{"id":11417,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/bento-xvi-um-homem-da-igreja\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"bento-xvi-um-homem-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bento-xvi-um-homem-da-igreja\/","title":{"rendered":"Bento XVI, um homem da Igreja"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/ratzinger.jpg\" align=\"left\">O Cardeal Joseph Ratzinger, de 78 anos, \u00e9 o novo Papa da Igreja Cat\u00f3lica, assumindo o nome de Bento XVI.  Uma das figuras fortes durante o Pontificado de Jo\u00e3o Paulo II, no qual assumiu as fun\u00e7\u00f5es de Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o da Doutrina da F\u00e9, Bento XVI nasceu a 16 de Abril de 1927, em Marktl (Baviera), na diocese de Passau, numa fam\u00edlia tradicional de camponeses. Participou como soldado do ex\u00e9rcito alem\u00e3o nos \u00faltimos meses da II Guerra Mundial e passou algum tempo num campo de prisioneiros norte-americano antes de ser libertado.  Entre 1946 e 1951 estudou filosofia e teologia na Escola Superior de Filosofia, em Freising, e na Universidade de Munique. Foi ordenado sacerdote a 29 de Junho de 1951. Em 1953 doutorou-se em teologia com a tese \u201cPovo e casa de Deus na Doutrina da Igreja da Santo Agostinho\u201d e quatro anos depois obteve a livre doc\u00eancia com um trabalho sobre a \u201cTeologia da Hist\u00f3ria de S\u00e3o Boaventura\u201d. Posteriormente leccionou em v\u00e1rias universidades da Alemanha, cultivando uma grande cultura teol\u00f3gica. A aten\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica come\u00e7ou a recair sobre ele quando foi conselheiro do Cardeal Firngs, um dos motores do II Conc\u00edlio do Vaticano, no qual Bento XVI participou como perito. Aos 35 anos era uma verdadeira estrela teol\u00f3gica e, mais tarde, destacou-se na defesa da f\u00e9 perante o marxismo e o ate\u00edsmo crescente da juventude, no Maio de 68. Juntamente com os grandes pensadores do Conc\u00edlio &#8211; Congar, Schillebeeckx, Rahner, K\u00fcng\u2026 &#8211; funda a prestigiada revista \u201cConcilium\u201d. Na altura defende uma reforma dos m\u00e9todos do Santo Of\u00edcio, a futura Congrega\u00e7\u00e3o da Doutrina da F\u00e9. Publicou obras de refer\u00eancia da teologia conciliar, como \u201cA F\u00e9 crist\u00e3 ontem e hoje\u201d (1969) e \u201cO novo povo de Deus\u201d (1971). As suas convic\u00e7\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o mundo na modernidade foram abaladas pelos desenvolvimentos do ano de 1968, face \u00e0 tempestade contestat\u00e1ria que abala a Igreja. Perante uma ideia de Cristianismo que se desvanece, ele luta pela sua redifini\u00e7\u00e3o. Foi membro da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional, de 1969 a 1977. Eleito Arcebispo de Munique, a 24 de Mar\u00e7o de 1977, foi nesse mesmo ano criado Cardeal por Paulo VI e ter\u00e1 sido, em 1978, um dos mais fortes defensores da elei\u00e7\u00e3o do Cardeal Karol Wojtyla. Jo\u00e3o Paulo II nomeou-o Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o da Doutrina da F\u00e9, presidente da Comiss\u00e3o B\u00edblica Pontif\u00edcia, e presidente de Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional, a 25 de Novembro de 1981. Renunciou ao governo pastoral da Arquidiocese de Munique, a 15 de Fevereiro de 1982. Desde 2002 era o Decano do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio e o mundo habituou-se a v\u00ea-lo nos \u00faltimos dias, a presidir \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es