{"id":114074,"date":"2018-09-17T10:27:59","date_gmt":"2018-09-17T09:27:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=114074"},"modified":"2018-09-10T10:40:35","modified_gmt":"2018-09-10T09:40:35","slug":"o-fim-das-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-fim-das-redes-sociais\/","title":{"rendered":"O Fim das Redes Sociais"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Autor<\/a><\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/quit_redes_sociais.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-114075 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/quit_redes_sociais-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"469\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/quit_redes_sociais-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/quit_redes_sociais-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/quit_redes_sociais-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/quit_redes_sociais-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/quit_redes_sociais.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 469px) 100vw, 469px\" \/><\/a>Quando falamos do \u201cfim\u201d das redes sociais podemos pensar de dois modos distintos. O fim das redes sociais tal como as conhecemos, ou em termos de finalidade, pois, sabemos que as redes sociais n\u00e3o ir\u00e3o acabar. E muito embora estas afectem mais os jovens e adolescentes, creio que n\u00e3o podemos excluir os adultos e mais idosos das altera\u00e7\u00f5es culturais que essas est\u00e3o a gerar e que desafiam o que pensamos ser a sua finalidade.<\/p>\n<p>O primeiro ind\u00edcio do \u201cfim\u201d das redes sociais, tal como as conhecemos, observa-se no afastamento por parte dos jovens pertencentes \u00e0 Gera\u00e7\u00e3o Z (GenZ), isto \u00e9, jovens que nasceram na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XX. Um <a href=\"http:\/\/genz.hhcc.com\/?utm_campaign=Thought%20Leadership%20%E2%80%94%20Gen%20Z&amp;utm_source=Press%20Release\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a> recentemente publicado pela Origin, feito a 1000 jovens americanos entre os 18 e os 24 anos, aponta que 34% da chamada Gera\u00e7\u00e3o Z afirma abandonar definitivamente as redes sociais e 64% ir\u00e1 fazer \u201cf\u00e9rias\u201d das mesmas. Em termos psicol\u00f3gicos, 41% dos jovens dizem que as redes sociais os fazem sentir ansiosos, tristes e deprimidos, embora, paradoxalmente, 77% vejam mais benef\u00edcios nestas plataformas do que o contr\u00e1rio. O que poder\u00e1 estar na raiz deste paradoxo?<\/p>\n<p>De certo modo, quando a televis\u00e3o surgiu ocupou muito do espa\u00e7o anteriormente dedicado aos jornais, teatros e &#8211; diria &#8211; tamb\u00e9m das bibliotecas, pois, muitos dos conte\u00fados passaram a chegar \u00e0s pessoas na comodidade da sua casa. Nesse sentido, a que realidade pertencia o espa\u00e7o que \u00e9 hoje ocupado pelas redes sociais? Pelo facto destas permitirem um contacto virtual maior entre as pessoas podemos pensar nas cartas, telefonemas, encontro com um amigo para tomar um caf\u00e9 ou com ele dar um passeio. Mas diante dos sintomas expressos pelo jovens, creio que o espa\u00e7o ocupado seja outro, e estou ciente de que poderei incomodar-te: o alcoolismo.<\/p>\n<p>As pessoas voltam-se para o \u00e1lcool por n\u00e3o saberem como lidar com os seus problemas, e a dopamina libertada no c\u00e9rebro quando se bebe d\u00e1-lhes a sensa\u00e7\u00e3o de prazer que precisam para se alhear da realidade dura que vivem, das frusta\u00e7\u00f5es, humilha\u00e7\u00f5es, incapacidade de serem felizes nos seus relacionamentos, entre tantos outros motivos. E depois de terminar o efeito acabam por sentir-se \u201cansiosos, tristes e deprimidos.\u201d Por\u00e9m, as redes sociais possuem um efeito que exige significativamente bem mais cautela do que o \u00e1lcool, por induzir ao v\u00edcio com muito mais subtileza, gradualidade e sem manifesta\u00e7\u00f5es exteriores t\u00e3o evidentes como na embriaguez.<\/p>\n<p>Se usas e gostas das redes sociais \u00e9 poss\u00edvel que neste momento comeces a desistir de ler este artigo. N\u00e3o te identificas e parece-te que estou a comparar-te, ainda que em sentido figurado, a uma pessoa alco\u00f3lica. Ou ent\u00e3o, ainda que reconhe\u00e7as o paralelo com o \u00e1lcool como apenas uma met\u00e1fora, parece-te que estou a acusar-te de ser viciado. Ou ainda, n\u00e3o te identificas porque v\u00eas mais benef\u00edcios nas redes sociais do que malef\u00edcios. Eu compreendo-te, mas n\u00e3o te deixa, no m\u00ednimo, intrigado por que raz\u00e3o est\u00e3o os psic\u00f3logos e soci\u00f3logos a estudar a fundo este fen\u00f3meno e as suas conclus\u00f5es n\u00e3o sejam favor\u00e1veis ao uso das redes sociais, mas sim &#8211; gradualmente &#8211; movem-se no sentido de uma desintoxica\u00e7\u00e3o digital?