menos informados. N\u00e3o lhe foi concedido o \u201cestado de gra\u00e7a\u201d que sempre se oferece aos governantes, ainda que obviamente med\u00edocres. Mas o pouco tempo de presen\u00e7a de Bento XVI como homem inteligente, firme, humilde e dispon\u00edvel para o di\u00e1logo, come\u00e7a a revelar que muitos dos cr\u00edticos que dele falavam, n\u00e3o sabiam, na verdade, o que diziam. Muitas observa\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises n\u00e3o passaram de um estrondoso acto de ignor\u00e2ncia disparado do alto p\u00falpito dos media falados ou escritos. Mas n\u00e3o faltaram vozes de lucidez e discernimento que, sem ju\u00edzos prim\u00e1rios, expuseram com isen\u00e7\u00e3o, a percentagem justa do divino e do humano que envolve este acontecimento. Talvez, mais que tudo, falou a imagem, sem coment\u00e1rios, do rec\u00f4ndito mist\u00e9rio da f\u00e9 que perpassa uma liturgia solene e s\u00f3bria. Com a simplicidade silenciosa com que Deus atravessa a hist\u00f3ria.  Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os factos atropelaram-se em am\u00e1lgama, como mole de gente sobressaltada num espa\u00e7o estreito. Parece que tudo se tornou massa informe e movedi\u00e7a na direc\u00e7\u00e3o das portas de emerg\u00eancia ou das angustiantes sa\u00eddas duma explos\u00e3o. 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