{"id":113984,"date":"2018-09-08T05:27:59","date_gmt":"2018-09-08T04:27:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=113984"},"modified":"2018-09-07T15:33:46","modified_gmt":"2018-09-07T14:33:46","slug":"50-anos-de-um-padre-feliz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/50-anos-de-um-padre-feliz\/","title":{"rendered":"50 anos de um padre feliz"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/pioalvesjubileu.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-113988 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/pioalvesjubileu-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/pioalvesjubileu-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/pioalvesjubileu-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/pioalvesjubileu-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/pioalvesjubileu-1080x719.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/pioalvesjubileu.jpg 1264w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>D. Pio Alves est\u00e1 a celebrar o 50.\u00ba anivers\u00e1rio da sua ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal. Um percurso que passou por Navarra, Braga e Lisboa, antes de chegar ao Porto, e que se tem cruzado com v\u00e1rios servi\u00e7os pedidos pela Igreja Cat\u00f3lica e prestados com a prioridade da proximidade com as pessoas e as suas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por L\u00edgia Silveira<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) \u2013 O que \u00e9 que guarda da sua terra, Lanheses, na sua vida, na sua maneira de ser?<\/em><\/p>\n<p><em>D. Pio Alves (PA)<\/em> \u2013 De Lanheses n\u00e3o s\u00f3 guardo recorda\u00e7\u00f5es como, sempre que posso, quando o trabalho pastoral me d\u00e1 alguma disponibilidade, procuro passar por l\u00e1, at\u00e9 porque tenho a viver na casa que \u00e9 da fam\u00edlia mais tr\u00eas irm\u00e3os. Eu sou o mais novo de 12, passo n\u00e3o s\u00f3 para reviver as ra\u00edzes, mas tamb\u00e9m para prestar apoio a quem l\u00e1 est\u00e1.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed nessa par\u00f3quia, nessa comunidade, nessa fam\u00edlia, que comecei a aperceber-me dos primeiros sinais de voca\u00e7\u00e3o sacerdotal. Era e \u00e9 uma comunidade viva, ent\u00e3o nessa \u00e9poca com uma presen\u00e7a muito not\u00f3ria de voca\u00e7\u00f5es sacerdotais: houve um per\u00edodo em que entre o Semin\u00e1rio de Braga e o Semin\u00e1rio dos Carmelitas, em Viana do Castelo, chegou a haver 22 seminaristas. S\u00e3o sinais que Deus vai pondo no caminho e que, com a ajuda de muitas pessoas, fui procurando ler, ao longo destes anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Sinais que encontrou tamb\u00e9m em casa? Dos seus irm\u00e3os que foram ordenados sacerdotes e dos seus pais?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Dos meus irm\u00e3os, com certeza. Tenho tr\u00eas irm\u00e3os sacerdotes, mais velhos, um que o Senhor j\u00e1 chamou a si e outros dois ainda est\u00e3o c\u00e1. Tudo isso tem a sua influ\u00eancia, naturalmente, na vida de uma crian\u00e7a, de um mi\u00fado, de um adolescente.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, teve import\u00e2ncia o ambiente paroquial que j\u00e1 referi e o ambiente familiar, dos meus pais, concretamente o meu pai &#8211; aos domingos \u00e0 tarde havia o ter\u00e7o e antes havia a catequese. Sistematicamente, \u00edamos \u00e0 igreja, ia \u00e0 igreja tamb\u00e9m \u00e0 tarde, acompanhado pelo meu pai. Na minha casa sempre se rezou o ter\u00e7o, ainda hoje se reza, em fam\u00edlia. Tenho essa grat\u00edssima recorda\u00e7\u00e3o do meu pai, da minha m\u00e3e que sempre teve um enorme carinho para com os seus filhos, para comigo. Foi uma pessoa que pela sua simplicidade, pelo seu exemplo, nos marcou, pela extrema dedica\u00e7\u00e3o e cuidado com os mais pobres.<\/p>\n<p>Os meus pais tinham uma padaria, numa \u00e9poca complicada, do p\u00f3s-guerra, e faziam tudo o que podiam para atender \u00e0s pessoas mais pobres. \u00c9 uma marca da minha casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 \u00c9 importante manter essa rela\u00e7\u00e3o com a sua casa, com a sua g\u00e9nese, onde quer que esteja a residir?