{"id":114117,"date":"2018-09-10T14:55:54","date_gmt":"2018-09-10T13:55:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=114117"},"modified":"2018-09-10T14:55:54","modified_gmt":"2018-09-10T13:55:54","slug":"a-cruz-escondida-25","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-25\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p>\u00cdndia: Massacres de Orissa continuam presentes na mem\u00f3ria de todos<!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/perdoar_confissao.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-114118 \" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/perdoar_confissao-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"528\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/perdoar_confissao-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/perdoar_confissao-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/perdoar_confissao-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/perdoar_confissao-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/perdoar_confissao.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 528px) 100vw, 528px\" \/><\/a>Aprender a perdoar<\/h3>\n<p>Cento e vinte mortos. Milhares de pessoas em fuga. Dezenas de aldeias atacadas. Seis mil casas destru\u00eddas. Trezentas igrejas e par\u00f3quias arrasadas. Em Agosto de 2008 ocorreu um verdadeiro massacre em Kandhamaln, no Estado de Orissa, na \u00cdndia. Foi h\u00e1 10 anos. Tarun Kumar assistiu a tudo. Ainda hoje parece irreal tanta viol\u00eancia contra os Crist\u00e3os\u2026<\/p>\n<p>Tarun Kumar Nayak tinha apenas nove anos quando a sua aldeia foi atacada por uma multid\u00e3o enfurecida que queria vingar a morte de um monge hindu \u00e0s m\u00e3os de guerrilheiros maoistas muito activos na regi\u00e3o. De nada valeu o facto de os pr\u00f3prios guerrilheiros terem reivindicado o assassinato de Swami Saraswati. Para alguns fundamentalistas hindus, que j\u00e1 no Natal de 2007 tinham instigado um violento ataque contra a comunidade crist\u00e3 em Orissa, os culpados estavam encontrados. O horror foi tal que mais de 50 mil crist\u00e3os tiveram de fugir. N\u00e3o houve ningu\u00e9m para os proteger, para os salvar. Ningu\u00e9m. Fugiram para a floresta e esconderam-se. O ataque foi b\u00e1rbaro e dirigido contra os crist\u00e3os. Ningu\u00e9m foi poupado. At\u00e9 uma irm\u00e3, sobrinha do Arcebispo D. John Barwa, foi violada e arrastada para a rua pela multid\u00e3o. No passado dia 25 de Agosto, a Igreja lembrou o massacre de Orissa. Numa nota publicada pela arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar, a Igreja sublinha que \u201ca maior dor\u201d que os Crist\u00e3os sentiram naqueles dias de inf\u00e2mia foi \u201cque o massacre dos inocentes continuou livremente por v\u00e1rios meses\u201d. Ainda hoje, dez anos depois, h\u00e1 fam\u00edlias que n\u00e3o foram ressarcidas de tudo o que perderam. Muitos casos foram simplesmente arquivados pelos tribunais. D. John Barwa \u2013 que j\u00e1 esteve em Portugal a convite da Funda\u00e7\u00e3o AIS \u2013, afirma que \u201c\u00e9 preciso paci\u00eancia e confian\u00e7a em Deus\u201d. O Arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar tem sido incans\u00e1vel no apoio \u00e0s fam\u00edlias atingidas pela viol\u00eancia em Orissa. Regularmente visita a regi\u00e3o. E em todas as vezes fica impressionado pelos relatos da trag\u00e9dia. \u201cAlgumas pessoas perderam a casa, outras a vida, muitos viram os seus familiares morrer. De algum modo todos ficaram marcados por esta trag\u00e9dia, que continua a ser uma das mais graves da hist\u00f3ria da \u00cdndia\u201d, diz o prelado.<\/p>\n<h3><strong>Dias de fuga<\/strong><\/h3>\n<p>Tarun Kumar Nayak era ainda uma crian\u00e7a quando a viol\u00eancia se abateu sobre a aldeia onde vivia. Dez anos depois, lembra-se de tudo como se a mem\u00f3ria desses dias fosse uma sombra que persegue sem cessar. \u201cTivemos que fugir e tent\u00e1mos abrigar-nos na densa floresta. And\u00e1mos quil\u00f3metros no escuro para evitar que nos matassem. Al\u00e9m disso, caminh\u00e1mos pelo menos dois dias sem comida e sem \u00e1gua. Alguns de n\u00f3s at\u00e9 ca\u00edram em po\u00e7os, como tamb\u00e9m nos depar\u00e1mos com cobras.\u201d O rasto de viol\u00eancia ficou impresso nas casas destru\u00eddas, nas Igrejas vandalizadas e profanadas, nas dezenas de mulheres violentadas, nas pessoas que ficaram enlutadas para o resto das suas vidas. A maior ironia \u00e9 que hoje, dez anos depois, nenhum dos criminosos respons\u00e1veis pela onda de viol\u00eancia em Orissa est\u00e1 na pris\u00e3o. Nem assassinos, nem ladr\u00f5es, nem violadores. Ningu\u00e9m. Mas sete crist\u00e3os que foram injustamente acusados de terem participado no assassinato do monge hindu \u2013 crime que foi prontamente reivindicado por guerrilheiros maoistas \u2013 continuam presos. Foi h\u00e1 dez anos. A vida dos que sofreram na pele a viol\u00eancia mais abjecta s\u00f3 se reconstr\u00f3i com verdadeiro perd\u00e3o. D. John Barwa, quando visitou Portugal, explicou que, apesar de toda a viol\u00eancia \u00e9 preciso continuar a dizer e a ensinar que \u201cDeus \u00e9 a resposta\u201d. \u201cDeus \u00e9 amor e no amor est\u00e1 o perd\u00e3o.\u201d Por isso, h\u00e1 cada vez mais Crist\u00e3os na \u00cdndia. \u00c9 f\u00e1cil encontr\u00e1-los e n\u00e3o s\u00f3 em Orissa. Basta procur\u00e1-los entre os \u2018dalits\u2019, entre as comunidades tribais, junto dos mais miser\u00e1veis e exclu\u00eddos da sociedade. Eles mostram com a pr\u00f3pria vida o sentido do perd\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00cdndia: Massacres de Orissa continuam presentes na mem\u00f3ria de todos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-114117","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=114117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114117\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=114117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=114117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=114117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}