{"id":11435,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/santuario-lembra-ligacao-de-bento-xvi-a-fatima\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"santuario-lembra-ligacao-de-bento-xvi-a-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/santuario-lembra-ligacao-de-bento-xvi-a-fatima\/","title":{"rendered":"Santu\u00e1rio lembra liga\u00e7\u00e3o de Bento XVI a F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>O Santu\u00e1rio de F\u00e1tima recebeu com muita alegria a not\u00edcia da elei\u00e7\u00e3o do Sumo Pont\u00edfice Joseph Ratzinger, que escolheu o nome de Papa Bento XVI. \u00c0 not\u00edcia da elei\u00e7\u00e3o no novo Papa, os sinos repicaram em toque de festa, um pouco antes das 17 horas. No decorrer da eucaristia das 16h30, presidida pelo capel\u00e3o do Santu\u00e1rio Pe. Clemente Dotti, foi anunciado, ap\u00f3s o acto de comunh\u00e3o, que a Igreja tinha um novo Sumo Pont\u00edfice. Os participantes na celebra\u00e7\u00e3o irromperam numa salva de palmas, depois substitu\u00edda pelo c\u00e2ntico do Magnificat. Recorde-se que Joseph Ratzinger esteve neste Santu\u00e1rio a 12 e 13 de Outubro de 1996, presidindo \u00e0 Peregrina\u00e7\u00e3o Internacional Anivers\u00e1ria de Outubro. O jornal oficial do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima \u2013 \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d \u2013, descreve, na edi\u00e7\u00e3o de 13 de Novembro de 1996, a Peregrina\u00e7\u00e3o Internacional de Outubro, presidida pelo ent\u00e3o Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para Doutrina da F\u00e9, que pela primeira vez visitava F\u00e1tima.  No final, transcreve-se a homilia de Joseph Ratzinger, eleito ontem Papa.  Noticia o jornal \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d que durante a Peregrina\u00e7\u00e3o Anivers\u00e1ria de Outubro de 1996, na qual ter\u00e3o participado \u00e0 volta de 250.000 peregrinos, foi usada a imagem da Virgem Peregrina de F\u00e1tima, e n\u00e3o, como habitualmente, a imagem oficial de Nossa Senhora. No final da ora\u00e7\u00e3o do Ter\u00e7o, na noite do dia 12 de Outubro, uma delega\u00e7\u00e3o de peregrinos polacos entregou a imagem da Virgem Peregrina ao Bispo de Leiria-F\u00e1tima, D. Serafim Ferreira e Silva, ap\u00f3s um p\u00e9riplo que cerca de um ano por todas as dioceses da Pol\u00f3nia. Ap\u00f3s a entrega da imagem, na Capelinha, seguiu-se a habitual prociss\u00e3o at\u00e9 ao altar do Recinto e a eucaristia, presidida pelo Arcebispo de Warmia (norte da Pol\u00f3nia), D. Edmund Piszcz. No dia 13, a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica foi presidida pelo Cardeal Ratzinger, concelebrada por vinte bispos e quatrocentos sacerdotes.  No final da celebra\u00e7\u00e3o, o Bispo de Leiria-F\u00e1tima procedeu \u00e0 entrega solene da imagem da Virgem Peregrina de F\u00e1tima ao Arcebispo Administrador da R\u00fassia Europeia, D. Kondrusiewicz, para uma viagem da Virgem \u00e0 R\u00fassia e ao Casaquist\u00e3o. O jornal oficial do Santu\u00e1rio transcreve ainda, na mesma edi\u00e7\u00e3o de Novembro de 1996, a declara\u00e7\u00e3o de Joseph Ratzinger \u00e0 R\u00e1dio Renascen\u00e7a, na qual o agora Papa Bento XVI, falava sobre a terceira parte do chamado Segredo de F\u00e1tima. Ratzinger disse a terceira parte n\u00e3o encerrava nada de catastr\u00f3fico e que \u201co verdadeiro conte\u00fado quer da Revela\u00e7\u00e3o, quer do segredo, \u00e9 sempre o mesmo, isto \u00e9, o convite \u00e0 convers\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es, \u00e0 f\u00e9, \u00e0 comunh\u00e3o com Cristo\u201d. A terceira parte do Segredo viria a ser revelada no ano 2000, na terceira visita a F\u00e1tima de Jo\u00e3o Paulo II. A comunica\u00e7\u00e3o foi lida pelo Cardeal Sodano, Secret\u00e1rio de Estado de Jo\u00e3o Paulo II. O coment\u00e1rio teol\u00f3gico da terceira parte do segredo, publicado nas \u201cMem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia\u201d\/ Ap\u00eandice III, foi feito pelo Cardeal Joseph Ratzinger, na qualidade de Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da f\u00e9.  <b>Homilia em F\u00e1tima (13 de Outubro de 1996)<\/b> JOSEPH CARDINAL RATZINGER (Ester, 4,17ss.; Ef 2,47; Jo 2, 1-10) Venerados Irm\u00e3os no Episcopado! Prezados sacerdotes, religiosos e religiosas! Car\u00edssimos Irm\u00e3os e Irm\u00e3s! Peregrinos de todo o mundo, que viestes a F\u00e1tima, para louvar e rezar \u00e0 M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e!  O Senhor ofereceu aos H\u00f3spedes das Bodas de Can\u00e1 cerca de 600 (seis centos) litros de saboroso vinho, das seis medidas, que os servos tinham enchido de \u00e1gua, segundo a ordem de Jesus. Mesmo considerando, que as bodas orientais duravam toda uma semana e que todo o cl\u00e3 familiar dos esposos tomava parte na festa, resta todavia o facto de que se trata duma incompreens\u00edvel abund\u00e2ncia. A abund\u00e2ncia, a profus\u00e3o \u00e9 o sinal de Deus na Sua cria\u00e7\u00e3o: Ele esbanja, cria todo o universo para dar espa\u00e7o ao homem. Ele d\u00e1 a vida numa incompreens\u00edvel abund\u00e2ncia. E, na Reden\u00e7\u00e3o, prodigaliza se Ele mesmo, faz se homem, penetrando toda a pobreza do ser humano, porque a Ele nada Lhe basta para manifestar o Seu amor. Esta abund\u00e2ncia, esta prodigalidade, \u00e9 a express\u00e3o do amor que n\u00e3o se p\u00f5e a contar, que n\u00e3o enumera, mas, sem pensar em si, simplesmente se d\u00e1. Esta liberalidade, esta generosidade de Can\u00e1 corresponde ao modo de Deus se manifestar ao homem, no decurso da hist\u00f3ria. Ela permite nos intuir a magnific\u00eancia, a grandeza e a inesgot\u00e1vel bondade de Deus.  Ao lado do milagre do vinho, encontramos, no Evangelho, o milagre do p\u00e3o, no qual o Senhor, com cinco p\u00e3es, sacia milhares de pessoas e d\u00e1 tanto, que at\u00e9 sobraram doze cestos cheios de p\u00e3o. Se o p\u00e3o \u00e9 s\u00edmbolo do que o homem precisa, por seu lado, o vinho \u00e9 o s\u00edmbolo da superabund\u00e2ncia da qual tamb\u00e9m temos necessidade. Ele \u00e9 sinal da alegria, da transfigura\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o. Tira nos da tristeza e do cansa\u00e7o do dia a dia e faz do estar juntos uma festa. Alarga os sentidos e a alma, solta a l\u00edngua e abre o cora\u00e7\u00e3o; e transp\u00f5e as barreiras que limitam a nossa exist\u00eancia. Deste modo o vinho tornou se s\u00edmbolo dos dons do Esp\u00edrito Santo. A Tradi\u00e7\u00e3o fala da embriagu\u00eas na sobriedade, que o Esp\u00edrito nos concede j\u00e1 no relato do Pentecostes, segundo o qual os Ap\u00f3stolos apareciam aos estranhos, como que embriagados. Na verdade, eles estavam em jejum e ao mesmo tempo embriagados, isto \u00e9, repletos da alegria do Esp\u00edrito Santo, que os abria para uma vida de grandes horizontes, e lhes concedeu palavras, que n\u00e3o provinham deles mesmos, fazendo lhes perceber a beleza da vida iluminada, pela luz do Deus vivo. Assim, come\u00e7amos j\u00e1 a compreender um pouco do significado deste milagre do vinho, que Jo\u00e3o expressamente descreve como um sinal portanto, como uma realidade que, indo al\u00e9m do acontecimento imediato, orienta para outra maior. O grande dom deixa pressentir a natureza inesgot\u00e1vel do amor de Deus, fala dum amor que prov\u00e9m da eternidade, que \u00e9 incomensur\u00e1vel e por isso salv\u00edfico. O milagre do vinho ajuda nos assim a compreender o que significa receber na f\u00e9, atrav\u00e9s de Cristo, o Esp\u00edrito Santo isto \u00e9, uma nova grandeza, uma nova eleva\u00e7\u00e3o e uma nova abund\u00e2ncia de vida.  