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Isso deixa marcas, felizmente positivas, que ficam para a vida e que se procuram transmitir \u00e0s gera\u00e7\u00f5es seguintes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Quando disse que queria entrar no semin\u00e1rio, n\u00e3o foi nenhuma surpresa\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 N\u00e3o, n\u00e3o foi surpresa, ainda que tenha sido ocasi\u00e3o de um renovado sacrif\u00edcio por parte dos meus pais. Eles n\u00e3o nadavam em dinheiro, nem pouco mais ou menos, viviam do trabalho de todos, e ter mais um filho no semin\u00e1rio \u2013 al\u00e9m dos tr\u00eas que se ordenaram, h\u00e1 outro irm\u00e3o que passou pelo semin\u00e1rio -, vinha sobrecarregar o or\u00e7amento familiar. Respeitaram a minha decis\u00e3o, n\u00e3o me empurraram, percebi que era mais uma carga, mas ningu\u00e9m se agarrou a isso para dizer \u201cn\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Reconhecer as dificuldades ajuda a marcar a personalidade?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Ajuda a assumir com responsabilidade aquilo que s\u00e3o os recursos postos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o. Recordo que, nessa \u00e9poca, \u00edamos para o semin\u00e1rio e s\u00f3 t\u00ednhamos f\u00e9rias no Natal e na P\u00e1scoa. Dava conta de tudo, minuciosamente, quando voltava a casa, tinha consci\u00eancia de que o dinheiro n\u00e3o sobrava e de que tinha de ser bem gasto.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Entrada no Semin\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><em>AE \u2013 O que \u00e9 que guarda desse tempo do semin\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Nessa altura passava-se por tr\u00eas casas diferentes, \u00e0 medida que os anos iam avan\u00e7ando. Guardo recorda\u00e7\u00f5es do semin\u00e1rio do seu conjunto, concretamente dos colegas que a\u00ed viviam. Era um ambiente em que trabalhava e formava na parte acad\u00e9mica, com bons professores. Tenho boas recorda\u00e7\u00f5es de tudo isso, do trabalho que se fazia, na \u00e1rea da Filosofia e da Teologia.<\/p>\n<p>Muito cedo comecei a assumir, a pedido dos superiores, tarefas de car\u00e1ter administrativo. Entrei no mundo editorial, com responsabilidade na revista que ainda existe, a revista Cen\u00e1culo, como colaborador, redator e, finalmente, como diretor, de tal forma que a minha presen\u00e7a nas tipografias vem j\u00e1 desde os 17, 18 anos. O cheiro a tinta\u2026 Nunca mais se esquece.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Guarda rela\u00e7\u00f5es do seu tempo de semin\u00e1rio, com colegas, professores?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Os professores penso que j\u00e1 faleceram, todos. Os colegas \u2013 \u00e9ramos um curso grande, terminamos mais de 20 \u2013 re\u00fanem-se todos os anos, por volta do dia 10 de junho. \u00c9 sempre uma alegria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O tempo de semin\u00e1rio foi de acompanhar o Conc\u00edlio Vaticano II. O que \u00e9 que chegava de Roma, das reformas?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Recordo essa fase dos estudos de Teologia e dos documentos conciliares, que iam saindo, em fasc\u00edculos. N\u00f3s \u00edamos lendo com avidez as novidades que vinham, nalgum caso \u00edamos fazendo confronto entre o que vinha nos documentos conciliares e alguns conte\u00fados cl\u00e1ssicos que eram transmitidos nas aulas.<\/p>\n<p>Foi uma fase francamente interessante, em que se adivinhavam as novidades que vinham a\u00ed. Portanto, com a nossa vontade, como jovens, de assumirmos e darmos corpo a essas novidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O que \u00e9 o inspirava mais no desejo de ser padre?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 A vida paroquial, de modo muito especial, embora depois o tempo n\u00e3o deixe fazer exatamente aquilo que a gente tinha idealizado. Tinha a ver com o acompanhamento pessoal e fui tentando corresponder a isso.