das ex\u00e9quias de Jo\u00e3o Paulo II. Nos \u00faltimos anos assumiu-se como um dos homens chaves na defini\u00e7\u00e3o da Ortodoxia na Igreja Cat\u00f3lica e um dos mais importantes colaboradores de Jo\u00e3o Paulo II. Trabalhou durante muitos anos no S\u00ednodo dos Bispos. Foi presidente da Comiss\u00e3o para a prepara\u00e7\u00e3o do Catecismo da Igreja (1986-1992), um trabalho monumental que procura apresentar o essencial da f\u00e9 crist\u00e3 num modo pedag\u00f3gico e directo. Na C\u00faria Romana, era membro da Secretaria de Estado; das Congrega\u00e7\u00f5es para as Igrejas Orientais, Culto Divino e Sacramentos, Bispos, Evangeliza\u00e7\u00e3o dos povos, Educa\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica; dos Conselhos Pontif\u00edcios para a Unidade dos Crist\u00e3os, Cultura; das Comiss\u00f5es para Am\u00e9rica Latina, Ecclesia Dei. Recebeu por encargo de Jo\u00e3o Paulo II, a reflex\u00e3o da Via Sacra durante a Semana Santa de 2005.  <b>Bento XVI, biografia oficial do Vaticano<\/b> Joseph Ratzinger nomeado Cardeal em 1977 e Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 em 1981, Decano do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio desde 2002 nasceu em Marktl am Inn, no territ\u00f3rio da Diocese de Passau (Alemanha), a 16 de Abril de 1927.  O seu pai era um comiss\u00e1rio de pol\u00edcia e provinha de uma fam\u00edlia de agricultores da Baixa Baviera, cujas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas eram bastante modestas. A m\u00e3e era filha de artes\u00e3os de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar tinha trabalhado como cozinheira em v\u00e1rios hot\u00e9is.  Transcorreu a sua inf\u00e2ncia e a sua adolesc\u00eancia em Traunstein, uma pequena cidade perto da fronteira com a \u00c1ustria, a cerca de trinta quil\u00f3metros de Salisburgo. Recebeu neste contexto, que ele mesmo definiu &#8220;mozartiano&#8221;, a sua forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, humana e cultural.  O tempo da sua juventude n\u00e3o foi f\u00e1cil. A f\u00e9 e a educa\u00e7\u00e3o da sua fam\u00edlia preparou-o para a dura experi\u00eancia dos problemas relacionados com o regime nazista:  ele recordou ter visto o seu p\u00e1roco a\u00e7oitado pelos nazistas antes da celebra\u00e7\u00e3o da Santa  Missa  e  de  ter  conhecido  o  clima  de grande hostilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja cat\u00f3lica na Alemanha.  Mas precisamente nesta complexa situa\u00e7\u00e3o, descobriu a beleza e a verdade da f\u00e9 em Cristo e foi fundamental o papel da sua fam\u00edlia que continuou sempre a viver um testemunho cristalino de bondade e de esperan\u00e7a radicada na perten\u00e7a consciente \u00e0 Igreja. Quase no final da trag\u00e9dia da Segunda Guerra Mundial tamb\u00e9m foi alistado nos servi\u00e7os auxiliares anti-a\u00e9reos.  De 1946 a 1951 estudou filosofia e teologia na Escola superior de filosofia e teologia de Frisinga e na Universidade de Munique.  Em 29 de Junho de 1951 foi ordenado sacerdote.  Um ano mais tarde, Pe. Joseph Ratzinger iniciou a sua actividade did\u00e1ctica na mesma Escola de Frisinga onde tinha sido estudante.  Em 1953 formou-se em teologia com uma disserta\u00e7\u00e3o sobre o tema:  &#8220;Povo e Casa de Deus na Doutrina da Igreja de Santo Agostinho&#8221;.  Em 1957 fez a livre doc\u00eancia com o conhecido professor de teologia fundamental de Munique, Gottlieb S\u00f6hngen, com um trabalho sobre:  &#8220;A teologia da hist\u00f3ria de S\u00e3o Boaventura&#8221;.  