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/medium.com\/thrive-global\/how-technology-hijacks-peoples-minds-from-a-magician-and-google-s-design-ethicist-56d62ef5edf3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tristan Harris<\/a>, um dos \u201cfil\u00f3sofos\u201d por detr\u00e1s dos produtos da Google, \u00e9 considerado como aquele que est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de ser a \u201cconsci\u00eancia\u201d em Sillicon Valley. Ao contr\u00e1rio do que poder\u00edamos pensar, diz ele que o v\u00edcio das redes sociais n\u00e3o \u00e9 uma falha pessoal de cada um de n\u00f3s, por si s\u00f3, mas algo estimulado pelas pr\u00f3prias aplica\u00e7\u00f5es instaladas e respectivos dispositivos. Da\u00ed que Harris tenha sugerido a cria\u00e7\u00e3o de um \u201cJuramento Hipocr\u00e1tico\u201d para os designers de software, de modo a que deixem de explorar as vulnerabilidades psicol\u00f3gicas das pessoas. Pessoas como tu e eu.<\/p>\n<p>Tudo isto refor\u00e7a a posi\u00e7\u00e3o de um <a href=\"http:\/\/calnewport.com\/blog\/2018\/08\/23\/a-brief-summary-of-the-social-media-reform-movement\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">movimento<\/a> que come\u00e7ou em 2010 de pessoas que intu\u00edam como as redes sociais podiam ser prejudiciais para a nossa vida (veja-se o que acontece com os jovens), m\u00e1s para a democracia (<a href=\"https:\/\/eu.usatoday.com\/story\/news\/2018\/05\/11\/what-we-found-facebook-ads-russians-accused-election-meddling\/602319002\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">influ\u00eancia da R\u00fassia nas elei\u00e7\u00f5es americanas<\/a>) e para a privacidade (como no caso da <a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/exame\/2018-05-02-Cambridge-Analytica-fecha-depois-do-escandalo-Facebook\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cambridge Analytica<\/a>). A reforma que este movimento prop\u00f5e sintetiza-se em tr\u00eas pontos.<\/p>\n<p><strong>Renova\u00e7\u00e3o Cultural<\/strong> Atrav\u00e9s de algoritmos dos quais se conhece pouco, as corpora\u00e7\u00f5es que det\u00eam as plataformas das redes sociais procuram manipular a nossa aten\u00e7\u00e3o, e consumi-la at\u00e9 que cliquemos nos seus an\u00fancios, fornecendo mais informa\u00e7\u00e3o sobre n\u00f3s, o que estamos a viver e pensar. Renovar a cultura passa por privilegiar uma cultura do encontro pessoal, face-a-face, e proteger melhor as nossas capacidades cognitivas destas \u201carmas de distra\u00e7\u00e3o massiva.\u201d<\/p>\n<p><strong>Proteger os jovens<\/strong> O impacte viciante das redes sociais e aplica\u00e7\u00f5es como o Snapchat s\u00e3o preocupantes. Esta \u00faltima incita os jovens a partilhar fotos com os seus amigos &#8211; que as t\u00eam de visualizar &#8211; para manterem umas \u201cchamas.\u201d Jean Twenge escreveu recentemente um <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/gp\/product\/1501151983\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">livro<\/a>, iGen, n\u00e3o traduzido ainda para portugu\u00eas, que alerta para o efeito destas e outras situa\u00e7\u00f5es sobre a sa\u00fade mental dos jovens. Se a sociedade procura enfrentar esta situa\u00e7\u00e3o, como as recentes proibi\u00e7\u00f5es de telem\u00f3veis e tablets nas escolas francesas, o melhor que cada um de n\u00f3s pode fazer desde j\u00e1 seria dar o exemplo e promover outro tipo de actividades com os jovens que estimulem a sua criatividade.<\/p>\n<p><strong>Regulamentos<\/strong> A Europa foi pioneira na resposta aos excessos das redes sociais com o novo regulamento de protec\u00e7\u00e3o de dados, dando aos utilizadores mais controlo sobre a informa\u00e7\u00e3o que os sites recolhem sobre eles. Mas isso n\u00e3o substitui uma aprendizagem ao auto-dom\u00ednio, pois, al\u00e9m de regular os nossos dados, mais importante ainda \u00e9 regular a nossa vida.<\/p>\n<p>As redes sociais, tal como as conhecemos hoje, est\u00e3o a morrer porque n\u00e3o nos ajudam a viver. Quando encontrarmos o modo justo de as usar, no desapego, e sem desviar a aten\u00e7\u00e3o plena sobre o olhar daqueles que est\u00e3o diante de n\u00f3s, talvez uma outra revolu\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a. Qual?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-114074","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114074","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=114074"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114074\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=114074"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=114074"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=114074"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}