Mas temos ainda de dar mais um passo, nesta nossa reflex\u00e3o: como dissemos, o vinho cria a festividade. No texto do nosso Evangelho, o vinho est\u00e1 ligado \u00e0 festa do matrim\u00f3nio, \u00e0 festa das n\u00fapcias. O vinho indica a grandeza do que, no matrim\u00f3nio, acontece: duas pessoas tornam se uma s\u00f3, gra\u00e7as ao amor, nelas derramado pelo Criador, que faz delas uma s\u00f3 carne, como diz Ad\u00e3o, no relato b\u00edblico da cria\u00e7\u00e3o, quando Deus lhe apresenta a mulher, e s\u00f3 ent\u00e3o a sua vida \u00e9 completa. Por\u00e9m, deste modo, o Sinal de Can\u00e1 aponta, ainda, para uma maior profundidade, que \u00e9 esta: Jesus veio para conduzir a natureza humana, a pr\u00f3pria pessoa humana, \u00e0 comunh\u00e3o nupcial com Deus. Deus e a Sua criatura devem tornar se um n\u00e3o uma carne mas um esp\u00edrito, como diz Paulo (1 Cor. 6, 17) . Paulo exprime o tamb\u00e9m assim: os crentes tornam se com Cristo um \u00fanico corpo, o Seu corpo. Em \u00faltima an\u00e1lise, estas n\u00fapcias j\u00e1 tiveram lugar na Encarna\u00e7\u00e3o, no seio de Maria: Deus, o Filho de Deus, assumiu a carne humana, atraiu a Si o ser humano e assim o verdadeiro homem Jesus e o Filho de Deus eterno formam juntamente uma s\u00f3 pessoa. Este matrim\u00f3nio, estas n\u00fapcias, que tiveram lugar no Mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, devem alargar se atrav\u00e9s de toda a hist\u00f3ria, pois o Senhor quer &#8220;atrair todos a Si&#8221; (Jo.12, 32) para que, finalmente, &#8220;Deus seja tudo em todos&#8221; (1 Cor. 15,28). A Hora de Jesus, de que Ele fala na resposta a Sua M\u00e3e, \u00e9 a Hora das N\u00fapcias. Ele aproxima se desta Hora, para ela \u00e9 que Ele est\u00e1 aqui. Essa Hora come\u00e7a, como dissemos, com a concep\u00e7\u00e3o no seio de Maria e atinge o seu ponto mais alto na Cruz, que Jo\u00e3o, ao mesmo tempo, designa sempre, como o momento da glorifica\u00e7\u00e3o de Jesus. Na Cruz, Jesus d\u00e1 se completamente: A Cruz \u00e9 o acto, no qual Ele completa e definitivamente se d\u00e1 e, deste modo, a todos nos atrai para os Seus bra\u00e7os. Porque se trata do \u00faltimo e mais alto grau do amor, por isso, \u00e9 que a Cruz \u00e9, em toda a sua humilha\u00e7\u00e3o, a Hora da Glorifica\u00e7\u00e3o: pois, em nenhuma parte, o amor de Deus aparece t\u00e3o poderosamente vis\u00edvel, como no momento em que o Filho nos amou &#8220;at\u00e9 ao fim&#8221; (Jo.13,1). Do lado aberto de Jesus correu sangue e \u00e1gua o Baptismo e a Eucaristia: isto \u00e9, os dois sacramentos fundamentais do cristianismo t\u00eam a sua origem aqui. A Eucaristia \u00e9 o dom definitivo do vinho novo, numa profus\u00e3o e abund\u00e2ncia tal, que, atrav\u00e9s de todos os s\u00e9culos, basta para todas as gera\u00e7\u00f5es. A este vinho, como oferta real do amor de Jesus, como manifesta\u00e7\u00e3o real da Sua gl\u00f3ria divina no meio de n\u00f3s, antecipadamente se refere o dom do vinho de Can\u00e1.  