Depois de um cargo de dogm\u00e1tica e de teologia fundamental na Escola superior de Frisinga, prosseguiu a sua actividade de ensino em Bonn (1959-1969), em Monast\u00e9rio (1963-1966) e em Tubinga (1966-1969). A partir de 1969 foi professor de dogm\u00e1tica e de hist\u00f3ria dos dogmas na Universidade de Ratisbona, onde desempenhou tamb\u00e9m o cargo de Vice-Reitor da Universidade.  A sua intensa actividade cient\u00edfica levou-o a desempenhar importantes cargos no \u00e2mbito da Confer\u00eancia Episcopal Alem\u00e3, na Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional.  Entre as suas publica\u00e7\u00f5es, numerosas e qualificadas, teve particular eco a &#8220;Introdu\u00e7\u00e3o ao cristianismo&#8221; (1968), uma colect\u00e2nea de li\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias sobre a &#8220;profiss\u00e3o de f\u00e9 apost\u00f3lica&#8221;  Em 1973, foi publicado o volume:  &#8220;Dogma e Revela\u00e7\u00e3o&#8221;, que re\u00fane os ensaios, as medita\u00e7\u00f5es e as homilias dedicadas \u00e0 pastoral.  Teve grande resson\u00e2ncia a sua confer\u00eancia pronunciada na Academia Cat\u00f3lica da Baviera sobre o tema:  &#8220;Por que \u00e9 que eu ainda estou na Igreja?&#8221;. Nesta ocasi\u00e3o declarou com a sua habitual clareza:  &#8220;S\u00f3 na Igreja \u00e9 poss\u00edvel ser crist\u00e3os e n\u00e3o ao lado da Igreja&#8221;.  A s\u00e9rie numerosa de publica\u00e7\u00f5es continuou abundante e pontual ao longo dos anos, constituindo um ponto de refer\u00eancia para tantas pessoas e sobretudo para quantos est\u00e3o comprometidos no estudo aprofundado da teologia. Basta pensar, por exemplo, no volume &#8220;Relat\u00f3rio sobre a f\u00e9&#8221; de 1985 e no volume &#8220;O sal da terra&#8221; de 1996. Deve ser recordado tamb\u00e9m o livro &#8220;Na escola da Verdade&#8221;, impresso por ocasi\u00e3o do seu septuag\u00e9simo anivers\u00e1rio.  De grande valor, central na vida do Pastor Ratzinger, foi a experi\u00eancia proveitosa da sua participa\u00e7\u00e3o no Conc\u00edlio Vaticano II, nas vestes de &#8220;perito&#8221;, experi\u00eancia que ele viveu tamb\u00e9m como confirma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o por ele mesmo definida &#8220;teol\u00f3gica&#8221;.  A 25 de Mar\u00e7o de 1977 o Papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de Monast\u00e9rio e Frisinga.  Recebeu a ordena\u00e7\u00e3o episcopal no dia 28 de Maio do mesmo ano:  foi o primeiro sacerdote diocesano que assumiu, depois de oitenta anos, o governo pastoral da grande Diocese da Baviera. Escolheu como mote episcopal:  &#8220;Colaboradores da Verdade&#8221;.  O Papa Montini criou-o e publicou-o Cardeal, do T\u00edtulo de Santa Maria Consoladora no Tiburtino, no Consist\u00f3rio de 27 de Junho de 1977.  Foi Relator na Quinta Assembleia Geral do S\u00ednodo dos Bispos (1980) sobre o tema da Fam\u00edlia crist\u00e3 no mundo contempor\u00e2neo. Naquela ocasi\u00e3o, na sua primeira Rela\u00e7\u00e3o, desenvolveu uma an\u00e1lise ampla e pormenorizada sobre a situa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia no mundo, real\u00e7ando a este prop\u00f3sito a crise da cultura tradicional diante da mentalidade tecnicista e meramente racional. Ao lado dos aspectos negativos, n\u00e3o deixou de evidenciar a redescoberta do verdadeiro personalismo crist\u00e3o como fermento que fecunda a experi\u00eancia conjugal de muitos casais, e exortou tamb\u00e9m a uma correcta avalia\u00e7\u00e3o