{"id":11560,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/elogio-da-consciencia-moral\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"elogio-da-consciencia-moral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/elogio-da-consciencia-moral\/","title":{"rendered":"Elogio da Consci\u00eancia Moral"},"content":{"rendered":"<p>Que podemos esperar, em moral, de Bento XVI? <!--more--> Quando quem ocupa a cadeira de Pedro \u00e9 algu\u00e9m que escreveu, de maneira insuper\u00e1vel, sobre a consci\u00eancia moral, s\u00f3 podemos esperar o melhor. Gost\u00e1vamos, por isso, de p\u00f4r em evid\u00eancia alguns pressupostos que, seguramente, ser\u00e3o vis\u00edveis nos escritos e na actua\u00e7\u00e3o do actual Papa, no que se refere aos assuntos de moral.  1. A consci\u00eancia moral \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio ser humano quanto ao seu valor e \u00e0 sua dignidade. \u201cConsci\u00eancia significa reconhecer o ser humano, em si mesmo e no outro, como cria\u00e7\u00e3o e respeitar, neste homem, o seu Criador\u201d1 . S\u00e3o palavras de Joseph Ratzinger, entre muitas outras que poder\u00edamos citar. Elas t\u00eam implica\u00e7\u00f5es muito especiais. Referem o reconhecimento da originalidade do ser humano, para l\u00e1 de todas as qualidades apreens\u00edveis pelas ci\u00eancias exactas ou sociais, para l\u00e1 de todas as institui\u00e7\u00f5es. Esta consci\u00eancia, na plenitude da sua manifesta\u00e7\u00e3o e purificada de toda a excresc\u00eancia de inautenticidade, \u00e9 inviol\u00e1vel por qualquer poder. Bento XVI em uma consci\u00eancia muito aguda que este combate pela consci\u00eancia moral \u00e9 uma prioridade da Igreja, porque a\u00ed se joga a defesa mais profunda do homem. Lembremos que o actual Papa viveu de perto o horror do Nazismo que foi um fen\u00f3meno generalizado de manipula\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia moral. Por isso, a lembran\u00e7a e a tomada de consci\u00eancia da dignidade moral do ser humano \u00e9 o maior contributo que a Igreja tem para dar \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o, no di\u00e1logo dram\u00e1tico com a cultura de hoje.  2. A consci\u00eancia moral \u00e9 o lugar da verdade e forma-se pela escuta da verdade. Nesta escuta da verdade entra, primeiramente, a abertura a Deus e \u00e0 revela\u00e7\u00e3o divina, como aspecto mais importante de todas as escutas humanas. Mas entra, igualmente, a escuta da raz\u00e3o, ou seja, dos impulsos do cora\u00e7\u00e3o humano, da hist\u00f3ria da cultura, das aquisi\u00e7\u00f5es da tradi\u00e7\u00e3o \u00e9tica e religiosa, dos resultados de todos os saberes. Este \u00e9 igualmente um ponto muito importante do pensamento de J. Ratzinger. Para ele, a raz\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um conceito est\u00e1tico, uma esp\u00e9cie de patrim\u00f3nio comum da humanidade, no qual podemos confiar cegamente, quanto ao caminho moral. Ele sempre insistiu em que a f\u00e9 eleva a raz\u00e3o e n\u00e3o apenas a escuta. E, deste princ\u00edpio, tira conse-qu\u00eancias muito importantes para a teologia moral, no sentido de n\u00e3o se conformar com um conceito d\u00e9bil de raz\u00e3o, fazendo, deste modo, do simples esp\u00edrito do tempo um imperativo \u00e9tico. A verdade que vem \u00e0 consci\u00eancia moral e que informa a consci\u00eancia moral, \u00e9 uma verdade sinf\u00f3nica, \u00e0 qual se tem acesso por um caminho testemunhal ou martirial, como gosta de dizer o actual Papa. \u00c9 neste ponto que entra o Magist\u00e9rio, como carisma de verdade, \u00e0s vezes com duras tens\u00f5es, no caminhar hist\u00f3rico da Igreja.  3. Destes pressupostos, t\u00e3o conformes com o esp\u00edrito do Conc\u00edlio Vaticano II, podemos, com toda a certeza, esperar muit\u00edssimo em ordem \u00e0 solu\u00e7\u00e3o das muitas interroga\u00e7\u00f5es morais e problemas que h\u00e1 para resolver. Entre esses, poder\u00edamos destacar alguns, por ordem de import\u00e2ncia. Primeiramente, os de \u00e9tica social. Entre esses, o problema do rearmamento moral das nossas democracias, por um respeito melhor dos Direitos Humanos, uma vez que o niilismo reinante \u00e9 perigoso para a conviv\u00eancia dos povos e das civiliza\u00e7\u00f5es; a quest\u00e3o da supera\u00e7\u00e3o da pobreza, da actualiza\u00e7\u00e3o das implica\u00e7\u00f5es da justi\u00e7a, no contexto do capitalismo bolsista e das modifica\u00e7\u00f5es do mundo do trabalho. Em segundo lugar, os problemas de \u00e9tica pessoal e familiar. Aqui urge repensar as exig\u00eancias do matrim\u00f3nio, tendo em conta o aumento do div\u00f3rcio, mesmo entre os cat\u00f3licos, a quest\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o da fecundidade e da sexualidade, no contexto da demografia e da expans\u00e3o da sida. Finalmente, as quest\u00f5es internas \u00e0 Igreja, como a participa\u00e7\u00e3o da mulher dos minist\u00e9rios, a presid\u00eancia da eucaristia, dada a escassez de presb\u00edteros celibat\u00e1rios, o papel das comunidades na escolha dos bispos, superando alguma permeabilidade ao nepotismo e ao abuso de poder. A Igreja tem mostrado ao longo do tempo virtualidades inesperadas. Depois de um Papa de carisma extraordin\u00e1rio, como foi Jo\u00e3o Paulo II, temos um s\u00e1bio na c\u00e1tedra de Pedro. Da sua sabedoria, seguramente podemos esperar a coragem para resolver aquilo que urgir ser resolvido, podemos contar com a for\u00e7a da persuas\u00e3o para mostrar com argumentos aquilo que dever ser resolvido de maneira diversa da que esper\u00e1vamos, e tamb\u00e9m com a humildade da grandeza de alma para admitir, quando isso acontecer, que algo foi decidido de maneira menos perfeita.  Jorge Teixeira da Cunha  &#8212;&#8212;&#8212;  1 J. RATZINGER, La Coscienza nel tempo, in Chiesa, Ecumenismo e Politica, Paoline 1987, 163. Encontram-se textos sobre este assunto em: Magistero Ecclesiastico \u2013 Fede \u2013 Morale, in Prospettive di Morale Cristiana, Roma 1987; A Igreja e a nova Europa, Lisboa 1994; Eloggio della Coscienza in Christus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que podemos esperar, em moral, de Bento XVI?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,144,189,192,203,237,285],"class_list":["post-11560","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-concilio-vaticano-ii","tag-direitos-humanos","tag-ecumenismo","tag-europa","tag-joao-paulo-ii","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11560"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11560\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}