No final da hist\u00f3ria de Can\u00e1 est\u00e1 uma palavra importante, mediante a qual o Evangelista manifesta o sentido do acontecimento: &#8220;Jesus revelou a Sua gl\u00f3ria e os Seus disc\u00edpulos acreditaram n&#8217;Ele&#8221; (2,11). O verdadeiro objectivo do acontecimento de Can\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o vinho este \u00e9 apenas o sinal, e j\u00e1 h\u00e1 muito tempo que se consumou e passou. O objectivo era antes a manifesta\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria de Jesus, o brilho da infinita bondade de Deus e o despertar da f\u00e9 nos disc\u00edpulos. O milagre mais profundo de Can\u00e1 \u00e9 a f\u00e9 dos disc\u00edpulos, os quais, para al\u00e9m do acontecimento exterior, come\u00e7am a reconhecer uma coisa maior: a presen\u00e7a sacrossanta de Deus no meio de n\u00f3s. E disso se trata tamb\u00e9m agora; e a partir disto podemos compreender a miss\u00e3o de Maria, que se torna bem vis\u00edvel no relato das Bodas de Can\u00e1. Maria n\u00e3o pede ao Senhor um milagre. De facto ainda n\u00e3o era claro, se o fazer milagres pertencia \u00e0 Sua miss\u00e3o. Ela simplesmente apresenta ao Senhor a dificuldade, na qual os amigos se encontravam. Maria coloca tudo nas m\u00e3os de Jesus e abandona se a Ele e ao Seu operar. Nem sequer a aparente recusa a desanima. A sua confian\u00e7a em Jesus e a unidade com a vontade do seu Filho permanecem ilesas. Assim, ela nos ensina: que tamb\u00e9m n\u00f3s, na nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus, devemos continuamente experimentar e avan\u00e7ar atrav\u00e9s de recusas. &#8220;Os meus pensamentos n\u00e3o s\u00e3o os vossos pensamentos&#8230;&#8221; A verdade desta palavra b\u00edblica experimentamo-la na nossa vida. \u00c9 importante, ent\u00e3o, despojarmo-nos da nossa maneira de ver e n\u00e3o nos abandonarmos \u00e0 desilus\u00e3o ou mesmo \u00e0 d\u00favida. Deste modo, podemos aprender a deixar converter a nossa vontade, muitas vezes errada, de modo que ela se conforme \u00e0 vontade de Deus e assim se torne recta.  Nesta passagem das Bodas de Can\u00e1 est\u00e1 tamb\u00e9m a palavra de Maria aos criados, a qual, depois do Fiat, \u00e9 talvez a sua mais bela palavra. Em \u00faltima an\u00e1lise, ela \u00e9 s\u00f3 uma aplica\u00e7\u00e3o do Fiat, do seu Sim, em rela\u00e7\u00e3o a todos n\u00f3s: Fazei tudo o que Ele vos disser. Isto significa, para n\u00f3s: conformai a vossa vontade \u00e0 vontade de Deus. Escutai e estai prontos para o Seu chamamento. Reconhecei O como o Senhor, que vos indica o caminho e vos conduz rectamente. Com estas palavras, convida os criados e convida nos tamb\u00e9m a n\u00f3s \u00e0 f\u00e9. Maria n\u00e3o pediu o milagre do vinho como tal mas aguardou inteiramente o que o Senhor iria fazer. Por\u00e9m ela chamou \u00e0 f\u00e9 e conduziu para o verdadeiro milagre. Por isso, Isabel saudou Maria, por ocasi\u00e3o da sua visita, com as palavras: &#8220;Bem aventurada \u00e9s tu porque acreditaste&#8221; (Luc.1,45). Com a sua f\u00e9, ela abriu a porta para a Encarna\u00e7\u00e3o da Palavra, para as santas n\u00fapcias entre Deus eterno e a sua criatura, a pessoa humana. A partir da sua f\u00e9, como crente, ela \u00e9 agora, como diz a Igreja Oriental, a Hodegetria, a condutora que leva \u00e0 f\u00e9, ao interior do mist\u00e9rio nupcial do amor de Cristo. Ela antecipou assim o essencial do que aconteceu e mostra nos o n\u00facleo, o que para sempre importa saber. Fazei o que Ele vos disser acreditai em Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo. Acreditai com uma f\u00e9, que \u00e9 amor; crede com uma f\u00e9 que n\u00e3o \u00e9 pura teoria, mas vida; crede com uma f\u00e9 que aceita a vontade de Deus, mesmo se a n\u00e3o conhecemos e se vai contra a nossa vontade. Acreditai e, no meio das coisas terrenas, vereis a gl\u00f3ria de Deus, a superabund\u00e2ncia e o brilho do Seu amor. Acreditai e vereis: onde os outros s\u00f3 v\u00eaem a cruz, uma exist\u00eancia falhada e um fim vergonhoso, vereis v\u00f3s a sobremedida do superabundante amor de Deus, a Sua gl\u00f3ria que nos salva. Acreditai e recebereis o saboroso vinho da presen\u00e7a de Deus na vossa vida. Acreditai em Deus e ent\u00e3o as \u00e1guas mesquinhas do dia a dia, os mesquinhos dons que oferecemos, h\u00e3o de transformar se no vinho da Sua santa proximidade.  