do papel da mulher, que deve ser inclu\u00edda entre as quest\u00f5es fundamentais na reflex\u00e3o sobre o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia. Na segunda parte da Rela\u00e7\u00e3o, dedicada ao des\u00edgnio de Deus sobre as fam\u00edlias de hoje, recordou sobretudo que a masculinidade e a feminilidade s\u00e3o express\u00e3o da comunh\u00e3o das pessoas como sinal original do dom de amor do Criador. Portanto real\u00e7ava o amor do homem e da mulher n\u00e3o \u00e9 privado, nem profano, nem meramente biol\u00f3gico, mas algo de sagrado que introduz num &#8220;estado&#8221;, numa nova forma de vida, permanente e respons\u00e1vel. O matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia recordou com veem\u00eancia precedem de qualquer maneira o Estado e ele deve respeitar o direito pr\u00f3prio do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia e o seu \u00edntimo mist\u00e9rio. Na terceira parte o Purpurado enfrentou os problemas pastorais ligados \u00e0 fam\u00edlia:  da constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade de pessoas ao da gera\u00e7\u00e3o da vida, da tarefa educativa \u00e0 necessidade da prepara\u00e7\u00e3o dos jovens para o matrim\u00f3nio e para a vida familiar, das tarefas sociais \u00e0s culturais e morais. A fam\u00edlia, conclu\u00eda, pode testemunhar ao mundo uma nova humanidade face ao dom\u00ednio do materialismo, do hedonismo e da permissividade.  Foi Presidente Delegado da Sexta Assembleia (1983) que teve por tema a reconcilia\u00e7\u00e3o e a penit\u00eancia na miss\u00e3o da Igreja. Na sua interven\u00e7\u00e3o nos trabalhos repetiu as normas pastorais promulgadas pela Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 que dizem respeito ao Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o e aprofundou, em particular, as quest\u00f5es ligadas a dois interrogativos que surgiram v\u00e1rias vezes durante os trabalhos nas assembleias:  o relativo \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de confessar os pecados graves j\u00e1 absolvidos durante a absolvi\u00e7\u00e3o geral e o concernente \u00e0 confiss\u00e3o pessoal como elemento essencial do Sacramento.  A sua palavra ofereceu um contributo fundamental de reflex\u00e3o e de confronto para o desenvolvimento de todos os S\u00ednodos dos Bispos.  A 25 de Novembro de 1981 Jo\u00e3o Paulo II nomeou-o Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9. Foi tamb\u00e9m Presidente da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o B\u00edblica e da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional. A 15 de Fevereiro de 1982 renunciou ao governo pastoral da Arquidiocese de Monast\u00e9rio e Frisinga.  O seu servi\u00e7o como Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 foi incans\u00e1vel e \u00e9 quase imposs\u00edvel enumerar o seu trabalho no espa\u00e7o de uma biografia. A sua obra como Colaborador de Jo\u00e3o Paulo II foi cont\u00ednua e preciosa.  Entre os numerosos pontos firmes da sua obra, destacamos o papel de Presidente da Comiss\u00e3o para a Prepara\u00e7\u00e3o do Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica.  A 5 de Abril de 1993 foi chamado a fazer parte da Ordem dos Bispos e tomou posse do T\u00edtulo da Igreja Suburbic\u00e1ria de Velletri-Segni.  No dia 6 de Novembro de 1998 foi nomeado Vice-Decano do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio e a 30 de Novembro de 2002 tornou-se Decano:  tomou posse do T\u00edtulo da Igreja Suburbic\u00e1ria de Ostia.  