<\/p>\n<p>Tive uma excelente experi\u00eancia de vida paroquial, por onde comecei, ainda que breve; continuo a ter essa experi\u00eancia de proximidade \u00e0s pessoas no Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um dos momentos, dos trabalhos mais significativos que um sacerdote tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>V\u00ea-se o muito que se pode fazer, no respeito pelas pessoas, e os dramas que muitas vivem, e que muitas vezes se escondem por tr\u00e1s de apar\u00eancias felizes. S\u00e3o momentos de particular\u00edssima delicadeza, no respeito pelas pessoas, mas tamb\u00e9m de disponibilidade de acender alguma luz, aqui e ali.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal e vida na Universidade<\/strong><\/p>\n<p><em>AE \u2013 O dia \u00e9 15 de agosto de 1968. Uma grande festa, na sua terra?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 N\u00e3o. Ali\u00e1s, essa era a tradi\u00e7\u00e3o que vinha j\u00e1, na minha fam\u00edlia, de n\u00e3o fazer uma grande festa.<\/p>\n<p>Recordo, no dia da ordena\u00e7\u00e3o, a minha fam\u00edlia foi a Braga e almo\u00e7amos junto ao Rio C\u00e1vado, j\u00e1 de caminho. No domingo seguinte, sim, houve Missa Nova na minha terra, mas tamb\u00e9m n\u00e3o houve grande banquete, mais uma vez sa\u00edmos com a fam\u00edlia, mais para norte, para os lados do Rio Minho, onde fizemos um piquenique.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Como \u00e9 Navarra surge na sua vida, para estudar?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Tinha o desejo de continuar os estudos superiores e nessa \u00e9poca, em Braga, o clero era abundante. No fim de um ano de vida paroquial, expus ao bispo D. Francisco Maria da Silva a possibilidade de continuar a estudar, o qual n\u00e3o colocou nenhuma dificuldade. Simplesmente perguntei se havia interesse em que assumisse alguma linha especial de trabalho, de investiga\u00e7\u00e3o, mas ficou ao meu crit\u00e9rio. A partir da\u00ed, tive de resolver a minha vida, com as dificuldades financeiras pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>A partir do segundo ano tive uma bolsa da Gulbenkian e passei a viver com um pouco mais de desafogo. A experi\u00eancia de gerir bem deu-me muito jeito, nesse momento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Ser professor nunca foi projeto de vida?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Queria ser sacerdote. Podia estar eventualmente nos planos acompanhar a forma\u00e7\u00e3o de seminaristas, mas n\u00e3o exclusivamente a carreira acad\u00e9mica. Nunca pus de lado o trabalho pastoral, de contacto direto com as pessoas.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia em diferentes contextos ajudou-me a afinar a sensibilidade e o gosto pela beleza, pelo trabalho bem feito, ordenado. O campo da arte vai surgir mais tarde, depois do regresso a Braga e, concretamente, j\u00e1 depois como bispo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Em Navarra surgiu a oportunidade de ser professor de Teologia em diferentes faculdades. Qual foi a import\u00e2ncia de cruzar a Teologia, o ensino da patr\u00edstica, com os v\u00e1rios saberes?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 A minha forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica foi a Teologia Patr\u00edstica, portanto, a Literatura Crist\u00e3 antiga. Em todo este per\u00edodo, dei aulas em diferentes faculdades, que eram aulas facultativas. Isso ajudou-me muito a fazer a ponte entre os conte\u00fados fundamentais da f\u00e9 e a vida das pessoas, porque me deparava com as mais variadas situa\u00e7\u00f5es. Guardo desses anos grat\u00edssimas recorda\u00e7\u00f5es, pelas rela\u00e7\u00f5es pessoais, e tamb\u00e9m pelo esfor\u00e7o, pela perce\u00e7\u00e3o que tive da necessidade de tratar os conte\u00fados de modo a que possam ser percebidos pelo destinat\u00e1rio, para n\u00e3o estarmos a perder o nosso tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Regressou a Portugal tamb\u00e9m com essas fun\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Foi um pedido expresso do meu bispo, que era ent\u00e3o D. Eurico Dias Nogueira, para que regressasse a Braga. \u00c9 evidente que disse que sim, era esse o meu compromisso como sacerdote, mas foi uma fase dif\u00edcil. Estava j\u00e1 com uma carreira acad\u00e9mica razo\u00e1vel, com alguma interven\u00e7\u00e3o em palcos internacionais, estava a produzir.