Isto nos diz, a isto nos exorta Maria, precisamente aqui em F\u00e1tima. As palavras &#8220;fazei tudo o que Ele vos disser&#8221; s\u00e3o express\u00e3o do amor, da solicitude maternal d&#8217;Aquela que, sendo M\u00e3e de Deus, \u00e9 tamb\u00e9m, por vontade de Cristo, nossa M\u00e3e. De facto, junto \u00e0 Cruz, o Senhor fez dela m\u00e3e do disc\u00edpulo amado, m\u00e3e de todos os disc\u00edpulos de Cristo Seu Filho e, portanto, nossa m\u00e3e. E como diz o \u00faltimo Conc\u00edlio: &#8220;A maternidade de Maria na economia da gra\u00e7a perdura sem interrup\u00e7\u00e3o, desde o consentimento que fielmente deu na anuncia\u00e7\u00e3o e que manteve inabal\u00e1vel junto \u00e0 cruz, at\u00e9 \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o eterna de todos os eleitos&#8221; (L.G. 62). \u00c9 pr\u00f3prio das m\u00e3es desejar e procurar o bem dos filhos. Por isso tamb\u00e9m Maria Sant\u00edssima, que \u00e9 Rainha, M\u00e3e de Miseric\u00f3rdia, M\u00e3e Clement\u00edssima e intimamente associada \u00e0 obra do Seu Filho, como nossa M\u00e3e, na ordem da gra\u00e7a (L.G. 61), continua sol\u00edcita a sua fun\u00e7\u00e3o materna, exortando nos a cumprir a vontade de Deus, a escutar e a p\u00f4r em pr\u00e1tica as palavras do seu Divino Filho. Como em Can\u00e1, as suas exorta\u00e7\u00f5es, a sua protec\u00e7\u00e3o e a sua maternal solicitude perduram por todos os s\u00e9culos em prol daqueles que a &#8220;proclamam bendita por todas as gera\u00e7\u00f5es&#8221; (Luc 1,48 ).  Atrav\u00e9s dos dois grandes sinais de Lurdes e de F\u00e1tima, ela est\u00e1 connosco, como M\u00e3e de Miseric\u00f3rdia e nos exorta. N\u00e3o precisa de muitas palavras, pois tudo est\u00e1 dito, naquela sua palavra essencial toda impregnada de solicitude materna: &#8220;fazei tudo o que Ele vos disser&#8221;. Devemos notar tamb\u00e9m que Maria falou aos pequeninos, aos menores, aos sem voz, aos que n\u00e3o contam, neste mundo iluminado, cheio de orgulho de saber e de f\u00e9 no progresso, o qual \u00e9, ao mesmo tempo, um mundo cheio de destrui\u00e7\u00f5es, cheio de medo e cheio de desespero: porque, de facto, eles j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam vinho, mas s\u00f3 \u00e1gua. \u00d3 quanto isto tem aplica\u00e7\u00e3o hoje! Maria fala aos pequeninos, para nos mostrar o que \u00e9 preciso saber: isto \u00e9, atender ao \u00fanico necess\u00e1rio, ao inteiramente simples, ao que para todos \u00e9 igualmente importante e igualmente poss\u00edvel: crer em Jesus Cristo, o bendito fruto do seu ventre. N\u00f3s lhe agradecemos esta sua presen\u00e7a maternal e por nos falar, como M\u00e3e Clement\u00edssima e Misericordiosa, aqui neste lugar, e dum modo t\u00e3o vivo e t\u00e3o expressivo. E \u00e9, por isso, que, com toda a Igreja, louvando a M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e celeste, com as palavras da &#8220;Salve Rainha, M\u00e3e de Miseric\u00f3rdia&#8221;, lhe pedimos: &#8220;e depois deste desterro nos mostrai Jesus, \u00f3 clemente, \u00f3 piedosa, \u00f3 doce Virgem Maria&#8221;. Amen.  <i>Santu\u00e1rio de F\u00e1tima<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Santu\u00e1rio de F\u00e1tima recebeu com muita alegria a not\u00edcia da elei\u00e7\u00e3o do Sumo Pont\u00edfice Joseph Ratzinger, que escolheu o nome de Papa Bento XVI. \u00c0 not\u00edcia da elei\u00e7\u00e3o no novo Papa, os sinos repicaram em toque de festa, um pouco antes das 17 horas. 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