At\u00e9 \u00e0 elei\u00e7\u00e3o para a C\u00e1tedra de Pedro foi Membro do Conselho da II Sess\u00e3o da Secretaria de Estado; das Congrega\u00e7\u00f5es para as Igrejas Orientais, do Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para os Bispos, para a Evangeliza\u00e7\u00e3o, para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica; do Pontif\u00edcio Conselho para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os; da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o para a Am\u00e9rica Latina e da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o &#8220;Ecclesia Dei&#8221;.  Por ocasi\u00e3o do seu cinquenten\u00e1rio de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, Jo\u00e3o Paulo II enviou-lhe uma mensagem na qual, referindo-se \u00e0 coincid\u00eancia do seu jubileu com a solenidade lit\u00fargica dos Santos Pedro e Paulo, com palavras de certa forma &#8220;prof\u00e9ticas&#8221; lhe recordava que &#8220;em Pedro ressalta o princ\u00edpio de unidade, fundado na f\u00e9 firme como a rocha do Pr\u00edncipe dos Ap\u00f3stolos; em Paulo a exig\u00eancia intr\u00ednseca do Evangelho de chamar cada homem e cada povo \u00e0 obedi\u00eancia da f\u00e9. Estas duas dimens\u00f5es conjugam-se no testemunho comum de santidade, que cimentou a generosa dedica\u00e7\u00e3o dos dois ap\u00f3stolos ao servi\u00e7o da imaculada Esposa de Deus. Como n\u00e3o ver nestas duas componentes perguntava Jo\u00e3o Paulo II tamb\u00e9m as coordenadas fundamentais do caminho que a Provid\u00eancia disp\u00f4s para Si, Senhor Cardeal, chamando-o ao Sacerd\u00f3cio?&#8221;.  A ele foram confiadas as medita\u00e7\u00f5es da Via-Sacra de 2005 celebrada no Coliseu. Nesta inesquec\u00edvel Sexta-Feira Santa, Jo\u00e3o Paulo II, estreitando a si o Crucifixo, num &#8220;\u00edcone&#8221; comovedor de sofrimento, ouviu em silencioso recolhimento as palavras daquele que iria ser o seu Sucessor na C\u00e1tedra de Pedro. Significativamente, o leitmotiv da Via-Sacra foi a palavra pronunciada por Jesus no Domingo de Ramos, com a qual imediatamente depois da sua entrada em Jerusal\u00e9m responde \u00e0 pergunta de alguns gregos que o queriam ver:  &#8220;Se o gr\u00e3o de trigo, caindo na terra, n\u00e3o morrer, permanece s\u00f3; ao contr\u00e1rio, se morrer, d\u00e1 muito fruto&#8221; (Jo 12, 24). Com estas palavras o Senhor ofereceu uma interpreta\u00e7\u00e3o &#8220;eucar\u00edstica&#8221; e &#8220;sacramental&#8221; da sua Paix\u00e3o. Mostra-nos foi a sua reflex\u00e3o que a Via-Sacra n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma cadeia de sofrimento, de coisas nefastas, mas um mist\u00e9rio:  \u00e9 precisamente este processo no qual o gr\u00e3o de trigo ao cair na terra d\u00e1 fruto. Por outras palavras, mostra-nos que a Paix\u00e3o \u00e9 uma oferenda de si mesmo e este sacrif\u00edcio d\u00e1 fruto e torna-se por conseguinte um dom para todos.  As suas reflex\u00f5es que ressoaram na noite de Sexta-feira Santa no cen\u00e1rio sugestivo do Coliseu permaneceram impressas nas consci\u00eancias dos homens. &#8220;N\u00e3o podemos deixar de pensar foi o seu vibrante convite na medita\u00e7\u00e3o da nona esta\u00e7\u00e3o em quanto sofre Cristo pela sua pr\u00f3pria Igreja? Quantas vezes se abusa do santo sacramento da sua presen\u00e7a, em que vazio e maldade de cora\u00e7\u00e3o muitas vezes ele entra! Quantas vezes celebramos apenas n\u00f3s pr\u00f3prios sem nos apercebermos dele! Quantas vezes a sua palavra \u00e9 deturpada e abusada! Quanta pouca f\u00e9 h\u00e1 em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta sujidade h\u00e1 na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerd\u00f3cio, deveriam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta autosufici\u00eancia!