<\/p>\n<p>Estava com a vida estabilizada e, \u00e0 partida, sem perspetivas de regresso a curto prazo. Foi uma quebra completa nos meus modelos de vida, ao chegar ao semin\u00e1rio, onde me foram entregues montanhas de disciplinas para as quais eu n\u00e3o tinha feito prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Eram ambientes novos, trabalhos novos, foram meses complicados que se superaram com a ajuda dos amigos e das pessoas que me foram apoiando.<\/p>\n<p>S\u00f3 tenho pena de uma coisa: a minha mem\u00f3ria para nomes \u00e9 muito fraca (risos).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Procurava manter um ambiente de proximidade com os seus alunos?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Sim, sim. Eu nunca fugi, no fim das aulas ficava, conversava, ajudava, estava dispon\u00edvel para alguma explica\u00e7\u00e3o. Isso era interessante e deixou marcas, para toda a vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Acompanhou a forma\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios sacerdotes, no semin\u00e1rio. Como guarda essa experi\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Com a alegria de ter dado o contributo poss\u00edvel para que estas pessoas pudessem crescer, inclusivamente, tamb\u00e9m, h\u00e1 pessoas com quem tenho uma excelente rela\u00e7\u00e3o e que, por diferentes raz\u00f5es, n\u00e3o terminaram o curso. Sempre procurei respeitar as decis\u00f5es das pessoas.<\/p>\n<p>Alegro-me muito ao ver os alunos crescerem, passarem para al\u00e9m daquilo que pode ter sido o mestre na sua vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Foi assumindo depois diferentes miss\u00f5es, concretamente na Faculdade de Teologia, depois na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa. Como recorda esse tempo, de instala\u00e7\u00e3o da faculdade em Braga?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Era um tempo em que se procuravam dar passos, para que o ent\u00e3o Instituto fosse integrado na Faculdade de Teologia, de pleno direito. Foi-me pedida essa colabora\u00e7\u00e3o, tinha alguma experi\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o administrativa que vinha da minha presen\u00e7a em Navarra, e dei o melhor para que esse dossi\u00ea fosse preparado. Tive a preocupa\u00e7\u00e3o de que estivesse presente a Comunica\u00e7\u00e3o Social, para dar um pouco mais de peso \u00e0 nossa proposta e isso ajudou. Acabamos por ser inclu\u00eddos, os n\u00facleos do Porto e de Braga, na dire\u00e7\u00e3o da Faculdade, e o doutor Jorge Coutinho continuou na dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Ser vice-reitor da Universidade Cat\u00f3lica, durante seis anos (1994-2000), ajudou-o a perceber que caminho \u00e9 que a institui\u00e7\u00e3o poderia ter, em Portugal?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Esse foi outro susto, foi o segundo susto, porque n\u00e3o foi f\u00e1cil a passagem de Braga para Lisboa. Acontece numa fase da vida da Faculdade, em Braga, em que tinha sido um esfor\u00e7o enorme na forma\u00e7\u00e3o de professores e come\u00e7aram a aparecer os primeiros frutos desse investimento que se fez.<\/p>\n<p>Fui convidado, disse que n\u00e3o, \u00e0 primeira. Depois sei que foram feitas uma s\u00e9rie de sondagens e regressaram \u00e0 primeira fase. Recordo uma conversa com D. Jos\u00e9 Policarpo, como magno chanceler, em Lisboa, j\u00e1 depois desta segunda ronda, em que mantive alguma resist\u00eancia, por tudo o que implicava de mudan\u00e7a. Ele, em \u00faltima inst\u00e2ncia, usou o argumento final, da minha condi\u00e7\u00e3o de padre e da minha obrigat\u00f3ria disponibilidade para servir a Igreja. Diante disso, aceitei.<\/p>\n<p>As dificuldades que tive nos primeiros meses resultam da mudan\u00e7a completa de ritmo, at\u00e9 porque mantive ainda, durante dois anos, todas as responsabilidades em Braga, com idas \u00e0 sexta-feira e regressos a Lisboa \u00e0 segunda-feira. D. Jos\u00e9 Policarpo teve, desde o princ\u00edpio, a preocupa\u00e7\u00e3o de me criar as melhores condi\u00e7\u00f5es, fez tudo o que estava ao seu alcance.