&#8221;. &#8220;Senhor \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o que surge do seu cora\u00e7\u00e3o muitas vezes a tua Igreja parece-nos uma barca na qual entra \u00e1gua por todos os lados. E tamb\u00e9m no teu campo de gr\u00e3o vemos mais erva daninha do que gr\u00e3o&#8230; A veste e o rosto t\u00e3o sujos da tua Igreja desconcertam-nos. Mas somos n\u00f3s quem os sujamos! Somos n\u00f3s que te tra\u00edmos todas as vezes, depois de todas as nossas grandes palavras, os nossos grandes gestos. Tem piedade da tua Igreja&#8230; Levantaste-te, ressuscitaste e podes levantar-nos a n\u00f3s tamb\u00e9m. Salva e santifica a tua Igreja. Salva e santifica todos n\u00f3s&#8221;.  S\u00f3 vinte e quatro horas depois da morte de Jo\u00e3o Paulo II, recebendo em Subiaco o &#8220;Pr\u00e9mio S\u00e3o Bento&#8221; promovido pela Funda\u00e7\u00e3o sublacense &#8220;Vida e Fam\u00edlia&#8221;, recordou com palavras hoje particularmente eloquentes:  &#8220;Precisamos de homens como Bento de N\u00f3rcia, que num tempo de dissipa\u00e7\u00e3o e de decad\u00eancia, se imergiu na solid\u00e3o mais extrema, conseguindo, depois de todas as purifica\u00e7\u00f5es que teve que sofrer, alcan\u00e7ar a luz. Voltou e fundou Montecassino, a cidade sobre o monte que, com tantas ru\u00ednas, reuniu as for\u00e7as com as quais se formou um mundo novo. Assim Bento, como Abra\u00e3o, tornou-se pai de muitos povos&#8221;.  Na sexta-feira, 8 de Abril, ele como Decano do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio presidiu \u00e0 Santa Missa das ex\u00e9quias de Jo\u00e3o Paulo II na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro. A sua homilia, podemos diz\u00ea-lo, expressou a grande fidelidade ao Papa e \u00e0 sua pr\u00f3pria miss\u00e3o. &#8220;&#8221;Segue-me&#8221;, diz o Senhor ressuscitado a Pedro, como sua \u00faltima palavra a este disc\u00edpulo, escolhido para apascentar as suas ovelhas. &#8220;Segue-me&#8221; esta palavra lapid\u00e1ria de Cristo pode ser considerada a chave para compreender a mensagem que vem da vida do nosso amado Papa Jo\u00e3o Paulo II, cujos despojos mortais depomos hoje na terra como semente de imortalidade o cora\u00e7\u00e3o cheio de tristeza, mas tamb\u00e9m de jubilosa esperan\u00e7a e de profunda gratid\u00e3o&#8221;.  &#8220;Segue-me!&#8221;, foi a palavra-chave, a ideia-guia da homilia que o Cardeal Ratzinger dirigiu ao mundo inteiro durante as ex\u00e9quias do Santo Padre. Uma palavra que narra a miss\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II e ao mesmo tempo uma exorta\u00e7\u00e3o que alcan\u00e7a todas as pessoas.  &#8220;Segue-me!&#8221;. Juntamente com o mandamento de apascentar o seu rebanho, Cristo anunciou a Pedro o seu mart\u00edrio s\u00e3o as palavras urgentes do Cardeal Ratzinger na sua vibrante e comovida homilia exequial. Com esta palavra que constitui ao mesmo tempo a conclus\u00e3o e o resumo do di\u00e1logo sobre o amor e o mandato de pastor universal, o Senhor recorda outro di\u00e1logo, feito no contexto da \u00faltima ceia. Aqui Jesus dissera:  &#8220;Para onde eu vou, v\u00f3s n\u00e3o podeis ir&#8221;. Pedro pergunta:  &#8220;Senhor, para onde vais?