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que eu conhecia j\u00e1 a universidade, na perspetiva da Faculdade de Teologia, na medida em que vinha de ser diretor-adjunto dessa faculdade. Nunca cultivei qualquer resist\u00eancia face a Lisboa, ao centro, como \u00e0s vezes acontece, e passei a olhar para o resto, a ver a universidade no seu todo, n\u00e3o simplesmente como uma Universidade de Lisboa, mas como uma estrutura regionalizada que est\u00e1 no pa\u00eds todo e que deve estar ao servi\u00e7o do pa\u00eds todo.<\/p>\n<p>Percebi mais claramente o que pode ser, o que vai sendo, o servi\u00e7o da Faculdade de Teologia \u00e0 sociedade e \u00e0 Igreja, no nosso pa\u00eds. Em primeiro lugar, porque uma Faculdade de Teologia \u00e9 importante para a forma\u00e7\u00e3o do clero e de agentes de pastoral, mas principalmente como presen\u00e7a da Igreja, institucional, no mundo da Cultura, da Ci\u00eancia, na sociedade no seu todo. Essa \u00e9 uma dimens\u00e3o que, \u00e0s vezes, mesmo na Igreja, custa a perceber, porque afunilamos a leitura da import\u00e2ncia desta faculdade simplesmente na forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Ela \u00e9 importante na medida em que souber cultivar valores fundamentais e estiver na sociedade com respeito pelas outras institui\u00e7\u00f5es, mas em plano de igualdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 \u00c9 importante a forma\u00e7\u00e3o de professores para a Faculdade de Teologia?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Isso \u00e9 um sinal da maturidade, mostra que a faculdade soube formar gente capaz de assumir novas responsabilidades. \u00c9 preciso manter o equil\u00edbrio, que n\u00e3o sejam sempre e s\u00f3 alunos formados por si, mas tamb\u00e9m continuar a haver abertura a outras proced\u00eancias, numa s\u00e3 diversidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Como \u00e9 que olha para a nomea\u00e7\u00e3o de D. Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a, que era vice-reitor da UCP, para a Biblioteca Apost\u00f3lica e o Arquivo Secreto do Vaticano?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Recordo, pela rela\u00e7\u00e3o que tive com D. Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a em Lisboa, que estive presenta nalgumas decis\u00f5es que ele tomou, acompanhei alguns destes passos. O seu crescimento foi-se tornando not\u00f3rio, na sociedade portuguesa, ao longo destes anos e, desde o ponto de vista de perce\u00e7\u00e3o global do que \u00e9 a import\u00e2ncia da Universidade, \u00e9 mais um sinal do seu crescimento e de que a Universidade Cat\u00f3lica forma pessoas que v\u00e3o estando presentes nas mais variadas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ter presente que, neste momento, se dermos uma volta pela sociedade, encontramos em diversos lugares &#8211; Economia, Direito, Pol\u00edtica \u2013 pessoas que passaram pela Universidade e que, independentemente da proximidade com a Igreja Cat\u00f3lica, assumem a sua condi\u00e7\u00e3o de alunos e o fundamental dos valores crist\u00e3os que lhes foram transmitidos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bispo auxiliar do Porto<\/strong><\/p>\n<p><em>AE \u2013 Em 2011, o Papa Bento XVI lan\u00e7a-lhe um susto. <\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 O terceiro (risos).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Como \u00e9 que recebeu a nomea\u00e7\u00e3o como bispo auxiliar do Porto?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Recordo os pormenores do dia em que me chega uma informa\u00e7\u00e3o que se podia pressupor que iria chegar a\u00ed: estava em Braga, a despachar com as funcion\u00e1rias do Museu alguns assuntos correntes, e v\u00eam-me dizer que tinha um telefonema &#8211; isto eram 9 da manh\u00e3 \u2013 do senhor n\u00fancio\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Imaginou o que poderia ser?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Que poderia ser algo disto. Marcamos uma conversa para a semana seguinte. Entretanto tive de ir a Lisboa, para uma celebra\u00e7\u00e3o da Universidade Cat\u00f3lica, encontrei-me com o senhor n\u00fancio, que j\u00e1 me disse do que se tratava e eu fiquei a pensar. Na segunda-feira seguinte disse, pois, vamos a isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O que pesou nessa reflex\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Dito assim de modo breve e simples: apetecer, n\u00e3o me apetecia nada. J\u00e1 tinha anos de vida, n\u00e3o era um menino, as perspetivas podiam ser mais de descanso do que um novo trabalho. Desse ponto de vista humano, de apetite, n\u00e3o ia por a\u00ed. Se calhar h\u00e1 quem n\u00e3o acredite que isto possa ser verdade, mas n\u00e3o ia por a\u00ed.<\/p>\n<p>Mais uma vez, o argumento final foi: \u00e9 isto que a Igreja lhe pede. Mesmo perante a minha ideia de que a idade j\u00e1 n\u00e3o era a mais adequada, foi-me dito que o Santo Padre tinha aceitado essa fun\u00e7\u00e3o com muitos mais anos do que eu. Diante disso, n\u00e3o havia mais nada a dizer\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 No cora\u00e7\u00e3o de padre, quando se confrontava com esta decis\u00e3o, estava o querer a ser padre, simplesmente?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Sim, sim. No fim de contas, foi ser padre de modo novo e de modo especial. Na ocasi\u00e3o, n\u00e3o tinha uma perce\u00e7\u00e3o t\u00e3o clara de como \u00e9 que isso se poderia concretizar, mas neste momento j\u00e1 sei, felizmente. Concretiza-se numa rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com os sacerdotes, por um lado, e por outro lado \u2013 de modo muito particular no contexto das visitas pastorais \u2013 \u00e9 feito num contacto f\u00e1cil com as pessoas, que me resulta f\u00e1cil. A passagem da situa\u00e7\u00e3o anterior a esta facilitou-me a possibilidade desse contacto pr\u00f3ximo com as pessoas, com todo o tipo de gente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Na Diocese do Porto j\u00e1 acompanhou tr\u00eas bispos. Como \u00e9 que tem sido este trabalho?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 As situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes, na medida em que, no primeiro caso, com D. Manuel Clemente, eu \u00e9 que fui acolhido, fui excelentemente bem recebido. Depois, quando veio D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, a\u00ed j\u00e1 fomos n\u00f3s a receb\u00ea-lo, no caso concreto, formalmente fui eu receb\u00ea-lo, porque era administrador apost\u00f3lico; tive as primeiras conversas, fiz as passagens de dossi\u00eas, estive sempre dispon\u00edvel para dar a minha opini\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso de D. Manuel Linda, foi algo diferente, porque quem tinha assumido a transi\u00e7\u00e3o foi D. Ant\u00f3nio Bessa Taipa, embora depois tivesse sido feita com cada um, nas conversas que vamos mantendo. S\u00e3o tr\u00eas figuras diferentes, mas s\u00e3o diferen\u00e7as que enriquecem; n\u00e3o \u00e9 tanto o bispo que se tem de adaptar a mim, sou eu quem se tem de adaptar a quem est\u00e1. \u00c9 isso que procuro fazer, com lealdade, procurando cumprir as fun\u00e7\u00f5es que s\u00e3o atribu\u00eddas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Ser administrador da Diocese do Porto foi um peso, mais um susto?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Essa n\u00e3o seria a solu\u00e7\u00e3o mais previs\u00edvel, sim. Depois, foram 10 meses de governo de uma diocese grande, com problemas, como t\u00eam todas. A vida n\u00e3o para, h\u00e1 decis\u00f5es que t\u00eam de ser tomadas, mas existe esse dif\u00edcil equil\u00edbrio entre o fazer e n\u00e3o fazer mais do que aquilo que se deve, para n\u00e3o invadir o terreno de quem vem a seguir. Esse equil\u00edbrio n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, principalmente quando isso se prolonga por muito tempo. E prolongou-se por demasiado tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Achou que foi muito?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Demasiado tempo. De tal forma que, na reta final, come\u00e7ou a ser particularmente mais pesado. Confesso que a gest\u00e3o dos primeiros acabou por n\u00e3o ser especialmente complicada, porque sempre tive a leal colabora\u00e7\u00e3o dos meus colegas, bispos auxiliares. Nunca tomei decis\u00f5es que n\u00e3o fossem conversadas com eles.