&#8221;. Jesus responde:  &#8220;Para onde eu vou agora, por enquanto tu n\u00e3o podes ir; seguir-me-\u00e1s mais tarde&#8221; (Jo 13, 33.36). Da ceia, Jesus vai para a cruz, vai para a ressurrei\u00e7\u00e3o entra no mist\u00e9rio pascal; Pedro, ainda n\u00e3o o pode seguir. Agora depois da ressurrei\u00e7\u00e3o chegou esse momento, esse &#8220;mais tarde&#8221;. Apascentando o rebanho de Cristo, Pedro entra no mist\u00e9rio pascal, encaminha-se para a cruz e para a ressurrei\u00e7\u00e3o. O Senhor diz isto com as seguintes palavras:  &#8220;&#8230; quando eras mais jovem&#8230; ias para onde querias, mas quando fores velho, estender\u00e1s as tuas m\u00e3os, e outro te h\u00e1-de cingir as vestes e levar-te para onde tu n\u00e3o queres&#8221; (Jo 21, 18). No primeiro per\u00edodo do seu Pontificado o Santo Padre, ainda jovem e cheio de for\u00e7as, sob a guia de Cristo ia at\u00e9 aos confins do mundo. Mas depois entrou cada vez mais na comunh\u00e3o dos sofrimentos de Cristo, compreendeu cada vez mais a verdade das palavras:  &#8220;Outro cingir-te-\u00e1&#8230;&#8221;. Foi precisamente nesta comunh\u00e3o com o Senhor sofredor que incansavelmente e com renovada intensidade anunciou o Evangelho, o mist\u00e9rio do amor que vai at\u00e9 ao fim (cf. Jo 13, 1)&#8221;.  &#8220;Ele afirmou o Cardeal Ratzinger interpretou para n\u00f3s o mist\u00e9rio pascal como mist\u00e9rio da miseric\u00f3rdia divina&#8230; O Papa sofreu e amou em comunh\u00e3o com Cristo e por isso a mensagem do seu sofrimento e do seu sil\u00eancio foi t\u00e3o eloquente e fecunda&#8221;. E concluiu da seguinte forma, com palavras que constituem uma &#8220;s\u00edntese&#8221; do Pontificado de Jo\u00e3o Paulo II mas tamb\u00e9m da sua pr\u00f3pria miss\u00e3o de fiel, directo e estreito Colaborador do Papa desde 1981 como Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9:  &#8220;Divina Miseric\u00f3rdia:  o Santo Padre encontrou o reflexo mais puro da miseric\u00f3rdia de Deus na M\u00e3e de Deus. Ele, que perdera a sua m\u00e3e quando ainda era crian\u00e7a, amou tanto a M\u00e3e divina. Sentiu as palavras do Senhor crucificado como se fossem ditas pessoalmente a ele:  &#8220;Eis a tua m\u00e3e!&#8221;. E fez como o disc\u00edpulo predilecto:  acolheu-a no \u00edntimo do seu ser Totus tuus. E da m\u00e3e aprendeu a conformar-se com Cristo. Permanece inesquec\u00edvel para todos n\u00f3s como neste \u00faltimo domingo de P\u00e1scoa da sua vida, o Santo Padre, marcado pelo sofrimento, se apresentou mais uma vez \u00e0 janela do Pal\u00e1cio Apost\u00f3lico e pela \u00faltima vez deu a b\u00ean\u00e7\u00e3o &#8220;Urbi et Orbi&#8221;. Podemos ter a certeza de que o nosso amado Papa agora est\u00e1 \u00e0 janela da casa do Pai, nos v\u00ea e nos aben\u00e7oa. Sim, aben\u00e7oa-nos Santo Padre. N\u00f3s confiamos a tua querida alma \u00e0 M\u00e3e de Deus, tua M\u00e3e, que te guiou todos os dias e agora te guiar\u00e1 \u00e0 gl\u00f3ria eterna do Seu filho, Jesus Cristo nosso Senhor&#8221;.  Na vig\u00edlia da sua elei\u00e7\u00e3o para o S\u00f3lio Pontif\u00edcio, na manh\u00e3 de segunda-feira, 18 de Abril, na Bas\u00edlica Vaticana, celebrou a Santa Missa &#8220;pro eligendo Romano Pontefice&#8221; com os Cardeais eleitores, poucas horas antes do in\u00edcio do Conclave que o teria eleito. &#8220;Nesta hora de grande responsabilidade exortou na homilia escutemos com particular aten\u00e7\u00e3o o que o Senhor nos diz&#8221;. Referindo-se \u00e0s leituras da Liturgia, recordou que &#8220;a miseric\u00f3rdia divina p\u00f5e um limite ao mal. Jesus Cristo \u00e9 a miseric\u00f3rdia divina em pessoa:  