<\/p>\n<p>A parte final foi um bocadinho mais pesada, porque depois come\u00e7am sempre estas coisas dos \u201ctotobolas\u201d, deste, daquele, do outro. Isso gera desgaste. \u00c9 amanh\u00e3, \u00e9 depois, \u00e9 daqui a 15 dias\u2026 A\u00ed sim, come\u00e7a-se a ficar sem saber se se h\u00e1 de tomar decis\u00f5es, o que se faz\u2026<\/p>\n<p>Foi uma experi\u00eancia diferente. Costumo dizer que as responsabilidades s\u00e3o como o ar quente, que tende a subir. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, sobe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aten\u00e7\u00e3o ao Patrim\u00f3nio, Cultura e Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/strong><\/p>\n<p><em>AE \u2013 Foi em Braga que acompanhou, de forma mais concreta, o trabalho de valoriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio dentro da Igreja.<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Sim, de modo muito especial, por sensibilidade e exig\u00eancia das fun\u00e7\u00f5es que exerci, fui respons\u00e1vel pelo Cabido da S\u00e9 de Braga e, nessa qualidade, diretor do Museu-Tesouro da S\u00e9. Assumi estas fun\u00e7\u00f5es num momento em que se perspetivava uma mudan\u00e7a radical naquilo que era ent\u00e3o, na pr\u00e1tica, Tesouro, isto \u00e9, guarda de pe\u00e7as. De tal modo que se mostravam \u00e0s visitas todas as pe\u00e7as de que se dispunham.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed, por gosto e por necessidade, que tive de fazer forma\u00e7\u00e3o e fui aprendendo, fui cuidando o meu gosto est\u00e9tico. O Museu-Tesouro da S\u00e9 foi considerado o museu com maior visibilidade da Igreja e mant\u00e9m-se assim, na atualidade.<\/p>\n<p>A\u00ed nesse setor, como noutros setores, j\u00e1 como bispo, em que tive oportunidade de contactar mais de perto, s\u00e3o mundos em que se percebe que temos de estar abertos \u00e0 totalidade e que as pessoas merecem sempre todo o respeito. N\u00f3s n\u00e3o estamos aqui para medir resultados, estamos aqui para fazermos aquilo que se nos pede, para fazer o melhor poss\u00edvel, para semear. Depois, logo se ver\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Encontrou nesse di\u00e1logo com a Cultura caminhos que a Igreja podia percorrer?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Sim, percebi de modo mais claro duas dimens\u00f5es: em primeiro lugar, a obriga\u00e7\u00e3o que a Igreja, os seus agentes mais diretos, os sacerdotes t\u00eam de respeitar o patrim\u00f3nio, de cuidar do patrim\u00f3nio, de n\u00e3o destruir patrim\u00f3nio; \u00e9 toda uma forma\u00e7\u00e3o que se tem de fazer para que o patrim\u00f3nio herdado e o que se est\u00e1 a construir neste momento, corresponda a padr\u00f5es culturais, de beleza, que estejam ao servi\u00e7o do Evangelho.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, as fun\u00e7\u00f5es que exerci ajudaram-me a perceber que h\u00e1 muit\u00edssima gente a trabalhar no mundo da cultura e da arte que procura, pela via beleza, a Beleza suprema que \u00e9 Deus. H\u00e1 campos inesgot\u00e1veis, de rela\u00e7\u00e3o pessoal, de propostas de evangeliza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Tivemos a sua presid\u00eancia na Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica\u00e7\u00f5es Sociais durante dois mandatos. O que recorda desses seis anos?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Foi um tempo muito interessante, mais f\u00e1cil do que \u00e0 partida poderia supor, pela simples raz\u00e3o de que os secretariados estavam organizados, tinham diretores, estavam a funcionar. Na pr\u00e1tica, t\u00eam a sua autonomia, n\u00e3o tem de haver um especial esfor\u00e7o em cruzar os secretariados entre si.<\/p>\n<p>No setor dos Bens Culturais, por causa da minha experi\u00eancia anterior, era onde me sentia mais \u00e0 vontade e tem vindo a ser desenvolvido um trabalho de sensibiliza\u00e7\u00e3o, de forma\u00e7\u00e3o, de aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas. Tem havido iniciativas de muito valor.