encontrar Cristo significa encontrar a miseric\u00f3rdia de Deus. O mandamento de Cristo tornou-se mandamento nosso atrav\u00e9s da un\u00e7\u00e3o sacerdotal; somos chamados a promulgar n\u00e3o s\u00f3 com palavras mas com a vida, e com os sinais eficazes dos sacramentos, &#8220;o ano de miseric\u00f3rdia do Senhor&#8221;&#8221;. &#8220;A miseric\u00f3rdia de Cristo real\u00e7ou n\u00e3o \u00e9 uma gra\u00e7a a bom pre\u00e7o, n\u00e3o sup\u00f5e a banaliza\u00e7\u00e3o do mal. Cristo leva no seu corpo e na sua alma todo o peso do mal, toda a sua for\u00e7a destruidora. Ele queima e transforma o mal no sofrimento, no fogo do seu amor sofredor&#8221;. &#8220;Quanto mais formos tocados pela miseric\u00f3rdia do Senhor acrescentou tanto mais entramos em solidariedade com o seu sofrimento, tornamo-nos dispon\u00edveis para completar na nossa carne &#8220;o que falta aos padecimentos de Cristo&#8221;&#8221;.  &#8220;N\u00e3o dever\u00edamos permanecer crian\u00e7as na f\u00e9, em estado de menoridade. Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes \u00faltimos dec\u00e9nios, quantas correntes ideol\u00f3gicas, quantas modas de pensamento&#8230; A pequena barca do pensamento de muitos crist\u00e3os n\u00e3o raramente foi agitada por estas ondas, lan\u00e7ada de um extremo ao outro:  do marxismo ao liberalismo, at\u00e9 \u00e0 libertinagem; do colectivismo ao individualismo radical; do ate\u00edsmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por a\u00ed adiante. Todos os dias surgem novas seitas e realiza-se quanto diz S\u00e3o Paulo sobre o engano dos homens, sobre a ast\u00facia que tende a levar ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma f\u00e9 clara segundo o Credo da Igreja, \u00e9 com frequ\u00eancia classificado de fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto \u00e9, deixar-se levar &#8220;aqui e al\u00e9m por qualquer vento de doutrina&#8221;, parece ser a \u00fanica atitude ao n\u00edvel dos tempos de hoje. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como \u00faltima medida s\u00f3 o pr\u00f3prio eu e as suas vontades. N\u00f3s, ao contr\u00e1rio, temos outra medida:  o Filho de Deus, o verdadeiro homem. \u00c9 ele a medida do verdadeiro humanismo. &#8220;Adulta&#8221; n\u00e3o \u00e9 uma f\u00e9 que segue as ondas da moda e a \u00faltima novidade; adulta e madura \u00e9 uma f\u00e9 profundamente radicada na amizade com Cristo. \u00c9 esta amizade que nos abre a tudo o que \u00e9 bom e nos d\u00e1 o crit\u00e9rio para discernir entre verdadeiro e falso, entre engano e verdade. Esta f\u00e9 adulta devemos amadurec\u00ea-la, para esta f\u00e9 devemos guiar o rebanho de Cristo&#8221;. &#8220;O nosso minist\u00e9rio recordou ao concluir \u00e9 um dom de Cristo aos homens, para construir o seu corpo, o novo mundo. Vivemos o nosso minist\u00e9rio assim, como dom de Cristo aos homens! Mas nesta hora, sobretudo, rezamos com insist\u00eancia ao Senhor, para que depois do grande dom do Papa Jo\u00e3o Paulo II, nos conceda de novo um pastor segundo o seu cora\u00e7\u00e3o, um pastor que nos guie ao conhecimento de Cristo, ao seu amor, \u00e0 alegria verdadeira&#8221;.  <B>Not\u00edcias na Ag\u00eancia ECCLESIA<\/B> <a href=\"resultados.asp?jornal=1&#038;termo=Ratzinger\">\u2022 Cardeal Razinger, Bento XVI<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Cardeal Joseph Ratzinger, de 78 anos, \u00e9 o novo Papa da Igreja Cat\u00f3lica, assumindo o nome de Bento XVI. 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