<\/p>\n<p>O setor das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, onde est\u00e1 a Ag\u00eancia ECCLESIA, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, teve algumas fases de crescimento e de altera\u00e7\u00e3o de ritmos de trabalho, com tudo o que isso implica. \u00c9 um trabalho importante, que nunca est\u00e1 feito, no qual se tem tentado encontrar modelos consolidados, o que n\u00e3o tem sido f\u00e1cil, por parte da Igreja no seu todo, na harmoniza\u00e7\u00e3o de recursos. H\u00e1 a\u00ed uma toda uma s\u00e9rie de quest\u00f5es, de problemas que n\u00e3o est\u00e3o completamente resolvidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mesmo dentro da Igreja, este trabalho na \u00e1rea da cultura e dos bens culturais tem de ser continuamente proposto?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 Tem. Concretamente, no setor da cultura, \u00e9 aquele em que \u00e9 mais dif\u00edcil manter viva a chama da presen\u00e7a da Igreja, porque n\u00e3o se trata apenas de fazer iniciativas pontuais, \u00e9 preciso criar a mentalidade de que estar presente no mundo da cultura \u00e9 estar presente na sociedade, em todas as inst\u00e2ncias da sociedade. Isto tem uma leitura mais dif\u00edcil e, por isso, muitas vezes uma sensibilidade menos cuidada.<\/p>\n<p>Dos tr\u00eas secretariados que integram a comiss\u00e3o, aquele onde \u00e9 mais f\u00e1cil fazer a leitura da import\u00e2ncia e tamb\u00e9m dar continuidade \u00e0s iniciativas \u00e9 o dos bens culturais. N\u00e3o porque seja mais f\u00e1cil, mas porque se percebe melhor que isso \u00e9 importante e \u00e9 mais f\u00e1cil de ler o que j\u00e1 est\u00e1 feito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Este trabalho marcou-o na viv\u00eancia do que \u00e9 hoje o seu sacerd\u00f3cio?<\/em><\/p>\n<p><em>PA<\/em> \u2013 S\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que faziam parte do meu projeto de padre, digamos assim. Como \u00e9 evidente, \u00e0 medida que os anos passaram e foram aparecendo todas as circunst\u00e2ncias, estes setores t\u00eam uma leitura\u2026 A minha sensibilidade hoje da comunica\u00e7\u00e3o social e, muito concretamente, da cultura e dos bens culturais, \u00e9 diferente da que tinha noutros momentos. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social, se calhar \u00e9 onde mais cedo tive a perce\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Braga, tive a responsabilidade, como vig\u00e1rio episcopal, do setor das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, numa rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com o Di\u00e1rio do Minho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #0f31a3;\" border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\"><strong><span style=\"color: #ffffff;\"><em>AE \u2013 \u00c9 hoje o padre que sonhou, h\u00e1 50 anos?<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ffffff;\"><em>PA<\/em> \u2013 Estou feliz. Estou feliz, n\u00e3o sonhei o percurso \u2013 \u00e9 o que Deus vai pondo pelo caminho, as pessoas que se vai encontrando -, mas estou feliz e n\u00e3o me arrependo minimamente do passo que dei. Pelo contr\u00e1rio<\/span><\/strong>.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Pio Alves est\u00e1 a celebrar o 50.\u00ba anivers\u00e1rio da sua ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal. Um percurso que passou por Navarra, Braga e Lisboa, antes de chegar ao Porto, e que se tem cruzado com v\u00e1rios servi\u00e7os pedidos pela Igreja Cat\u00f3lica e prestados com a prioridade da proximidade com as pessoas e as suas situa\u00e7\u00f5es. Entrevista conduzida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":113988,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-113984","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=113984"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113984\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/113988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=113984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=113984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=113984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}